• No results found

4 Methodology

4.4 Methodological considerations

Para efeito comparativo, foi realizada uma nova simulação, utilizando a variável tms do modelo, já descrita anteriormente. Impondo ao modelo uma taxa alvo nula, busca-se estimar o efeito simplificado da extinção das tarifas entre países para qualquer produto.

Tabela 34 - Simulação GTAP – Fim das tarifas aplicadas – Variação do Produto Interno Bruto Setor % Brasil 0,11 Oceania 0,04 Leste Asiático 0,51 Sudeste Asiático 0,12 Sul Asiático 1,08 America do Norte 0,01 América Latina 0,07 EU_25 0,04 MENA 0,35 ASS 0,28 Resto do Mundo 0,13

Fonte: elaboração própria

Logo se nota que os ganhos de produto são pequenos quando comparados aos ensaios anteriores. Uma vez que as tarifas atualmente praticadas já são baixas, há também uma possibilidade reduzida de ganhos como consequência de esforços na sua redução.

Esse resultado, no contexto em que se encontra, permite comparar os ganhos potenciais com o livre comércio global, relativamente aos ganhos potenciais do acordo de Bali.

5 CONCLUSÃO

No horizonte da aderência dos países da OMC ao Acordo de Facilitação de Comércio de Bali, nos possíveis ganhos de eficiência em processos aduaneiros, e consequentemente na redução de custos de transação, o presente estudo estimou os desdobramentos desse quadro na dinâmica do comércio internacional, criando subsídios para entender os desdobramentos específicos para os diferentes setores econômicos do Brasil.

Um dos principais resultados encontrados foi o impacto causado no setor de manufaturas, cujas exportações aumentaram em todos os ensaios realizados. Tal fato revelou sensibilidade do setor com relação à eficiência e, portanto, com o tempo gasto nas transações. Os desdobramentos no curto prazo, quando as alterações ainda não maturaram, se deram na demanda de serviços e investimentos, e apontam para um cenário futuro de reindustrialização da pauta de exportações.

Com isso, há a sinalização de que, se o Brasil tem a intenção de se juntar ao grupo de países com grande participação na cadeia global de valor, deve pensar na evolução da eficiência de seus processos a caminho da filosofia just-in-time. Nesse aspecto, o Programa Portal único de Comércio Exterior, promovido pelo MDIC, se revela como uma iniciativa importante no direcionamento do governo para essa linha.

Outro resultado importante foi o ganho crescente de PIB do Brasil conforme aumentou a adesão ao acordo, sendo o maior deles (1,14%) no caso em que todos os países apresentaram melhorias de eficiência portuária, indicando a importância de que a adequação brasileira seja feita em fase com o cronograma estabelecido.

Destacam-se ainda os resultados obtidos no setor de serviços, cujo PIB registrou aumento em todos os ensaios realizados. No ensaio em que todos os países melhoram procedimentos aduaneiros, particularmente, esse setor foi um dos principais responsáveis para garantir um aumento no PIB geral.

Esses resultados, em um plano geral, assinalam benefícios ao Brasil de promover melhorias em seus processos aduaneiros, ponderando mudanças na dinâmica dos setores, em especial a agroindústria e a manufatura. Os resultados, contrastados com o ensaio do fim das tarifas aplicadas, também mostram que o

maior ganho da atual Rodada Doha já parece ter sido obtido com a conclusão do Acordo de Bali. Portanto, os ganhos que poderão ser obtidos, para além desse acordo, são possivelmente pequenos.

A análise de sensibilidade mostrou que o resultado é robusto e, dado que foram realizados choques conservadores, este de fato fica próximo ao obtido no estudo realizado pelo Peterson Institute for International Economics, que estima os ganhos globais de PIB com o acordo em 960 bilhões de dólares (Hufbauer e Schott, 2013).

No desenvolvimento deste estudo, foram encontradas dificuldades na inicial compreensão do modelo, e em seguida no tratamento da base de dados, devido ao seu volume, tanto para agregar os valores para análise, quanto na elaboração dos choques a serem realizados, que derivam dela.

