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7.3.4 Measurements at 10 mm Depth

A palavra stress, na sua grafia anglo-saxônica, vem sendo utilizada há algum tempo de forma descompromissada para designar qualquer tipo de cansaço físico ou emocional. Conforme mencionado por Selye apud Goldberg (1986, p. 50), “toda vez que alguém sente alguma coisa desagradável, na falta de uma palavra melhor, diz que está sob stress. De acordo com Lipp (1996), as primeiras alusões à palavra stress datam do século XIV e se referiam, de fato, a aflição e a adversidade. Cooper e Cooper e Eaker (1988) citam que a palavra stress tem sua origem no latim stringere cujo significado era espremer. Esses autores mencionam ainda que no século XVII a palavra que hoje é vertida para o português como estresse, passou a ser utilizada em inglês – stress – para designar pressão, adversidade e desconforto. No século XVIII, o termo

stress passa a ser utilizado para designar pressão ou forte esforço do corpo humano.

Percebe-se então que a definição de estresse sofreu alterações e avanços ao longo dos séculos. Atualmente, diversas são as definições para o termo estresse, que neste trabalho será grafado desta forma, no idioma português, vertido do termo inglês stress. Como exemplo desta diversidade pode-se citar a definição utilizada pela International Stress Management Association (ISMA, 2008), que considera o estresse como “qualquer adaptação requerida à pessoa [sendo] o estresse um agente neutro, capaz de tornar-se positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de cada pessoa”.

Somente no século XX é que o termo ganhou uma conotação científica (SELYE, 1956, e ROSSI, 1991). De acordo com Selye (1956), no início da utilização do termo aconteciam inúmeros equívocos quanto à sua aplicação, que o levou a definir primariamente o estresse em termos daquilo que ele não é. Para o autor, ele não é tensão nervosa, ou um estímulo e descarga hormonal das glândulas suprarrenais, que se restringem apenas às consequencias de lesões no corpo, alteração da homeostase, reação de alarme, agente de estresse ou estressor e reação específica ou não específica do organismo. Para Selye o estresse é a resposta inespecífica do corpo às exigências às quais está sendo submetido.

Semelhantemente a Selye (1956), Couto (1987) destaca a dificuldade para conceituar o estresse, reconhecendo o que ele não é, a saber: tensão nervosa, acontecimentos desagradáveis na vida e resposta de adrenalina diante de ameaças. Para Couto o “stress pode ser definido como um estado em que ocorre um desgaste anormal da máquina humana e/ ou uma diminuição da capacidade de trabalho, ocasionados basicamente por uma incapacidade prolongada de o indivíduo tolerar, superar ou se adaptar às exigências de natureza psíquica existentes no seu ambiente de vida” (COUTO, p. 16, 1987). Esta é a perspectiva a ser utilizada neste trabalho.

Algumas diferenciações de tipos de estresse são mencionadas como eustresse e distresse, estresse de sobrecarga, de monotonia, agudo e crônico. Selye (1956) caracteriza o eustresse como sendo o estresse de realização, considerando-o como positivo e gerador de consequencias agradáveis, como resultado de um processo de superação de desafios, como aqueles relacionados à adaptação/sobrevivência. Já o distresse é o lado negativo do estresse. É exatamente o inverso do

eustresse; é o estresse da derrota, gerador de consequencias desagradáveis, resultante do não

vencimento de desafios. Cabe ressaltar que ambos os tipos dizem respeito a uma reação do corpo a um estímulo externo e envolvem exatamente as mesmas reações químicas e fisiológicas por parte do organismo, como sudorese nas extremidades (mãos e pés), aceleração do ritmo cardíaco, elevação da pressão arterial e aumento do nível de tensão muscular, entre outras, conforme descrito por Rossi (2008).

Couto (1987), por sua vez, define o estresse de sobrecarga e o estresse de monotonia. O primeiro é aquele que envolve a dificuldade por parte do indivíduo de adaptar-se ao excesso de exigências psíquicas do meio no qual ele está inserido. Esta situação o leva a uma sobrecarga psíquica, que

gera este tipo de manifestação. Já o estresse dito de monotonia é exatamente o inverso. Ou seja, quando o indivíduo apresenta dificuldade em se adaptar ao ambiente por este oferecer a ele uma quantidade reduzida ou aquém de exigência em relação à capacidade psíquica que ele demanda e/ou suporta.

Com relação à sua duração, o estresse pode ser considerado agudo ou crônico. O primeiro caso é aquele que tem uma duração pontual, específica, de até duas ou três semanas, aproximadamente. O segundo caso é aquele em que os sintomas perduram por um tempo superior ao do anterior, acarretando danos mais significativos à saúde do indivíduo (COUTO, 1987).

Em termos de sua sintomatologia, o estresse tem sido considerado um dos males com a maior gama de efeitos colaterais. Couto (1987) lista seus 10 principais sintomas: nervosismo, ansiedade, irritabilidade, fadiga, sentimentos de raiva, angústia, períodos de depressão, dor de estômago, dor nos músculos do pescoço e ombros e palpitações.

Vale mencionar ainda as três categorias de estresse potencial que Robbins (2007) descreveu. São elas: individual, ambiental e organizacional. Os fatores individuais passam por questões que envolvem o âmbito familiar e o econômico, e os relacionamentos com outros e pela percepção que o indivíduo tem de cada uma destas situações. Como a percepção é uma característica pautada pela individualidade, pessoas diferentes podem perceber a mesma situação de forma diferente, sendo então a percepção influenciada pelo observador, pelo próprio objeto da percepção e, ainda, pelo contexto ao qual a percepção se refere. Os fatores ambientais, como o próprio nome indica, dizem respeito às questões oriundas do ambiente como um todo, como as questões econômicas, políticas e tecnológicas. Por último, os fatores organizacionais são categorizados por Robbins (2007) em demandas de tarefas, demandas de papéis e demandas interpessoais. As demandas de tarefas prendem-se às situações que se relacionam diretamente ao trabalho das pessoas, às atividades que elas realizam e ao perfil que se exige delas para executar tais tarefas. As demandas de papéis se relacionam ao papel que cada indivíduo desempenha na organização da qual faz parte. As demandas interpessoais são aquelas voltadas para o relacionamento do indivíduo com todo o grupo da organização. Nesse sentido, Zille (2005) aponta para a dificuldade de relacionamento com indivíduos que apresentam determinadas

características de personalidade, as quais podem contribuirem para a geração de tensão excessiva no ambiente de trabalho, podendo precipitar quadros de estresse.

3.2 Correntes teóricas norteadoras dos estudos de estresse: bioquímica, psicológica e