2. Teorigrunnlag og hypoteser
2.6. Mestringstro
Dos professores entrevistados, sete têm idade entre 42 e 45 anos, duas professoras entre 38 a 40 anos e duas entre 55 e 62 anos. Dentre os sujeitos, todos cursaram curso pedagógico, sete em escolas do ensino médio, conhecidas como “Escola Normal” e três em municípios onde moram numa mesma escola estadual, onde tinha cursos médios profissionalizantes em outras habilitações e três professoras fizeram cursos pedagógicos com estudos adicionais, segundo estas professoras duas haviam concluído duas formações de nível médio profissionalizante em assistente de administração e contabilidade, e somente depois fizeram pedagógicos, neste contexto haviam poucas oportunidades de trabalhos para mulheres, portanto o magistério na educação infantil e no ensino fundamental, principalmente nas séries iniciais era um espaço de trabalho promissor para as mulheres pessoas, conforme atesta a palavra dos professores:
P2L1E: [...] Em 1977, fiz pedagógico três anos, depois mais um ano de pedagógico comunicação e expressão e estudos sociais, fiz curso de professora aqui mesmo em[...] O processo de escolha para o Magister, eu tinha realmente um sonho de fazer um curso superior, uma faculdade, mas
não foi escolha! Na verdade foi uma exigência do LDB e com este programa do governo, a gente aproveitou NE[...]
P3L1E: [...] Fiz o quarto pedagógico no[...], existia na época o Pedagógico, era de quatro anos, o quarto pedagógico não era obrigatório, e eu fiz o quarto pedagógico na área de Estudos Sociais, dava direito ensinar História e Geografia, até a 6ª série e quem tinha só o 3o poderia ensinar só até a 4ª série.
P9L2Es: [...] Minha formação inicial foi pedagógico, né, primeiro no Colégio Estadual Je e no Instituto de Educação, fiz dois pedagógico de 4º normal, por exemplo, fiz primeiro estudos adicionados em Língua Portuguesa e Educação especial.Sabe mulher só podia ser professora, a tia[...]
P5L2M: [...] Quando realizei minha formação, minha formação, na verdade, minha formação, né? Formação inicial foi com a vida né? Mas formação inicial eu fiz pedagógico, fiz pedagogia pela UVA, depois fui para o CEFET, fiz Arte-educação no CEFET, aí depois fui para o MAGISTER em Arte educação.
P2L1E: [...]Fiz pedagógico, no Colégio Estadual, aqui mesmo no, neste colégio que é o mais antigo da Cidade. Fiz três anos, depois 1 ano de adicional, 4º pedagógico sabe, que eu na área de comunicação e expressão?”Naquele tempo as mulheres ou se casavam para o marido sustentar ou iam ser professora.
De acordo com o exposto vale destacar que os professores tiveram aulas de
artes, de cunho tradicional e tecnicista, uma vez que as Leis No 4.024/61 e 5.692/71
estavam impregnadas de idéias conservadoras, cuja estruturação baseava-se nos moldes desenvolvimentistas, cuja educação estava a serviço deste modelo econômico, de idéias baseadas no individualismo das ações, voltadas para a produtividade, onde a formação dos profissionais da educação ancorava-se nesses paradigmas produtivos e na racionalização das ações, cujas repercussões no seio social das escolas vão desde a gestão autoritária, verticalista, centrado na figura do diretor da escola que assumia posturas individualistas de mandar aos outros, que deveriam obedecer por sua vez, sem contestar, ou discutir qualquer posicionamento, ou ações, que lhes eram impostas, ocasionando a ação entre o pensar e o fazer, entre teoria e prática.
A gestação dessa legislação esteve em vigor por mais de duas décadas,
abarcando os anos de 60, 70 e início dos 80. As Leis No 4.024/61 e No 5.692/71 e a
legislação do ensino superior No 5.540/68, também vão sofrer estes limites
arbitrários. Ressalte-se, que é neste contexto histórico que acontece o golpe militar de 1965, onde o país é refém de atitudes repressoras, covardes e criminosas em nome de um suposto desenvolvimento econômico e social para o País. Quantos
brasileiros foram exilados, negados do convívio familiar, e do aconchego de sua pátria? Quantos foram mortos, na tentativa de inibir, castrar seus ideais e utopias?
Não nos causa estranheza diante desta herança histórica, o mar de lama, de corrupções, de mentiras, de violência, de discriminação social e de preconceitos de toda ordem, no qual parte das elites econômicas e principalmente políticas estão imersas? Nem tampouco nos surpreende índices alarmantes de analfabetismo, de evasão, reprovação, de baixo rendimento de aprendizagem, e outros índices da gestão escolar, dentre outros dados que nos são mostrados por órgãos de avaliação da nossa educação como SAEB, ENADE, ENEM.
Foi indagado aos professores quais eram suas perspectivas de formação após a realização do Curso. Cinco manifestaram interesse em voltar a estudar fazer pós-graduação em Artes. Um dentre os cinco citados referiu-se ao doutorado todos ressaltaram como empecilho a falta de tempo:
P5L2M: Eu almejo fazer cursos de mestrado, fazer pós-graduação também em doutorado.Claro é somente um sonho, Isso né, mas o negócio agora é o tempo que está meio difícil, pois estou numa vice-direção de uma Escola da Prefeitura e agora está meio complicado. Leciono a noite de 5a a 8a, no ensino fundamental II, aí a carga horária da Arte-educação é pesada.
P9L1E: foi quebrar barreiras, fiquei 20 anos e um dia que eu sempre achei em cursar uma faculdade, O Magister foi um sonho realizado, pra mim o Magister foi uma coisa muito boa, boa mesmo, ótima, excelente[...] Abriu-me outros espaços e eu não vou parar por aqui, vou continuar[...] quero fazer CEFET , Artes cênicas e depois vou para o Mestrado
Assim, a formação constitui-se no capital cultural almejado pelos professores, mas ao mesmo tempo enfrentam os limites impostos pelas políticas públicas de formação que não investem na educação continuada desses professores, como forma de melhoria do trabalho docente. E, que apesar dessas dificuldades os professores sonham com a possibilidade adquirir conhecimentos que como forma de aperfeiçoamento profissional, que acabam sendo cerceados de seus sonhos pelos baixos salários e os entraves burocrátios da gestão.