Outras maneiras de classificar os testes se referem ao formato, aos
usuários dos testes, ao objeto da avaliação e as áreas de utilização. Isto é,
para as categorias de testes enunciadas no subitem anterior, quem de fato faz uso desses testes? E, em que contexto esses testes são aplicados?
A literatura pesquisada, pautada nas resoluções do CFP (2010), (anexo 4), define as áreas de utilização dos testes, os usos e os usuários típicos e o objeto de avaliação se distribuem entre a Psicologia (psicologia clínica), a educação (psicologia escolar, pedagogia e psicopedagogia) e a administração (psicologia organizacional e administração de recursos humanos). Veja o quadro 8 a seguir e o quadro 9, com os respectivos exemplos.
Quadro 8: Classificação dos testes quanto às áreas de utilização5
Áreas Tipos de instrumentos de Avaliação
Clínica
Anamnese, BPR-5, Colúmbia, EFN, EFEx, EFS, IFP, IHS, SMHSC, TAT, Rorschach, Escala Hare, EFE, ISSL, ESI, ESA, TDAH, Escalas Beck, IECPA, QSG, SDT, WISC III, WAIS III, Wisconsin, Jogo Reflexivo do casal, CONFIAS, Compreensão leitora, ADT, Jogo das Profissões, Guerra ao Stress, Figuras de Rey, entre outros.
Organizacional
Anamnese, BPR-5, EVHAD, EFN, EFEx, EFS, IFP, IHS, TAT, Z-Test, ISSL, Escalas Beck, IECPA, QSG, Diagnóstico Organizacional, ADT, IAT.
Educacional
Anamnese, BPR-5, Colúmbia, EFEx, EFS, IFP, IHS, SMHSC, EFE, ISSL, ESI, ESA, TDAH, Escalas Beck, IECPA, QSG, SDT, WISC III, WAIS III, Wisconsin, CONFIAS, Compreensão leitora, Jogo das Profissões, Guerra ao Stress, Figuras de Rey, entre outros.
Fonte: Conselho Federal de Psicologia – 2010.
Existe uma diversidade apreciável dentro de cada um desses grupos que, segundo o Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (Satepsi), do CFP (2010) tem a marca de 223 testes psicológicos, divididos em quatro categorias: testes psicológicos aprovados para uso pelo CFP (atualizado em novembro de 2010), testes desfavoráveis, testes psicológicos sem a avaliação do CFP (sem condições de uso) e testes não psicológicos.
Cada um dessas áreas se distingue das demais quanto ao uso (quem utiliza) e o quanto ao objeto da avaliação (o que os testes avaliam). Também se observa, segundo Hogan (2006), que cada grupo utiliza aproximadamente todos os tipos de teste, tal como definidos anteriormente, embora alguns tipos de instrumentos possam ser predominantes, dependendo do grupo. 5 As siglas dos testes citados no corpo do trabalho estão listadas no anexo 4.
Lembrando-se, ainda, que os variados tipos de testes podem ser utilizados por diversas áreas e por um profissional específico, dependendo do objeto que se quer avaliar. Observar os quadros 9 e 10 a seguir6.
Quadro 9: Classificação dos Testes quanto a quem utiliza
Profissionais usuários Tipos de instrumentos de Avaliação
Exclusivo de psicólogos (aprovados pelo CFP).
BPR-5, Colúmbia, EFN, EFEx, EFS, IFP, IHS, SMHSC, TAT, Z-Test, Rorschach, Escala Hare, EFE, Função do Jogo Colaborativo, ISSL, ESI, ESA, TDAH, Escalas Beck, IECPA, QSG, SDT, WISC III, WAIS III, Wisconsin, entre outros.
Não-restrito a psicólogos (Não dependem da aprovação do CFP).
Anamnese, Diagnóstico Organizacional, Jogo Reflexivo do casal, EVHAD, CONFIAS, TDE, Compreensão leitora, ADT, Jogo das Profissões, Guerra ao Stress.
Com finalidade de pesquisa (Ainda não aprovados pelo CFP para pesquisa).
Figuras de Rey, Manual Prático de Avaliação do HTP, Wartegg, Zulliger, Desenho da Família, IAT. Fonte: Conselho Federal de Psicologia – 2010.
Quadro 10: Classificação dos Testes quanto ao objeto da avaliação Profissionais usuários Tipos de instrumentos de Avaliação
Personalidade
Comportamentos sociais, adaptativos e problemáticos; dinâmica familiar, relações interpessoais, extroversão, liderança, empatia.
EFN, EFEx, EFS, IHS, IFP, SMHSC, TAT, Z-Test, Rorschach, HTP, Wartegg, Zulliger, Escala Hare, Desenho da Família, entre outros.
Cognitivos/Inteligência
Atenção, lateralidade, organização perceptual, funções sensório-motoras, aprendizagem e memória, raciocínio, funções executivas, linguagem, rendimento acadêmico.
