UTGANGSPUNKT FOR FORSTÅELSE AV MESTRING 3.1 Innledning
3.4 Mestring – en gjensidig prosess mellom individ og omgivelser
3.4.2 Mestring og opplevelse av sammenheng
As gramáticas tradicionais (GTs) da língua portuguesa, também relacionadas com o quadro de referência para a prescrição gramatical, não destoam no que toca ao trato dos pronomes pessoais, classificando-os quanto à função exercida na oração (sujeito e objeto) e quanto à caracterização semântico-pragmática (a primeira pessoa como a pessoa que fala; a segunda pessoa é a pessoa com quem se fala; e a terceira pessoa é a pessoa de quem se fala). Além disso, a GT organiza o quadro pronominal de forma a manter uma identidade formal herdada do latim representada pela correspondência entre a forma verbal e os pronomes de sujeito (eu falo, tu falas, ele/ ela fala, nós falamos, vós falais, eles/ elas falam). Essa correspondência estende-se horizontalmente para outras formas no sentido de que se estabelece a correspondência entre as pessoas de sujeito e objeto (cf. quadro a seguir).
Pronomes pessoais retos
Pronomes pessoais oblíquos não reflexivos
Átonos Tônicos
Singular
1.ª pessoa eu me mim, comigo
2.ª pessoa tu te te, contigo
3.ª pessoa ele, ela o, a, lhe ele, ela
Plural
1.ª pessoa nós nos nós, conosco
2.ª pessoa vós vos vós, convosco
3.ª pessoa eles, elas os, as, lhes eles, elas
Quadro 1 – Formas dos pronomes pessoais em Cunha & Cintra (2001: 277)
Rocha Lima (2006: prefácio da 15ª edição, p.XXI), na edição de 1972 da sua Gramática Normativa da Língua Portuguesa, opta por “enriquecer copiosamente a exemplificação dos ‘fatos’ da língua”, utilizando como fontes autores como Graciliano Ramos, Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond, etc, além daqueles normalmente usados pela GT, como Vieira, Bernardes, Herculano, entre outros. A escolha de fontes mais recentes em relação às que já vinha utilizando, permitiu ao autor observar o emprego de novas formas utilizadas como pronomes no português falado no Brasil, apresentando, portanto, divergências em relação ao português de Portugal e em relação às descrições das gramáticas tradicionais. O quadro 2 foi extraído de Rocha Lima (2006)10 e contrasta em alguns pontos com o quadro 1 de Cunha & Cintra (2001).
Formas retas
Formas oblíquas
Objetivas diretas Objetivas indiretas Singular
1.ª pessoa eu me me
2.ª pessoa tu, você te, você, o, a te, lhe (a você)
3.ª pessoa ele, ela o, a lhe (a ele, a ela)
Plural
1.ª pessoa nós nos nos
2.ª pessoa vós, vocês vos vos, lhes (a vocês)
3.ª pessoa eles, elas os, as lhes (a eles, a elas)
Quadro 2 – Formas pronominais retas e oblíquas em Rocha Lima(2006)
Pela observação dos dois quadros, notamos que os autores divergem em relação aos pronomes de sujeito e de objeto. No que se refere aos primeiros, Rocha Lima (2006) inclui
10 A gramática de Rocha Lima tem dois capítulos dedicados ao pronome. O capítulo 9, intitulado “Pronome”,
não apresenta inovações, as quais só aparecem posteriormente no capítulo 22, “Emprego do pronome”. O quadro desta página baseia-se neste capítulo (p. 315).
você e vocês como pronomes de segunda pessoa, ao passo que Cunha & Cintra (2001) listam apenas as formas tu e vós. No quadro proposto por Cunha & Cintra, as formas você e vocês sequer aparecem e não são consideradas pronomes pessoais, e sim pronomes de tratamento da segunda pessoa (p.289). Note-se que Rocha Lima atribui a essas formas o status de pronome pessoal, embora não exclua as formas vós e tu. No que diz respeito aos pronomes sujeito, essa é a divergência explicitada pelos quadros dos autores: Rocha Lima admite a inclusão de você como pronome de segunda pessoa, o que não fazem Cunha & Cintra. Nas demais pessoas do discurso, ou seja, na primeira e terceira pessoas, as descrições elaboradas pelos autores são convergentes.
No que diz respeito aos pronomes de objeto, Rocha Lima inclui as formas você, te, o, a como pronomes relacionados à segunda pessoa do singular na função de objeto direto, ao passo que Cunha & Cintra listam apenas a forma te. Merece destaque o fato de Rocha Lima mencionar o/a como pronomes de segunda pessoa na função de objeto direto; isso se deve à inserção, no quadro pronominal, da forma você, que, apesar de fazer referência à segunda pessoa do discurso, estabelece correspondência com pronomes de terceira pessoa, haja vista sua origem como pronome de tratamento. Parece incoerente, entretanto, Rocha Lima listar apenas vos, como fazem Cunha & Cintra, como pronome objeto direto de segunda pessoa do plural, uma vez que lista também a forma vocês, além de vós, como pronome de sujeito, dando-nos a impressão de que falta um pronome objeto correspondente, ou que a correspondência é realizada pelo próprio vos como pronome objeto de vocês. Em relação aos pronomes de primeira e terceira pessoas na função de objeto direto, os autores não apresentam descrições divergentes, sendo me e nos para a primeira pessoa e o e a, os e as para a terceira pessoa na função de objeto direto.
Ainda em relação aos pronomes oblíquos, Rocha Lima lista te e lhe como pronomes de segunda pessoa do singular na função de objeto indireto, ao passo que Cunha & Cintra listam apenas te. Como pronomes de segunda pessoa do plural, Rocha Lima cita lhes e vos, discordando de Cunha & Cintra, que listam apenas vos nessa função. No que se refere à terceira pessoa do singular e do plural na função de objeto indireto, tanto Cunha & Cintra, quanto Rocha Lima citam lhe, lhes. No entanto, Rocha Lima explicita uma correspondência entre as formas preposicionadas a ele, a ela e lhe (e seus plurais), o que parece sugerir a equivalência entre essas formas. Os autores concordam quanto às formas de primeira pessoa, de maneira que me e nos são pronomes de primeira pessoa do singular e plural, respectivamente, na função de objeto indireto.
Os contrastes entre os quadros 1 e 2 mostram que a gramática tradicional já havia percebido algumas mudanças no sistema pronominal do PB. As GTs, no entanto, não se aprofundam nessas questões, o que é empreendido em estudos no âmbito da lingüística.