2.4 Motor technology considerations
3.1.9 Measurement uncertainties
As razões subjacentes aos critérios de escolha do médico, relativamente ao produto farmacêutico a utilizar em determinado paciente, após o correcto diagnóstico da patologia a tratar, tem desde há muito tempo intrigado vários dos intervenientes no universo dos cuidados de saúde.
Muitas tem sido as tentativas levadas a efeito para justificar porque determinado medicamento é utilizado em detrimento de outro (s), quando aparentemente as características de cada um, torna imperceptíveis quaisquer diferenças existentes.
Os consensos gerados não têm sido muitos quanto à verdadeira razão que determina o tipo de prescrição do médico, podendo, admite-se hoje, existirem vários factores a determinar essa prescrição, dependendo essa escolha dos vários atributos, intrínsecos ou extrínsecos, do medicamento em causa.
O autor deste trabalho integrou uma equipa que procurou investigar esta questão, tendo evidenciado em trabalho anteriormente publicado, que a eficácia de um medicamento é o atributo mais determinante no acto médico de prescrição para uma larga percentagem dos médicos, (Castro Pinto e outros, 2010).
Como modelo a seguir para o nosso trabalho de investigação, de entre os trabalhos existentes e pelo autor conhecidos, destacamos o de Green, Goldberg e Montemayor (1981), cuja metodologia procurámos agora seguir, mantendo como população alvo a classe médica, de forma a conhecer e validar a forma como se estrutura o processo de tomada de decisão do médico prescritor e as condicionantes a que o mesmo está sujeito, não deixando por respeito aos autores de considerar as suas posteriores revisões e sugestões de melhoria à metodologia por eles, inicialmente, utilizada (Green e Srinivasan, 1990).
Pela constatação de que à data da realização do trabalho de Green, Goldberg e Montemayor, não estarem definidas métricas de avaliação que condicionassem o acto médico de prescrição,
o que permitia a um médico prescrever um determinado medicamento por realmente achar ser esse o mais indicado para tratar a patologia de um doente, e não outro qualquer que fizesse parte de um rol institucionalmente definido como adequado para cumprimento de metas organizacionais e individuais, pareceu-nos agora pertinente enquadrar esta problemática recente no conjunto de determinantes do acto médico de prescrição, procurando acrescentar alguma valia aos trabalhos de investigação desenvolvidos nesta área até à presente data.
Desta forma, queremos que o nosso contributo para o trabalho iniciado pelos citados autores, permita em última instância identificar as métricas de avaliação, pendentes sobre a utilização ou não de um medicamento, como mais um importante atributo determinante da prescrição dos médicos de cuidados de saúde primários em Portugal.
A pesquisa de trabalhos científicos que servissem de inspiração à presente investigação, foi dificultada pelo facto de o autor da mesma ter apostado em conseguir alguma originalidade na perspectiva de abordagem ao tema em questão.
A procura das razões que condicionam a prescrição do médico, a escolha de um produto farmacêutico em detrimento de outro, tem igualmente sido investigada desde há muito, havendo alguns trabalhos que datam da década de 50 do século passado, citando como exemplo o trabalho de Caplow & Raymond, de1953.
Coscelli (2000) salienta que, parte significativa da literatura existente sobre prescrição de medicamentos, foca-se nas dimensões em que os produtos diferem, entre outras, a eficácia percebida ou a notoriedade da marca.
Gonul e outros (2001) demonstram que existem evidências de que, em geral, a sensibilidade ao preço dos médicos vem em segundo lugar, após a eficácia dos medicamentos e a condição dos pacientes.
Para Venkataraman e Stremersch (2007), um medicamento pode ser caracterizado através de vários atributos, tais como as indicações aprovadas, a sua dosagem, a sua potência, o método e frequência de administração, interacção com os alimentos e com outros medicamentos, a sua toxicidade, o seu preço, bem como nas suas mais evidentes características, a sua eficácia e os seus efeitos secundários.
O que se pretende com este trabalho de investigação não é, como já foi anteriormente referido, saber as razões que motivam a escolha de um medicamento em detrimento de outro, algo que outros trabalhos como o efectuado por Venkataraman e Stremersch, em 2007, já anteriormente referido, fazem de forma muito pertinente e encontrando no atributo eficácia, na maioria das vezes, a razão da escolha efectuada.
Pretende-se sim, procurando ir um pouco mais além, cruzando resultados evidenciados em anteriores pesquisas nos campos mencionados, perceber se a utilização de métricas de
avaliação numa classe profissional distinta como a classe médica e num sector de actividade
tão sensível como o da saúde, condicionará ou não o acto médico de prescrição, levando-o a valorizar mais o cumprimento dos objectivos das métricas de avaliação propostas do que os atributos, que sem a existência das referidas métricas de avaliação, determinariam a sua escolha.
A grande questão que assim se coloca é, será o médico levado a optar em algumas circunstâncias por medicamentos que lhe permitam em primeira instância cumprir os objectivos traçados para cada métrica de avaliação, em vez de optar por aqueles que pelo seu conhecimento conceptual ou empírico, poderiam proporcionar melhores resultados no tratamento dos seus pacientes?
Poderemos ainda questionar se tal situação, a efectivar-se, acontecerá sem perda da qualidade percebida pelos utentes do sistema nacional de saúde.
Ou ainda, se tal escolha permitirá na realidade ir optimizando os, cada vez mais escassos, recursos económicos existentes.
Na opinião de Van der Geer & Kangis (2002), na realidade existe uma fraca correlação entre a intenção e o comportamento dos médicos enquanto prescritores, usando para tal o modelo da teoria do comportamento planeado de Ajzen (1985), em que a intenção (i.e. decisão) é determinada pelas atitudes dos indivíduos, normas subjectivas (a percepção de que aqueles cujas opiniões são valorizadas aprovariam/desaprovariam um comportamento; multiplicado pelo grau de motivação para aderirem a esse comportamento) e o controlo do comportamento
É exactamente a partir desta dúvida existente entre a intenção, relativamente ao processo de tomada de decisão sobre a solução mais indicada para prescrever ao doente, e a escolha efectiva, que desenvolvemos a nossa investigação junto da população alvo escolhida.