3 Christensens poetikk i essaysamlingene
3.2.2 Mennesket
As rochas dos sub-grupos Balbuena e Santa Bárbara compõem o registro da fase pós-rifte (sag) da bacia, depositados desde o Maastrichtiano ao Bartoniano. Por serem associadas a um regime tectônico com baixa atividade de falhas, e subsidência predominantemente termal, as unidades que compõem estes depósitos apresentam geometria tabular ou levemente cuneiforme próximo às bordas de paleoaltos (HERNÁNDEZ et al., 1999) (Figura 3.3).
Os depósitos maastrichtianos-danianos do Sub-grupo Balbuena são constituídos pelas formações Lecho (base), Yacoraite e Olmedo/Tunal (topo). A
Formação Lecho é composta por arenitos brancos de composição quartzo-
arcoseana. Rochas calcárias associadas às fácies mais pelíticas ocorrem esporadicamente, sendo mais presentes na sub-bacia de Três Cruces. O ambiente deposicional é tipicamente flúvio-eólico, podendo ocorrer registros de deposição
lacustre nas porções mais lutáceas da base desta unidade. Seus depósitos são amplamente tabulares e com espessura média de 150 m (SALFITY, 1979).
A Formação Yacoraite é a unidade do Grupo Salta mais largamente distribuída pela bacia. Recobre parte dos arcos de Michicola, Quirquincho e, ao final de sua deposição, parte da dorsal de Salta-Jujuy (SALFITY e MARQUILLAS, 1999).
Os sedimentos da Formação Yacoraite foram depositados desde o Maastrichtiano até o Daniano. Isto implica que o limite Cretáceo-Paleógeno (K-T) está contido nesta unidade. Estudos e análises de dados isotópicos de carbono e oxigênio (SIAL et al., 2001; FERREIRA et al., 2003; MARQUILLAS et al., 2003 e 2007) contribuíram para a identificação deste importante marco estratigráfico presente na Formação Yacoraite. Valores negativos de δ13C, compatíveis com os padrões observados mundialmente no limite K-T, foram constatados no topo de uma camada de argilitos e siltitos avermelhados de ocorrência regional, presente em uma seção conhecida na bacia como “seção limoarcillosa” (BENTO-FREIRE, 2012). Este padrão é interpretado como um indicativo de grandes mudanças climáticas em consequência de intenso vulcanismo ou do impacto de um meteorito que poderia ter afetado o clima da Terra em escala global (SIAL et al., 2001).
A conspícua abrangência regional da “seção limoarcillosa”, a facilidade de sua identificação em campo e o seu caráter cronoestratigráfico bem definido, faz desta seção um importante marco estratigráfico para o presente estudo. A camada de argilitos e siltitos avermelhados presente neste marco estratigráfico representa o limite superior da parte maastrichtiana da Formação Yacoraite, parte esta que é foco desta dissertação (Figura 3.4).
Possuindo depósitos dominantemente tabulares, sobretudo na parte central da sub-bacia de Metán-Alemania, a Formação Yacoraite chega a ter 200 m de espessura (HERNÁNDEZ et al., 1999). O aspecto estratigráfico marcante desta formação é sua ciclicidade interna de alta freqüência evidenciada pela intercalação de intervalos pelíticos e intervalos carbonáticos (Figuras 3.5 e 3.6).
Figura 3.2 – Seção estratigráfica enfatizando a espessura da seção rifte e o forte controle tectônico de sua deposição (Datum: topo da Fm. Yacoraite). A partir de Hernández et al. (1999).
Figura 3.3 – Seção estratigráfica destacando a morfologia suave e não falhada da seção pós-rifte; parte superior da Fm.Yacoraite (Datum: topo da Fm. Yacoraite). A partir de Hernández et al. (1999).
Figura 3.4 – Passagem Cretáceo-Paleógeno. A linha tracejada marca o limite superior da parte maastrichtiana da Formação Yacoraite. Detalhe para a tonalidade avermelhada da “seção limoarcillosa” - Afloramento Enseada.
