Referente à forma de ingresso, a maioria dos participantes ingressou no curso pelo PAS (44%). O vestibular é a segunda mais expressiva forma de ingresso (36%). E em seguida, aparece o Enem/Sisu, com 17%. As outras formas, transferência facultativa e portador de diploma, são ínfimas (3%), como descritas na figura 15.
Figura 15 – Ingresso na universidade
Fonte: nossa autoria
É relevante dizermos que a UnB já teve diferentes formas de ingresso ao longo de sua história. Essas formas já sofreram muitas alterações e inclusive possui diferenças no que tange ao primeiro e ao segundo semestre do ano. Contudo, no semestre em que fizemos a coleta de dados (1º/2019), essa universidade apresentava os seguintes tipos de seleção: o PAS, o Sisu (via Enem – somente para o 1º semestre), transferência universitária, portador de diploma, vestibular tradicional (somente para o 2º semestre), vestibular para vagas remanescentes, para indígenas e
Não trabalhava antes do ingresso e tampouco trabalha na atualidade
Não trabalhava antes do ingresso, mas atualmente sim
Trabalhava antes do ingresso, mas não trabalha no momento
Trabalhava antes do ingresso à universidade e atualmente também trabalha
35% 28% 14% 23% Vestiular 36% PAS 44% Enem/ Sisu 17% Outros 3%
para habilidades específicas, este somente no início do ano. Tópico já comentado por nós neste trabalho.
Entre os participantes, existem estudantes que estão há sete, oito ou mais semestres na universidade, como podemos ver na figura 16. Esses foram classificados como de quarto ano por questões metodológicas. Eles representam 25% do total de participantes. Contudo, muitos deles podem não ser prováveis formandos porque, apesar de existir o fluxo do curso, o aluno é quem monta seu próprio horário, de forma que ele pode estar fora do fluxo em alguma disciplina, por exemplo.
Já os que estão há cinco ou seis semestres no curso, terceiro ano, representam 34% deles. Outros 24% já estão no curso de espanhol há três ou quatro, segundo ano. Os demais, 17%, estão há um ou dois semestres no curso de Licenciatura em Espanhol, ou seja, no primeiro ano.
Figura 16 – Tempo de curso Figura 17 – 1ª Graduação
Fonte: nossa autoria Fonte: nossa autoria
Como podemos notar na figura 17, a grande maioria está cursando a primeira graduação. Não obstante, pouco mais de um quarto dos participantes é proveniente de diversos outros cursos: Direito, Turismo, Arquivologia, Marketing, Administração, Relações Internacionais, Designer de Moda, Ciências Econômicas, Geografia, Nutrição, Tradução-Espanhol e Letras-Português. Os demais que se encontram nesse grupo começaram outra graduação, mas não a concluíram.
No que tange ao nível de exigência do curso em relação ao conhecimento da língua espanhola, é possível perceber que quase 80% deles não tiveram surpresa em relação a essa exigência no início do curso. Devemos destacar que essa possível surpresa não tem relação direta com a facilidade ou dificuldade encontrada pelos estudantes quando iniciaram seus estudos, já que ela está relacionada somente ao fato de ter sido uma experiência diferente da que pensavam
1º ano 17% 2º ano 24% 3º ano 34% 4º ano ou mais 25% SIM 73% NÃO 27%
antes de ingressarem no curso. O que percebemos aqui é que a maioria apenas ratificou o imaginado antes do ingresso na universidade.
Dos que se disseram surpresos, estes apontaram como principal problema: a falta do pré- requisito/conhecimento da língua para o ingresso no curso (nove investigados), já que na prática ela é necessária – destacaram a grande diversidade de níveis nas turmas, o que atrapalha (uns sabem muito e outros, pouco), o curso não é voltado para quem não tem conhecimento da língua, atividades que são triviais para quem a domina se tornam muito difíceis para quem não possui esse conhecimento. Outro participante citou a falta de assistência dos professores e do curso a quem não possui um conhecimento mais vasto da língua, e pelo menos outros dois imaginavam ter uma melhor proficiência no espanhol. Contudo, houve um caso que o participante imaginava que seria mais complexo e foi bastante simples o nível de exigência.
