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Levando em conta que a sustentabilidade envolve três dimensões e vários aspectos em cada uma das suas dimensões, conforme mostra, por exemplo, o modelo do relatório de sustentabilidade GRI, a sua mensuração não é tarefa fácil. Assim, dentre os métodos existentes para mensurar a sustentabilidade, o método de avaliação por multicritérios se destaca, conforme observado em alguns estudos empíricos anteriores mostrados a seguir.

A pesquisa de Strobel (2005) desenvolveu um modelo para a mensuração da sustentabilidade corporativa por meio de indicadores, utilizando a técnica de análise comparativa para estabelecer as principais diferenças e similaridades entre as abordagens escolhidas, segundo o critério de complementaridade: o Dow Jones Sustainability Index – DJSI, o Global Reporting Initiative – GRI, os indicadores do Instituto Ethos, o Modelo de Planejamento Estratégico para a Sustentabilidade Empresarial – PEPSE e o Método de Avaliação dos Indicadores de Sustentabilidade de uma Organização – MAIS. Com base nesta análise comparativa foi proposto um modelo alternativo para a mensuração da sustentabilidade corporativa através de indicadores, que permite a conversão de indicadores qualitativos em quantitativos, através da metodologia de comparação par a par viabilizada pelo software Macbeth. O modelo foi escolhido devido a quantidade de critérios adotados na pesquisa e aplicado em quatro empresas do setor têxtil catarinense através de um questionário abrangendo indicadores correspondentes a todos os temas e variáveis definidos no modelo. Os resultados demonstram que o modelo permite a verificação de diferenças entre os Graus de Sustentabilidade Corporativa das empresas pesquisadas, sendo possível a identificação das discrepâncias ao nível das variáveis e

temas do modelo, e permite ainda a verificação dos pontos fortes e fracos nas três dimensões da sustentabilidade de cada empresa pesquisada.

A pesquisa de Chaves e Gomes (2010) expõe a relevância dos bicombustíveis na matriz energética mundial, apresentando as principais biomassas disponíveis atualmente, suas características, qualidades e defeitos, com a finalidade de selecionar o biocombustível mais adequado ao contexto nacional. Este biocombustível deve se apresentar como uma alternativa viável e menos agressiva ao meio ambiente que o petróleo. Para comparar as alternativas foi utilizada a metodologia Macbeth devido à multiplicidade de critérios e juízos de valor envolvidos no processo decisório. Após a aplicação da metodologia, concluiu-se que o bioetanol é o biocombustível mais adequado de acordo com os juízos de valor estabelecidos pelo tomador de decisão fictício em relação aos critérios adotados.

A literatura apresenta ainda estudos que utilizam outros critérios de mensuração da sustentabilidade. Dias, Siqueira e Rossi (2006) analisaram o grau de aderência plena das empresas brasileiras aos indicadores essenciais de desempenho econômico, ambiental e social propostos pelas Diretrizes para Relatórios de Sustentabilidade do Global Reporting

Initiative (GRI), 2002. Para tanto, foi realizada uma análise dos Balanços Sociais de

empresas brasileiras que afirmam utilizar os indicadores do GRI. As informações fornecidas por tais empresas, referentes a cada indicador do GRI, foram confrontadas com o que efetivamente é solicitado pelo GRI, sendo evidenciadas as divergências encontradas entre o preconizado pelo GRI e o que foi apresentado pelas empresas. Dentre as conclusões da pesquisa, tem-se a Natura classificada como a empresa brasileira que possui maior aderência aos indicadores essenciais do GRI.

A pesquisa de Araujo (2006) buscou mensurar o grau de sustentabilidade de uma empresa do setor petrolífero, através de um método de avaliação de indicadores ambientais e sociais, relacionado com a política de qualidade, segurança, meio ambiente e saúde da empresa. O método utilizado situou a organização em três dimensões de sustentabilidade: social, ambiental e cultural. Esse método, conhecido como MAIS (Método de Avaliação dos Indicadores de Sustentabilidade) estabelece uma pontuação entre 0 ou 1 para evidenciação ou não dos indicadores, atingindo no máximo 90 pontos para cada dimensão da sustentabilidade proposta e 270 pontos na mensuração das três dimensões. Uma vez ponderados, permitem a visualização do desempenho socioambiental da empresa classificados em: insustentável, em busca da sustentabilidade e sustentável. A empresa

apresentou as seguintes pontuações: 82, 89 e 76 para as dimensões social, ambiental e cultural respectivamente, somando 247 pontos, sendo classificada, portanto, como organização sustentável.

Outro método de mensuração foi utilizado na pesquisa de Callado (2010), em que o objetivo foi aplicar em empresas agroindustriais um modelo de mensuração de sustentabilidade empresarial por meio de uma integração de aspectos das dimensões ambiental, social e econômica. A finalidade do modelo é categorizar os resultados de sustentabilidade empresarial através de uma representação tri-dimensional, denominada Grid de Sustentabilidade Empresarial (GSE). A operacionalização do modelo é realizada a partir do desenvolvimento das seguintes etapas: cálculo de Escores Parciais de Sustentabilidade (EPS); cálculo de Escore Sustentabilidade Empresarial (ESE); e integração de Escores Parciais de Sustentabilidade para identificar as empresas investigadas no GSE. O modelo foi aplicado em três vinícolas localizadas na região do Vale do São Francisco. Após integração dos resultados, foi observado que apenas uma agroindústria analisada apresentou um bom desempenho em aspectos econômicos e sociais de sustentabilidade, enquanto que as outras duas agroindústrias analisadas apresentaram baixos desempenhos em todos os três aspectos considerados.

Com base no disclosure das informações, Gomes (2012) elaborou uma pesquisa buscando verificar uma relação significativa entre as características econômico-financeiras e a divulgação voluntária de informações sob o enfoque da sustentabilidade, em conformidade com as diretrizes do relatório GRI, nas empresas de capital aberto dos quatro países do chamado BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China. A pesquisa de Gomes (2012) revelou que o nível do disclosure voluntário de informações voltadas à questão da sustentabilidade pode estar associado com a pré-existência de incentivos econômicos e que quanto maior é a empresa e melhor é seu desempenho no mercado de capitais mais transparente é a empresa quanto ao diclosure, indicando ainda que empresas sediadas em países com IDH mais elevados possuem uma menor contribuição para a divulgação voluntária sob o enfoque da sustentabilidade de acordo com as diretrizes do relatório GRI.

Assim como a maioria desses estudos, a presente pesquisa utiliza os relatórios de sustentabilidade modelo GRI das empresas da amostra para fins de obtenção dos dados necessários para a consecução dos seus objetivos, em especial, para mensurar o desempenho da sustentabilidade das empresas e relacionar esse desempenho com os

indicadores de intangibilidade, a fim de verificar a relação entre esses dois temas – sustentabilidade e intangibilidade – à luz dos preceitos da RBV. Dessa forma, em seguida, apresentam-se as principais considerações sobre os ativos intangíveis e alguns de seus indicadores.

2.2 Ativo Intangível

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