3. Methodology of meta-regression analysis
3.1 Meta-analysis, meta-regression analysis, and research synthesis
Wiredu considera a c o m u n i c a ç ã o como o essencial da condição humana, alegando que sem comunicação nenhuma criatura seria humana sequer, como também nenhuma sociedade ou comunidade humana conseguiriam existir.
A comunicação significa a transferência de conteúdos do pensamento, em unidades semânticas diversas, de uma pessoa para a outra ou de um grupo de pessoas para um outro grupo. No caso da transmissão de um depoimento, espera-se a avaliação como verdadeiro ou falso, noutro caso de expressão de uma atitude, de uma emoção etc., a
avaliação segue conceitos normativos, como, por exemplo, belo - feio, bom - mau, entre outros.
A linguagem é o suporte dessa transmissão, dispondo de um leque de modos expressivos, como, por exemplo, palavras, faladas ou escritas, gestos, artefactos, risos, olhares, etc. (Wiredu 1996, p. 13).
Para que a comunicação como interacção social entre vários seres humanos se torne possível, tem de haver uma base de entendimento comum o que, por sua vez, pressupõe uma p a r t i l h a d e s e n t i d o s. Daí que surja a necessidade de haver significados objectivos em forma de regras socialmente estabelecidas, convenções ou símbolos relacionados com significações. A sua análise crítica do carácter do sentido enquanto “ente” abstracto ou do abandono da categoria de significação leva Wiredu a manter que os conceitos aparecem exclusivamente na “mente”. Mas também se distancia da ideia de existência independente de uma “mente” como um “ente”.
A sua rejeição da ideia de “mente” como “ente” baseia-se na sua experiência linguística e cultural com a sua língua materna Akan. Esta língua africana reúne uma série de qualificadores fundamentais para definir a pessoa humana, nomeadamente a) “nipadua” (~ a figura física), b) “mogya” (~ o sangue), c) ntoro (o factor genético devido ao pai), e) “sunsum” (a base da personalidade), f) “okra” (a alma). O Akan não considera a “mente” como uma característica básica do Ser humano, como também não faz distinção entre “mente” e “pensamento”, usando apenas “adwene” como termo único. Wi. conclui daí que a mente não “seja” uma característica humana principal, mas apenas uma função de um desses constituintes da pessoa.
Para Wi., é no cérebro que ocorre o pensamento em ligação a estados cerebrais. Considera a hipótese que
“(...) a thought may be an aspect of a brain state, and mind an ongoing complex of such states.” (Wiredu 1996, p.18)
Wiredu sugere que os conceitos não existem na “mente”, mas são “of the mind” (p.18) como produtos de actividade do pensamento, i. e., duma actividade complexa
empiricamente localizável no cérebro. Os conceitos ou construções conceptuais são objectivos, constituindo a condição essencial da comunicação enquanto transferência, no sentido metafórico, de conteúdos de pensamento.
A participação de várias pessoas num milieu de comunicação pressupõe um sistema de correlação interpessoal de experiências interiores com a realidade externa o que sucede através da comunicação. Seguindo o bio-naturalismo de Hume e Dewey (Eze 1998), Wi. encontra como chave da questão da comunicação humana
“(...) the biological afinity between one person and another that makes possible the comparison of experiences and the interpersonal adjustment of behavior that constitute social existence.” (Wiredu 1996, p.19)
Com a sua capacidade inata no cérebro de conceptualizar, i. e., o
“(...) development and refinement of the capacity to react to stimuli in a law- like manner (...)” (Wiredu 1996, p.22),
é esta similaridade biológica dos Homens um dos constituintes do processo de comunicação. As características biológicas reencontram-se em todos os seres humanos, subjazendo daí a todo o processo comunicativo.
No entanto, segundo Wiredu e como também na interpretação dos Akan, uma criatura só se torna pessoa humana, sendo membro de uma comunidade, ou seja, no processo social de aprendizagem em que se desenvolve a “mente” humana como forma de desenvolver a comunicação. Surge aqui a questão qual das duas é constitutiva: a comunicação para a criação da mente, ou ao contrário, a mente para a comunicação. Wiredu não oferece nenhuma resposta.
Pela sua constituição regrada, a linguagem é o sistema que possibilita a criatividade conceptual da pessoa, como também a sua inteligibilidade e articulação. É também a linguagem que relaciona os estímulos externos aos processos cerebrais no acto da transferência do conteúdo de pensamento de uma pessoa para a outra.
Wi. sublinha os dois aspectos fundamentais de comunicação, nomeadamente o biológico e o cultural, revendo neles a ligação entre características universais e particulares. O cultural constitui o factor predominante no desenvolvimento dos factores de comunicação, no entanto, pressupõe a existência do outro factor para tornar uma compreensão possível.
O biológico-cultural como característica universal humana encontra a sua razão fundamental num impulso ecológico de auto-preservação e equilíbrio (p.26/27). O impulso representa aqui o instintivo e o inato a que se junta o culturalmente construído. No entanto, não fica muito claro onde termina o biológico e instintivo e quando começa o cultural, qual afinal é o conteúdo universal cultural, quando se encontram apenas conceitos culturalmente originados.
Para Wi., são os universais de cultura que permitem o diálogo intercultural como condição essencial para o entendimento entre os diversos grupos humanos. O universal humano mostra-se na presença comum das capacidades intelectuais constituintes de percepção reflexiva, de abstracção e inferência que, por sua vez, reencontramos como competências linguísticas fundamentais, constituindo as raízes da compreensibilidade entre as diversas línguas.
Essas, ao mesmo tempo, também possibilitam a translatação de uma língua para a outra, no significado mais técnico de tradução. No entanto, o reconhecimento da impossibilidade de tradução de uma expressão para uma outra língua representa ainda um nível de compreensão superior porque exige o acesso a um meta-pensamento que abstrai do sentido concreto numa língua concreta. Reencontramos aqui o conceito de “objecto”, para Wi., uma dimensão cognitiva comum aos Seres humanos, que determina a relação com o meio. A possibilidade translatória reflecte a comunicação intercultural, mas também a comunicação no seio da própria cultura que, no fundo, se constitui do mesmo modo (p.26).