De acordo com os dados coletados, podemos perceber, na figura 18, que cinco participantes (7%) disseram ter ou ter dito dificuldade no que se refere à compreensão de textos escritos. Nenhum deles citou a dificuldade de compreender o que os professores dizem. Com isso, imaginamos que a acuidade do uso da língua pelos professores favorece o entendimento do grupo. Acrescentamos a isso o fato deles, majoritariamente, terem dito não ter ou ter tido dificuldade para acompanhar as aulas de espanhol, o que corresponde a 56% dos participantes. É relevante ressaltarmos que o quantitativo explicitado na figura 18 está relacionado aos que citaram algum tipo de dificuldade e que eles podiam citar mais de uma.
Figura 18 – Dificuldades no decorrer do curso
Fonte: nossa autoria
Sobre essa mesma temática, eles falaram das dificuldades já expostas acima. Em dois casos, dizem que a dificuldade em relação à gramática deve-se a estruturas utilizadas na literatura
Comunicar-se c/ colegas Comunicar-se c/ profs. Compreender áudios/vídeos Compreender textos escritos
Expressar-se por escrito
7
15 11
5
(pouco usadas no dia a dia ou arcaicas) ou de textos mais complexos e de linguagem mais acadêmica. Outros dois comentam sobre a dificuldade de compreender os áudios que, às vezes, para um deles, contêm muitos ruídos (imaginamos que isso se deva à aproximação de situações mais reais do uso da língua, isto é, contextos autênticos), e outro diz que por não articularem muito bem as palavras e por falarem muito rapidamente, o que talvez esteja relacionado a sotaques. Dois mais apontam a falta de domínio da gramática no momento de escrever. Aparecem também comentários referentes à dificuldade de ser espontâneo fora do contexto acadêmico, a vergonha de falar numa LE e ainda o fato de imaginar tudo que vai dizer, mas na hora de expressar-se, “trava” e não consegue falar, uma ocorrência para cada um desses comentários.
Os participantes que explicitaram dificuldades para acompanhar as aulas de espanhol no curso de Licenciatura apontaram tipos de suporte que poderão precisar ou que os teriam ajudado a acompanhá-las, como podemos notar na figura de número 19. Ressaltamos ainda que a categoria outros inclui: videoaula pela internet, mais disciplinas com a prática do espanhol, vídeos/áudios de nativos, prova de nivelamento para os alunos do curso e curso de conversação.
Assim como a figura anterior, é importante destacarmos que o quantitativo explicitado nela está relacionado somente aos que citaram algum tipo de suporte, e que eles podiam citar mais de um.
Figura 19 – Suporte que podem facilitar o aprendizado
Fonte: nossa autoria
Em relação ao nível exigido da língua-alvo nas matérias iniciais do curso, este foi considerado como adequado por mais da metade dos estudantes. Entretanto, como podemos ver
Tira-dúvidas c/ monitores Ativ. extra-classe em plat. virtual Atend. extra-classe c/ professor Indicação de bibliografia Cursos de línguas externos à UnB Softwares p/ estudo da língua Outros 13 7 7 7 17 12 5
na figura 20, quase um quarto dos participantes considerou como baixo ou muito baixo.
Em relação ao nível exigido da língua-alvo nas matérias iniciais do curso, este foi considerado como adequado por mais da metade dos estudantes. Entretanto, como podemos ver na figura 20, quase um quarto dos participantes considerou como baixo ou muito baixo. Em contrapartida, houve outro grupo que o considerou como alto ou muito alto, equivalendo aos 16% restantes.
Figura 20 – Nível exigido inicialmente Figura 21 – Nível exigido após MELEM
Fonte: nossa autoria Fonte: nossa autoria
Ainda no tocante ao nível exigido, verificamos, separadamente, a opinião somente dos pesquisados que já cursaram a disciplina de Metodologia do Ensino de Língua Estrangeira Moderna (MELEM), total de 14. Baseando-nos nesses dados, percebemos que desse grupo mais que a metade considerou o nível como adequado, como podemos ver na figura 21. Ninguém o considerou como “um pouco baixo” e as outras três categorias ficaram iguais ou muito próximas.
