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II. Análisis de la documentación previa al inicio de las obras

4. Análisis del Proyecto Básico y de Ejecución

4.4. Cumplimiento de otros reglamentos y disposiciones

Quando analisamos quais são as fontes primárias ouvidas pelos jornalistas, no- vamente vem a tona uma das principais tendências observadas na cobertura, ou seja, a concentração da discussão no âmbito do governo e das empresas – e, no outro lado da moeda, a conseqüente desvalorização da sociedade civil como voz relevante nesse debate.

Tal configuração da cobertura poderia até fazer sentido em países com uma sociedade civil desorganizada e sem expressão no conjunto das reflexões sobre as diferentes temáticas sociais. Como explicitamos nos capítulos anteriores, esse não é, no entanto, o quadro observado no Brasil. Pelo contrário. Desde os con- tundentes debates contra a censura durante a ditadura, passando pelas severas críticas às relações pouco republicanas de algumas emissoras com o regime mi- litar, até o processo de aprovação da Constituição Federal, fortaleceu-se no País um diversificado leque de instituições e pessoas que vem debatendo o tema da democratização das comunicações.

Nesse sentido, cabe averiguar com mais clareza os motivos que levam os jornais e revistas a sistematicamente desconsiderarem esses atores centrais para a qua- lificação da pauta. Duas hipóteses poderiam ser apontadas: primeiro, as organi- zações da sociedade civil e especialistas que trabalham a questão das PPC não tem alcançado êxito ao dialogar com os meios jornalísticos; segundo, há uma recusa sistemática de parte das empresas em dar voz a organizações que atuem em relação a essa temática.

Por fim, cabe ressaltar que cerca de 38% dos textos trazem mais de uma fonte de informação e somente 16% oferecem opiniões divergentes – resultado que fica distante do esperado, principalmente quando lembramos que estamos falando de um debate com tamanha polarização e complexidade.

TIPO DE TEXTO

Tipo %

Matérias/reportagens 19,0 Colunas ou notas de colunas assinadas 57,1

Artigos assinados 11,1

Entrevistas 12,4

Editoriais 0,4

PRINCIPAL FONTE OUVIDA PELA MATÉRIA

Fontes %

Poder Executivo Executivo Federal 5,4

Ministério das Comunicações 5,4

Executivo Estadual 1,0 Ministério da Cultura 1,0 SECOM 0,7 Anatel 0,3 Executivo Municipal 0,2

Sub-total

18,1

Empresas e associações de empresários

Empresas não estatais 9,3

Associações 6,0

Sub-total

15,3

Universidades e especialistas Especialistas/Técnicos 7,3 Universidade 4,5

Sub-total

11,8

Poder Legislativo Legislativo Federal 5,8

Legislativo Estadual ou Distrital 0,3

Legislativo Municipal 0,3

Sub-total

6,4

Poder Judiciário Judiciário 3,7

Ministério Público 1,4

Sub-total

5,1

Conselhos, Organizações da Sociedade Civil e representações de trabalhadores

Organizações da Sociedade Civil 2,9 Sindicatos e federações de trabalhadores 1,3

Conselhos 0,3

Movimentos sociais 0,3

Sub-total

4,8

Outros Empresas estatais 1,8

Líderes religiosos 0,1

População 0,8

OIs – (Organismos Internacionais) 0,5

Outros 10,7

Não foi possível identificar as fontes consultadas 24,7

Ana Paula Sousa é subeditora de Cultura da revis- ta Carta Capital, veículo no qual vem se dedican- do nos últimos anos à cobertura sobre as políticas de comunicação

De acordo com a pesquisa realizada pela ANDI, a revista Carta Capital é o periódico que mais cobre temas ligados às Políticas Públicas de Comunicação no Brasil. Na sua opinião, a que se deve o menor interesse dos demais veículos em relação a esse assunto?