Foi utilizado modelo estático, o que limita algumas análises. O trabalho poderia ser aprimorado utilizando modelo dinâmico, em cujas iterações podem surgir novas constatações, bem como reafirmações de pontos aqui levantados. Na continuidade, seria oportuno ainda analisar reduções também de custos diretos de transação e seus impactos, bem como analisar da mesma forma feita para o Brasil, países que apresentaram resultados expressivos, como a Argentina e China.

REFERÊNCIAS

Aizenman, J. (2004). Endogenous pricing to market and financing cost. Journal of

Monetary Economics 51(4) , pp. 691–712.

Andriamananjara, D. S., Feinberg, R., Ferrantino, M., Ludema, R., & Tsigas, M. (2004). The effects of non-tariff measures on prices, trade and welfare: CGE implementation of policy-based price comparisons. U.S international Trade

Comission, Office of Economics Working Paper No. 2004-04. A .

Armington, P. S. (1969). A theory of demand for products distinguished by place of.

IMF staff papers , p.159-176.

Brockmeier, M. (1996). A Graphical Exposition of the GTAP Mode. GTAP Technical

Paper No. 8,Purdue University, West Lafayette, IN .

Brockmeier, M. (1996). A Graphical Exposition of the GTAP Model. GTAP Technical

Paper No. 8,Purdue University, West Lafayette, IN .

Cecchini, P. e. (1988). The European Challange 1992 - The Benefits of A Sigle

Market. Wildwood House.

COMISSÃO EUROPÉIA. (1989). Relatório Final EU COST 306.

Djankov, S., Freund, C., & Pham, C. S. (2010). Trading on Time. World Bank Policy

Research Working Paper No. 3909 .

DOING BUSINESS. (2014c). Ease of Doing Business in Brazil. Acesso em 03 de Desembr0 de 2014, disponível em Site da Doing Business:

http://www.doingbusiness.org/data/exploreeconomies/brazil/

DOING BUSINESS. (2014a). Trading Across Borders. Acesso em 03 de Dezembro de 2014, disponível em Site da Doing Business:

http://www.doingbusiness.org/data/exploretopics/trading-across-borders

DOING BUSINESS. (2014b). Trading Across Borders Methodology. Acesso em 03 de Dezembro de 2014, disponível em Site da Doing Business:

http://www.doingbusiness.org/methodology/trading-across-borders

Ernst & Whinney. (1987b). The Cost of 'Non-Europe': An Illustration in the Road Haulage Sector. European Commission, Research on the Costs of ‘Non-Europe’ –

Basic Findings, Brussels , 41-64.

Ernst & Whinney. (1987a). The Costs of 'Non-Europe': Border Related Controls and Administrative Formalities. European Commission, Research on the Costs of ‘Non-

Europe’ – Basic Findings, Brussels , 7-40.

Fugazza, M., & Maur, J.-C. (2008). Non-tariff barries in CGE Models: How useful for policy? Journal of Policy Modeling 30 , pp. 475-490.

Gragg, W. (1964). On extrapolation algorithms for ordinary initial value problems.

GTAP. (2014). Acesso em 29/05/2014 de maio de 2014, disponível em Global Trade Analysis Project: https://www.gtap.agecon.purdue.edu/models/

Guasch, J. Luis & Spiller, Pablo. (1999). Managing the Regulatory Process: Design,

Concepts, Issues,and the Latin America and the Caribbean Story. Latin American

and Caribbean Studies (The World.

Haralambides, H. & P. Londoño-Kent. (2002). Impediments to Free Trade: The Case

of Trucking and NAFTA in the U.S.-Mexican Border. mimeo, Erasmus University,

Rotterdam.

Hertel, T. W. (1997). Global Trade Analysis: Modeling and Applications . Cambridge University Press.

Hertel, T., Walmsley, T., & Itakura, K. (2001). Dynamic effects of the "new age" free trade agreement between Japan and Singapore. Journal of Economic Integration,

16(4) , pp. 446-484.

Hertel, T.W., Petersen, E.B., Preckel, P., Surry. Y. and Tigas, M.E. (1991). Impliciy additivity as a strategy for restricting the parameter space in CGE models. Economic

and Financial Computing, Vol. 1, No. 1 , 265-289.