Com todo o exposto até aqui, é imprescindível falarmos, neste momento, dos diversos motivos que foram relevantes na escolha do curso de Licenciatura em Letras-Espanhol pelo grupo averiguado. Para tanto, dividimos os muitos motivos em três categorias (na figura 22): gosto pela língua e cultura, que representa 78%, quer ser professor, 19% e outros, 3%. No que se refere à categoria gosto pela língua e cultura entraram: influência dos estudos nos CILs e de professores, fascínio pela literatura, manter contato, familiaridade com a língua, possibilidade de estudo e/ou trabalho fora ou não, devido às novelas e músicas nessa língua, melhorar as habilidades linguísticas e a interação com falantes de espanhol. Já em outros, apareceram a falta de opção e a melhor opção no momento.
Muito alto 3% Um pouco alto 13% Adeq. 62% Um pouco baixo 14% Muito baixo 8% Muito alto 15% Um pouco alto 14% Adeq. 57% Muito baixo 14%
Figura 22 – Motivos para cursar espanhol Figura 23 – 1ª Opção de curso
Fonte: nossa autoria Fonte: nossa autoria
No que se refere ao curso que o participante inicialmente ingressou por um dos mecanismos de seleção adotados pela universidade (figura 23), 39% ingressaram em outro curso. É relevante destacarmos que muitos deles podem haver ingressado num determinado curso e, posteriormente, acabaram solicitando mudança para outro. Em outros casos, podem ter abandonado o que passaram anteriormente e participaram de nova seleção para tentar uma nova graduação. Devemos ressaltar também que existem aqueles que já são formados em outra carreira e decidiram ingressar em Letras-Espanhol.
Ampliando as análises, os participantes foram perguntados se sentem que o curso de Letras-Espanhol da UnB os prepara bem para a atuação profissional. 31% desses acreditam que sim, já outros 32% disseram que não e os demais (37%) afirmaram não serem capazes de julgar, alegando não terem informações suficientes para isso. O resultado pode ser observado na figura 24:
Figura 24 – O curso prepara bem?
Fonte: nossa autoria
Gosto pela língua/ cultura 78% Ser docente 19% Outros 3% Lestras- Espanhol 61% Outro 39% Sim 31% Não 32% Não sei dizer 37%
A respeito desse aspecto, muitos opinaram positivamente e muitos outros negativamente (figura 25). Estes explicitaram como principais problemas o fato de não se sentirem preparados para a prática docente (oito ocorrências), alegaram ainda que há muitas disciplinas de literatura em detrimento de outras que poderiam ser importantes na formação (seis ocorrências), acreditam que deveria haver mais disciplinas de gramática (quatro), que existem poucas matérias voltadas para o ensino da língua e também para a prática oral (três aparições cada).
Expomos aqui outros pontos negativos que tiveram apenas uma ocorrência, mas que representam oito citações das opiniões apresentadas na figura 25. São eles: a ausência de monitores desde o início do curso para os estudantes, mais disciplinas da educação, deveriam explorar melhor determinadas disciplinas, os alunos não falam espanhol entre sim, alguns professores não transmitem bem o conteúdo, muita teoria e pouca prática, baixo nível de exigência nas disciplinas do espanhol, as matérias da educação não focam no ensino de línguas, aulas históricas e gramaticais.
Referente aos pontos positivos (figura 26), os participantes citaram principalmente a excelente formação dos professores e a boa qualidade das aulas (oito ocorrências). Além disso, citaram também, com apenas uma única ocorrência cada, o incentivo dos professores para a prática oral e o fato dos professores que ensinam a língua espanhola fazerem refletir sobre a prática do ensino de ELE.
Figura 25 – Pontos negativos do curso
Fonte: nossa autoria
Não prepara para a prática Muitas aulas de literatura Há poucas aulas de gramática
Pouca oralidade Poucas matérias voltadas para o ensino da língua Outros pontos negativos
8 6 4 3 3 8
Figura 26 – Pontos positivos do curso
Fonte: nossa autoria
É relevante destacarmos que nem todos os participantes apontaram pontos positivos e/ou negativos. Desse modo, o quantitativo apresentado nas figuras 25 e 26 se referem somente aos que opinaram, lembrando que estes podiam fazê-lo mais de uma vez.