A Formação Yacoraite é composta por estromatólitos, grainstones, wackestones, mudstones, margas, argilitos e siltitos, além de, subordinadamente, arenitos quartzosos e arcoseanos. No flanco oeste, região de Cerro Tin Tin e Cachi, esta unidade é composta quase exclusivamente por arenitos quartzo-feldspáticos, arcóseos e arenitos conglomeráticos. Suas rochas são ricas em fósseis e pistas de saurópodes (ALONSO, 1980), palinomorfos (MORONI, 1982; QUATTROCCHIO, 2006), ostracodes, pelecípodes, gastrópodes (SALFITY e MARQUILLAS, 1999; CÓNSOLE GONELLA e ACEÑOLAZA, 2010), algas e peixes (BENEDETTO e SANCHES, 1972; ACEÑOLAZA, 1968), os quais auxiliam na interpretação paleoambiental e na datação.
Intercalados com as rochas da Formação Yacoraite, encontram-se os basaltos da Formação Palmar Largo (MÄDEL, 1984) na sub-bacia de Lomas de Olmedo, datadas como tendo 70 ± 5 Ma (GÓMEZ OMIL et al., 1989) (Figura 1.2).
Por constituir o foco principal deste estudo, a Formação Yacoraite será detalhada em termos de ambiente deposicional, em tópico exclusivo.
Figura 3.5 – Ciclicidade interna de alta freqüência presente na Fm. Yacoraite. Camadas acinzentadas relativas aos intervalos pelíticos e as mais claras aos intervalos carbonáticos (Afloramento Dique Compensador – Intervalo maastrichtiano). Escala: Poste de eletricidade.
Figura 3.6 – Depósitos das Formações Lecho e Yacoraite (pós-rifte) sobre depósitos da Formação Los Blanquitos (rifte). Destaque para a tabularidade e continuidade horizontal dos estratos da Fm. Yacoraite. O comprimento do afloramento é de cerca de 1200m e a altura do paredão no seu ponto mais alto atinge aproximadamente 300m (Afloramento da Escarpa – Dique Cabra Corral).
A Formação Olmedo é composta por folhelhos pretos e cinzas, siltitos com nódulos de anidrita e gipsita. Subordinadamente, também ocorrem carbonatos micritizados e dolomitizados. Todavia, o registro mais marcante desta formação são seus depósitos evaporíticos de halita com gipsita e anidrita em Lomas de Olmedo, conhecidos como “Membro Salino”, cuja espessura chega a atingir 900m (MORENO, 1970). Na região da sub-bacia de Metán-Alemania, esta unidade passa a ser denominada como Formação Tunal (TURNER et al., 1979), sendo constituída por folhelhos pretos, ou cinzas esverdeados e marrons-avermelhados, além de arenitos gipsíferos e camadas delgadas de gipsita (SALFITY e MARQUILLAS, 1999). O ambiente que propiciou a geração das fácies na Formação Olmedo é relacionado a lagos hipersalinos anóxicos (complexos tipo “playa lakes”, segundo Moreno,1970) circundados por extensas planícies lamosas. O ambiente deposicional para a unidade Tunal é interpretado como lacustre perene circundado por florestas em um clima úmido e quente. Esta hipótese é evidenciada pelos dados palinológicos encontrados nesta unidade (QUATTROCCHIO et al., 2000). Nas sub-bacias de Três Cruces e Sey, as Formações Olmedo e Tunal encontra-se ausente, por não deposição.
Os depósitos do Sub-Grupo Santa Bárbara (Selandiano-Bartoniano) referem-se às formações Mealla (Base), Maíz Gordo e Lumbrera (topo), que correspondem à parte superior do Grupo Salta (HERNÁNDEZ et al., 1999).
