2. 5 Ethical assessment about research on persons without legal residence
4.1 Demographic characteristics among patients at the Health Center
4.2.3 Mental health problems
Em virtude de todos os saberes académicos que desenvolvi, dentro e fora das aulas, e da experiência oportunamente conduzida em campo, tudo isso aliado a um espírito atento e aberto às novas realidades com que, todos os dias, deparamos, penso que é consensual o carácter de sucesso do microcrédito que, apesar de ainda estar, no nosso país, numa fase um pouco “experimental”, a meu ver, pelas suas características, pela filosofia, metodologia e entidades envolvidas, reúne quase todas as condições para que lhe possamos antever um futuro a médio e longo prazo deveras promissor.
Ainda assim, como em qualquer estudo empírico, não foi a minha intenção encontrar respostas definitivas, tão-pouco apresentar, nesta fase da minha formação pessoal e profissional, uma senda a desbravar que se revelasse, sem sombra de dúvida, o caminho para o êxito desta ferramenta em Portugal.
No entanto, considero honestamente que este meu modesto contributo nos ajudou a voltar a repensar, uma vez mais e não certamente a última, a complexidade das questões em jogo. Tudo o que se concentra em objectivos tão dignos quanto ambiciosos, como o é a erradicação ou diminuição da pobreza.
Antes de pensarmos somente em questões económicas, não podemos nunca descurar daquilo que é a sociedade, heterogénea e multicultural, composta por familiares e individuais, com necessidades, capacidades e dificuldades distintas. Antes de um projecto económico de promoção da riqueza nacional, reduzindo a despesa dos
contribuintes para com os desfavorecidos vivendo precariamente em regime de subsídios – objectivo também importante –, o microcrédito é um projecto social, que visa a inclusão, a (re)inserção e a sociabilização de pessoas que, por motivos económicos (por vezes acrescidos de outros factores adjacentes), vivem à margem da sociedade, cada vez mais individualista, consumista e hedonista – características inerentes à Era Pós-Moderna na qual nos encontramos, em que, uma vez mais no construído pela História, há os favorecidos e aqueles que muito dificilmente conseguem alcançar níveis decentes de qualidade vida, o mesmo se estendendo à sua descendência, não raramente descrente quanto ao valor do mérito pessoal, do esforço e do empreendimento próprios que, hoje, felizmente, creio que vingam, enquanto as componentes mais valorizadas do indivíduo nas sociedades ocidentais.
Julgo que o rumo em direcção a um maior equilíbrio de oportunidades face à distribuição da riqueza, ao acesso às oportunidades de trabalho e, por conseguinte, a uma qualidade de vida, verdadeiramente digna de ser vivida, passa não só pelo estímulo financeiro, mas pela formação inicial e contínua de todas as pessoas. Deste modo, ou seja, gozando das oportunidades não só adequadas como reconhecidas e gratificantes de desenvolvimento e/ou acreditação de competências e conhecimentos, estará boa parte dos indivíduos, mais preparados e disponível para assumir, com confiança e força de vontade, as ocasiões favoráveis para investirem em si próprios, sempre através de um processo de monitorização, acompanhamento e partilha por parte de especialistas em matéria de negócios, mas também nas diversas áreas em que as microempresas proliferarão, ganharão terreno e, certamente, prosperarão, com vista a outros horizontes ainda mais promissores.
Também o processo burocrático deve caminhar para uma necessária simplificação, para que tanto a ANDC quanto as entidades bancárias possam encontrar, em simbiose, as melhores estratégias para financiar estes projectos, acompanhando, ainda mais de perto, o cliente, para que ele se sinta explicitamente amparado, vendo as suas responsabilidades compartilhadas com instituições fidedignas, que detêm o saber e a experiência capazes de o motivar para avançar, com confiança e conhecimento da realidade, para investir no seu projecto de vida numa microempresa votada, se assim se propiciar, à expansão e ao progresso.
Por outro lado, tem de haver ainda mais divulgação do microcrédito, mais incentivo visível e ainda mais transparência, de modo a clarificar, mesmo aos olhos dos mais incautos, o seu real valor, que não é pouco. Sem esquecer que nem todos possuem bons níveis de literacia de informação (i.e. a capacidade de usar as tecnologias para aceder aos conteúdos de informação que interessam ao sujeito), essa divulgação não deve dirigir-se apenas aos potenciais microempresários, mas a todas as pessoas, a fim de que sejam pública e devidamente reconhecidos os esforços empreendidos pelos Governos no sentido de incrementar e consolidar o Estado Social. A falta de informação, ao lado da carência do acesso ao ensino/formação e às oportunidades de trabalho, constitui um dos grandes entraves à segurança, à confiança, ao diálogo inter- geracional e ao sentido de compromisso social da sociedade portuguesa, o que, quer queiramos quer não, repercute claramente os seus efeitos em todas as esferas da realidade, como a política e a económica.
