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Metall og industrimineraler

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2.7.1. HEMOGRAMA E ANÁLISES BIOQUÍMICAS

O conhecimento dos valores de referência do hemograma e dos parâmetros bioquímicos de uma espécie é vital para a interpretação dessas mesmas análises feitas a indivíduos dessa mesma espécie. Assim, tendo em conta a escassa informação que existia a esse nível para o lince ibérico e a necessidade de fazer avaliações de rotina aos animais (em especial daqueles que compõem o programa de reprodução em cativeiro), tornou-se necessário realizar estudos em animais saudáveis para determinar os valores hematológicos considerados normais para a espécie. Para a determinação destes valores, é primeiramente necessário selecionar uma amostra populacional que seja significativa e saudável. Ao trabalhar com espécies selvagens, e especialmente com espécies em perigo de extinção, esta tarefa torna-se mais complicada pois é necessária uma grande amostra que não é fácil de obter. Idealmente deveriam conseguir-se amostras de cerca de cento e vinte animais saudáveis. É possível tentar estabelecer os mesmos valores com uma amostra menor, sendo que uma amostra com aproximadamente metade desse número de animais pode produzir bons resultados caso a distribuição dos dados siga uma curva de distribuição normal. Trabalhar com amostras mais pequenas que isso pode resultar na obtenção de dados com um fraco intervalo de confiança, que podem ser contraditórios com a observação clínica (Pastor et al., 2009).

Os valores obtidos em hemogramas e análises bioquímicas podem sofrer variações por diversos fatores, como falhas na colheita ou envio das amostras, diferenças de idade e de maturidade sexual e hemólise. Ao trabalhar com animais selvagens a estes acrescenta-se fatores como a disponibilidade de alimento, a densidade populacional, alterações sazonais, o stress causado pela captura, os fármacos utilizados e o tempo decorrido entre a sedação e a colheita da amostra (Pastor et al., 2009).

Numa tentativa de minimizar as variações nos dados no seu estudo para determinar os valores de referência de hemograma no lince ibérico, Pastor et al. (2009), separaram as amostras em grupos divididos por idade, sexo e proveniência (meio selvagem ou cativeiro) dos indivíduos. Os dados obtidos deste estudo foram concordantes com a informação já existente e demonstraram diferenças significativas nos parâmetros relacionados com os glóbulos vermelhos entre machos e fêmeas, sendo que as fêmeas apresentavam valores menores nestes. Este estudo identificou também diferenças entre grupos etários com as crias (animais com idade inferior a 9 meses) a apresentarem um maior número de linfócitos e os sub-adultos (animais com idade entre 9 e 24 meses) a revelarem contagens de eritrócitos superiores às dos restantes grupos. Entre os animais de cativeiro e os capturados do meio selvagem, notou-se que os animais de vida livre apresentavam contagens de glóbulos brancos muito superiores às observadas nos animais do programa ex situ, indicando que possivelmente sofrem um maior efeito do stress de captura (Pastor et al., 2009). Num estudo semelhante mas com o objetivo de estabelecer valores de referência para um painel de análises bioquímicas, os animais foram divididos segundo os mesmo grupos, sendo que apenas foram utilizadas amostras de animais que não demostrassem nenhum sinal clínico de doença e cujos parâmetros vitais durante a anestesia não sofreram desvios do normal. O painel de análises deste estudo contou com vinte e uma análises diferentes, sendo que na sua maioria os valores obtidos foram semelhantes aos descritos para outras espécies de lince, gato doméstico e outras espécies de felinos. No entanto, à semelhança do que acontece noutros felinos selvagens, os valores de glucose no lince ibérico encontravam-se mais elevados que nos gatos domésticos, podendo esta situação estar ligada ao stress da captura. Também os níveis de ureia no lince se encontravam significativamente acima do descrito para o gato doméstico, sendo que estes aparentam aumentar com a idade apesar de as diferenças encontradas entre os grupos etários não serem significativas. A par disso a ureia encontrava-se mais elevada nas fêmeas do que nos machos, ao passo que nestes os níveis de fósforo eram superiores, diferindo estes achados da informação preexistente e deixando a porta aberta a mais investigação. Outra diferença detetada e concordante com o que acontece noutras espécies, é o aumento da creatinina com a idade, possivelmente relacionado com a maior massa muscular e maior frequência de glomerulonefrite em animais mais velhos. Os dados deste estudo permitiram assim estabelecer os valores bioquímicos de referência para o lince ibérico (García et al., 2009).

2.7.2. MORFOMETRIA

A morfometria é o estudo estatístico das formas e das suas variações numa espécie ou entre espécies (Adams, Rohlf & Slice, 2004). A análise das formas dos seres vivos pode ser muito útil, pois situações como doenças, ferimentos, neoplasias ou adaptações a um determinado ambiente podem conduzir a alterações nas dimensões e formas de estruturas anatómicas, podendo assim o seu estudo conduzir-nos ao entendimento das causas que afetam e modificam a forma dos seres vivos (Zelditch, Swiderski & Sheets, 2012).

No caso do lince ibérico os estudos morfométricos permitiram já encontrar diferenças de forma e tamanho entre os crânios dos animais das duas populações existentes. Os resultados deste estudo mostram que os machos da população de Doñana apresentavam dimensões menores em vários dos pontos do crânio utilizados na análise, podendo isto ser um resultado da diminuição da variabilidade genética dessa população (Pertoldi, García- Perea, Godoy, Delibes & Loeschcke, 2006). Assim, as medições morfométricas são uma parte integrante do exame físico de rotina realizado em todas as anestesias de lince ibérico, devendo os médicos intervenientes estar familiarizados com a sua recolha (GMSLI, 2014).

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