No dia 15 de novembro de 1946, foi lançado, em Belém, o jornal O Liberal (Imagem 3), periódico que circula até hoje. O Liberal foi fundado por Luís Geolás de Moura Carvalho, Magalhães Barata, Lameira Bittencourt, João Camargo e Dionísio Bentes de Carvalho, dentre outros (ROCQUE, 2006). Sua equipe era composta por Lindolfo Mesquita, como redator- chefe, Paulo Eleutério Filho, como secretário de redação, e João Camargo, como gerente (ROCQUE, 2006).
Vespertino e diário, o jornal nascia com finalidade política como um órgão do Partido Social Democrático (PSD) e fazia frente ao periódico Folha do Norte (BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARÁ, 1985). O Liberal surgiu da necessidade que os seguidores de Barata tinham de dar resposta e ter voz para se defender das investidas e da campanha negativa promovida pela Folha do Norte (ROCQUE, 2006).
Não era possível permanecermos até agora em silêncio, sem uma voz no seio da imprensa local, voz que fosse inteiramente nossa, para dizer, diretamente dos nossos anseios e ideias ou repelir altivamente os ataques injustos dos que contra nós e os nossos amigos se atiram, na certeza da impunidade (...) Queremos, porém, bem alto salientar que não nos anima nenhum intuito de nos nivelar a certa imprensa desta terra, isto é, de imitar-lhe a conduta odiosa e os processos torpes de campanha mesquinha, vasada em estilo desrespeitoso e baixo, somente ao sabor dos que cultivam e amam a licensiodade [sic] (O LIBERAL, 15 nov. 1946, p. 1).
Justamente em decorrência dessa gênese de propósito político, a história do jornal foi marcada por muitos conflitos, culminando, inclusive, com um caso de morte. A vítima foi um dos redatores de O Liberal, Paulo Eleutério Filho, assassinado no dia 20 de maio de 1950 pelo capitão Humberto de Vasconcelos, dentro da redação, em razão da campanha política que envolvia os partidários de Barata e seus oposicionistas. Ainda devido a questões políticas, as oficinas do jornal também foram incendiadas, em 1953 (BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARÁ, 1985).
Imagem 3: O Liberal, 15 de novembro de 1946, capa.
Fonte: http://bndigital.bn.br/hemeroteca-digital/
A partir de 1966, o jornal mudou de perfil, ao passar para as mãos de um novo proprietário, o jornalista Romulo Maiorana, que começou no periódico como colunista social. Sob nova direção, o jornal teve algumas mudanças, como o turno de circulação, que passou a ser matutino, além de uma linha editorial não mais ligada ao PSD (FERREIRA, 2005).
Castro e Seixas (2013) contam que com a administração de Maiorana, o jornal “(...) ganha mais colunas sociais, políticas, policial e mais destaque ao noticiário esportivo. Nota-se também a presença de colunas sobre cinema e uma variedade maior de seções” (CASTRO; SEIXAS, 2013, p. 5-6). A partir de 1971, O Liberal atingiu maior circulação e exibia o subtítulo de “Jornal da Amazônia” (BIBLIOTECA PÚBLICA DO PARÁ, 1985, p. 271-273). Em 1986, Romulo Maiorana morre e a administração do jornal passa para as mãos de sua mulher e filhos. Os cadernos adquirem novos nomes a partir da década de 1990 (CARVALHO, 2013).
O “Primeiro Caderno” passou a ser “Atualidades” e em substituição ao “Segundo e Terceiro Cadernos” foram criados o “Cartaz” (com perfil de entretenimento), “Painel” (voltado para questões políticas), além de outros suplementos, como a “Revista da TV” (dominical com informações da programação televisiva) (CARVALHO, 2013, p. 61).
Atualmente, O Liberal é composto pelos cadernos Atualidades, com variadas informações do cotidiano; Poder, com informações do mercado financeiro, cenário econômico e política; Magazine, sobre cultura, arte e principais eventos e vida das celebridades; Esportes; Polícia e Classificados. Além desses cadernos, o jornal conta com os suplementos O Liberalzinho, voltado para o público infantil; Zebra, suplemento esportivo; Mercado, com notícias sobre negócios, economia regional e nacional, inovações e futuro empresarial; e as Revistas Troppo, sobre a sociedade paraense; Mulher, dedicada ao público feminino; C & D, que trata sobre decoração, arquitetura, design, moda, tecnologia e arte; Auto & Cia, sobre o mercado automobilístico e Revista da TV.
Em um número especial lançado em 09 de novembro de 2011, em comemoração aos 65 anos, o jornal apresenta alguns dados de sua trajetória, que começou em 1946. Segundo dados do próprio jornal, O Liberal, que circulava em 38 municípios, adquiriu maior alcance e passou a circular em 143 cidades do estado: “(...) o jornal O Liberal acaba por chegar a 80% de todo o estado do Pará. O trabalho de pólos fez com que o jornal crescesse 145% a partir de 2009 na circulação das cidades” (O LIBERAL, 2011, p. 15). O jornal O Liberal também faz parte do grupo de veículos das Organizações Romulo Maiorana, que conta com uma emissora de TV, filiada à Rede Globo, as rádios Liberal e O Liberal CBN, os sites ORM News e G1/Pará, a ORM cabo e o jornal Amazônia.
Em uma época marcada pelas disputas políticas entre Lauro Sodré e Antônio Lemos, a Folha do Norte nasceu para apoiar o polo laurista (BORGES, 1986). 50 anos depois é lançado o primeiro número de O Liberal, criado com o propósito de ser uma voz de defesa contra as investidas da Folha (ROCQUE, 2006). O jornal Folha do Norte deixou de circular em 1974, após ser adquirido por Romulo Maiorana em 1973.
O jornal da família Maiorana, O Liberal, não deixou de ser marcado por rivalidades. Figurando ao lado dele, como um dos jornais mais importantes do Pará na atualidade, está o Diário do Pará, criado em 22 de agosto de 1982 e pertencente ao grupo Rede Brasil Amazônia (CASTRO, 2014). O Diário mantém “interesses político-partidários divergentes, o que tem resultado em uma verdadeira ‘guerra discursiva’” entre os periódicos, que trocam farpas usando as páginas dos jornais (CASTRO, 2014, p. 52).
No dia 16 de fevereiro de 2013, O Liberal publicou na capa um editorial com vários ataques ao concorrente Diário do Pará e seu proprietário, o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA) (...) Podemos observar que o Diário do Pará mantém os seus ataques no mesmo nível das ofensas contra si, nomeando a família Maiorana, proprietária de O Liberal, de ‘Maiotralhas’ (CASTRO, 2014, p. 58).
Apesar de ainda manter uma postura política, agora mais velada em nome da imparcialidade, O Liberal passou por muitas mudanças em sua configuração, ao longo do tempo, mudanças que vão desde a constituição gráfica, até a editorial. Uma das peças mais marcantes do jornal é a coluna “Repórter 70”, que, criada pelo próprio diretor, é publicada na página 3 e traz várias notas informativas (CASTRO, SEIXAS, 2013, p. 06). Em um levantamento realizado para esta pesquisa, percebe-se, inclusive, que a coluna é um dos lugares em que é possível encontrar notícias do mundo literário, como será visto mais adiante.