4.4.1 Amostra e dados
O instrumento de medida utilizado neste estudo foi um questionário administrado online e em papel, entre abril e agosto de 2018 em empresas portuguesas do setor agroalimentar da região
Meio envolvente Comportamento inovador Atividade Empreendedora Família Redes de contacto Cultura e política institucional Embeddedness Género Perceções de viabilidade Intenção Empreendedora Perceções de desejo
Inovação Risco Proatividade OEI
de Trás-os-Montes e Alto Douro, criadas nos últimos 5 anos, tendo sido obtidas 153 respostas. Os contactos para participação foram efetuados por email e por contacto pessoal perfazendo um total de 400 contactos, tendo estes sido retirados de uma base de dados de empresas agroalimentares da Comunidade Intermunicipal do Douro e da Comunidade Intermunicipal de Trás-os-Montes, sendo a taxa de resposta de 38,25%. As empresas do estudo são, essencialmente, micro (98,7%) e PMEs (1,3%). A amostra é composta por 58,8% de elementos do género masculino, sendo a sua média de idades ligeiramente superior aos do feminino (43,3 anos vs. 40,4 anos). A maioria dos inquiridos encontra-se com o estado civil de casado ou em união de facto (66%) e tem como habilitações académicas um curso superior (53%) sendo ligeiramente superior nas mulheres (54% vs. 52,2%). De entre os elementos da amostra 65,5% têm filhos e 30,1% têm ascendentes ao seu cargo sendo esta percentagem superior no caso dos elementos do género feminino (36,5% vs. 25,6%). É de salientar que 78,4% dos elementos da amostra reportaram terem familiares empreendedores. Quando inquiridos sobre se o motivo para empreender se deveu a necessidade e/ou a oportunidade, 70,6% reportou ter sido por oportunidade, 39,2% por necessidade, tendo 9,85% referido ter sido por ambos.
O questionário é constituído por: a) questões de índole sociodemográfica; b) um grupo associado à orientação empreendedora individual; c) um grupo que pretende aferir a intenção empreendedora destes empreendedores; d) um outro conjunto de questões associadas ao embeddedness; e) um grupo de 20 questões associadas ao comportamento inovador dos empreendedores; e, por fim, f) um conjunto de 10 questões em escala de Likert de 7 pontos que reflete o meio envolvente ou contexto (Shabbir & Di Gregorio, 1996; Martins, 2006; Tang et al., 2007; Driga et al., 2009), conforme se pode verificar no Quadro 4.1.
Quadro 4.1 – Instrumentos de medida e fundamentação teórica
Instrumentos de medida Dimensões e itens Fundamentação teórica Orientação Empreendedora
Individual (OEI) 3 dimensões core, Inovação, Risco e Proatividade 10 itens 2 dimensões emergentes da Paixão e Perseverança 9 itens Bolton e Lane (2012) Cardon et al. (2009) Gerschewski et al. (2016)
Intenção empreendedora dos
empreendedores Perceções de Viabilidade 6 itens Perceções da Desejabilidade 5 itens Ajzen (1991) Shapero e Sokol (1982) Embeddedness 3 dimensões Embeddedness Estrutural 10 itens Embeddedness Cultural 11 itens Embeddedness Familiar 12 itens Berger e Kuckertz (2016) Brush et al. (2014) Cromie e Hayes (1988) Kahn et al. (1964) McAtavey (2000) Rehman (2000)
Comportamento Inovador dos
empreendedores 6 dimensõesGeração de ideias 3 itens Procura de ideias 3 itens Comunicação de ideias 4 itens Envolvimento de parceiros/colaboradores 3 itens Superação de obstáculos 4 itens Início implementação 3 itens Howell et al. (2005) Lukeš e Stephan (2017) Scott e Bruce (1994)
Meio Envolvente 1 dimensão
10 itens Driga et al. (2009) Martins (2006)
Shabbir e Di Gregorio (1996) Tang et al. (2007)
Os dados foram avaliados recorrendo a técnicas estatísticas uni e multivariadas, bem como equações estruturais para a avaliação do modelo conceptual proposto.
