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Measures to Reduce the State Space

4.2 Client-side Specification

4.2.1 Measures to Reduce the State Space

O diagnóstico de uma doença crónica como a Diabetes pode ser considerado como um evento ou acontecimento de vida stressante, que poderá desencadear um conjunto de respostas ou de comportamentos que permitam a adaptação a uma nova condição de saúde, diferente daquela vivida anteriormente (Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011). A aceitação da doença e a adaptação ao stress envolvido nesse processo podem ocorrer em qualquer fase ou momento de evolução da doença, dependendo de diferentes fatores psicossociais (Grimaldi, 2003, cit. in Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011). O Coping tem sido conceptualizado, neste sentido como a resposta, ou o conjunto de respostas, que os indivíduos apresentam a acontecimentos ou eventos de vida negativos ou ameaçadores, considerando-se que alguns indivíduos podem desenvolver estilos de coping particulares e variáveis como forma de responder a diferentes situações desencadeadores de stress (Lazarus, 1993; Somerfield e McCrae, 2000; cit. in. Silva, 2010). O coping pode assim ser definido, e de forma geral, como o conjunto de esforços cognitivos e comportamentais desenvolvidos no sentido de lidar com certos eventos ou situações de vida (Turan et al., 2002, cit. in Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011; Beutler, Moos e Lane, 2003, cit. in. Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011), com a finalidade principal de os indivíduos se libertarem das consequências negativas do stress experienciado (Folkman e Moskowits, 2004), e poderá contemplar diferentes estilos ou padrões de resposta que variam em função das características de personalidade individuais (Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011). As estratégias de coping podem ser variadas e não conduzem, necessariamente, à resolução do problema: têm, antes, o objetivo de corrigir ou de permitir a gestão do problema, podendo simplesmente ajudar o indivíduo a modificar a sua perceção de uma ameaça, a tolera-la, aceita-la, ou então, até, apenas a evita-la (Skinner e Snoek, 2005).

As primeiras abordagens ao constructo apresentavam o Coping enquanto característica de personalidade estável, relativamente duradoura (Carver, Scheier e Weintrub, 1989; Lazarus, 1993, cit. in Silva, 2010). No entanto, a aceitação alargada da teoria transacional de stress e coping proposta por Lazarus e Folkman (1984) alterou a forma de o coping ser entendido e conceptualizado: não apenas enquanto estilo de personalidade (estável e duradouro) mas enquanto um conjunto de cognições e comportamentos que são expressos pelos indivíduos como resposta adaptativa a exigências internas ou externas específicas suscitadas por certos eventos de vida específicos, que são avaliados ou percebidos pela pessoa como excedendo os seus recursos ou capacidades pessoais (Folkman e Lazarus, 1988, cit. in Silva, 2010; Lazarus, 1992; cit. in Silva, 2010). De acordo com Macrodimitris e Endler (2001), vários estudos sobre a forma como as pessoas lidam com problemas de saúde têm demonstrado a existência de efeitos que derivam especificamente da mobilização de certas estratégias no processo de adaptação psicológica á doenças. O coping tem assim sido entendido enquanto fator estabilizador que poderá ajudar ou facilitar a adaptação psicológica individual em períodos ou momentos de maior dificuldade (Holahan e Moss, 1987, cit. in Silva, 2010). Cada pessoa

parece evidenciar uma compreensão subjetiva acerca da sua própria doença, e as atitudes pessoais (e o correspondente processo de coping desencadeado) devem ser avaliados apenas em relação aos efeitos produzidos em cada contexto específico, dependendo de cada pessoa, de cada situação, ou ainda dos resultados esperados (que podem ser o bem-estar subjetivo ou o funcionamento social objetivo, por exemplo) (Folkman et al., 1986; Cruz e Barbosa, 1999; cit. in. Silva, 2010). Existem alguma sugestão de que muitos indivíduos se tendam particularmente para a utilização de certas estratégias de coping emocionais como forma de lidar e reduzir o stress associado á sua condição de saúde, embora muitos indivíduos pareçam essencialmente evidenciar uma variedade ampla de estratégias comportamentais (Dunkel- Schetter, Feinstein, Taylor, e Falke, 1992, cit. in de Ridder e Scheuers, 2001; Newman, Fitzpatrick, Lamb, e Shipley, 1990, cit. in de Ridder e Scheuers, 2001).

