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Hvem er de mest sentrale aktørene?

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4.2.6 Hvem er de mest sentrale aktørene?

econômicas que diferenciam muito nossa sociedade de outros tempos. Tais mudanças refletiram-se também no sistema educativo, e a educação deixou de ser uma promessa de futuro melhor, desgastando a imagem dos sistemas educativos. Para ele, a passagem de um sistema de ensino de elite para um sistema de ensino de massas trouxe um aumento quantitativo de professores e alunos e também vários problemas qualitativos, que exigem profunda reflexão e redefinição do papel do professor, o qual frente a estas mudanças vê-se inseguro e cético com relação às novas políticas educacionais. Tal situação, aliada à falta de apoio, às críticas e à responsabilização do professor como único responsável pelos problemas do ensino, acabam causando um mal-estar docente11, e ainda que ele não seja o principal responsável, encontra-se na linha de frente, sente-se pressionado, mas nem sempre procura ou encontra uma saída.

O fato da educação, por força do sistema, ir deixando de ser um direito social para torna-se mercadoria, impele as instituições de ensino a adoção de métodos de gerenciamento que otimizam a mão de obra, acompanhando uma tendência de mercado. Uma das conseqüências desse movimento é o aumento das exigências em relação ao professor, as quais não se restringem aos aspectos cognitivos.

Os conflitos de relacionamento exigem do professor habilidades no gerenciamento de grupos que em outras épocas não seriam necessárias. Antigamente o professor tinha todos os direitos e o aluno só deveres, porém hoje o aluno se permite realizar diversas agressões físicas, verbais e psicológicas sem qualquer punição.

Na Argentina, um grupo de reitores, diretores, professores e investigadores, chegaram à conclusão de que o principal problema da educação no mundo passa

11 Termo utilizado por Esteves (1999: 25) para descrever os efeitos permanentes de caráter negativo que afetam a personalidade do professor como resultado das condições psicológicas e sociais em que se exerce a docência.

pela relação entre docentes e alunos. Para o ministro argentino se não se puder recuperar a relação aluno-docente nada do que se possa fazer terá valor.12 Em

nosso país, o problema tem um agravante: trata-se da violência, presente em grande parte das escolas. Os relatos de violência são inúmeros. O Diário Catarinense publicou que a Unesco revelou um estudo onde 12% dos alunos, pais, professores e funcionários de escolas públicas e privadas de Santa Catarina sabem onde encontrar e comprar armas de fogo. Dentre os pesquisados: 36% já receberam ameaças de alunos, pais ou professores; 6% foram alvo de violências sexuais e 18% denunciaram depredação de escolas13. O que enfatiza a necessidade de incutir nos currículos o desenvolvimento de valores, tais como a paz e a solidariedade.

A família afetada pelas mudanças sociais e econômicas parece perdida na tarefa de formação do caráter e da moral de seus filhos, delega a escola e ao professor a formação dos valores que deveriam ser desenvolvidos no seio familiar, aumentando o rol das exigências docentes. Todavia, cabe à escola e ao professor, a formação ética de seus alunos, propiciando modos de vivenciar as diferentes inserções sócio- político-culturais entre os cidadãos. A Instituição escolar vive em numa sociedade pluralista, com grupos sociais distintos e com meios de comunicação que defendem valores diferentes, o que acaba rompendo qualquer consenso social sobre que tipo de educação deve ser ministrada.

Os efeitos de uma sociedade pluralista e multiculturalista afetou recentemente as instituições educacionais na França, no episódio envolvendo o uso do véu islâmico pelas estudantes mulçumanas, provocando inúmeras discussões sobre a laicidade. Na ocasião o Senado francês votou e aprovou um projeto de lei enquadrando, em aplicação do princípio de laicidade, o uso de sinais ou de trajes manifestando uma vinculação religiosa nas escolas, nos colégios e nos liceus públicos.14 A medida, segundo os mulçumanos franceses, se coloca contra o Islã, porém, para o governo, ela cria, para cada indivíduo, as condições de sua liberdade de consciência, assim

12La Nacion, 26/03/2004 - Buenos Aires, Argentina. La relación docente-alumno- Editorial. 13

Diário Catarinense, 06/04/2004 – Florianópolis, SC. Escola e violência - João Aderson Flores, Vereador (PFL) em Florianópolis.