A Formação Mealla é composta por depósitos clásticos com espessuras variáveis entre 100 e 150 m (DEL PAPA e SALFITY, 1999). É composta por arenitos finos a médios com evidências de tração (ripples, base erosiva) e estruturas de acreção lateral. Por vezes, é comum se encontrar arenitos finos intercalados finamente com siltitos vermelhos maciços. Na sub-bacia Lomas de Olmedo são descritos alguns estromatólitos dômicos associados às fácies siliciclásticas. Nesta sub-bacia, as principais fácies são arenitos intercalados com finas camadas de gipsita e pelitos vermelhos. O topo desta formação é constituído por uma camada de calcários pelíticos com coloração cinza a verde escura, associados a arenitos calcários. Esta camada é um marcador na bacia e é denominada “Faja Gris” por Gómez Omil e Boll (1999). Fósseis de mamíferos e tartarugas de água doce (PASCUAL et al., 1978), bem como inúmeros palinomorfos são encontrados nesta formação (QUATTROCCHIO, 2006). O ambiente interpretado para esta formação é
o de planícies lamosas cortadas por rios meandrantes, sendo que, em Lomas de Olmedo, houve o predomínio de um lago raso e salobro (SALFITY e MARQUILLAS, 1999). Para a “Faja Gris”, o ambiente é interpretado como o de um lago de água doce e aberto. No todo, o clima era do tipo subtropical com períodos de seca (QUATTROCCHIO e VOLKHEIMER, 2000).
Sobrejacentes à Formação Mealla encontram-se os depósitos da Formação
Maíz Gordo, que atingem espessuras entre 200 e 250 m. Na sub-bacia de Metán-
Alemania, expressam-se como fácies sílticas avermelhadas com gretas de ressecamento que se intercalam com grandes pacotes de arenitos com marcas de tração. Sua parte média é composta por mudstones esverdeados que passam a margas e carbonatos (wackestones, grainstones oolíticos), chegando a estromatólitos dômicos com feições de exposição. O topo é composto por folhelhos verdes, mudstones maciços e grainstones. Segundo Salfity e Marquillas (1999), sustentados por dados palinológicos (QUATTROCCHIO e DEL PAPA, 2000), o ambiente de deposição desta formação foi inicialmente constituído por rios tipo braided, que passou a um lago de água doce a salobra, em cujo centro se depositaram as fácies carbonáticas mais finas e grainstones, enquanto que nas bordas do lago se formavam estromatólitos.
A Formação Lumbrera, unidade mais jovem do Grupo Salta, apresenta a maior distribuição areal e espessura do Subgrupo Santa Bárbara (GÓMEZ OMIL e BOLL, 1999), com uma média de 400 a 500 m de seção vertical. Na sub-bacia de Metán-Alemania, esta formação apresenta espessura em torno de 280 m e pode atingir mais de 1.000 m na porção oriental, em Lomas de Olmedo (GÓMEZ OMIL e BOLL, 1999). Sua porção inferior é composta por arenitos avermelhados e mudstones. Os arenitos podem ser encontrados intercalados com níveis finos de siltitos avermelhados com nódulos calcários. A porção central desta unidade é conhecida como “Faja Verde” e constitui um importante marco estratigráfico na bacia. É formada por uma seção contínua finamente laminada de pelitos verde- escuros a acinzentados, que podem ocorrer intercalados com arenitos finos e estromatólitos. No interior das sub-bacias são comuns níveis delgados de folhelhos pretos, ricos em matéria orgânica. A porção superior é composta principalmente por siltitos maciços avermelhados e mudstones, com frequentes marcas de exposição e
níveis contínuos de nódulos carbonáticos. Esporadicamente, são encontrados nódulos de gipsita/anidrita.
A Formação Lumbrera também é rica em fósseis (mamíferos, peixes e répteis) e palinomorfos (QUATTROCCHIO, 1978; GASPARINI, 1984). O ambiente deposicional da porção basal é do tipo fluvial meandrante, em meio a vastas planícies lamosas. A “Faja Verde” é atribuída a sistemas lacustres. A porção superior registra um ambiente tipicamente lacustre raso e salino, em meio a um contexto de clima tropical úmido (SALFITY e MARQUILLAS, 1999).
De acordo com Cazau et al. (1976), o topo desta unidade é marcado pela discordância erosiva Incaica que dá início ao Ciclo Andino, sendo recoberto pelos depósitos neogênicos do estágio foreland da bacia (representados pelo Grupo Orán).