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Mennesket eller prosess?

6 Diskusjon og analyse

6.1 Effektiv styring

6.2.4 Mennesket eller prosess?

Ao serem perguntados quais organizações estariam ligadas ao mercado fonográfico de forma direta e/ou indireta, os entrevistados citaram diferentes instituições públicas e privadas, dentre as quais pode-se destacar: as pequenas, médias e grandes gravadoras, as editoras, o ECAD (sociedade coletora de direitos autorais), as associações das grandes e das pequenas gravadoras, os diferentes sites de venda de música pela internet, e, ainda, órgãos governamentais ligadas à área da cultura como a Funarte e o Ministério da Cultura. Foram, também, mencionados sites como o Orkut, os blogs, programas como o MSN e as rádios digitais:

O que rege ainda o mercado de trabalho são as gravadoras, não é? E as rádios. Então pra mim são os principais comercialmente falando (...) Tem o estúdio, onde você vai gravar, tem os músicos que você vai usar, o produtor (...) Você já tem editoras que não são ligadas às gravadoras que movimentam muito dinheiro (T- Rec).

Você continua tendo a mesma coisa: as gravadoras com as editoras administrando a propriedade intelectual, a mídia divulgando (...) Você tem os blogs, você tem o orkut, você tem os sites (...) As formas até mudaram, mas as estruturas são mais ou menos as mesmas. As gravadoras, desde as maiores até as que têm dois carinhas que produzem o CD sozinhos, as editoras, com as associações das editoras e das gravadoras, e aí as rodas dos lojistas e o público (...)Acho que pode mudar a maneira como as gravadoras funcionam, você ter editoras menores, você ter formas diferentes de vender, formas diferentes do público consumir, mas a estrutura é mais ou menos a mesma (iMusica).

A cadeia é enorme, eu nem saberia elencar aqui todas, mas bom, enfim, tem de tudo, você tem as editoras, você tem associações, você tem as gravadoras, você tem os produtores, os artistas, você tem o governo, o Ministério da Cultura, as secretarias estaduais e municipais, você tem os patrocinadores de eventos, uma cadeia gigantesca. Eu faço parte de uma pequena célula disso, nem tenho muita idéia da dimensão, até onde isso pode ir (Biscoito Fino).

Em primeiro as gravadoras, em segundo lugar as editoras que são fundamentais também, uma vez que existe toda uma constelação de editoras no Brasil, em terceiro lugar o ECAD, que é a sociedade coletora de direitos autorais. O ECAD é uma organização muito importante e que cada vez se torna mais importante na cadeia da musica brasileira, já que o poder do ECAD e sua importância só crescem de ano a ano e a tendência é que isso cresça cada vez mais. Você tem os

broadcasts, como as redes de televisão, que são muito importantes dentro daquela

idéia de simbiose entre a industria fonográfica e broadcasts. É muito importante, por exemplo, o espaço que os broadcasts geram para a musica brasileira. Esse espaço já foi maior, mas hoje em dia é muito significativo. Você tem, além disso, a entrada das novas mídias. Então, por exemplo, hoje a internet, o orkut e o MSN estão ganhando cada vez mais uma fatia importante nesse panorama todo no mercado da indústria fonográfica (Creative Commons).

As organizações citadas pela maior parte dos atores entrevistados, como pode ser observado nos trechos acima, foram quase as mesmas, com algumas exceções. Dessa forma, a menção às gravadoras, editoras e grande mídia foi praticamente unânime entre eles, o que se justifica tanto pelo fato de serem organizações diretamente ligadas ao setor e que ainda “regem” os negócios nele levados adiante, mas também por serem aquelas historicamente responsáveis pela viabilidade econômico-financeira desse setor, o que é, obviamente, uma conseqüência do primeiro fator.

Fica claro, também, que do ponto de vista de alguns entrevistados, a estrutura do mercado fonográfico brasileiro continua sendo praticamente a mesma que a de antigamente,

já que as gravadoras, editoras e a mídia continuam sendo as organizações com maior influência devido aos fatores destacados no parágrafo acima.

Vale, no entanto, fazer uma observação. A maioria dos entrevistados, ao destacar as organizações por eles consideradas como fazendo parte do campo do mercado fonográfico brasileiro, citou, como mencionado anteriormente, páginas como o orkut, you tube, o msn e os diversos blogs existentes na internet, os quais facilitam a distribuição de arquivos musicais (ou a visualização, no caso dos vídeos) para os diversos usuários que utilizam seus serviços. Sabe-se, entretanto, que a maior parte desses elementos por ele mencionados não são propriamente organizações, mas caracterizam-se como ferramentas tecnológicas pertencentes a grandes organizações. Estas, por sua vez, são aquelas detentoras de recursos de poder e as quais competem no campo estudado. Páginas como o Orkut e o You Tube, por exemplo, os quais obtiveram sucesso rapidamente entre os usuários, tornaram-se tecnologias de propriedade da maior empresa de internet do mundo, a Google. Já o programa de bate papo instantâneo MSN, por sua vez, é tecnologia criada pela Microsoft Windows, enquanto o iTunes é propriedade da Apple Inc. Assim, um mínimo de cautela é necessária para que não se confunda as organizações inseridas no campo com as ferramentas tecnológicas por elas detidas e as quais são responsáveis pelas transformações ocorridas nesse espaço simbólico.

Percebeu-se no discurso dos entrevistados, porém, uma contradição que está relacionada à não inclusão no campo, por parte deles, dos programas que permitem o compartilhamento de arquivos musicais via internet (como o Napster, Kazaa e E-mule), ainda que tais ferramentas tenham sido amplamente mencionadas por eles em outros tópicos.

O fato de tais aplicativos não terem sido mencionados, em contraposição à inclusão no campo de outros programas ou sites com características muito similares (como demonstrado nos trechos destacados), parece apontar para duas possibilidades: a) o não reconhecimento de tais softwares, por parte dos atores pertencentes a instituições oficialmente ligadas ao mercado fonográfico, como players possuidores de recursos de poder próprios e dotados de legitimidade para competirem com as organizações tradicionais do campo, e b) percepção consciente ou não-consciente de que o status da organização (oficial ou não-oficial) determina o espaço simbólico em que esta será inserida.