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Merverdiavgiftsutvalget av 1985 (Storvikutvalget)

O conceito de sentido em Vigotski, segundo Namura (s.d.), pode ser estudado principalmente em duas grandes obras do autor bielorrusso: Psicologia da arte, de 1925, e Pensamento e linguagem, de 1934. Nas discussões do termo, atreladas aos estudos sobre linguagem, “o sentido, objetivado em palavras, é a categoria mais importante da consciência” (Namura, s.d., p. 1). Entretanto, é fundamental ressaltar que

significado e sentido são conceitos distintos quando nos referimos à dimensão da

palavra.

Conforme abordamos, o significado da palavra, como fenômeno do pensamento discursivo ou da atividade consciente, é “a unidade da palavra com o pensamento” (Vigotski, 2001, p. 398). Para Vigotski, o significado é apenas a dimensão mais estável, coerente e precisa da zona dos sentidos (Cruz, 2011). Contudo, Pino (2005) alerta que o significado é constitutivo da própria língua; como uma formação

dinâmica, histórica e culturalmente compartilhada. Por essa via, ao mesmo tempo que

assume uma dimensão mais precisa, dentro da língua, o significado é dinâmico, pois a própria língua é viva e dinâmica.

Já o sentido diz respeito a um aspecto mais particular, assim, o significado de uma palavra pode assumir sentidos diferentes para cada locutor em um determinado discurso (Pino, 2005). Esse sentido relaciona-se, também, à dimensão afetiva, pois se estabelece naquilo que se torna valioso internamente: “o afetivo se constitui pelo que a linguagem traz de valor, de tons para o interior do sujeito” (Barbosa, 2011, p. 21). Para

as autoras Wortmeyer, Silva e Branco (2014), essa dimensão dos afetos é bastante desafiadora e, em termos genéricos, contempla os estudos das emoções, das paixões e dos sentimentos.

No que tange à linguagem, tanto Vigotski, quanto Bakhtin, relacionam seu estudo intrinsecamente com a emoção e o sentido (Barbosa, 2011). Desse modo, Freitas (2007) afirma que a linguagem é produção de sentidos — produção, esta, que abarca necessariamente a dimensão afetiva.

Contudo, ao abordarmos o campo dos sentidos atrelado à linguagem, devemos entender também que esta vai além de sua dimensão verbal (ou da própria língua). Para Bakhtin (2006), a “massa de outras reações gestuais com valor semiótico” (p. 51), como as expressões corporais, a tonalidade com que determinado discurso é expresso, a

emoção que lhe é inerente, tudo isso é fundamental na constituição de sentidos.

Ao estudar as emoções humanas com base em Vigotski e Bakhtin, Magiolino (2011) afirma que estas estão no âmago de tudo que o que tem sentido. Para a pesquisadora, as emoções constituem os processos pedagógicos e psicológicos, éticos e

estéticos, as relações entre a arte e a vida. Por essa via, considerar as emoções humanas

nos processos de constituição de sentidos implica também olhar para o corpo, as formas, a dimensão (est)ética das experiências vividas (Magiolino, 2011). Desse modo, enfatizamos que as emoções afetam e dão sentido às nossas experiências e condutas, que são concretas e estéticas.

Por esse viés, a pesquisadora Namura (2003, s.d.) evidencia que, em Vigotski, outra perspectiva para elucidar o sentido do sentido é desenvolvida à luz da psicologia

da arte e abarca especificamente o campo das emoções estéticas: “a arte é um conjunto

maneira, a emoção estética é estudada por Vigotski (1999a) numa tentativa de elucidar as “leis psicológicas de influxo da arte sobre os homens” (p. 23).

Essa dimensão é fundamental nesta pesquisa, por abarcar justamente a concepção de sentido atrelada às emoções estéticas, suscitadas pela experiência

artística. No terceiro capítulo, veremos que o brincar do adulto, no universo da cultura popular, é também uma prática artística (criativa e criadora) que, na realidade, se

encontra no limiar entre a arte e a vida. Por enquanto, pretendemos argumentar que a ideia de sentido ultrapassa as noções meramente linguísticas, adentrando uma dimensão mais ampla — e necessariamente estética — da vida. Nessa perspectiva,

atribuir sentido é uma condição humana, mas os sentidos atribuídos mudam, se transformam e adquirem novos conteúdos, significados e qualidades no processos histórico-social de desenvolvimento do homem. Dessa forma, as ideias, as estruturas sociais e as concepções ideológicas que dão sentido à vida podem se transformar, desaparecer e renovar-se; podem ser produzidas e comunicadas diretamente na expressão linguística, podem ser apreendidas indiretamente pelos fatos, acontecimentos, costumes, modos de ser e viver, enfim, as concepções de sentido se transformam nas infinitas relações sociais. (Namura, 2003, p. 2, grifo nosso)

Assim, compreendendo a atribuição de sentido à própria experiência, como uma condição humana, Namura (2003) investiga o sentido do sentido em Vigotski por meio de uma aproximação com a estética e a ontologia do ser social em Lukács. A autora argumenta que historicamente o sentido deixou de se vincular às experiências sensoriais, éticas e à razão, sendo substituído pelas inovações tecnológicas e pelo fetichismo das mercadorias (Namura, 2003).

Com a era moderna, a partir do século XVIII, que incrementou a ideologia capitalista, transformações sociais direcionaram paulatinamente a humanidade ao

individualismo. Logo, “as bases materiais, ontológicas, éticas e estéticas do sentido da

modernidade, do sujeito emancipado, da sociabilidade e da realidade subjetiva” (Namura, 2003, p. 16) cederam espaço para o sentido da insegurança, da fragmentação e da perda de sentido; na verdadeira essência (emancipadora) que o conceito comporta.

Desse modo, Namura (2003) enfatiza a importância de compreender o sentido em sua raiz ontológica no que tange, especificamente, à psicologia proposta por Vigotski. Nessa compreensão, a autora reforça que a estética comparece, em Vigotski, Marx e Lukács, como uma dimensão essencial das experiências humanas: “de constituição do sujeito, da subjetividade e, portanto, do próprio sentido” (p. 24).

Por essa via do sentido, na obra de Vigotski a estética é estudada com centralidade nas emoções suscitadas pela arte, conforme apontamos. Essas emoções, provocadas pela experiência estética, se diferenciam das emoções ordinárias (Wortmeyer et al., 2014). Pois, seguindo de forma contrária à lei do menor esforço, que se refere à economia psíquica de descargas de energias nervosas, as emoções suscitadas pela arte (reações estéticas ou comportamento estético) produzem um alto dispêndio de energia (Vigotski, 1999a). Esse dispêndio de energia provoca modificações “da vontade, dos sentimentos e do desejo” (Namura, 2003, p. 200) e é explicado pelo conceito de catarse, que estudaremos no capítulo a seguir.