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Há uma gama de Organizações Internacionais e ONGs cujo primeiro objetivo ou um dos objetivos principais é a igualdade de direitos entre homens e mulheres e a promoção de melhores condições de vida para as mulheres. Além da OIT e da ONU, existem organizações importantes e simbólicas mundialmente. Podemos mencionar, entre outras, o Conselho da Europa e a Organização pela Segurança e Cooperação na Europa.

O Conselho da Europa, uma organização internacional fundada no fim da década de 40, é a mais antiga instituição europeia em funcionamento. Seu principal documento é a Convenção Europeia dos Direitos dos Homens, adotada pelo Conselho da Europa em 1950, um documento que preza pela igualdade entre homens e mulheres e repudia a distinção das pessoas em função do seu sexo. Leia-se o artigo 14 da Convenção:

Art. 14. O gozo dos direitos e liberdades reconhecidos na presente Convenção deve ser assegurado sem quaisquer distinções, tais como as fundadas no sexo, raça, cor, língua, religião, opiniões políticas ou outras, a origem nacional ou social, a pertença a uma minoria nacional, a riqueza, o nascimento ou qualquer outra situação.

Ainda, o Conselho da Europa, em 2011, adotou a Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o Combate à Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica, tendo sido tal convenção aprovada em Portugal em 2012 e ratificada em 2013. Outra organização passível de menção é a Organização pela Segurança e Cooperação na Europa. Originada em 1975, a OSCE trabalha com base nas votações de seus Países-Membros, sendo a organização de caráter regional mais importante das Nações Unidas. Dentre suas atividades, a OSCE realiza uma série de missões de campo que têm como missão facilitar a resolução dos conflitos existentes ou pendentes de solução nos quais se veem implicados alguns Estados participantes.

Em relação à igualdade de gênero, a OSCE em 2004 assinou um Plano de Ação pela Promoção da Igualdade de Gênero, baseado em programas das Nações Unidas, que se efetivou pela tomada das seguintes medidas: no ano seguinte, a OSCE reconheceu a importância de «ações concretas» para envolver as mulheres nas atividades da OSCE

em matéria de prevenção de conflitos, gestão de crises e reabilitação pós-conflito. Em 2008, foi publicado um guia de instruções com práticas e recomendações para incentivar a perspetiva de gênero no campo da reforma do sector da segurança. Em 2009, um número significativo de Estados participantes na OSCE se comprometeu a fazer alterações com vistas a melhorar os direitos das mulheres.

A Organização pela Segurança e Cooperação na Europa verificou a importância de integrar a sensibilidade de gênero na implementação de métodos de integração dos países e projetos no pós-guerra. Muitas vezes, as mulheres são deixadas de lado quando das decisões pela paz, sendo marginalizadas e mais atingidas pela pobreza, fome e violência.

CONCLUSÃO

A vida real acaba por nos fazer esquecer que as conquistas femininas ainda são muito recentes na história da humanidade. Há 85 anos atrás, as mulheres ainda não tinham o direito ao voto assegurado na Constituição brasileira. A Constituição portuguesa somente garantiu este direito às mulheres, de forma irrestrita, há quase 50 anos. Até 30 anos atrás, a maior parte dos países ainda considerava que o homem tinha mais poder que a mulher no casamento.

Até hoje, ainda existem violações paulatinas dos direitos das mulheres e de outras classes, géneros e minorias. Abarcados pela legislação pátria ou de forma ilegal, pessoas exploram o sexo feminino psicologicamente, fisicamente e culturalmente.

Há, porém, uma aliança internacional, motivada pelas relações internacionais entre diversas pessoas comuns e organismos, que busca desvendar os motivos para violações e barrá-los, por meio das leis ou do uso da internet e TV.

As mulheres, motivacionadas pelo feminismo e por esperança de melhores condições de vida, buscam a expor a construção sexista das relações internacionais para, posteriormente, buscar inserir a visão feminina no tema, em prol da necessidade de reconstrução teórica e prática deste campo, considerando-se que metade da população mundial é do sexo feminino. Tal reconstrução de pensamento possibilita uma sociedade melhor não somente para as mulheres, mas para a população como um todo. Um mundo igualitário tem menos desigualdades sociais e mais oportunidades para todos. Considerando que homens também são atingidos pela sua espectativa nos papeis de gênero, sendo por exemplo os maiores atingidos por depressão, uma alteração do status quo traria benefícios também para o gênero masculino.

A luta das mulheres tem por finalidade atingir um objetivo: uma representação de mundo em que sejam tratadas e protegidas devidamente com igualdade e liberdade. Tal configuração, por consequência, acarretará mudanças e benefícios também para o sexo masculino.

É importante verificar o papel das mulheres nas relações internacionais para perceber como a mulher, embora não atuante por meio das Organizações Internacionais ou formas tradicionais de poder no direito internacional, ainda assim possui voz e espaço na resolução de conflitos internacionais. Em muitos casos, ela, ao se rebelar de uma situação em que é vítima, ganha alcance regional ou global, além de apoio para as suas

pautas. Ao modificar a situação para si, a mulher tende a auxiliar um grupo de pessoas e, em alguns casos, toda a sociedade onde está inserida.

É necessário ampliar os espaços de poder para que a mulher tenha mais voz. Embora sempre presente nas relações humanas e sociais, a mulher é poucas vezes ouvida, sendo sempre vista como o «outro» na legislação e imprensa. Ela, porém, corresponde a metade da sociedade. É necessário haver políticas de integração para que, mais que divisão entre os gêneros, haja integração social.

Estudar as Relações Internacionais sob um ponto de vista feminino é estar preparado para perceber que as relações entre Estados, inclusive guerras e anexações, poderiam haver ocorrido de forma totalmente distinta caso as mulheres tivessem voz ou estivessem no poder. Até mesmo as motivações para guerras internacionais, processos de surgimento dos Estados e as atividades de equilíbrio de poder das grandes potências atualmente são questionadas sob a ótica da leitura de gênero, buscando refletir se as atuais relações internacionais têm o presente formato por serem influenciadas maioritariamente pelo sexo masculino ou não há influencia de gênero em conceitos básicos da teoria das relações internacionais. Cabe a reflexão sobre o tema.