Colúmbia, Figuras de Rey, WISC III, WAIS III, SDT, Wisconsin, BPR-5.
Habilidades Específicas
Administração do tempo, ansiedade, estresse, orientação vocacional, estruturação familiar, déficit de atenção e hiperatividade
Figuras de Rey, Manual Prático de Avaliação do HTP, Wartegg, Zulliger, Desenho da Família, IAT.
Fonte: Conselho Federal de Psicologia – 2010.
A primeira categoria abrange os campos da psicologia clínica, do aconselhamento, da psicologia escolar e da neuropsicologia, restritos ao psicólogo. Denominam-se essas aplicações de uso clínico. Em qualquer caso dessas aplicações profissionais, o psicólogo, por meio dos testes ajuda a identificar a natureza e a gravidade do problema, podendo também fornecer sugestões sobre como lidar com o problema; já a testagem auxilia na mensuração do progresso enquanto se lida com o problema, seja com o uso dos testes de inteligência (principalmente os aplicados individualmente), testes 6 As siglas dos testes citados no corpo do trabalho estão listadas no anexo 4.
objetivos de personalidade e técnicas projetivas, ou testes neuropsicológicos.
Já os psicólogos de aconselhamento utilizam os testes vocacionais.
A segunda mais importante categoria de uso de testes envolve os testes para seleção de pessoal e de candidatos a emprego, também restritos ao psicólogo. Os principais usuários dessa categoria são as empresas (vendedores, gerentes, secretárias, supervisores, ou operadores de telemarketing) e as Forças Armadas (AMAN, EPCAR, NPOR, ESE, entre outras instituições).
Uma terceira importante utilização dos testes é a sua aplicação a
contextos educacionais (veja o quadro 7), além do uso clínico de que se
ocupam o psicólogo escolar, o supervisor, o orientador ou o professor. Refere- se aqui ao uso dos testes de habilidade e de conhecimentos aplicados a grupos. Quem de fato se vale das informações desses testes são os professores, os dirigentes escolares, os pais e o público em geral, no qual se destacam autoridades de educação, Conselho Federal e Conselhos Estaduais de Educação, MEC. O uso pode ser partilhado entre psicólogos e educadores.
A utilização de testes padronizados em situações educacionais divide-se em duas grandes partes. Em primeiro lugar, há os testes de conhecimento utilizados para a determinação do grau de aprendizagem do aluno. Restringindo-nos aqui aos testes padronizados de conhecimento (excluindo-se as provas preparadas pelos professores), constata-se que milhões destes testes são administrados todos os anos (Prova Brasil, SAEB, ENEM etc.). Os testes de habilidade e de conhecimento também são utilizados para se medir a competência necessária para a obtenção de um certificado ou de uma licença para a prática de uma grande variedade de profissões.
O segundo uso principal dos testes em contextos educacionais tem como objetivo predizer o sucesso do aluno em sua vida acadêmica. Os principais exemplos desta categoria são os testes de admissão nas faculdades e nas escolas de profissões liberais.
Ressalta-se na classificação dos testes, quanto ao uso, uma categoria mais diversa relacionada à pesquisa, com o seu uso em praticamente todas as áreas concebíveis de pesquisa em psicologia, em educação e ciências
sociais/comportamentais, cujo uso compartilhado envolve o profissional interessado e o psicólogo. Por conveniência, podem-se identificar três subcategorias para esse emprego. Primeira, os testes se constituem na variável dependente em uma pesquisa, funcionando, como a própria definição
operacional de variável dependente [exemplo, em um estudo dos efeitos da
cafeína sobre a memória de curto prazo, a Wechsler Memory Scale pode ser a definição operacional de "memória"; já em um estudo longitudinal dos efeitos de um programa de melhoramento nutricional sobre o desempenho escolar, o
StanfordAchievement Test, aplicado nas séries entre a 1ª e a 5ª, pode servir
como uma medida de desempenho escolar].
A segunda grande categoria de utilização de testes em pesquisas é para propósitos de descrever as amostras, delineando-se as características mais importantes das amostras utilizadas. Em artigos de pesquisa, a seção
metodologia fornece informações sobre idade, escolarização e gênero dos
participantes. Algumas características são descritas por meio de informações obtidas com testes – por exemplo, as médias e os desvios padrões de um teste de inteligência, de conhecimento ou de personalidade. Nestes exemplos, os escores dos testes não são mais usados como variáveis dependentes, e sim apenas para descrever as amostras utilizadas na pesquisa.
A terceira grande categoria de utilização de testes em pesquisa é quando os pesquisadores investigam os próprios testes. Existem expedientes revistas, jornais e outros bibliográficos dedicados a esse tipo de estudo. Além do mais, o desenvolvimento de novos testes é por si só, uma atividade importante de pesquisa, uma vez que os testes desempenham papel relevante nas ciências sociais/comportamentais, com a pesquisa sobre testes representando importante contribuição para essa área.