Duas razões imediatas me vêm à cabeça quando penso sobre essa questão. A primeira é que esse é um tema complexo e que escapa de uma editoria específi ca. Se um jornalista de política vai escre- ver sobre o assunto, talvez não perceba as ques- tões culturais envolvidas. Já um jornalista de cul- tura pode deixar passar as questões econômicas. Poucas pessoas são especializadas e têm paciên- cia para lidar com essa temática. Geralmente, é uma cobertura na qual é preciso ouvir dezenas de pessoas para que se consiga escrever com pro- priedade. Nas revistas semanais, por exemplo, acho que ninguém conhece a fundo o assunto. A outra razão é que quase todos os veículos têm in- teresses envolvidos nessa discussão, o que acaba difi - cultando que o assunto seja abordado objetivamen- te. O jornal Estado de S.Paulo, por exemplo, pode até cobrir o tema, mas irá levar em consideração o fato de ter uma rádio e uma emissora de televisão que não consegue colocar no ar porque a Net [empresa de TV a cabo que pertence às Organizações Globo] não deixa. A Editora Abril também está diretamen- te envolvida, por causa da TVA. Da mesma forma, basta ver como o debate sobre a TV digital foi feito de forma enviesada, já que a maior parte dos atores envolvidos tinham interesses em jogo.

No Brasil, tal fenômeno é agravado pela falta de regulamentação, mas acho que essa é uma ten- dência mundial. Os conglomerados de mídia são imensos e o jornalismo é só uma pecinha neste cenário. Acaba fi cando sitiado por esses outros interesses. Então, como discutir dentro do jornal e da tevê aquilo que diz respeito ao contexto das póprias empresas de mídia? Nos deparamos com um impasse. Talvez daí decorra a falta de preparo do jornalista. Mas, mesmo que o profi ssional es- teja preparado, todas essas questões que apontei o levarão a trabalhar “cheio de dedos”.

Há algum tipo de qualifi cação específi ca para os jornalistas que trabalham nessa cobertura?

Não, isso acaba sendo feito na raça mesmo. Para cobrir a área de cultura, ainda há como se preparar um pouco. Mas, nesse caso, o central é exercer o ofício de repórter da melhor maneira possível. Um bom profi ssional, se for sério e tiver paciência, pode ir aprendendo. Mas é muito mais difícil, por exem- plo, fazer matéria sobre TV digital do que sobre outros temas. É preciso entender todas as questões tecnológicas, além de ler e ouvir muitas pessoas.

Ao que se deve o interesse da revista Carta Ca- pital em relação a esse assunto?

Acredito que aqui, por não termos relação com nenhum grande conglomerado de mídia, não há o medo de atingir algum interesse. Ou seja, não há outros interesses envolvidos, então isso nos dá li- berdade de tratamento ao tema. Algumas vezes, as sugestões de pauta partem dos próprios repórteres. Mas a revista foi percebendo que nenhum veículo cobre sistematicamente o assunto, então este é um espaço que a Carta Capital conseguiu ocupar.

As coberturas feitas pela revista já resultaram em alguma transformação nas empresas do se- tor ou no cenário político?

De maneira direta, não. O que sinto é que uma reportagem da Carta Capital, somada à matéria de outro veículo, à ação de uma organização da sociedade civil e ao discurso de um deputado, por exemplo, tem o potencial de gerar uma mo- bilização da sociedade. Isso pode deixar o dono de uma emissora de tevê menos confortável. Claro que acabamos repercutindo mais do que a Internet, porque somos um veículo impresso, mas só acredito no poder de infl uência da revista somado a outras iniciativas. É uma corrente.

Você escreve sobre políticas de comunicação de uma perspectiva da cultura. Por que este enfoque específi co?

Não precisa ser teórico para saber que os ve- ículos de comunicação de massa formam a identidade do País. O poder da mídia pode ser questionado, limitado, mas o que se faz na tevê brasileira está diretamente relacionado à cultura. Toda cultura brasileira é assolada pe- los meios de comunicação. Se tivéssemos uma mídia que oferecesse um pouco mais de es- paço para a cultura independente, a situação