5. Drøfting
5.1 IRF-mønsteret som læringssamtale
5.1.3 Metakognisjon
Outra maneira de analisar a acessibilidade é pelas superfícies atravessadas até se chegar a rede. Considerando que as habitações rurais não estão necessariamente em contato direto com um eixo da rede e, no caso do modelo em SIG, os pontos correspondentes às localidades rurais não estão sobre a linha vetorial da rede, existe um tempo de viagem investido pelas populações para alcançar a rede e assim prosseguir até o serviço de saúde. Estas superfícies são heterogêneas e a ligação das habitações até os eixos da malha são geralmente caminhos naturais que atravessam diferentes coberturas. Diante dessa questão pensou-se num modelo de superfície que representasse essa realidade, no caso, um modelo que considerasse não só a rede e os serviços de saúde no cômputo da análise da acessibilidade das populações rurais, mas que também levasse em conta as superfícies atravessadas por elas para atingir a rede e conseqüentemente os provedores.
Na proposta metodológica de Black et al. (2004, p.13) tem-se uma referência às restrições que são imposta pelas superfícies que estão fora da rede. Estas restrições são aproximativas e calculadas com base no mapa de uso da terra e cobertura vegetal. Esta concepção foi tomada aqui como orientação para reclassificar as classes de uso e cobertura correspondentes à Microrregião de Registro. Também foram consideradas as classes de declividade (alta, média e baixa) como parâmetro aditivo de restrição ao deslocamento. A combinação desses dois mapas resultou num limiar aproximativo das velocidades praticadas nas superfícies adjacentes à malha rodoviária rural (Tabela 24)
Tabela 24: Velocidade de viagem por veículo automotor estimada para o tipo de uso da terra e
cobertura vegetal e combinada com classes de declividade (adaptado de Black et al., 2004, p.13)
Velocidade Diretriz Declividade (restrição) Baixa Media Alta Uso da Terra e Cobertura Vegetal (Black et al., 2004 - adaptado) *1 *0.8 *0.7 Velocidade (km/h) Floresta densa 10 10 8 7 Atividades Extrativas 13 13 10.4 9.1 Reflorestamento 13 13 10.4 9.1 Solo Exposto 18 18 14.4 12.6
Terrenos úmidos e veget. arbustiva 10 10 8 7
Agricultura 18 18 14.4 12.6
Campo Antrópico 15 15 12 10.5
Urbano 20 20 16 14
Água -1 -1 -1 -1
Os passos para a construção da representação das superfícies de acessibilidade se deram da seguinte forma:
(i) Elaboração de um mapa de restrições.
Esta primeira etapa visa compor uma camada raster com discriminação de pesos resultantes da combinação entre as classes de uso da terra e cobertura vegetal e classes de declividades conforme mostrado na Tabela 24 e sobreposta a estas, as classes de rodovias rurais. Essas últimas discriminadas pelas variações de velocidade ponderadas pelas impedâncias.
Esse resultado é alcançado nos seguintes procedimentos58:
(a) Combinação do mapa de Uso da Terra e Cobertura Vegetal com o mapa de
Classes de Declividade Baixa, Média e Alta.
58
(b) Atualização da tabela de atributos com a inserção de um campo com as respectivas velocidades resultantes da combinação dos mapas descritos no item (a). Para isso, aplicam-se os valores descritos na Tabela 24.
(c) Aplicação de buffer sobre os arcos da rede, adotando o parâmetro de quebra sobre o atributo “velocidade com impedâncias”. No caso a distância adotada foi igual a da grade raster gerada na etapa final, 90 metros (Figura 37c,d).
(d) Sobreposição do mapa buffer previamente gerado ao mapa resultante da combinação Uso da Terra e Cobertura Vegetal X Classes de Declividade. O resultado é uma camada com todas as velocidades desenvolvidas nas diferentes superfícies (Figura 37e).
(e) Atualização da coluna de velocidades, agora com a informação referente aos segmentos das rodovias.