14 Le Monde, 05/03/2004 – Paris, França. A proibição de exibir sinais religiosos na escola é adotada em

definitivo pelo Parlamento: o texto de lei sobre a proibição da ostentação de sinais religiosos na escola entrará em vigor a partir da próxima volta às aulas, em setembro de 2004.

como as de sua liberdade de pensamento e de ação, para praticar a religião de sua escolha ou para ser ateu ou agnóstico.15

No Brasil, as diferenças regionais acentuadas e os grupos menos privilegiados começam a exigir igualdade de condições nos serviços educacionais fornecidos pelo poder público. Um exemplo é a polêmica questão do acesso à Universidade Pública, no último Fórum Mundial da Educação, realizado em São Paulo, durante a fala do Ministro da Educação Tarso Genro, representantes de alunos de universidades públicas (como USP, Unesp, Unicamp e Uerj), do Movimento dos Sem Universidade (MSU) e da Educafro (ONG que trabalha com a educação de negros)16, protestaram e reivindicaram um número maior de vagas principalmente para alunos dos grupos que representavam. Na disputa pela palavra, os grupos chegaram a se ofender, causando certa tensão. A convivência desses mesmos grupos dentro da Universidade evidencia a difícil tarefa do professor na conciliação dos diversos interesses.

Tais exemplos evidenciam o fato de que não há mais um consenso sobre os modelos de educação, as escolas não conseguem integrar as exigências de modelos distintos de educação, gerando um aumento das contradições no exercício da docência. Algumas escolas, ao procurar atender as necessidades do mercado, incorporam transitoriamente metodologias da “moda”, ora se dizem construtivistas, ora tradicionalistas, ora se voltam para as inteligências múltiplas, ora para o ensino voltado para a aprovação no vestibular, etc.

O professor se vê confrontado com a necessidade de protagonizar papéis contraditórios e por isso está sujeito a críticas. Na medida do possível, adapta-se às exigências de uma e de outra, trabalhando em mais de uma escola, sabe que o cotidiano escolar é marcado pela diversidade de idéias e posicionamentos. Infelizmente na maioria das instituições há pouco espaço para a discussão de um ideário comum, os conflitos existentes obrigam o professor a adaptar ou modificar

15 Idem

16 Estado de Minas, 04/04/2004 - Belo Horizonte, MG. Cotas nas particulares. Tarso Genro defende, durante o

Fórum Mundial de Educação, reserva de vagas para alunos de baixa renda em instituições públicas e privadas. Medida divide opiniões.

suas atitudes, comportamentos ou opiniões, de acordo com as circunstâncias, e, especialmente em função de interesses e conveniências de cada gestor.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam que o Ensino está mudando devido às novas tecnologias, e as mudanças na produção de bens e serviço, e no próprio conhecimento. Os professores devem agora aperfeiçoar a sua prática educativa, buscando novas abordagens e metodologias que se mostrem significativas e contextualizadas, acompanhando assim, o avanço das ciências e as transformações e mudanças sociais. Pressionando o professor a selecionar conteúdos atualizados que se mostrem indispensáveis para acompanhar esses avanços e abandonar alguns conteúdos tradicionalmente transmitidos. Nessas circunstâncias, é natural que o docente fique imobilizado, e sinta-se inseguro e receoso para realizar tais mudanças, pois não sabe o que realmente necessita ser ensinado.