Em todo o caso, o microcrédito é, sem dúvida alguma, uma ferramenta de sucesso para o emprego e, por conseguinte, para a Economia Portuguesa, uma vez que proporciona a oportunidade a muitas pessoas em situação económica de risco,
nomeadamente desempregados (por vezes, com muita dificuldade em encontrar novo emprego num mercado de trabalho cada vez mais exigente, competitivo e, não raramente, com preferência por indivíduos mais jovens), trabalhadores precários, trabalhadores por conta própria em dificuldades, jovens em início de vida, entre muitos outros casos. Adjuvante a todos estes factores, a verdade é que muitas dessas pessoas não apresentam, por vezes, garantias suficientes para que possam beneficiar de crédito em condições normais por parte das entidades bancárias. Ora, se não confiarmos nestas pessoas que, como todos nós, têm de sobreviver financeiramente, como as ajudamos a ultrapassar ou prevenir situações de pobreza, particularmente no quadro actual, em que os números de desemprego se apresentam cada vez maiores e mais preocupantes. O microcrédito não visa exclusivamente o lucro; privilegia o factor social e, mais amplamente, o factor humano, porque é precisamente através dele que se erguem as grandes potências económicas, não sem esforço, tempo e, acima de tudo, muita experiência, lidando com as situações reais, caso a caso. Esta é a principal missão que o microcrédito tem cumprido com reconhecido êxito, muito embora ainda existam algumas arestas burocráticas que, como vimos, necessitarão porventura de ser limadas. Tudo isso se aufere com o tempo necessário e com a experiência e conhecimento dos seus intervenientes e dos actores sociais envolvidos nestes processos.
Conclusão
Chego, assim, ao fim desta jornada ciente das limitações do meu estudo, que se prenderam, particularmente, ao factor tempo. Na verdade, são muitos os projectos e os contributos em que cada um de nós se pode empenhar, mas, na maior parte das vezes, muitas destas intenções acabam por não passar de palavras, nem de sair do papel, no seu sentido estrito. Tudo isto porque, cada vez mais, a vida actual corre a um ritmo vertiginoso, em que nos vimos obrigados a dedicar-nos a diversas tarefas em simultâneo, rumo à construção de uma vida gratificante e à prossecução dos ideais de vida de cada um: são muitos os valores em jogo e o tempo gradativamente mais fugidio.
Todavia, termino esta tese que aqui apresento verdadeiramente satisfeito; satisfeito por ter enveredado pelo tema que escolhi; grato pelo acolhimento por parte da tutela, das entidades e das pessoas que se dedicam às microempresas que tão boamente colaboraram com esta investigação. Chego ao fim sem que tivesse apresentado uma solução inovadora e inédita para os problemas económicos que atravessamos (nem era essa a minha finalidade), muito menos um antídoto rápido e eficaz que revertesse o curso das realidades que ainda se revelam complexas e, em alguns casos, deficientes.
Julgo que o grande contributo deste trabalho passa pela reflexão com que me dispus a fazer dos problemas destas pessoas as minhas preocupações. Uma ponderação que me exigiu não apenas muitas leituras, mas um espírito aberto e desanuviado para as procurar olhar com outros olhos não apenas de um Economista, mas de um cidadão.
As estatísticas, apesar do seu indiscutível valor indicador das evidências, não passam de números. Carece, por isso, ao economista, fazer revestir esses números,
mesmo os menos significativos, de sentido, reconhecendo que cada um deles comporta factor humano, que é a nossa maior riqueza e o nosso mais precioso garante de esperança num futuro melhor, no qual acredito. Como Yunus, também eu creio que, com os inúmeros avanços científicos, tecnológicos e em tantas outras áreas do saber, estejamos, um dia, embora não sem grande esforço e sacrifício pessoal e comunitário, em condições de nos orgulharmos de estatísticas que comprovem a erradicação, cada vez mais progressiva, da pobreza. Nessa altura, viveremos numa nova realidade e, nesse novo entendimento do real, outras adversidades, certamente, surgirão. Será, nessa altura como agora, preciso vontade, sentido de compromisso e de devoção para outros investigadores, como nós, se debruçarem sobre essa realidade, sob diversos prismas e abordagens multifacetadas e transdisciplinares, encontrando os melhores caminhos para ultrapassar e superar todos os obstáculos que erguerão.
Reservei, pois, esta conclusão, não para apresentar uma síntese sumária e objectiva de tudo o que, nestas páginas, foi dito – o que soaria redundante e repetitivo –, mas para reforçar a ideia de que é cada vez mais necessário que a ênfase dos nossos estudos seja colocada no valor da partilha de contributos, uns mais abrangentes e profundos do que outros, para a construção da ciência, enquanto esfera que busca, acima de tudo, a verdade. São esses pequenos e grandes contributos, como o modesto estudo que aqui apresentei, que nos tornam dignos das nossas perplexidades, enquanto o principal caminho para superá-las, atendendo sempre às “micro-realidades” que, pelo caminho, vamos encontrando.
