4.1 Hvordan har mellomlederne vært involvert i digitale endringer i Zalaris, og hvilke
4.1.2 Mellomlederes involvering og erfaring med endringsprosesser
Os significados da mediação necessários à compreensão deste trabalho foram destacados no capítulo anterior. No entanto, neste momento, é preciso abordar algumas questões sobre os artefatos e a importância do seu uso nas atividades práticas profissionais na Arquitetura, permitindo a sua reflexão nas atividades de docência.
A valorização do desenho e seu potencial para o ensino de projeto é também reconhecido por outros autores. Conforme Amorim e Oliveira (2001), a projetação destaca-se, pois ela é capaz de promover a mediação e a articulação necessárias ao desenvolvimento do conhecimento. Para esses autores, o conhecimento passa a ser entendido como um fluxo contínuo, em que as transformações e as mudanças são os elementos principais. Nesse sentido, o processo de projeto ganha ênfase e se torna um campo fértil para o desenvolvimento do pensamento, podendo se transformar em ferramenta catalisadora de grande importância no processo de ensino e de aprendizagem. Além disso, a projetação permite o trabalho integrado dos membros de uma equipe e possibilita o estabelecimento de novas relações sociais entre os que participam de um determinado processo.
A importância do desenho no processo cognitivo da projetação tem sido reconhecida como um potencial de ajuda ao projetista no desenvolvimento do projeto. Em Cross (1999), podemos reconhecer o valor e o potencial dos desenhos, como forma de raciocínio na atividade de projeto:
[...] rabiscar ajuda o raciocínio projetual. Na projetação, o desenho é uma espécie de amplificador da inteligência, tal como a escrita é um amplificador de inteligência para todos nós, quando estamos
126 tentando elaborar o nosso pensamento. Sem a escrita, torna-se difícil explorar e resolver os nossos pensamentos; sem o desenho, é difícil para o projetista explorar e resolver os seus pensamentos. Como o escrever, o desenhar é mais do que uma ajuda externa para a memória; é uma atividade capaz de promover e capacitar os tipos de pensamento, relevantes para as tarefas cognitivas próprias do pensamento projetual. 75 (CROSS, N. Design Studies, v. 20, n.1, 1999, p. 36, tradução nossa.)
Cross (2001), para quem os croquis representam a ferramenta chave para a projetação, afirma que os croquis estão em conexão muito próxima com as características da cognição projetual, isto é, relacionam-se à geração, à exploração das tentativas conceituais de solução e à identificação daquilo que necessita ser compreendido para o desenvolvimento e, em especial, para o reconhecimento das características e propriedades emergentes na atividade projetual.
As considerações de Schön sobre a conversa reflexiva entre o projetista e a situação projetual apresentadas no capítulo anterior são corroboradas por Tversky (1999), ao afirmar que “os desenhos são uma parte integral do diálogo que o projetista conduz com ele mesmo durante o projeto”76 (TVERSKY, 1999, p. 93), ao destacar o papel mediador do desenho no processo de projetação e ao indicar que “eles são um tipo de representação externa, uma ferramenta cognitiva desenvolvida para facilitar o processo de informação”77 (TVERSKY, 1999, p. 93). Segundo essa autora, as ferramentas externas utilizadas pelos seres humanos significam as formas encontradas para a compensação das suas limitações quanto à capacidade de memória humana e quanto à capacidade de processamento de informações necessárias a algumas de suas atividades. Essas vantagens, encontradas pelo uso de instrumentos externos, se fazem presentes nos desenhos e na representação.
