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Measures to Reduce the Cross Border Trade

In document CROSS BORDER TRADE (sider 31-34)

[…] tem uma responsabilidade especial de satisfazer as necessidades das crianças e dos jovens. Quando as crianças são estimuladas pelo conhecimento e por obras da imaginação a partir de muito cedo, é altamente provável que venham a beneficiar destes elementos vitais de desenvolvimento pessoal ao longo das suas vidas, enriquecendo-se a si mesmas e, simultaneamente, melhorando o seu contributo para a sociedade.

in Manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas, 1994

Entre as várias missões-chave da biblioteca pública relacionadas com a informação, a alfabetização, a educação e a cultura, que o Manifesto da UNESCO dita, estão: criar e fortalecer os hábitos de leitura nas crianças, desde a primeira infância e estimular a imaginação e a criatividade das crianças e dos jovens.

Estudos sobre literacia, nacionais e internacionais, têm vindo a demonstrar que existe uma relação estreita entre a acessibilidade a espaços e recursos de leitura e o nível de desempenho dos alunos (SIM-SIM e RAMALHO, 1993).

Foi com base nestas premissas que foram criados os serviços educativos nas bibliotecas públicas, os quais têm tido um papel fundamental na construção da criança e jovem leitores.

Os serviços educativos têm como principais objetivos, criar, sustentar e consolidar hábitos de leitura desde a primeira infância, promovendo experiências e aprendizagens múltiplas. São serviços dirigidos à comunidade educativa e às famílias e promovem um conjunto alargado de atividades lúdico-pedagógicas, em torno do livro e da leitura. Estes serviços tentam ir ao encontro das necessidades educativas das escolas, tendo por base critérios de qualidade na seleção e conceção das atividades. Estas são baseadas na criação de um envolvimento atrativo com o livro e a leitura, com o objetivo de divulgar obras com qualidade literária, autores e a própria coleção da biblioteca. A escolha das

estórias tem em conta as expetativas e interesses dos grupos de alunos e/ou dos professores, tendo particular atenção ao desenvolvimento cognitivo e às competências leitoras das crianças ou jovens, bem como orientações de serviços especializados como a Casa da Leitura16 (FCG), Plano Nacional de Leitura (PNL) ou outros.

O lançamento, em Setembro de 2006, do PNL constituiu uma iniciativa de política pública devido à preocupação quanto aos baixos níveis de literacia da população, em particular entre os jovens. Este plano concretizou-se numa série de medidas destinadas a promover o desenvolvimento de competências de leitura em diferentes contextos, incluindo as bibliotecas públicas.

Segundo o documento de avaliação do PNL dos primeiros cinco anos, editado pelo Gabinete de Estatística e Planeamento da Educação - GEPE (2011), o balanço geral do PNL segundo a perceção dos professores, 2009/10, são nitidamente positivas. As escolas são praticamente unânimes em considerar que os professores promovem mais atividades de leitura, as bibliotecas são mais frequentadas, os alunos leem mais e melhor, os pais estão mais atentos à importância da leitura para os filhos e a leitura recebe mais atenção da sociedade em geral.

Desta forma, através do PNL, é atribuído um papel estratégico às redes de bibliotecas – RNBP e RBE, como suporte para o desenvolvimento das ações programadas, designadamente o apoio a escolas e bibliotecas escolares na gestão das atividades de leitura (Neves e Lima, 2009).

O envolvimento das bibliotecas públicas inclui, por um lado, a seleção de livros quer para aquisição e apetrechamento das suas coleções, quer no planeamento de atividades, mediante as listas recomendadas pelo PNL e por outro, a participação em ações como a Semana da Leitura, que envolve todos os ciclos de ensino, e no Concurso Nacional de Leitura, dirigido a escolas do 3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário, projetos que decorrem anualmente.

As bibliotecas públicas e os seus bibliotecários têm um papel fundamental na criação de condições de aproximação à leitura, principalmente junto dos que leem menos ou não leem, conduzindo a uma preocupação constante com os conteúdos, com a oferta cultural e educativa e com a formação de mediadores da leitura. A sua conduta é marcada pelo trabalho de articulação com as bibliotecas escolares, traduzido no Serviço de Apoio às

16 A Casa da Leitura é um projeto que tem como objetivo capacitar os mediadores de leitura com ferramentas teóricas e práticas suscetíveis de construir uma rede nacional de verdadeiros promotores de leitura em que se incluem crianças, jovens adultos, professores, bibliotecários e pais.

Bibliotecas Escolares (SABE), no sentido de reunirem esforços, face à partilha de preocupações, necessidades e projetos educativos.

As crianças e jovens são, de uma forma generalizada, os destinatários privilegiados das atividades, ações e projetos das bibliotecas públicas. Isto será ainda mais visível quando as escolas não têm biblioteca a funcionar, acumulando a biblioteca pública essa função, numa tentativa de cobrir essa lacuna e nestes casos, a função educativa da biblioteca pública é predominante.

O concelho de Faro foi um dos primeiros, a nível regional, a integrar a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), com a Escola Básica 1 do Carmo, no ano de 1998, o que deu origem ao primeiro protocolo assinado entre a Câmara Municipal de Faro, a Rede de Bibliotecas Escolares e a Direção Regional de Educação do Algarve.

Atualmente, Faro tem 17 bibliotecas escolares integradas na RBE cobrindo quase a totalidade da Rede Escolar.

Em Setembro de 2011 foi inaugurada a biblioteca da Escola Básica 1 de Vale Carneiros e em Julho, do mesmo ano, foi integrada no Agrupamento Dr. Joaquim Magalhães a Escola Básica 1 da Culatra que também tem uma biblioteca escolar.

Existe um protocolo assinado entre o Município de Faro, as Direções dos Agrupamentos Escolares e a Direção Regional de Educação do Algarve, através do qual foi concretizado um catálogo coletivo que é acedido através do site da Rede das Bibliotecas de Faro, onde constam os catálogos das bibliotecas escolares e o da biblioteca municipal.

Em síntese, no mundo em que a informação e o conhecimento científico e tecnológico se produzem a um ritmo acelerado e em que é indispensável formar pessoas capazes de acompanhar a mudança, cabe às bibliotecas públicas, às escolas e às suas bibliotecas a função essencial de criar e desenvolver nos alunos competências de informação, contribuindo assim para que os cidadãos se tornem mais conscientes, informados e participantes, e para o desenvolvimento cultural da sociedade no seu conjunto.

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