(e) Atualização da tabela de atributos com uma nova coluna e cálculo das proporções inversas das diferentes velocidades com relação a velocidade diretriz de 110km/h (Vmax/Vi). A referência da velocidade máxima é 1 e as demais velocidades são sempre valores maiores do que 1. Por exemplo, num arco onde a velocidade diretriz for 60km/h a restrição é 110/60 (=1.83); na floresta densa com alta declividade a restrição é 110/7 (=15,71).
(f) Converter o modelo vetorial de polígonos para o modelo matricial, selecionando o campo de restrições previamente gerado (Figura 37f).
(a) Uso (b) Declividade (c) Rodovias
(d) Buffer sobre Rodovias (e) Overlay e Normalização (f) Vetor para Raster
(ii) Construir um mapa de distâncias
Nessa etapa constrói-se uma camada raster com as distâncias até os hospitais. Estas distâncias devem ser ponderadas pelo mapa de restrições gerado anteriormente59.
Etapas:
(a) Criar uma camada raster com distâncias tendo como ponto de origem os hospitais ou postos de saúde. No caso, foram gerados dois planos de informação: um para os hospitais da região e outro para os postos de saúde. Os parâmetros da grade foram definidos com resolução espacial de 90 metros e projeção UTM/WGS84
(b) Multiplicar o mapa de distâncias pelo mapa raster de restrições.
(iii) Converter distâncias em tempo de viagem.
Esta última etapa resultará em um mapa com uma aproximação do tempo de viagem para qualquer ponto na superfície da região. Esta conversão se faz sobre os valores de distâncias convertendo-os em tempo tendo como base uma velocidade máxima especificada. No caso, multiplicou-se o mapa de distâncias com restrições por 60 e dividiu esse resultado por 110.000 para se obter valores em minutos e centésimos de minuto (Mapa 13).
É importante destacar que as indicações de tempos de viagem resultantes desse procedimento têm como referência os postos de saúde e, principalmente, a rede de impedâncias. Cada pixel fora da rede tem seu valor normalizado pela rede, pois são as rodovias que promovem a maior mobilidade no espaço. Sem essa referência os tempos seriam definidos pela distância direta até os hospitais (euclidiana) o que para o propósito inicial dessa tese não faria sentido (Mapa 13).
59
O software Ilwis 3.4 dispõem de um recurso que facilita esta operação: o operador Distance Calculation.
Mapa 13: Superfície de acessibilidade pelo tempo de Viagem (Microrregião de Registro/SP)
Traçando-se um perfil da relação distância tempo é possível notar a diferença de acessibilidade na rede e nas superfícies distantes desta (Figura 38). Quando as retas dos perfis tocam as vias da rede percebe-se a queda do tempo de acesso ao hospital mais próximo. No perfil 1 a reta liga o centro da cidade de Registro às áreas mais interiores, onde a mobilidade na rede é mais baixa e no perfil 2 a reta liga a cidade de Cajati à porção sul da região, acompanhando o eixo da BR116. Comparando os dois gráficos percebe-se a importância da via Arterial a promoção do acesso, nesse exemplo é
Figura 38: Perfis da relação tempo e distância na superfície de acessibilidade. (c) (d) (a) (b) (c) (d) (a) (b)
No intuito de investigar a diferença de acessibilidade pelo tempo de viagem das localidades rurais aos hospitais, com tempo de viagem gasto das localidades rurais aos postos de atendimento básico, fez-se o cruzamento do mapa das localidades rurais com as grades de tempo de viagem aos hospitais e de tempo de viagem aos postos de atendimento básico. Com isso foi possível visualizar a distribuição dos pontos referentes às habitações rurais com relação ao tempo de viagem para se chegar a esses serviços (Figura 39). Nota-se que para os serviços básicos o acesso é quase total em até 30 minutos de viagem, porém para o atendimento aos serviços hospitalares algumas populações rurais estão em uma condição geográfica desfavorável, principalmente pelo fato de o município sede não dispor do serviço. O exemplo mais significativo é notado em Barra do Turvo, onde a população rural tende a não acessar o serviço hospitalar em menos de 40 minutos.