Mudanças curriculares, como nos lembra Torres (1995), não se restringe apenas a conteúdos e objetivos, mas abrange também as relações e aprendizagens sociais caracterizadas por um conjunto de discursos presentes no processo de ensino- aprendizagem. A mudança de conteúdo implica também a mudança do “saber escolar” e da “cultura escolar”, pois a adoção de uma determinada proposta, reflete na escolha de uma determinada concepção educativa, social, política, etc.

Por trás de uma concepção de currículo há conflitos, escolhas, ideologias, interesses políticos e econômicos que são ignorados pelos professores, mas imprescindíveis para que eles possam questionar o que deve ser ensinado. Para desvelar essas relações ocultas é necessário identificar a função social manifesta e latente do conhecimento transmitido, analisando como os princípios de seleção e organização funcionam na reprodução cultural e econômica das relações de classe.

Com a mudança na configuração do sistema educativo, percebemos a passagem de um ensino de elite seletivo e altamente competente para um ensino de massas mais flexível e integrador, porém que trouxe problemas de qualidade da educação, juntamente com a desqualificação e desvalorização docente.

Segundo estudos de Romanelli (1989), o ensino no Brasil, no período colonial, esteve voltado para as elites. Na época adotavam-se modelos de ensino e hábitos aristocratas, procurando imitar a Metrópole. Havia uma educação mínima para a população branca e indígena em geral (menos para as mulheres) e uma educação média para a classe dominante que seguia, posteriormente, seus estudos na carreira eclesiástica ou encaminhava-se para a Europa. Esse modelo educacional sobreviveu à expulsão dos jesuítas, atravessou o período colonial, imperial e republicano sem grandes modificações, mesmo quando a demanda social por educação das classes mais baixas fez-se necessária, exigindo a ampliação da oferta escolar. Durante todo esse período, esse modelo foi-se firmando como status e símbolo da classe dominante.

Os avanços educacionais obtidos pelo Brasil na década de 90 são impressionantes, segundo dados do Ministério da Educação e da UNESCO-OCDE17, na educação fundamental as matrículas são da ordem de 36 milhões; no ensino médio, são mais de 7,7 milhões e pode chegar a 10,4 milhões em 2005; e no ensino superior, são aproximadamente 2,3 milhões de alunos matriculados. Apesar dos avanços quantitativos obtidos nos últimos anos, em termos qualitativos o ensino oferecido pelas escolas brasileiras é de má qualidade. No Relatório de Monitoramento Global feito pela UNESCO18, entre os 127 países que assinaram o acordo no Fórum Mundial de Educação de Dacar, no Senegal, em 2000, comprometendo-se a tomar medidas para a melhoria do ensino em suas escolas, o Brasil aparece na 72ª colocação. Os dados19 da avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2003 mostram que 55% das crianças da 4ª série do ensino fundamental não têm competência de leitura apropriada à série. Na matemática, 52% das crianças não consolidaram plenamente os algoritmos da soma, da subtração, da multiplicação e da divisão. Em leitura, a média de proficiência obtida foi de 169 pontos, e, em matemática, de 177. O mínimo considerado satisfatório para as duas disciplinas deveria ser de 200 pontos.

17 WERTHEIN, Jorge Educação: O desafio da qualidade

http://www.unesco.org.br/noticias/opiniao/artigow/artigow_qual/mostra_documento - Acessado em 25/01/05.

18http://www.pnud.org.br/educacao/reportagens/index.php?id01=798&lay=ecu - Acessado em 25/01/05.

19

ARAÚJO, Carlos H. & LUZIO, Nildo Educação: quantidade e qualidade http://www.inep.gov.br/imprensa/artigos/quantidade_qualidade.htm - Acessado 25/01/05.

