3. Results and Discussion
3.6 Mercury concentration related to trophic level
A psicologia cognitiva buscou evidências da aprendizagem nas altera- ções que ocorrem no comportamento das pessoas, como resultado da experiência vivenciada pelo aprendiz (Lefrançois, 2008). A psicologia cognitiva tem interesse nos processos mentais superiores, ou seja, processos que envolvem percepção e reconhecimento, resolução de problemas e tomada de decisões, planejamento e raciocínio, memória, aprendizado, compreensão, leitura, fala e audição e proces- samento de informações (Preece, 2005; Ferraz e Belhot, 2010, 2007).
O cognitivismo se ocupa de entender como o indivíduo conhece (cog- nição), como se constrói sua estrutura cognitiva (metacognitiva) e como os even- tos e objetos do universo são interpretados pelo aprendiz, atribuindo significados, armazenando, modificando e compreendendo a informação. Essa vertente tam- bém é conhecida na literatura como construtivismo, termo derivado de um de seus princípios básicos: o entendimento de que o conhecimento se dá por cons- trução (Moreira, 1999). Segundo essa visão, o processo de aprendizagem consis- te em incrementar, combinar e rearranjar coleções de mapas cognitivos, muitos deles sobrepostos ou interconectados em uma complexa rede de associações (Unesco, 2002).
No entanto, o sistema educacional predominante vigente é orientado a categorizar o conhecimento e a analisar recortes dele, ao invés de abordar o co- nhecimento de forma integrada (Bruer, 1993). Bronowski (1990) afirma que, na perspectiva construtivista, a realização de conexões mentais é um ato criativo e consciente. O “ato de unificação” postula que as conexões podem até ser explici-
tadas, mas só pode ser consumada pelo estudante. No entanto, Bransford et al. (2000) sugerem que esse ato de integração só pode ser realizado na ausência de barreiras ao aprendizado, ou seja, o desenvolvimento de redes de conhecimento requer que o estudante esteja motivado e aprenda sobre um tópico de maneira que se demonstre relevante e importante a ele. À luz dessas afirmações, é alar- mante a colocação de Torraca (2009), que afirma ser comum que estudantes de engenharia e arquitetura tenham pouco interesse em ciência dos materiais. A fim de reverter problemas como este, estudos indicam que o interesse pode ser esti- mulado em contextos de alta interatividade, como é o caso de aplicações de reali- dade virtual (Byrne, 1996).
O aprendizado também pode ser otimizado quando o estudante desen- volve estratégias metacognitivas, expondo conhecimentos anteriores e criando oportunidades de corrigir erros e de verificar onde se inserem os novos conceitos (Bransford et al., 2000). O estudante autorregulado tem consciência sobre seu conhecimento de um assunto, sendo a autorregulação crucial em todas as fases do aprendizado, com o potencial de aumentar substancialmente o significado e valor do aprendizado (Schoenfeld, 1987). Nessa perspectiva, Hsiao (1999) indica que as tecnologias digitais podem ser utilizadas para expor o conhecimento dos estudantes, favorecendo o desenvolvimento das habilidades metacognitivas e formando estudantes reflexivos e autorregulados. Nesta linha, o estudante tam- bém pode se tornar consciente da maneira como apreende os conteúdos, pois a forma ótima de aquisição do conhecimento é muito individual. Alguns aprendem melhor visualmente, outros, verbalmente, outros ainda, por meio de exploração e dedução. Assim, as técnicas de visualização podem ser usadas no processo de ensino-aprendizagem para adaptá-lo a diferentes formas de aquisição de conhe- cimento, favorecendo o desenvolvimento cognitivo em diferentes níveis de apren- dizagem (Nunes, 2014).
Segundo Gobert (2000), existem três tipos de modelos pertinentes ao processo de aprendizagem. Modelos mentais são representações individuais usadas para raciocinar sobre problemas e eventos. Modelos expressos são aque- les externalizados por meio da fala, escrita e desenhos, sendo que, quando são negociados e aceitos por um determinado grupo, são denominados modelos con-
ceituais. Já modelos de ensino são aqueles desenvolvidos e usados por educado-
ensino podem se referir a um mesmo tópico, e as diferenças decorrem da ênfase em um determinado aspecto.
O construtivismo postula que os indivíduos constroem seu conhecimen- to de maneira a dar sentido ao mundo onde vivem, assim, o modelo mental deve se mostrar funcional ao individuo que o constrói. Essa postura filosófica ajuda a explicar a costumeira disparidade entre o modelo mental do estudante e os mode- los conceituais ensinados em sala de aula (Kelly, 2001).
Ajustes no processo de ensino dependem do diagnóstico e mensura- ção das disparidades entre os modelos mentais individuais e os modelos de ensi- no. A Taxonomia de Bloom (Bloom et al., 1956) é um dispositivo que foi criado para apoiar a classificação dos objetivos educacionais, tendo sido amplamente utilizada na área educacional, por ser adaptável a todos os domínios de conheci- mento (Ferraz e Belhot, 2010). A taxonomia estrutura a aquisição de conhecimen- to em seis níveis de complexidade – conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação – criando uma hierarquia de competências cognitivas e relacionando a aquisição de conhecimento à mudança de comportamento do aprendiz. Posteriormente, tornou-se mais flexível, admitindo que nem todos os níveis ocorrem em todos os casos e que raramente ocorrem na sequência defini- da. De acordo com a revisão dessa taxonomia realizada por Anderson et al. (2001), existem ações relacionadas a cada categoria do domínio cognitivo, con- forme sintetizado na FIG. 36. A Taxonomia de Bloom oferece, portanto, uma abordagem prática para identificar e mensurar o aprendizado.
FIGURA 34 – Categorias do domínio cognitivo e ações a elas relacionadas con- forme Anderson et al. (2001) em revisão à Taxonomia de Bloom.
Em suma, as estratégias didáticas devem reduzir barreiras ao aprendi- zado, expor concepções errôneas ou preconceituosas, empolgar o estudante e estimular o desejo de aprender, demonstrar a utilidade da informação em contex- tos reais de aplicação, identificar o estilo de aprendizagem individual e transmitir informação de forma facilitada. Refletir sobre o processo de produção do conhe- cimento e sobre o processo de aprendizado permite identificar os mecanismos ótimos de aprendizagem individuais e facilita a integração do conhecimento. Sis- temas didáticos modernos adaptativos podem identificar tanto os estilos de aprendizagem individuais como disparidades entre os modelos mentais e os mo- delos de ensino.