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5 Aims of the thesis

6.4 Measures and scoring

O entendimento do Turismo como sector promotor de desenvolvimentos, que valo- riza as especifi cidades locais, sejam culturais ou ambientais, contribuindo para a minimi- zação dos efeitos não desejáveis implica a defi nição e a adopção de uma estratégia bem defi nida e adequada, caso a caso.

A implementação de um projecto turístico e o desenvolvimento de experiências que venham a ser consideradas como boas práticas, ou práticas bem sucedidas, não pode ser entendida a partir de um único modelo paradigmático e susceptível de adaptação por mimetismo. A ideia, generalizada há umas décadas, de que existe um modelo único de promoção turística para o desenvolvimento, está agora ultrapassada. Actualmente é de- fendida a diversidade de segmentos turísticos, abrindo a possibilidade para a coexistência de múltiplas formas de, em momentos de lazer ou férias, viajar e usufruir de destinos diferentes, contactando com culturas vulgarmente qualifi cadas de exóticas. Neste sentido, entende-se que uns segmentos não concorrem com os outros nem tão pouco os substi- tuem. Ao contrário, a conjugação de todos permite a criação de mais condições para a promoção dos desejados efeitos multiplicadores, reconhecidos ao sector do turismo, para a vida das comunidades locais, ou seja, representando um importante contributo para a efectivação da mudança.

Para que as actividades enquadráveis no sector do turismo sejam promovidas de for- ma adequada, tendo por objectivo último o desenvolvimento local, é necessário proceder a um planeamento prévio, que tenha como ponto de partida a clara e detalhada identifi ca- ção das potencialidades locais, mas também dos factores constrangedores.

A explicitação dos factores potenciais de âmbito físico, geográfi co, paisagístico e am- biental é de extrema importância, principalmente quando relacionada com espaços natu- rais que se caracterizam pela preservação e manutenção dos elementos de biodiversidade e endemismo. A nível internacional, os destinos que reúnem potencialidades ambientais são fortemente valorizados por segmentos turísticos específi cos, nomeadamente os vo- cacionados para a observação de espécies de fauna e de fl ora e para a contemplação de paisagens. Da mesma forma, os locais ricos em elementos culturais são susceptíveis de ser valorizados por estimularem a prática turística de forma particular, principalmente no que respeita aos destinos dotados de sítios patrimoniais de relevo (património construí- do), que se correlacionam com acontecimentos históricos. Segundo a “Convenção Geral para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural” (UNESCO, 1972) estes mo- numentos estimulam o imaginário e reforçam as identidades colectivas. O património construído, em particular o arquitectónico, é identifi cado e reconhecido como parte inte-

grante da História de um determinado local, caracterizando um povo e a sua cultura, pelo que, em contexto de viagem, são propiciados a contemplação, a apreciação, a valorização e o aumento dos conhecimentos.

A categoria tipológica de património cultural ultrapassa o conceito largamente apre- sentado pela UNESCO (1972) de património construído, já que pode ser analisado no sentido abstracto, sendo constituído por elementos culturais materiais, como é o caso do artesanato, mas também imateriais, entre os quais as tradições, as práticas sociais e os ele- mentos simbólicos. O conceito de património tem subjacente as recordações, as histórias e os relatos, os vestígios e as ruínas, as artes e os ofícios tradicionais, bem como os moder- nos, os hábitos e os costumes, permitindo englobar uma grande variedade de elementos que encerram interesse turístico.

Os elementos patrimoniais enquadram-se na trilogia culturas tradicionais - valoriza- ção turística do património - economia turística, por resultarem num estímulo para a me- lhoria das condições de vida das comunidades locais associada ao reforço das identidades. Desta forma, identifi car, reconhecer o valor intrínseco e classifi car os elementos culturais característicos de uma qualquer localidade em tipologias parece ser uma tarefa prioritária e prévia do planeamento turístico, resultando de forma consequente na promoção da re- gião enquanto destino prioritário.

As populações locais podem ser também intrinsecamente perspectivadas como po- tencialidade turística, em particular dos segmentos alternativos, sempre que as caracte- rísticas da simpatia, simplicidade e capacidade de acolhimento, tranquilidade e recepti- vidade no estabelecimento de contactos com outros povos e culturas sejam evidenciadas e utilizadas estrategicamente pelas acções de marketing internacional. Habitualmente, o viajante procura estabelecer diálogo com os grupos locais que visita ou com os quais se cruza, de forma a ouvir histórias de vivências e relatos de acontecimentos únicos, conta- dos e revividos na primeira pessoa, que o ajudam a conhecer e a compreender as especifi - cidades culturais através do contacto directo.

A metodologia recomendada pela literatura de referência, nomeadamente apresen- tada pela Organização Mundial de Turismo (OMT), é favorável à valorização da parti- cipação e do envolvimento dos diferentes actores em todas as fases do processo, ou seja na elaboração dos diagnósticos de identifi cação e classifi cação das principais potencia- lidades, bem como dos constrangimentos, na concepção dos projectos e sua execução. O envolvimento participativo pressupõe o reconhecimento das capacidades dos grupos implicados, sugerindo também a necessidade de capacitação no sentido da generalização do acesso à informação, formação e educação.

Sempre que os diferentes actores se envolvem nestes processos, criando redes e inten- sifi cando solidariedades, reforçam o sistema simbólico de referência e as identidades que conferem sentimento de pertença, contribuindo para um fortalecimento contínuo dos grupos locais.