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3.1 Objectives

3.1.2 Measurement and Analysis phase

5.2.1. Descrição

Quartas Paredes | performance para presença, voz, música/live electronics e manipulação de imagem

(desenvolvida no âmbito do curso de DAD, para a exposição “Experimento”) Março de 2014 na Galeria da FBAUP

(v. figura 20 e figura 21)

Nada se encerra em si mesmo. A voz vai muito além do que pode ser ouvido.

O momento do encontro com o público. A ansiedade do per- former encerrado no espaço da sua representação. A inten- sidade do momento que alimenta e é alimentado pela sua realidade transformada, que se projeta num tempo distendi- do e que a faz ecoar num devir metamórfico. As paredes onde estão. O espaço que envolve. O tempo que escorre.

Bruno Pereira | presença, corpo, voz

Dimitris Andrikopoulos | música, live electronics Horácio Tomé Marques | manipulação de imagem

5.2.2. Os pressupostos

Quartas paredes, uma performance para presença, voz, áudio e vídeo, conceptuali- za-se, num primeiro momento, a partir da particularidade do espaço de interven- ção: a Galeria da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). O espaço neutro de Galeria funciona simultaneamente como uma limitação, uma vez que não assume uma personalidade espacial definida – um não-espaço -, e ao mesmo tempo como um desafio para conceber um objeto artístico performativo, obrigado, pela sua natureza, a interagir com um espaço com tais características. Há dois corpos que nos interessam de imediato pois quebram essa já referida neu- tralidade: o retângulo central da galeria, que a secciona pela sua dimensão, e a jane- la que nos conduz ao terraço, sendo o único ponto de contacto direto com o exterior. Estes dois corpos estão frente a frente. Estudam-se. Partilham o espaço e oferecem- -lhe, finalmente, uma unidade identitária. A janela e seu conteúdo exibe-se perante o núcleo central da galeria como se de uma performance contínua se tratasse. A

Fig. 20

Desdobrável da exposição “experimento” onde é estreada a obra Quartas Paredes - parte exterior Fig. 21

Atento, o bloco central, funciona como um espectador que, no entanto, ainda não bate palmas, nem se emociona pelo espetáculo que vai sendo apresentado mesmo à sua frente. A performance que se encontra tradicionalmente encerrada no seu espaço de representação está agora livre, não tem paredes, não tem limites naquele terraço que é o palco que carrega as imagens projetadas no monitor que se concreti- za no vidro da janela. É o tal bloco central, o público, que se encontra condicionado, que se encontra contido entre paredes, que encontra limites claros à sua liberdade de decisão enquanto espectador. O papel inverte-se, mas nada muda. Ainda assim aquela estrutura influencia a performance e fá-la sentir-se transformada. A projeção dessa transformação acaba por se refletir em si própria e no espectador, num exercí- cio contínuo de alimentação e realimentação, do performer para o público, sendo o inverso ainda mais verdadeiro. A observação contínua e crítica carrega de ansiedade e angústia quem se apresenta, quem se faz transparecer naqueles momentos que es- correm num tempo que ecoa a sua própria ação. Tudo vive no tempo e vai para além do que se ouve ou vê... vai para além dos sentidos. Explodem os sentidos e deixamos fluir o tempo onde retorna a ressonância da ação, da performance, reaproveitando os motivos que lhe dão base, formando uma nova performance que já não se contém em si mesmo. Está para além de si própria.

Convertemos esta relação dos elementos arquitetónicos num objeto colaborativo que bebe da metáfora e mais uma vez constrói uma nova camada de significação. Estendemos os contornos de um processo criativo que, como se disse, parte de um conceito site-specific mas que extrapola o seu conteúdo por uma série de associa- ções e conceitos que nos conduzem a um resultado também ele estendido de explo- ração temporal da performance.

Define-se um conceito, uma estrutura, uma macro forma (v. figura 22), exploram-se recursos, testam-se processos de criação e prepara-se o espaço para uma progres- são coerente em tempo-real, com uma forte componente de interação entre os ele- mentos que cosem a performance. Esses elementos que se complementam e que se influenciam definindo o rumo final do objeto performativo.

A multidimensionalidade do tempo, do espaço e dos media de representação da presença é explorada numa perspetiva tendencialmente poética.

Esta abordagem multidimensional concretiza-se, em conteúdo artístico, de forma interdisciplinar e colaborativa, com a participação ativa de mais dois investigadores e performers.