As mudanças no sistema educativo trouxeram ainda a desvalorização docente. Os antigos mestres e donos do saber perderam seu status social e cultural, além de serem atingidos por um profundo arrocho salarial. A profissão docente que antes era sinal de status, passa a ser para alguns, a última opção quando não se conseguiu uma ocupação melhor, ou ainda “um bico”, uma maneira de aumentar os ganhos. Tal situação levou muitos professores a desiludirem-se e abandonarem a docência, provocando a escassez de profissionais em algumas disciplinas.

Na cidade de São Paulo, segundo artigo publicado no Jornal da Tarde20, apesar de não haver estatísticas, as escolas públicas e particulares começam a enfrentar o problema da falta de professores em algumas disciplinas. A desmotivação para o ingresso de novos professores se deve à desvalorização da carreira, prejudicada por salários baixos, excesso de trabalho e falta de condições para lecionar.

O aumento das responsabilidades do professor e a massificação do ensino no decorrer dos anos trouxeram ainda a decadência dos recursos materiais e das condições de trabalho do professor, devido a diminuição dos investimentos efetuados na educação por parte dos governos. No governo Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Tarso Genro, solicitou publicamente mais recursos para o seu ministério, repetindo o que já havia sido feito intensamente pelo seu antecessor Cristovam Buarque. Nos dizeres do ministro, há que se criar um grande movimento político capaz de dar sustentação à visão de que todos os outros setores da administração pública terão escasso sucesso se o centro desse processo não estiver na questão da educação.21

No passado, além de valorizado, o professor era a única fonte de transmissão de informação, porém o desenvolvimento de fontes de informação alternativas à escola, como os meios multimídias, a internet, tvs a cabo, consegue-se transmitir informações em maior quantidade e qualidade. Tais avanços enfatizam cada vez mais a necessidade dos professores abandonarem uma concepção de ensino,

20

Jornal da Tarde, 10/03/2004 - São Paulo, SP. Eles não querem ser professores. 21

Gazeta do Povo, 19/03/2004 – Curitiba, PR - Tarso repete Cristovam e pede mais recursos -Ministro propõe bloco para pressionar o governo e o Congresso.

calcada na simples transferência de informação e na pura reprodução de um conhecimento memorizado. Para Dowbor (2001), o advento das novas tecnologias do conhecimento tem transformado positivamente setores estratégicos da sociedade como agricultura, indústria, políticas sociais e entretenimento. Nesse contexto, o ensino não pode deixar de articular-se com as novas dinâmicas para repensar o conhecimento e a função do educador como mediador nesse processo. Se as novas tecnologias têm beneficiado tantos setores, a educação e seus sistemas de gestão têm de aprender a utilizá-las como potencial para transformação da sua forma e conteúdo, principalmente no resgate da cidadania de uma grande massa de marginalizados digitais.

As novas tecnologias podem auxiliar o professor em inúmeras tarefas já que, além das aulas, deve reservar tempo para programar, avaliar, reciclar-se, orientar os alunos e atender os pais, etc. Todavia tantas atribuições acabam fragmentando e prejudicando o trabalho docente, devido à falta de tempo para realizar com qualidade as inúmeras atividades que acabou acumulando. Alguns colégios da cidade de São Paulo eliminam ou reduzem suas atividades burocráticas e administrativas, utilizando meios eletrônicos e a mão de obra do professor. Esta mudança de contexto exige do profissional de ensino a digitação de notas e faltas, o preenchimento eletrônico de fichas de acompanhamento individual, etc. Infelizmente ele não é remunerado pelo tempo despendido com estas tarefas.

Com tantos problemas é ilusório pensar que a formação inicial do professor poderá dar conta de enfrentar os desafios da prática docente, e das mudanças sociais e econômicas do ensino. Atender as dificuldades do professor significa criar processos que possam ser usados para promover a reflexão dos professores sobre certos incidentes críticos das suas práticas cotidianas, e para transformar a sua reflexão- em-ação numa reflexão sobre-a-reflexão-em-ação (Schon, 2000).

CAPÍTULO II

In document Underveisevaluering av ENERGIX (sider 33-41)