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4. Results and Discussion

4.5 Methodological Considerations

designação de “Semana do Livro”. Apenas no ano seguinte, a mesma passou para as mãos da Associação da Classe dos Livreiros de Portugal, atual Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Em 1939, foram aprovados os

século XIII, o negócio dos livros se desenvolve de uma forma bastante intensa, nomeadamente, em Itália, onde o movimento cultural do Renascimento se manifesta primeiramente e de modo mais expressivo, repercutindo-se, depois, na cultura de todos os países europeus.

Com o aparecimento da tipografia, em meados do século XV, o livro popularizou-se definitivamente, tornando-se mais acessível, porquanto cada vez mais pessoas aprendem a ler, o que aumenta a procura de livros que representa um negócio importante. As obras começam a ser rapidamente difundidas, ganhando forte adesão e a divulgação de novas ideias chega a um maior número de pessoas, existindo, nas grandes cidades, livrarias frequentemente geridas por impressores, pois “[…] o livro não floresce e a leitura não se expande sem editores e sem livreiros […]” (Guedes, 1987, p. 9).

No século XIX, com o desenvolvimento técnico e as mudanças a nível social, promotoras do alargamento do ensino público e do consequente incremento de leitores, o comércio de livros sofre nova transformação: a substituição da prensa manual por prensas movidas a vapor permite a impressão em escala industrial, o que favorece o crescimento deste negócio. A produção em massa garante custos mais reduzidos, pelo que a leitura se torna acessível a todas as parcelas da população, aparecendo livros cada vez mais fáceis de manusear como os livros de bolso e os almanaques. Se, precedentemente, cada impressor vendia a sua própria produção, agora, os impressores começam a trabalhar para um editor, o qual distribui os livros às livrarias que, por sua vez, os vendem ao público.

Sendo o livro um produto de elevado consumo e, dado o avanço da tecnologia e o aparecimento de novas plataformas, surge, nos finais do século XX, o livro eletrónico (e-book), cujo conteúdo aparece em formato digital, podendo ser lido em equipamentos eletrónicos. Não obstante o surgimento de novas modalidades e no seio de uma ambiência preferencialmente audiovisual (televisão, rádio, cinema, …), o livro2

tem conseguido sobreviver, continuando a ser uma forma manejável de fixação de textos a que se pode voltar sempre que se deseja: “[…] O livro, esse, manteve todo o seu vigor. Década após década foi acompanhando os tempos que chegavam. Esteve presente em todas as crises; viveu-as e venceu-as […]” (Guedes, 1987, p. 164).

4. VISITA ÀS LIVRARIAS BERTRAND E LELLO

2 Refere-se, como curiosidade, que a primeira Feira do Livro em Lisboa ocorreu em 1930, no Rossio, com a

designação de “Semana do Livro”. Apenas no ano seguinte, a mesma passou para as mãos da Associação da Classe dos Livreiros de Portugal, atual Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. Em 1939, foram aprovados os estatutos do Grémio Nacional dos Editores e Livreiros, reformulados em 1942 e em 1957.

Sendo a descoberta do livro uma grande “revolução”, o qual se configura como símbolo de cultura e de conhecimento, em que a língua, como dizia o poeta Fernando Pessoa, é a nossa pátria e se faz arte, torna-se interessante delinear uma visita a duas das livrarias mais emblemáticas existentes em Portugal. Por elas passaram muitos nomes da literatura portuguesa, o que confere um valor especial a estes locais, tornados lugares literários. Com efeito, estes lugares são potenciais destinos a explorar, pelo valor histórico e artístico inerente, surgindo como atração turística: visitar estas livrarias não é apenas entrar numa loja de livros, mas é conhecer a sua história, as suas particularidades, desvendando um passado de tradições; é fazer uma “viagem” pelo seu espaço, descobrir cheiros e sonhos repletos de histórias, fazendo perdurar esse amor pelos livros.

Por isso, é necessário

[…] estimular o leitor a visitar […], a realizar uma prática turística associada a esses lugares. O lugar literário é aquele que ganha forma e sentido quando há um “arrastar” […] do literário para a paisagem física […] (Baleiro & Quinteiro, 2016, p. 22).