4.4.2 Método de análise
Para a estimação do modelo estrutural proposto foi utilizado o SEM-PLS (Lohmöller, 1989; Wold, 1982) recorrendo ao software SmartPLS 3.0 (Ringle et al., 2015). Entre as razões para a sua utilização destacam-se os seus menores requisitos relativamente à distribuição de dados e ao tamanho da amostra comparativamente com a CB-SEM (modelação de equações estruturais baseada na matriz de covariâncias), que é mais restritiva nomeadamente no que respeita aos requisitos do tipo de distribuição (normalidade multivariada), tamanho da amostra, complexidade do modelo e identificação e indeterminação dos fatores (Hair et al., 2011; Hair et al., 2012).
De notar que foram testados 2 modelos, sendo o primeiro designado de modelo central, onde apenas constam 4 constructos: Embeddedness; OEI; Intenção Empreendedora – Viabilidade; e Intenção Empreendedora – Desejabilidade. O segundo modelo, tem por base o modelo central onde foram adicionadas algumas variáveis/constructos de controlo, a saber: o Comportamento Inovador e respetivos outputs de inovação; o Meio Envolvente (contexto); e o Género.
Tratando-se de modelos reflexivos com constructos de 2ª ordem o seu ajustamento foi efetuado em 2 passos. Num primeiro passo foram avaliadas as propriedades psicométricas dos sub- constructos de 1ª ordem que fazem parte de um constructo de ordem superior e determinados os respetivos coeficientes estruturais (scores) das variáveis latentes daí resultantes, sendo, posteriormente, no 2º passo substituídos os constructos de 2ª ordem por constructos de 1ª ordem cujas variáveis manifestas são os scores anteriormente calculados.
Na análise dos modelos de medida começamos por apresentar algumas das suas propriedades bem como algumas das definições adotadas. Os valores iniciais para as relações do modelo de medida foram de 1, os dados foram estandardizados com 0 de média e 1 de variância, um número máximo de 300 iterações e o critério de abortar de 1,0E-7.
De notar que a avaliação de modelos baseados em SEM-PLS apoia-se em bootstrapping, uma forma de procedimento de reamostragem. Utilizaram-se como configurações de bootstrapping um número de casos igual ao da nossa amostra (153), com 5000 replicações e sem alterações a nível individual.
Para a avaliação das propriedades psicométricas dos constructos em estudo foram seguidas as recomendações referidas por Hair et al. (2012), Hair et al. (2013) e Gefen et al. (2011), avaliando a fiabilidade dos indicadores (Hulland, 1999), a validade fatorial (Bagozzi & Yi, 1988) através do α de Cronbach e da Fiabilidade Compósita (FC) (Fornell & Larcker, 1981), a validade convergente (Bagozzi & Yi, 1988) e a validade discriminante (Fornell & Larcker, 1981). De uma forma geral, considera-se que a fiabilidade do constructo é adequada se FC≥0,7. A validade fatorial ocorre quando a especificação dos itens de um determinado constructo é correta (i.e., os itens medem o fator que se pretende medir) e é geralmente avaliada pelos pesos fatoriais estandardizados. É usual assumir, em PLS-SEM, que se os valores fatoriais estandardizados de todos os itens são superiores ou iguais a 0,7, o fator apresenta validade fatorial (Hair, Ringle & Sarstedt, 2011). A validade convergente ocorre quando os itens que são reflexo de um fator saturam fortemente nesse fator, i.e., o comportamento destes itens é explicado essencialmente por esse fator (Fornell & Larcker, 1981). Fornell e Larcker (1981) propuseram efetuar a avaliação da validade convergente através da variância extraída média (VEM). Valores de VEM superiores a 0,5 são indicativos de validade convergente adequada. A existência de validade discriminante foi aferida através do método de Fornell e Larcker (1981) que referem que o teste mais rigoroso consiste em comparar os valores da variância extraída média de um dado fator com o quadrado da correlação entre os fatores, o que é o mesmo que comparar os valores da raiz quadrada da variância extraída média de um dado fator com o valor da correlação entre os fatores. Os valores da raiz quadrada da VEM dos fatores devem ser superiores aos valores da correlação entre os mesmos.