A música eletrónica base é composta por um compositor que manipula ainda eletró- nica em tempo-real e interage com o performer e com o contexto envolvente, onde

gem que se projeta de uma e de outra forma, transformada pelo tempo e pelo gesto visual do artista. Os três artistas são aqui tomados como performers eles mesmos uma vez que os três interagem no tempo, e em tempo real, afetando de forma efetiva o desenvolvimento da performance no seu todo.

Quartas paredes interage com o conceito já conhecido de quarta parede, que se

refere a uma parede imaginária situada na boca de cena de um palco. Para além das 3 paredes físicas existentes nos palcos convencionais, esta quarta parede faz a divi- são virtual do palco e da plateia, do público. O plural de quarta aponta para a extra- polação desse afastamento para outras camadas de significação e metaforicamente para uma crescente claustrofobia do performer dentro do próprio palco, provocada por si mesmo e pelas suas ansiedades que o contexto impõe de forma assertiva. Na sua génese, a quarta parede faz parte da suspensão da descrença, onde o pú- blico olha para a ação encenada no palco (ou no ecrã de cinema) e decide aceitar momentaneamente que a ação fictícia é real. Diderot terá estado na origem desta expressão quando refere, citado por Borie (2004), que “caso façais uma composi- ção, ou caso representeis, pensai no espectador apenas como se este não existisse. Imaginai, na borda do teatro, uma enorme parede que vos separe da plateia; repre- sentai como se a cortina não se levantasse” (p.167).

Muitos têm sido os autores que têm trabalhado com este conceito, mas essencial- mente numa perspetiva de relacionamento com o público, como é o caso de Antonin Artaud, mais um nome fundamental na mudança de paradigma do papel tradicional

Fig. 22 Pre-score

draft de forma da performance Quartas Paredes

de teatro e criador do theatre of cruelty. Artaud considerava que as tradicionais barreiras entre o palco e o auditório deveriam ser totalmente removidas e que a ação deveria acontecer em torno do público, envolvendo-o. Para além de Artaud muitos outros defendiam este conceito como Max Reinhardt, que sustentava a abo- lição desta separação entre público e palco e como Brecht que, no seu teatro épico, incluía inúmeros elementos que implicavam derrubar a quarta parede colocando, por exemplo, os seus atores em comunicação direta com o público, fazendo-o per- ceber que estava no meio de uma ficção e quebrando o efeito da parede imaginária (Svetina, 2009).

No entanto, a obra Quartas paredes tem o seu foco desviado para o performer em si mesmo, num ato individual de catarse da ansiedade de se expor.

5.2.3. Apresentações

A obra Quartas Paredes foi já apresentada, depois da sua estreia no Museu da FBAUP (fevereiro 2014, Porto), no Festival ESMAE (abril 2014, Porto) e no Museu Municipal Abade Pedrosa (Maio 2014, Santo Tirso) (v. figura 23 e figura 24). Foram ainda apresentados os seus pressupostos teóricos em formato conferência no Fes- tival ESMAE – apresentação de trabalhos de elementos do i2ADS – NIMAE (abril 2014, Porto); numa sessão de trabalho, promovida pelo NEA do i2ADS, no âmbito da visita de Andrea Creech à FBAUP e à Escola Superior de Música, Artes e Espetáculo do Politécnico do Por- to (ESMAE) (Junho 2014, Porto); no pro- jeto IICS – Interdisci- plinary Involvement in Community Spaces (Maio 2014, Izmir, Turquia) e no Music

and Research festi- val de Tilburgo (Abril

2016, Tilburgo, Holanda) (v. figura 25). Foi ainda lançado um artigo científico nos Cadernos do Imagens do Real Imaginado (IRI) (2015) que pode ser lido integralmente no anexo III deste documento.

Fig. 23 Ressonância Performativa de Quartas Paredes, no Museu Municipal Abade Pedrosa, Santo Tirso, 2014

Fig. 24 Folha de sala

da performance Quartas paredes, Museu Municipal Abade Pedrosa, Santo Tirso,

18 de Maio 2014

(com ressonância performativa até dia 24 de Maio)

Fig. 25 Cartaz do Music and Research Festival, Tilburgo, 2016, Quartas Paredes

5.3. Suspensão/distensão v.1 (2014)