Por todas estas razões, gostaria, por fim, de apresentar algumas sugestões de investigação futura que, porventura, possam beneficiar deste trabalho, para que, juntos, atinjamos patamares cada vez mais exigentes de conhecimento e experiência. São elas:
Estudar mais amplamente esta realidade, recorrendo a amostras mais
significativas da população de microempresários;
Averiguar se existe alinhamento, ao nível de marketing, entre
microempresas produtoras de produtos e serviços e microempresas consumidoras desses produtos e serviços;
Acompanhar, em jeito de reportagem, um microempresário durante todo o
processo, desde a sua intenção de recorrer ao microcrédito até ao início do funcionamento da sua microempresa, procurando conhecer melhor a sua vida, daí extraindo as conclusões que se evidenciarem;
Investigar, mais profundamente, as relações entre a ANDC e as entidades
bancárias;
Traçar um projecto de co-criação entre microempresas;
Investigar o acompanhamento profissional e de formação dos
microempresários;
Esboçar um projecto que alie possíveis cursos de formação em algumas
áreas, particularmente destinado a futuros microempresários laborando nessas mesmas áreas.
Bibliografia
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Yunus, M. (2006), Social Business Entrepreneurs Are the Solution, presented at the
Anexo (Guião das Entrevistas Telefónicas)
I. Identificação da/s Actividade/s
1. Qual o sector da sua actividade?
Sector Primário (Agricultura; Pecuária; Silvicultura; Extracção mineira; Apicultura; Pesca)
Sector Secundário (Indústria; Construção civil; Obras públicas; Fornecimento de gás, água e electricidade)
Sector Terciário (Saúde; Educação; Banca; Seguros; Transportes; Turismo)
2. Há quanto tempo recorreu ao Microcrédito? Menos 1 ano
Entre 1 a 2 anos Entre 3 a 5 anos Mais de 5 anos
3. Qual era a sua situação profissional antes de recorrer ao Microcrédito? Conta própria
Conta de outrem Desempregado Reformado
Outra______________________________
4. Além desta actividade financiada pelo Microcrédito, exercemais alguma? Sim
Não
Se sim, qual? ________________________________________________________________________
II. Acompanhamento e formação
1. Durante este projecto financiado pelo Microcrédito, teve algum acompanhamento ao nível profissional?
Sim Não
Se sim, por parte de que entidade? _______________________________________________________ 2. Acompanhamento a nível de formação?
Sim Não
Se sim, por parte de que entidade? _______________________________________________________ 3. Como classifica o acompanhamento que lhe foi prestado pela ANDC?
Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom
Guião de Entrevista Telefónica
Utilizando o conhecimento e a importância das experiências realizadas nestes últimos 10 anos, o principal intuito deste questionário é estudar se o microcrédito é ou não uma ferramenta de sucesso para o emprego em Portugal, tendo em conta o seu efeito na Economia Portuguesa.
I. Financiamento
1. Qual o montante que lhe foi emprestado? Entre 0 e 2500€
Entre 2501 e 5000€ Entre 5001 e 7500€ Superior a 7500€
2. O montante foi suficiente para arrancar com o negócio? Sim
Não
3. Qual o prazo de reembolso do empréstimo? Menos 3 anos
De 3 a 5 anos De 6 a 10 anos Mais de 10 anos
4. O empréstimo já foi totalmente reembolsado? Sim
Não
Se não, quanto falta? _________________________________________________________________ 5. Dificuldade de reembolso?
Pouca Alguma Muita
II. Colaboradores
1. Quantos trabalhadores tem o seu negócio contando consigo? 1
2 3
4 ou mais
1. Já fez algum despedimento? Sim
Não
Se sim, qual o motivo? _________________________________________________________________
III. Análise ao Microcrédito
1. Considera o Microcrédito um processo demorado? Pouco
Razoável Bastante
2. Sentiu dificuldade em aceder ao Microcrédito? Pouca
Alguma Muita
1. Se não tivesse tido a oportunidade de recorrer ao Microcrédito, acha que estaria desempregado(a)?
Sim Não Talvez
2. Tendo em conta a sua experiência, considera o Microcrédito uma ferramenta de sucesso para o emprego?
Pouco Razoável Bastante
3. O microcrédito melhorou a sua vida e a do seu agregado familiar? Pouco
Razoável Bastante
4. Hoje, voltaria a recorrer ao microcrédito? Sim
Não Talvez
5. Tem alguma sugestão para melhoramento do microcrédito?
______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________ I. Análise demográfica 1. Género? Masculino Feminino 2. Idade? Até 25 anos Entre 26 e 50 anos Entre 51 e 65 anos Superior a 65 anos 3. Estado civil? Solteiro Casado Divorciado Viúvo Unido de Facto 4. Agregado familiar? 1 Pessoa 2 Pessoas 3 Pessoas
4 ou mais Pessoas 1. Habilitações Literárias? Sem escolaridade Até ao 4º ano Até ao 9º ano Até ao 12º ano Ensino Superior I. Vencimento
1. Vencimento líquido médio mensal? Entre 0 e 250€ Entre 251 e 500€ Entre 501 e 750€ Entre 751 e 1000€ Superior a 1000€ Ficha Técnica Questionário Nº: __________
Data: _____________________ Hora: ________________Nº Telefone: _______________________ Localidade: _______________________________________________________________________ Entrevistador: _____________________________________________________________________