Casa de homens das letras e das artes, inspiração de escritores, palco de tertúlias e serenas bibliotecas, estas livrarias são espaços culturais multifacetados, vivos e dinâmicos que proporcionam uma viagem no tempo, em que passado, presente e futuro se intersetam. Se ler é viajar e se os livros têm sempre subjacente uma história, também os livreiros e as livrarias têm uma história para contar, pelo que, com a finalidade de impulsionar o estreitamento entre o público e os livros e conhecer essas histórias, nada melhor do que visitar duas das suas mais emblemáticas guardiãs: a Livraria Bertrand e a Livraria Lello.

4.1. Bertrand: a livraria mais antiga do mundo

A cidade de Lisboa desfruta de uma situação geográfica privilegiada, pois, estando localizada à beira do maior estuário da Península Ibérica, também possui um valor patrimonial inestimável: “[…] Se Lisboa, pela sua situação e pelas suas condições naturaes, é bella como uma joia, o annel em que está encastoada é mais bello ainda […]” (Proença, s/d, p. 62). Um desses espaços de paragem turística obrigatória é a Livraria Bertrand fundada em 1732 pelo francês Pedro Faure, que se torna “[…] senhor de uma livraria importante, verdadeiro iniciador de uma «dinastia» que iria prolongar- se, em linha directa, até 1876: os Bertrand […]” (Domingos, 2002, p. 25).

Na verdade, a mais antiga livraria do mundo em atividade contínua esteve, primeiramente, situada na esquina da Rua Direita do Loreto com a Rua do Norte, em Lisboa, mudando de localização devido ao terramoto que, em 1755, assolou a capital

portuguesa. Registando quatro moradas distintas, dentre elas junto à Capela de Nossa Senhora das Necessidades3, a livraria foi instalada definitivamente em 1773, na

reconstruída Baixa pombalina, mais precisamente, na Rua Garrett, n.º 73-75, local onde ainda hoje existe, completando duzentos e oitenta e cinco anos de funcionamento ininterrupto:

[…] A Baixa é a cidade do commercio, da elegancia e do luxo. É obra sobretudo de Pombal, que a cobriu de vias rectilineas e espaçosas, como um xadrez traçado entre o Terreiro do Paço e a velha praça do Rocio […] (Proença, s/d, p. 53).

Graças a esta continuidade, a Livraria Bertrand no Chiado recebeu, em 2011, por parte do Guinness World Records, a distinção de “mais antiga livraria em atividade”, cujo certificado está exposto na loja em lugar de destaque. Em 2013, foi eleita “a livraria preferida de Lisboa”, segundo um inquérito online realizado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros. A Livraria Bertrand4 expandiu-se, constituindo

atualmente a maior rede de livrarias em Portugal (mais de cinquenta). Depois de vários processos de venda, integra, desde 2010, o Grupo Porto Editora.

Com efeito, a partir do século XVIII, regista-se, em Portugal, a chegada de um elevado número de livreiros franceses que aqui introduziram novas técnicas de comercialização, nomeadamente, os gabinetes de leitura, cuja atividade se repartia por zonas específicas das principais localidades. Estas entidades, de caráter cultural, visavam a difusão e o gosto pela leitura, exemplo vindo de França onde, após a revolução de 1789, começaram a aparecer as chamadas “boutiques à lire”, que eram lojas onde se emprestavam livros durante um prazo certo, mediante o pagamento de uma determinada quantia.É, igualmente, em França, que se estabelece o primeiro regulamento relativo a autores e livreiros, datado de 1259 e acrescentado em 1275, sendo que, em Portugal, os regulamentos, referentes aos livreiros, surgem em 1572 e 1733. Entre estes livreiros, chega Pedro Faure que, em 1727, dirige uma loja de estampas na Cordoaria Velha. Em 1732, abre a livraria, provavelmente com o seu nome e, dez anos depois, associa-se a Pierre Bertrand, recém-chegado a Lisboa e igualmente oriundo de França. O estabelecimento dos dois sócios passa, então, a designar-se “Pedro Faure & Bertrand”. Com o objetivo de assegurar a sucessão, o fundador casa a filha com Pierre Bertrand, sendo que, mais tarde, chega a Lisboa um