75 “(…) sketching helps design thinking. In design, drawing is a kind of intelligence amplifier, just as
writing is an intelligence amplifier for all of us when we are trying to reason something out. Without writing, it can be difficult to explore and resolve our own thoughts; without drawing, it is difficult for designers to explore and resolve thoughts. Like writing, drawing is more than simply an external memory aid; it enables and promotes the kinds of thinking that are relevant to the particular cognitive tasks of design thinking.”. (CROSS, Design Studies, v. 20, n.1, 1999, p. 36)
76 “Drawings are an integral part of the dialogue a designer conducts with him or herself during design
[…].”. (TVERSKY, 1999, p. 93)
77 “They are a kind of external representations, a cognitive tool developed to facilitate information
127 Para Tversky, os desenhos, embora possam corresponder às imagens, são representações que podem diferir e ir além dessas imagens, pois podem, também, refletir os conceitos e não apenas as percepções da realidade. Nesse sentido, a autora argumenta que alguns tipos de desenho, como os croquis utilizados em projeto, os desenhos em quadrinho, os mapas e/ou os desenhos de rotas direcionais podem conter informações adicionais, tais como setas, linhas e até mesmo anotações em forma de palavras que aparecem atreladas às imagens. Com isso, compreende que “os desenhos revelam as concepções das coisas e não as percepções das coisas”78 (TVERSKY, 1999, p. 93, tradução nossa). Portanto, nessa trajetória, podemos compreender os desenhos e os croquis como ferramentas capazes de canalizar e revelar o próprio pensamento. Vejamos:
Os desenhos, então, são representações da realidade, não apresentações da realidade. Os desenhos podem omitir coisas que realmente estão lá, eles podem distorcer coisas que estão lá, eles podem acrescentar coisas que não estão lá. Eles não precisam ter um ponto de vista consistente ou até mesmo ter algum ponto de vista. De tal forma, os desenhos são mesmo de um interesse maior para os críticos de arte, os projetistas assim como para os psicólogos. Eles podem providenciar insights para a conceituação e não apenas imagens.79 (TVERSKY, 1999, p. 95, tradução nossa.)
Os diferentes papéis dos croquis em relação ao desenvolvimento do pensamento são reconhecidos em Tversky (1999, 2002): os croquis, embora possam ser desenvolvidos em domínios diferentes, apresentam a característica comum de linguagem e de comunicação, seja essa comunicação realizada com a própria pessoa ou entre outras pessoas envolvidas na situação; além de serem considerados representações externas, ou seja, ferramentas cognitivas, são capazes de esquematizar; os croquis podem assumir o papel de checar a completude e a consistência de uma ideia, especialmente das ideia espaciais; podem permitir ao projetista o estabelecimento de novas relações
78 “[...] drawings reveal people´s conceptions of things, not their perceptions of things […].”. (TVERSKY,
1999, p. 93)
79 “Drawings, then, are representations of reality, not presentations of reality. Drawings can omit things
that are actually there, they can distort things that are there, they can add things that are not there. They need not to have a consistent point of view or a point of view at all. ps such, drawings are of even greater interest to art critics, designers, and psychologists alike. They can provide insights into conceptualizations not just imaginings.”.(TVERSKY, 1999, p. 95)
128 e novas figuras; e, também, permitem o surgimento de novas ideias, ao possibilitar que descobertas não intencionais, a princípio, se consolidem durante seu desenvolvimento.
Cabe ainda ressaltar, conforme Ho e Eastman (2006), que, normalmente, as atividades de design requerem que os projetistas trabalhem com diferentes tipos de representações. Esses autores acrescentam que “todos os alunos de design precisam desenvolver seu próprio complexo de habilidades racionais que integrem o 2-D, o 3-D e a informação matemática (em proporções variadas) como o cerne de seus treinamentos profissionais” 80 (Ibidem, p. 505).
Os diferentes tipos de representações usados pelos designers, incluindo os desenhos e as maquetes, e, mais recentemente, os modelos computacionais são também enfatizados por Akin (2001). Essas diferentes representações contribuem para testar os objetos tridimensionais no mundo real, antes que eles sejam efetivamente construídos. De acordo com esse autor, apenas uma forma de representação dificilmente alcançaria a realidade do design e, é nesse sentido, que a troca entre as representações 2-D e 3-D é tão importante para os projetistas. Para o pesquisador, normalmente os projetistas adquirem estratégias que envolvem formas múltiplas de representação em seu trabalho. Embora, conforme Goldschimidt (1991), ainda não possamos entender com clareza como as diferentes formas de representações mentais se interagem com as representações externas, elas são extremamente importantes e deveriam ser mais exploradas no âmbito da Educação, no design e na Arquitetura.
No intuito de abrir novas possibilidades para as discussões no âmbito do ensino e da aprendizagem, algumas das conclusões resultantes da pesquisa por mim realizada no mestrado, principalmente aquelas relacionadas à importância do desenho a mão livre, do uso do computador e dos diferentes papéis do desenho para o desenvolvimento do processo projetual são relatadas, a seguir.