Hoekman, B. (2014). The Bali Trade Facilitation Agreement and Rulemaking in the WTO: Milestone, Mirage, or Mistake?

Hufbauer, G., & Schott, J. (2013). Payoff from the World Trade Agenda 2013. Peterson Institute for International Economics.

Hummels, D. & Schaur, G. (2013). Time as a Trade Barrier. American Economic

Review, vol. 103 , pp. 1-27.

Hummels, D. (2011). Calculating the Value of Time in South-South Trade. Arlington, VA: Nathan Associates Inc., for the United States Agency for International

Development (USAID).

Hummels, D. (2001). Time as a Trade Barrier. GTAP Working Papers 1152, Center

for Global Trade Analysis, Department of Agricultural Economics, Purdue University .

Hummels, D., Minor, P., Reisman, M., and Endean, E. (2007). Calculating Tariff

Equivalents for Time in Trade. Arlington, VA: Nathan Associates Inc., for the United

States Agency for International Development (USAID).

IECC (International Express Carrier's Conference). (1996). Implementation of

ECE/FAL Recomendations [063] - Methodology fo Estimating Cost and Benefits of Trade Facilitation (TRADE/WP.4/R.1260), contribuição para a reunião UN/EC 17 de junho de 1996.

JETRO: Japan External Trade Organizatio. (2002). Report on Market Access to Japan: Single Windows for Trade and Port-related Procedures. Tokyo.

Martincus, C. V., & Fariña, M. M. (2014). El Doble Desafío de Las Fronteras: seguridad y facilitación. 1-6.

MDIC. (23 de Abril de 2014). Acesso em 2014 de Novembro de 2014, disponível em MDIC: http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/noticia.php?area=1&noticia=13118

METI (Ministério do Comércio Internacional e Indústria do Japão). (1998). Report on

Asiascale Industrial Structure Policies. Tokyo.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. (2013). Balança

Comercial Brasileira - Dados Consolidados. MDIC.

Minor, P. & Tsigas, M. (2008). Impacts of Better Trade Facilitation in Developing

Countries: Analysis with a New GTAP Database for the Value of Time in Trade.

Indian, USA.: GTAP Resource Paper #2762, Purdue University, West Lafayette,. Minor, P. J. (2013). Time as a Barrier to Trade: A GTAP Database of ad valorem

Trade Time Costs. ImpactECON, LLC.

MRI: Mitsubishi Research Institute. (2001). “Study on New Issues Concerning Economic Effects of Regional Integration”. Tokyo.

Narayanan, B., Aguiar, A., & McDougall, R. (2012). Global Trade, Assistance, and

Production: The GTAP 8 Data Base, Center for Global Trade Analysis, Purdue University. Available online at:

http://www.gtap.agecon.purdue.edu/databases/v7/v7_doco.asp.

OCDE. (2009). Overcoming Border Bottlenecks - The Costs and Benefits of Trade

Facilitation. OECD Publishing.

OMC. (3-6 de Dezembro de 2013). Agreement on Trade Facilitation. Ministerial

Conference,Ninth Session . Bali.

OMC. (2011). Understanding the WTO.

Raven, J. (1996). International Trade Procedures - Characteristics and costing. SECEX/MDIC. (2014). Balança Comercial Brasileira - Dados Consolidados - 2013. Shaur, G. (2006). Hedging Price Volatility Using Fast Transport. Mimeo.Purdue University.

Simeon Djankov & Caroline Freund & Cong S. Pham. (2010 йил February). Trading on Time. The Review of Economics and Statistics, MIT Press, vol. 92(1) , pp. pages 166-173.

UNCTAD. (994). Fact Sheet 5. United Nations INternational Symposium on Trade

Efficiency, 17-21 de Outubro de 1994.

US-NCITD, U. S. (1971). Paperwork or Profits in International Trade. Washington, DC.

Wilson, J. M. (2004). Assessing the Potential Benefit of Trade Facilitation: A Global Perspective. World Bank Policy Research Working Paper 3324 .

World Bank. (2002). Costs of Doing Business Survey. World Bank Country Study . Washington, DC.

WTO. (1998). WTO Trade Facilitation Symposium - Report by the Secretariat.