A partir dos resultados obtidos com a aplicação do QMF, e do cálculo das médias observadas, procedemos, primeiramente, à elaboração de dois gráficos que apresentam os valores médios obtidos pela totalidade dos indivíduos que compunham a amostra, quer em termos de “tipos de motivos” (Gráfico 9), quer em termos de motivos isoladamente, item a item (Gráfico 10).
Tal como o Gráfico 9 evidencia, parecer ser possível concluir que os dois tipos de motivos que registam médias mais elevadas são o Operacional Profissional, com um valor médio de respostas de 3,22, e o Vocacional, com um valor médio de respostas também de 3,22. Relativamente ao primeiro, trata-se de uma motivação que assenta no desejo do adulto de adquirir competências necessárias à realização da sua actividade profissional, tentando, assim, pela formação, antecipar-se, adaptar-se a alterações técnicas ou tecnológicas ou a novas funções no seu trabalho, ou aperfeiçoar desempenhos exigidos e que poderão surgir na sua vida profissional; quanto ao segundo, traduz o desejo de adquirir competências que permitam a procura, manutenção e/ou melhoria de um emprego, sendo, deste modo, um princípio orientador da gestão e orientação da vida profissional.
Estes resultados também confirmam que o motivo que regista uma média mais baixa, de 2,34, é o Motivo Prescrito. Tal como referimos anteriormente, esta ordem de motivações traduz o aconselhamento para a frequência de formação proveniente de superiores hierárquicos, de pessoas com grande influência em termos afectivos, ou, ainda, uma obrigatoriedade legal. , , , , , , , , , !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% !% Itens de Motivação que Conduzem a População Adulta à
Formação
Gráfico 10 – Itens de motivação que conduzem à formação.
A análise do Gráfico 10, que apresenta as médias das respostas item a item, mostra que dentro de cada conjunto de motivos, operacionalizados nos itens que os compõem, há diferenças assinaláveis.
Começando pelo Motivo Epistémico, que nos itens do QMF é tratado nos pontos 14, 26, 32 e 38, que, respectivamente, questionam os sujeitos relativamente a motivos tais como “Satisfazer a curiosidade pessoal”, “Melhorar a forma como aprende”, “Aprender pelo prazer de aprender” e “Ter o prazer de aprender coisas novas”, constata-se que existe uma distribuição equilibrada nas médias que se registaram, entre os valores de 2,80 e de 3,16.
Quanto ao Motivo Sócio-Afectivo, itens 3, 11, 25 e 40, que se referem a “Aproveitar a experiência dos outros participantes”, “Partilhar experiências com outras pessoas”, “Fazer novos contactos” e “Relacionar-me com outros formandos”, também não se observam grandes oscilações nas respostas dadas pelos sujeitos, observando-se valores médios de resposta muito semelhantes e que estão entre as médias de 2,66 e 3,23.
O Motivo Hedónico, referido no QMF nos itens 2, 7, 21 e 31, respectivamente, “Ter o prazer de utilizar equipamentos diferentes do habitual”, “Partilhar um ambiente agradável”, “Fazer algo que me dá prazer” e “Viver uma experiência agradável”, é, do conjunto de motivos elencados no instrumento, aquele que regista maior congruência nas respostas obtidas. A diferença entre as médias observadas é unicamente de 0,28, o que permite inferir a enorme concordância dos sujeitos relativamente a esta ordem de motivações.
A análise do Motivo Económico, que é referido nos itens 15, 28, 33 e 36, que abordam razões para o ingresso na formação tais como “Aumentar a remuneração salarial”, “Progredir profissionalmente”, “Obter ganhos materiais ao longo do desenvolvimento da formação” e “Conseguir um trabalho melhor remunerado”, permite verificar que é o motivo em que as respostas dadas revelam maior disparidade nas médias obtidas. Para o item 15, a média é de 2,98; para o item 28, a média é de 3,39; para o item 33, a média é de 2,33, e, finalmente, para o item 36, a média é de 3,23. Parece, pois, não haver grande consenso relativamente a esta ordem de motivações.
