8 Lovutkast og merknader
8.2 Merknader til de enkelte bestemmelsene
Nos itens anteriores, foi descrita a utilização da Música nas estéticas teatrais referenciais do século XX, em suas especificidades estéticas. A seguir, será apresentada uma síntese dessa descrição, destituída de seu bojo histórico, visando destacar os elementos musicais encontrados e organizando-os para o procedimento de sua análise, que será realizada no capítulo 2. A síntese constará da listagem dos elementos musicais encontrados, relacionados à sua função na estética de origem e às estratégias utilizadas pelos respectivos encenadores. Os dados serão apresentados no quadro a seguir:
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Musicista e performer que trabalha com a vocalidade e com as possibilidades expressivas das palavras.
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STANISLAVSKI (1863-1938) Elementos
Musicais
Função
Estratégias
Tempo-Ritmo:
Vetor da construção cênica
Aplicação de princípios rítmicos às cenas, ao texto e aos movimentos
Ritmo
Preparação corporal Rítmica Dalcroziana
Musicalidade da palavra
Interpretação: expressividade e comunicação
Aplicação de conceitos musicais ao texto; musicalidade da língua russa
Sonoridades Paisagem auditiva: Veracidade cênica; Estímulo para os atores
Minuciosa sonorização do texto
Canto lírico Preparação vocal Exercícios de colocação da voz
MEYERHOLD (1894-1940) Elementos
Musicais
Função Estratégias
Estruturação do espetáculo Partitura cênico-musical: macro e micro estruturas
Composição paradoxal: Estímulo à percepção do espectador
Diálogo e contraste entre música e cena Ritmo
Preparação corporal Rítmica Dalcroziana Musicalidade
da palavra
Leitura Musical do Drama: afastamento do conteúdo da palavra
Construção de texto entre fala e canto
Estruturação a partir de obras musicais eruditas
Edição das composições de acordo com o objetivo cênico
Sonoridades
Instrumentalização Sonora Emprego musical de sonoridades do texto: sons dos objetos, gargalhadas, etc
Canto Preparação vocal Disciplina dentro do programa de formação musical do ator ARTAUD (1896-1948) Elementos Musicais Função Estratégias
Elo sentimento-gesto Respiração
Ritmo Signos gestuais Ritmo dos movimentos e integração com a voz Musicalidade da palavra Busca de novas significações expressivas para a palavra
Efeitos Vocais: gritos, onomatopéias, acentos, ressonâncias, repetição de sílabas
Ação sobre a sensibilidade do espectador
Pesquisa e produção de sons e ruídos; Utilização de aparelhagem eletrônica Sonoridades
Dissonâncias; Exacerbação sonora
Emprego do parâmetro sonoro: intensidade; Emprego de ecos e contrastes
BRECHT (1898-1956) Elementos
Musicais
Função Estratégias
Ritmo Quebra da continuidade da ação
Inserção musical entre as cenas
Ênfase ao sentido do texto Emprego de conceitos musicais na elaboração da dicção
Musicalidade
das palavras Distanciamento Entonações diferenciadas:
personagem/comentário da personagem Música-gesto
Função didática
Composição e interpretação musical específica: predomínio da mensagem política sobre a fruição musical Canção
Comentário e corte no efeito de ilusão
Presença do coro e da orquestra em cena
Elementos Musicais Função Estratégias Dinamoritmo: desenvolvimento de dinâmicas corporais
Combinações entre elementos musicais e movimento promovendo dinâmicas diferenciadas;
Utilização de canções tradicionais e populares
Ritmo
Reconstrução da realidade Cortes, edições, tratamento específico do tempo
Musicalidade da palavra
Complementação expressiva Utilização criteriosa da palavra
Corpo-voz Utilização de sonoridades vocais integradas ao gesto; voz como gesto expressivo
Sonoridades
Complementação expressiva Emprego criterioso de música e ruídos nos quadros de mímica GROTOWSKI (1933-1999) Elementos Musicais Função Estratégias Desenvolvimento da partitura cênica
Aplicação de variações rítmicas e de agógica nos materiais configurados na partitura Ritmo
Preparação do ator Exercícios Dalcrozianos; Respiração (yoga) Musicalidade
da palavra
Produção sonora concentrada no ator; Criação de signos
Ações vocais imaginárias: sonorizações do texto, dicção como paródia ou caracterizações
Centramento no ator Substituição da sonoplastia gravada pela interação entre a voz e os sons de objetos; Sonoridades
