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3.2 Læringsfellesskap, mentoring og coaching

3.2.2 Mentoring og coaching

Circunscrito por novos acontecimentos no campo externo, o Uruguai deste período fazia a sua re-inserção no mercado internacional, já que a sua determinação política em juntar-se aos aliados, em um primeiro momento, e, logo depois, aos Estados Unidos, refletiu diretamente na decisão inglesa de retirar do país os seus investimentos, resultando no abandono de todas as suas empresas118. Ou seja, a subordinação ao capital estrangeiro encontrava um novo

patrão.

Por outro lado, em solo nacional as eleições de 1946 marcaram a tentativa de re-implementação do “reformismo batllista”, onde, através de mais um triunfo colorado, Tomás Berreta119 e Luis Batlle se apresentavam para cumprir tal tarefa.

Porém, com a morte do primeiro, o segundo lhe sucedeu, durante os anos de

118 Em relação à política de nacionalização, Batlle decidiu, após o término da segunda guerra

mundial, cobrar dos ingleses a dívida de 17 milhões de esterlinas, enviando uma comissão a Londres. A Inglaterra, então, resolveu pagar em espécie e entregou as empresas de água corrente, transportes e ferrovias, que se transformaram, respectivamente, em OSE, AMDET E AFE. Entretanto, isso teve um custo muito alto para o Estado, já que elas se mostravam deficitárias. Em todo caso, tal decisão cumpria uma estratégia política que visava à defesa da “soberanía” em setores considerados estratégicos para a produção de energia e combustível. No entanto, gradualmente as medidas se transformaram em mecanismo político, já que, em troca de voto, aumentava-se os números de funcionários.

119 Fez o juramento da constituição em 02 de março de 1947, no dia 15 de abril propôs criação do

1947 a 1951. Com as condições internacionais favoráveis, isto é, sem a iminência de crise econômica, ele procurou seguir com a política reformista por meio da consolidação do “sistema democrático”, que, como já vimos, é o pólo que o une ao seu complemento, isto é, o terrorismo de Estado aberto – extremos pelos quais percorre as decisões políticas não somente no Uruguai, mas em toda a América Latina.

Para isso, Batlle começou por reconhecer que o período do pós-guerra significava uma época de transformações profundas, que exigiam medidas de “renovación y reforma” e, sobretudo, a necessidade de que o governante fosse, diante de tais episódios, “justo”, defensor da “ordem” e pela sua continuidade.

Logo, procurou resolver os problemas deixados pelo conflito mundial, traduzidos na restrição à compra de produtos industriais no exterior, responsabilizando o Estado pela tarefa de impulsionar o desenvolvimento industrial, através de isenção ou diminuição de impostos na importação de máquinas industriais e restrição ou proibição a produtos estrangeiros competitivos, já que a industrialização, como forma de subordinar o campo à cidade, detinha, segundo ele, maiores capacidades que a agropecuária para reativar a economia, refletindo, principalmente, no fortalecimento das classes médias. Tais medidas proporcionaram a Berres a maior produção industrial da história do Uruguai, que registrou o crescimento anual de 8,5%, entre o período de 1945 a 1955.

Dentre outras decisões que tomou, ele tentou desenvolver atividade de exploração do gado, sem obter êxitos, pois se deparou com de apoio dos proprietários. A agricultura, por outro lado, mostrou-se muito mais favorável em relação às suas propostas reformistas. O seu desenvolvimento sofreu, porém, um estancamento, durante a década de 50, dadas as políticas protecionistas da Europa e dos Estados Unidos.

Ainda sob tais adversidades, a industrialização fazia com que a economia uruguaia se concretizasse em uma esfera de “prosperidad”, na qual os uruguaios, aliando-a ao otimismo de 1950120, eram guiados pela “mística de la orientalidad”,

120 Período no qual os “orientais” se contagiavam com o “maracanazo” e as recordações pelo

que lhes faziam diferentes para a construção de uma “consciência coletiva” que, enraizada em solo suizo, exigia que todos, em um só grito, expressassem: “Como el Uruguay no Hay”. O uruguaio, portanto, envolto no ideal da tradição, era, antes de latino-americano, oriental.

Foi auspiciado pela magia da “orientalidad” que a continuidade do reformismo “batllista” apareceu sob a fórmula “quincista” composta por Andrés Matínez Trueba e Alfredo Brum121. Marcado pela defesa da co-participação entre

os partidos, a política desse governo seguiu por uma nova reforma constitucional, na qual a volta do colegiado resultaria no fim do executivo unipessoal. Para que os êxitos provocados pela “prosperidad” econômica fossem assegurados, eles não poderiam desligar-se dos acordos interpartidários. Para isso, a reforma constitucional significou a instauração, a partir de março de 1952, do primeiro de uma série de colegiados, que resultaria, através de uma formula composta por herreristas e ruralistas, na hegemonia de um deles pelos “blancos” em 1958122.

No entanto, devido à guerra da Coréia, a crise econômica mundial voltou novamente a causar problemas em solo oriental, refletindo-se em aumento da inflação, congelamento dos salários e, conseqüentemente, no acirramento da luta de classes, como resultado da implementação de medidas orientadas para evitar diminuição dos lucros das frações burguesas.

Com a resposta dos movimentos organizados dos trabalhadores, não demorou muito para que a classe dominante fizesse os ajustes necessários para “denunciar” a realidade novamente tomada pelo “caos social”.

Obviamente que, para enfrentar tal situação, o pólo das decisões políticas encontradas nesta particularidade do capitalismo hiper-tardio tende a mover-se para a sua face mais dura, com a instauração das “medidas prontas de seguridad”, tornando as greves ilícitas, fechando sindicatos e processando seus

121 Novamente, como em 1946, o candidato mais votado foi Luis Alberto de Herrera.

122 Nessa época, os dois partidos tradicionais somavam 90% dos votos, enquanto a “Unión Cívica”,

comunistas e socialistas ficavam com o restante. Com a vitória interna da aliança herrera- ruralismo, que levou Benito Nardone a assumir como presidente do colegiado em março em 1960. Elas também marcaram uma mudança no jogo eleitoral, revelando-se na “volta” dos blancos ao poder, depois de 93 anos. É também nesse período que começa a atuar mais intensamente a “Liga Federal de Acción Ruralista”, dissidência da “Federación Rural”, criada nos anos 40’ por Nardone.

dirigentes, enquanto se abria o caminho para anunciar o terrorismo de Estado

aberto.

Ora, como forma de estancar a crise econômica, nada mais apropriado do que o jogo politicista, onde o Estado é isolado pelos defensores da “democracia burguesa” de qualquer culpabilidade, restando aos seus dirigentes a condenação pelos seus atos falhos.

A partir daí, a luta política e democrática entre blancos e colorados se traduz em seus conflitos tradicionais, que sempre resultam em condenação dos grupos opositores, consolidando a dominação de classes.

Mas a aliança entre empresarios-ganaderos e trabalhadores que caracterizou o período proporcionou um terreno sócio-econômico relativamente tranqüilo, aliado a um crescimento acelerado das exportações dos principais produtos uruguaios e um florescimento econômico, entre os anos de 1935 até mais ou menos 1945, começou a sofrer uma aguda estagnação, ocasionado, principalmente, pela substituição de importações, financiada, em sua maioria, pelo excedente agropecuário e pelos rumos do cenário mundial, a saber: a II Guerra Mundial.

Com a indústria nacional revelando uma balança comercial com crescente endividamento externo, resultando em patamares inflacionários de 24% já em 1959, abriu-se espaço para que aumentasse o coro contra o dirigismo e o estatismo, liderado pelos liberais.