Figura 39: Relação do tempo gasto a partir das localidades rurais aos serviços básicos de saúde e aos
serviços hospitalares. Cada ponto no gráfico indica uma localidade mapeada.
Os estudos que tratam dos índices de acessibilidade integral tem como base teórica a proposta de Hansen (cf., 1959, p.73-76). Como visto na seção 2.2.1.3, o modelo define que a acessibilidade mede a distribuição espacial das atividades ao redor de um ponto. Pensando nessa proposição, e ajustando esse modelo para o caso particular desta pesquisa, pensou-se numa representação que pudesse mostrar como as superfícies
Acesso ao Hospital e Postos de Saúde (minutos ) 0 15 30 45 60 75 90 0 15 30 45 60 75 90 Hospitais Se rv iç o s B á si c o s Barra do Turvo 0 10 20 30 40 50 60 70 0 15 30 45 60 75 90 Hospitais P o st os de S a úd e
Acesso ao Hospital e Postos de Saúde (minutos ) 0 15 30 45 60 75 90 0 15 30 45 60 75 90 Hospitais Se rv iç o s B á si c o s Barra do Turvo 0 10 20 30 40 50 60 70 0 15 30 45 60 75 90 Hospitais P o st os de S a úd e
de acessibilidade se mostrariam para a região caso fossem consideradas informações específicas dos provedores. Nesse sentido, modelou-se duas superfícies: uma, considerando a quantidade de serviços de saúde, independente de sua hierarquia no sistema; e outra, considerando o número de profissionais clínicos gerais cadastrados na administração municipal de saúde. Como os serviços em sua grande maioria se localizam nos arredores do centro das cidades, foi tomado o centróide da sede municipal para atribuir valores referentes ao número de serviços e profissionais de saúde60 disponíveis.
A medida da acessibilidade se fez interpolando os pontos pela média móvel com função do inverso da distância (1/dn) e expoente 1.0; em seguida dividiu-se essa matriz pela matriz de distâncias ponderadas pelas impedâncias descritas anteriormente.
As representações resultantes aproximam o cálculo do índice de acessibilidade de Hansen para o modelo matricial contínuo, perfazendo a seguinte relação:
Aij = Pj/d(Ipi)ij
Aij é o índice de acessibilidade, sendo i cada pixel da grade e j o ponto médio que centraliza todos os serviços, Pj representa o provedor que, no Mapa 14, estão indicados pelo número de unidades de saúde e clínicos gerais. A distância dij é nesse caso ponderada pelas impedâncias de viagem Ipi e não pelo expoente como na proposição original (Mapa 14).
.
60
O número de profissionais cadastrados em cada unidade de saúde encontra-se disponível na Base de dados CNES.
A acessibilidade aos profissionais de saúde é mais baixa para os municípios de Miracatu, Juquiá e Barra do Turvo se comparado com a acessibilidade aos serviços de saúde. Como dado exploratório essas representações podem apontar áreas para investigação. Cabe lembrar que as críticas feitas com relação à aplicação do índice de acessibilidade recaem sobre o numerador (provedores) e o expoente de fricção que aqui foi substituído pelas impedâncias de viagem como fator de ponderação.
No caso dos provedores (Pj), um fator de maior importância, que poderia ser analisado, é a capacidade de suporte dos serviços, ou seja, ao invés da contagem de unidades de atendimento, poder-se-ia calcular a acessibilidade pelo suporte no atendimento à população. No entanto, esse é um encaminhamento mais específico que requer uma investigação detalhada dos dados das unidades de atendimento, dos usuários dos serviços e dos modos de transporte utilizados.
5.4.3 Roteirização de caminhos e rede de cobertura: exemplos de aplicações