Caixas de Ressonância Práticas para o desenvolvimento da
Cantos rituais
Action:
Integração psicofísica
Acionamento das propriedades vibratórias dos cantos;
utilização das associações e corporeidades geradas nas partituras internas e externas
PETER BROOK (1925) Elementos
Musicais
Função Estratégias
Tempo cênico Emprego da ritmicidade visando pontuar a densidade das ações;
Desenvolvimento da percepção palco-platéia Coordenação pensamento-
corpo-sentimento
Exercícios de polirritmia Ritmo
Estabelecimento da energia do espetáculo e contato com platéia
Utilização de material percussivo, geralmente em torno da pulsação
Neutralização da psicologia naturalista
Associação da palavra a um caráter expressivo
Musicalidade
da palavra Busca de expressividade fora da linguagem cotidiana
Criação de linguagem fonética
Sonoridades
Recursos de expressão e criação de sentido
Exploração da potencialidade expressiva das sonoridades e ruídos pelos atores e músicos; Estudo das sonoridades de idiomas
envolvidos na encenação; Silêncio Potencialização da
expressão pela indeterminação
BARBA (1936) Elementos
Musicais
Função Estratégias
Dialética entre o ritmo cênico e o ritmo musical
Emprego de instrumentos de percussão
visando a precisão entre os ritmos do ator e do espetáculo
Ritmo
Bios cênico Emprego de microritmos na regulação de energia das ações
Musicalidade da palavra
Potencialização da situação dramática
Potencial sonoro da voz e minimização do sentido semântico da palavra
Relação entre ações sonoras e ações físicas
Instrumento inserido à cena como: personagem, comentário ou contraponto. Sonoridades
Composição cênica Texturas compostas de sonoridade e texto: “tecido de ações sonoras”
WILSON (1941) Elementos
Musicais
Função Estratégias
Estruturação do espetáculo Organização da peça por estruturas de duração ou eventos temporais
Ritmo Ênfase à linguagem não verbal
Emprego de aspectos de tempo e ritmo na configuração de linguagem plástica e corporal Musicalidade
da palavra
Novas possibilidades expressivas
Tratamento da palavra em sua estrutura musical: construção de novas configurações a partir de fonemas, melismas, onomatopéias
Silêncio
Supressão da palavra; Silêncio como elemento expressivo
Sonoridades Recepção psicoacústica do som
Materialidade sonora: dissociação do contexto original e tratamento eletro-acústico dos sons
Uma vez realizada a explanação geral das estéticas selecionadas pela presente pesquisa e apresentada a síntese de seus elementos musicais, algumas considerações parciais podem ser apontadas. Verificou-se que cada uma das estéticas, com suas especificidades e inovações, apresenta, cada qual, uma particularidade na utilização da Música. Alguns aspectos musicais são priorizados em detrimento de outros, em função da aplicação específica desses elementos. Nesse sentido, os aspectos musicais acionados estabelecem vínculos com o objetivo estético de cada poética, apresentando mecanismos que comunicam, articulam ou até mesmo promovem os conceitos fundamentais das propostas nos quais estão inseridos. Evidenciou-se, dessa maneira, a adequação e a contribuição da linguagem musical aos processos de encenação. Constatou-se, ainda, um crescimento das possibilidades musicais aplicadas ao Teatro no decorrer do tempo. Isto é, ocorre uma gradativa ampliação do repertório de recursos musicais na trajetória teatral durante o século XX. É importante notar que a expansão da amplitude do papel da Música não está relacionada a um recuo da autonomia do Teatro como linguagem artística. Pelo contrário, verificou-se que a contribuição musical foi acionada pelos encenadores à medida que se buscou recursos para o aperfeiçoamento da representação ou para o resgate ou o desenvolvimento da teatralidade. Esse pensamento encontra um reforço nas seguintes palavras de PICON-VALLIN (2006, p. 8): “Efetivamente, os grandes reformadores recorrem à música para renovar a linguagem teatral”.
Sendo assim, essas considerações permitem evidenciar, na visão do presente trabalho, a relação dialógica entre a Música e o Teatro, identificando a presença da contribuição musical no cerne estético das propostas estudadas. Visando o aprofundamento dessas proposições, bem como detectar e delinear os elementos fundamentais de musicalidade no Teatro, a análise desses aspectos será realizada no capítulo a seguir.