80
“[...] all design students need to develop their own complex reasoning skills that integrate 2-D, 3-D, and mathematical information (in varying proportions) as a core of their professional training.”. (HO e EASTMAN, Design Studies, V. 27, 4, 2006, p. 505)
129 Segundo Góes (2005), o processo projetual, descrito pelos arquitetos entrevistados, apresenta-se de forma não linear. A partir do momento em que os arquitetos são procurados por seus clientes para a realização de um determinado projeto arquitetônico, a situação projetual começa a se estabelecer. O projeto é considerado pelos arquitetos como um desafio, e como tal, deve alcançar uma resposta satisfatória àquele problema projetual inicial. O processo projetual é caracterizado pela percepção analítica e crítica do arquiteto sobre a situação problema inicial. Durante o desenvolvimento e a busca da solução, o arquiteto procura estabelecer diversas relações entre os diferentes parâmetros projetuais, muitas vezes desconhecidas e não estabelecidas, a princípio.
Nos momentos iniciais de projeto, o desenho a mão livre torna-se essencial para a maioria dos arquitetos. Os croquis, os rabiscos rápidos e sem escala, ajudam-no a encontrar os caminhos para a realização de seus projetos. Percebe-se que, na maioria das vezes, a representação das primeiras ideias, ou seja, esses primeiros croquis são feitos a mão livre, sem escalas, em folhas de papel normalmente pequenas. Dos dezoito arquitetos participantes da referida pesquisa, apenas uma arquiteta se diz capaz de começar a desenvolver seus projetos diretamente no computador. Para a grande maioria, os croquis são considerados como a fase de maior importância, na qual se realiza a tomada de decisões, que, posteriormente, leva à solução projetual final. Através dos croquis, evidenciam-se os movimentos dos arquitetos, as diversas idas e vindas apontadas por ROWE (1987), em busca das soluções finais. Muitas vezes, ao observar os diversos croquis realizados pelos arquitetos, é possível perceber o abandono de determinados caminhos, os avanços e retrocessos comuns ao processo projetual.
Ao examinar o trabalho dos arquitetos, foi possível observar que os desenhos permeiam toda a atividade prática, através de diversas maneiras e de diferentes etapas dentro do processo projetual. Os diferentes tipos de desenho e os seus diferentes papéis na atividade projetual se alternam: ora são simples croquis; ora são desenhos elaborados e até mesmo tridimensionais; ou se transformam em desenhos técnico-construtivos, carregados de informações.
130 Em cada uma dessas formas, o desenho apresenta uma função especial dentro da prática arquitetônica. Pode-se reconhecer o desenho como linguagem usada para a comunicação, nas diversas performances que ocorrem durante a elaboração do projeto. Essa comunicação pode acontecer na forma da conversação, entre o arquiteto e a situação projetual; pode acontecer entre o arquiteto e a sua equipe de trabalho, pode ser responsável pela comunicação entre o arquiteto e o seu cliente; ou, ainda, significar a comunicação necessária entre todos os envolvidos na execução de uma determinada obra. Os desenhos não apenas representam as ideias dos arquitetos, eles são usados também para clareá-las e testá-las, colaborando na resolução dos problemas projetuais e significando a própria linguagem da arquitetura, a expressão das ideias. Os desenhos fazem parte dos processos avaliativos e do desenvolvimento do projeto. Os desenhos técnicos construtivos apresentam, ainda, um valor documental e legal, assumindo, inclusive, a responsabilidade sobre a correta execução da obra.
Enfim, o desenho é fundamental na prática da arquitetura e representa a própria evolução do processo projetual. Os croquis, mais comumente usados nas fases iniciais de projeto, permitem ao arquiteto a expressão de suas ideias e o modo de testá-las. Eles representam a busca pela solução mais adequada para aquele determinado projeto. Os desenhos técnicos, normalmente desenvolvidos no computador, permitem a checagem das ideias iniciais e o seu desenvolvimento. Os estudos de volumetria, realizados em 3-D, facilitam a visualização do objeto arquitetônico. Essa visualização permite ao arquiteto a confirmação de seu objeto arquitetônico, além de, obviamente, permitir que alguns retrocessos e ajustes necessários ocorram.
3.4.3 A computação gráfica e o processo de projeto na Arquitetura: novas