A situação observada no motivo anterior, o Económico, é semelhança à situação que se constata nas respostas dadas ao Motivo Prescrito, que passamos a analisar. Este, que no questionário é referido nos itens 12, 20, 22 e 24, que dizem respeito a “Corresponder à sugestão de um familiar”, “Acatar as regras da organização”, “Enfrentar as mudanças no meu trabalho” e “Seguir os conselhos dos meus familiares”, também regista grandes disparidades. Destacamos a média de 1,92 obtida em resposta ao item 12, “Corresponder à sugestão de um familiar”, e a média de 3, obtida no item 22, “Enfrentar as mudanças no meu trabalho”. Embora estejamos na presença de itens de carácter prescrito, os resultados revelam, como se constata, grandes diferenças e, sobretudo a fraca influência que as sugestões de familiares
parecem ter na motivação para a formação. Este item regista o valor mais baixo no conjunto das respostas obtidas para a totalidade de itens propostos.
Relativamente ao Motivo Derivativo, itens 8, 10, 19 e 34, que se refere a aspectos como “Realizar algo mais interessante que o habitual”, “Esquecer-me de situações desagradáveis da minha vida pessoal”, “Fugir à rotina diária” e “Sair do contexto habitual de trabalho”, tal como se observa no Gráfico 10, voltamos a encontrar oscilações nas médias obtidas, sobretudo entre os itens 8 e 10. Para os sujeitos, o item 8, “Realizar algo mais interessante que o habitual”, reúne um elevado valor que organiza a motivação para formação, com uma média de 2,92, ao contrário do que se observa para o item 10, “Esquecer-me de situações desagradáveis da minha vida pessoal”, que parece não ter grande sentido na motivação dos adultos (média de 2,05).
O Motivo Operacional Profissional, que está referido nos itens 5, 9, 37 e 39, e que se refere, respectivamente, a “Melhorar o desempenho no meu trabalho”, “Realizar melhor novas tarefas”, “Encontrar resposta para novos problemas profissionais” e “Dar resposta a novos desafios profissionais”, é um dos que regista valores mais elevados nas respostas obtidas. Embora haja alguma disparidade, sobretudo entre os itens 37 e 5, que surgem com médias de 2,93 e 3,46 respectivamente, globalmente os valores nesta ordem de motivos são elevados, o que parece confirmar ser um conjunto de motivações que fortemente influencia a procura de formação por parte dos sujeitos.
No que se refere ao Motivo Operacional Pessoal, itens 13, 16, 29 e 35, traduzido em motivações como “Adquirir competências necessárias à realização de actividades extra- profissionais”, “Realizar actividades diferentes das habituais”, “Aprender a fazer actividades que me podem ser úteis em casa” e “Adquirir conhecimentos úteis para o meu dia-a-dia”, a análise dos resultados desoculta duas características importantes. Por um lado, a harmonia nas respostas obtidas e, por outro lado, as elevadas médias observadas. Trata-se, portanto, de um conjunto de motivos que parecem organizar, de forma consensual, as razões dos adultos para frequentarem formação.
O Motivo Identitário é referido no questionário nos itens 1, 6, 23 e 30, que traduzem as seguintes motivações: “Melhorar a imagem que tenho de mim mesmo”, “Ser reconhecido pelos outros”, “Aumentar a minha confiança” e “Integrar-me num novo ambiente”. Os dados apurados revelam, novamente, uma constância nas respostas e médias elevadas, o que configura uma situação de concordância por parte dos inquiridos relativamente a este conjunto de motivos como organizadores da motivação para a formação.
Finalmente, o Motivo Vocacional. O QMF solicita respostas neste âmbito nos itens 4, 17, 18 e 27, que se referem a “Enriquecer o meu curriculum vitae”, “Obter um trabalho mais interessante”, “Facilitar a mudança de actividade profissional” e “Procurar um novo emprego”. Trata-se de um conjunto de motivos que reúne grande concordância por parte dos inquiridos. Qualquer das afirmações congrega opções de resposta com médias elevadas, e é neste conjunto que se situa o item que, no total dos que compõem o QMF, obtém um valor médio de resposta mais elevado. Referimo-nos ao item 4, “Enriquecer o meu curriculum vitae”, que obteve a média de 3,64, colocando este motivo como o mais significativo para o conjunto dos listados no instrumento utilizado.