CAP. 2: PROPOSTA DE DELINEAMENTO DA MUSICALIDADE NO
TEATRO
O presente capítulo visa apresentar a proposta de delineamento da musicalidade no Teatro, a partir da análise dos aspectos musicais encontrados nas estéticas enfocadas nesta pesquisa. Ressalta-se, como já exposto anteriormente, que o delineamento não comporta o estabelecimento de um conceito de musicalidade para o Teatro, consistindo em um processo de identificação, definição e mapeamento dos fundamentos que compõem essa musicalidade.
Para tal fim, foi utilizado o instrumento analítico denominado Análise de Conteúdo, descrito na introdução desta dissertação, pelo qual, utilizando-se um sistema de categorias, o material levantado foi organizado e avaliado. Segundo LAVILLE e DIONE (1999, p. 216), essa metodologia permite decompor os conteúdos, recompondo-os em uma nova significação. Sendo assim, o objetivo dessa análise consistiu em extrair os princípios musicais das diversas estéticas teatrais, realizando uma filtragem de seus pontos convergentes e divergentes. Os pontos convergentes foram aglutinados em categorias de maior abrangência e os pontos divergentes, isto é, as especificidades encontradas, foram alocadas em subcategorias. O processo de filtragem e alocação dos dados resultou no mapeamento dos fundamentos ou elementos essenciais, que, na interpretação desta pesquisa, constituem a musicalidade no Teatro. Encontram-se, a seguir, a descrição desse processo, bem como a apresentação da grade de análise resultante.
Na investigação proposta pelo presente trabalho, verificou-se em todas as poéticas estudadas a atuação da matéria fundamental da Música: o som, aliado à sua estruturação no tempo, ou seja, o ritmo. De acordo com WISNIK (1999), o som é “produto de uma seqüência rapidíssima de impulsos (ascensão da onda) e repouso (quedas cíclicas desses impulsos), seguida de sua reiteração”. Sendo assim, a onda sonora, em si, já contém a presença do ritmo, que se manifesta pela “partida e contrapartida do movimento” (p. 17). Som e ritmo, em uma série de variantes e combinações, constituem as estruturas musicais, sendo que, “ritmo e melodia, durações e alturas se apresentam ao mesmo tempo, um funcionando como o portador do outro” (Idem). Como ponto de partida para a análise dos aspectos musicais levantados nas estéticas teatrais, constatou-se a ação de duas categorias de manifestação da
linguagem musical: o campo da organização sonora e o campo da organização rítmica. Entretanto, pelas propriedades da Música, evidenciadas acima, ressalta-se que a divisão por categorias consiste apenas em um recurso analítico, voltado para os propósitos do estudo. Assim, uma primeira divisão foi realizada, agrupando de um lado os eventos com predomínio de elementos sonoros e, de outro, os eventos com predomínio de elementos rítmicos. Essas duas vertentes constituíram categorias matriciais que foram denominadas Plano Sonoro e Plano Rítmico, a partir das quais foram identificadas as demais categorias e unidades de análise. Uma primeira observação, entretanto, surgiu no processo de organização dos elementos musicais nas duas categorias acima citadas: verificou-se que o Plano Sonoro e o Plano Rítmico possuem atuação no âmbito do espetáculo como um todo e no âmbito do trabalho do ator, em específico. Dessa forma, no intuito de gerar focos diferenciados de investigação, foram elaboradas as seguintes combinações:
- Plano Sonoro/Ator: comporta a produção sonora gerada pelo ator;
- Plano Sonoro/Espetáculo: comporta os aspectos de sonorização do espetáculo;
- Plano Rítmico/Ator: comporta as práticas rítmicas relacionadas aos trabalhos de preparação e representação do ator;
- Plano Rítmico/Espetáculo: comporta aspectos de estruturação cênica.
A organização das categorias matriciais e suas divisões, via combinação Ator e Espetáculo, proporciona a seguinte visualização:
PLANO SONORO PLANO RÍTMICO
Ator Espetáculo Ator Espetáculo
Produção sonora Sonorização Preparação/Representação Estruturação
Dada essa primeira configuração, será relatada, a seguir, a análise dessas categorias, em suas respectivas combinações, a partir da qual, novas informações foram identificadas e organizadas em subcategorias. A análise será permeada por informações provenientes do
universo musical e teatral, com o intuito de fundamentar os aspectos levantados, evidenciando-se a relação dialógica entre a Música e o Teatro.