Não parece existir, contudo, um consenso amplo em relação à conceptualização das diferentes estratégias ou estilos de coping. Uma das classificações frequentemente apresentada é a de coping focado no problema e o de coping focado nas emoções. O coping focado no problema é frequentemente apresentado como os esforços deliberados e conscientes para gerir ou alterar a situação problemática indutora de stress, gerar soluções alternativas, pesar custos e benefícios de várias ações, e desenvolver certas ações para mudar aquilo que é passível de mudança; enquanto o coping focado nas emoções é apresentado como o conjunto de esforços desenvolvidos no sentido de regularizar a resposta emocional ou de aliviar o impacto que é provocado por uma dada situação, e não à modificação da situação em si mesma (Bennett, 2002; Folkman e Lazarus, 1988, cit. in Silva, 2010; Folkman et al., 1986, cit. in Silva, 2010). O processo de coping parece funcionar, então, como mediador da resposta emocional dos indivíduos à situação evocadora de stress (tanto quanto se foca no problema, como quando se foca nas emoções), com o objetivo fundamental de beneficiar o estado emocional do indivíduo. Garay-Sevilla, Porras e Malacara (2011), sugerem que estilos de coping que são considerados mais adaptativos, como os estilos confrontativo ou suportivo, parecem associar-se a um melhor ajustamento psicossocial e melhor controlo dos índices glicémicos. Por sua vez, estilos de coping evasivos ou centrados nas emoções parecem associar-se a maiores dificuldades de ajustamento psicossocial, a uma adesão ao tratamento mais fraca e pior controlo glicémico: vários autores fazem a sugestão de que podem ser observados piores resultados de ajustamento psicossocial e de qualidade de vida em pacientes que empregam estilos de coping de evitamento em comparação as pessoas que empregam estilos de coping mais ativos e confrontativos (Coelho et al., 2003, cit. in Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011; de Ridder e Scheuers, 2001). Macrodimitris e Endler (2001) sugerem que as estratégias de coping instrumentais parecem associar-se a uma melhor adaptação psicológica (isto é, a índices inferiores de sintomatologia ansiosa e depressiva), enquanto o coping de preocupação emocional e de evitamento pareça relacionar-se com níveis mais elevados e evidentes de sintomatologia ansiosa e depressiva em pacientes com Diabetes Tipo

2. No entanto, o impacto, ou o resultado global das estratégias de coping utilizadas, parece sobretudo depender dos constrangimentos específicos que derivam da situação indutora de stress (Manuel et al., 1987, cit. in de Ridder e Scheuers; Lazarus e Folkman, 1984, cit. In. De Ridder e Scheuers, 2001; Macrodimitris e Endler, 2001).

Gan et al. (2006), sugerem igualmente a importância de distinguir as situações que possuem um carácter controlável das situações que são de uma forma geral incontroláveis: de acordo com os autores, o coping centrado no problema parece possuir um carácter mais efetivo no caso de situações que possam ser controladas, enquanto o coping focado nas emoções parece revelar maior efetividade em situações de carácter incontrolável, como se trata no caso das doenças crónicas em geral, e da Diabetes em particular. A seleção das respostas de coping ou estilo de coping parece poder depender e variar em função da severidade e duração da patologia, sob a interação de fatores como o suporte social e o ambiente psicológico próprio de cada indivíduo (Garay-Sevilla, Porras e Malacara, 2011). Os autores ressalvam a importância particular destas dimensões: os pacientes diabéticos com o diagnóstico de Diabetes realizado há menos de 5 anos parecem evidenciar maior negação e evitamento da sua doença; e pacientes diabéticos com menor proteção ou apoio social parecem demonstrar maior evidência de experiencia de stress.

Na Diabetes (especialmente na Diabetes Tipo 2) o sucesso do plano terapêutico de controlo da doença assenta largamente nos próprios pacientes e nos seus comportamentos de adoção de um estilo de vida diferente (American Association of Diabetes Educator, 2011; Pérez, 2003, cit. in Hattoria-Hara e González-Celis, 2013). De uma maneira geral, poderá entender-se que estratégias de coping que orientem as pessoas para comportamentos que permitam controlar a sua doença no seu quotidiano (coping centrado na resolução de problemas), como a procura de soluções ou alternativas ou a mobilização de apoio e suporte social disponível (Fisher, Thorpe, McEvoy, e DeVellis, 2007, cit. in Hattoria-Hara e González-Celis, 2013), parecem demonstrar-se mais efetivas na adaptação psicossocial individual.