research self-efficacy will be relevant to include in a study of generation of skills in the workplace
6.4.3 Measurement and data collection
O jornalismo está passando por um momento de transformação, onde conceitos e formas de produção da notícia são reavaliados em virtude da própria mutação por qual passa a sociedade. Mediante as tecnologias avançadas da comunicação que surgem e se difundem o que pode ser entendido como jornalismo?
Para Eduardo Meditsch (1992) o jornalismo se sustenta num tripé formado pelas linguagens, pelas tecnologias e pelos modos de conhecimento. Meditsch defende que o jornalismo tem uma ampla importância social no sentido de produzir conhecimento e de torná-lo acessível a todas as pessoas. Dentro desta ótica a Internet encaixa-se perfeitamente. O jornalismo digital, que vem a cada dia ganhando mais adeptos, trabalha com uma linguagem, ainda não bem formatada, que valoriza a fórmula da informação - pílula, fácil de ler e para ser consumida rapidamente, onde o que realmente importa são os fatos e a velocidade com que eles são disponibilizados. Na era do jornalismo digital a mídia sincroniza os tempos e permite que se tenha a ilusão de um tempo real que não pode ser apreendido.
Dessa forma, o jornalista precisa, antes de todos, estar preparado para a Internet. "Se conseguir tornar-se o grande mediador que sempre foi, o jornalista retomará, em outro suporte, o papel de iluminador, que dá visibilidade ao outro, ao escolhido, e recolhe os benefícios do esclarecimento".(SILVA, 1999, p. 34). É comum blogueiros jornalistas citarem e comentarem diariamente informações de vários veículos de comunicação, podendo encontrar, por exemplo, numa lista de postagens diária do blog de Fernando Rodrigues ou de Josias de Souza, referências a manchetes de distintos jornais tradicionais. Os blogs, neste sentido, são um novo tipo de jornalismo, onde o mais importante não é como a matéria foi produzida, se foi um repórter que apurou os dados diretamente com a fonte, se é uma cópia do que os demais veículos publicaram. O que importa é a informação, esta escrita de forma sintética, quase como uma crônica, onde os seus responsáveis assumem posições e lançam mão da ironia, do texto poético e de todos os recursos técnicos para transmitir da forma mais eficaz possível esta informação.
A notícia baseada na fórmula da pirâmide invertida, ou seja, o mais importante em primeiro lugar, não é abandonada completamente, mas os dados essenciais da informação são transmitidos sem que seja necessária uma ordem, uma hierarquia de valores. A palavra-chave nos blogs de jornalismo é a instantaneidade, propiciar ao leitor-autor-internauta (leitor de jornal, autor da notícia e internauta por usar o suporte da internet) uma espécie de liberdade para interpretar e, acima de tudo, se posicionar sobre os fatos apresentados e atualizados de forma tão rápida quanto os frames39 das próprias páginas.
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Nesse sentido, muitos guardiões da notícia, acostumados com a rotina da imprensa, são obrigados a reavaliar a importância dos blogs jornalísticos que conseguem dar voz aos cidadãos que mesmo em sociedades que vivem sobre os preceitos democráticos ampliam diretamente o número de canais e pontos de vistas diferenciados. Na Web, não é preciso aguardar mais a vontade dos meios de comunicação, pode se exercer a cidadania nos blogs ou em outros espaços que estão surgindo. Nos blogs jornalísticos, percebemos que jornalistas e cidadãos estão construindo uma história juntos.
E mesmo em sociedades fechadas, nas quais o direito a livre –expressão não é uma realidade, a web com seu legado de caráter de contra-cultura, é um canal potencializador de tentativas de ruptura com monopólios da informação. Um exemplo disso é uma recente notícia publicada no Financial Times40; vinda do Irã palco de eleições próximas, a organização Repórteres Sem Fronteiras afirma que o Irã tem o maior número de "cyberdissidentes" do Oriente Médio. A blogosfera também oferece um fórum para as vozes que não podem ser ouvidas em nenhum outro lugar da mídia controlada pelo Estado. O último relatório internacional de liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras classificou o Irã em 166° lugar, entre 169 países.
Mohammad-Ali Abtahi criador de um blog muito repercutido, afirma que blogar se tornou uma saída para a frustração de estar na oposição. Todos os dias, dezenas de milhares de iranianos pró-reformistas entram em seu site, um dos poucos lugares em que podem acompanhar as notícias da mudança política. Quase totalmente ignorados pela mídia tradicional, os dilemas da oposição - concorrer ou não concorrer, votar ou não votar - são discutidos à exaustão na Internet. "Os reformistas estão sofrendo por não terem uma cobertura suficiente por parte da mídia, então, para essas questões políticas, os blogs se tornaram ainda mais importantes", disse Abtahi. Cenários como estes demonstram o caráter de resistência possibilitado pelos blogs. A mídia tradicional já observou vários exemplos como o citado.
Grande também foi a repercussão do uso dos blogs jornalísticos para repercutirem informações sobre recentes escândalos políticos no Brasil. Nos Estados Unidos, nas eleições presidenciais de 2004 a imprensa norte-americana
40 http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2008/02/20/ult579u2382.jhtm ; acessado dia 20/02/2008.
repercutiu informações políticas relevantes dos blogs. No Brasil, a versão digital do jornal O Globo demonstra que não precisa nadar contra a corrente como faz o The
New York Times quando o assunto é blog. Os editores do O Globo On-line decidiram
criar blogs para todos os seus colunistas, acreditando no poder individual e no interesse do público que busca notícias na Internet pelos blogs. Será que interesses empresarias não vão interferir na isenção desses blogs? Essa é uma questão que merece ser refletida, mas em uma outra oportunidade. No entanto, registramos que essa é uma nova forma de fazer jornalismo que sempre terá observadores críticos dispostos a protestar em casos de omissão, manipulação ou com a falta da verdade. Os blogs, de certa forma, revitalizaram a Internet em vários campos, sobretudo no jornalístico. Da simples transposição do conteúdo produzido nos jornais impressos como ocorreu num primeiro momento na rede mundial de computadores, o jornalismo digital vive hoje o período de evolução, onde já é possível observar características próprias de um meio ainda em construção, o que sinaliza por parte dos webjornalistas o resgate do uso categorias e gêneros já comuns como também a utilização do hibridismo possível, aliando constantemente o ato de informar (objetivo) e a pessoalidades de opinar (subjetivo).