O presente estudo assenta numa temática que tem vindo a ganhar bastante significado, sobretudo junto dos professores, a braços com tarefas para além das inicialmente previstas enquanto docentes. O processo de AAE apresenta dificuldades na sua implementação, porque as situações e os problemas são complexos e dinâmicos e os instrumentos de medida apresentam dificuldades na sua concepção e implementação. Cada escola é um lugar único, com dificuldades e potencialidades específicas, e inseridas em diferentes contextos.
Tendo presente que os docentes são os actores com maior peso estratégico dentro da organização, e que nem todos inicialmente assumem atitudes favoráveis, há que lhes dar voz e adoptar uma atitude pró-activa, motivadora, no sentido de os aproximar e consciencializar de que o seu contributo constitui uma mais-valia para a organização.
A evolução constante e acelerada da educação, da ciência, da tecnologia e da sociedade terá, certamente, uma forte e constante influência sobre o professor, a qual trará, inevitavelmente, as consequências ao nível da readaptação contínua do seu perfil às novas condições porque, segundo Patrício (1989), o perfil do professor não tem nada de fixo, como nada de fixo tem a sua formação. O perfil profissional do professor não se define; redefine-se interminavelmente.
Actualmente, e indo de encontro às ideias de Barroso (2001), os professores encontram- se divididos entre as regras impostas pela administração, as pressões sociais, o dever de instruir, o desenvolvimento organizacional, a obrigatoriedade e necessidade de se “actualizar” e o desejo de mudança.
De facto, tendo presente as reflexões de Oliveira (2003), constatamos que as exigências administrativas parecem relegar para segundo plano o mais importante – ensinar. A intensificação do trabalho docente (imposição e sobrecarga de actividades, tarefas e
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projectos) constitui a chave para a compreensão e indignação vividas pelos professores, na medida em que se confrontam, no dia-a-dia, com esta contradição: o professor polivalente e a dificuldade em manter a sua especialidade – ensinar – o que agrava a perda da especificidade de cada profissional.
Concordamos com Costa (1997, p. 66), quando refere que os múltiplos problemas com que os professores se confrontam, na sua actividade profissional, tornam o mundo da prática “complexo, singular e instável”.
Os professores têm sido objecto das variadas reformas educacionais, reformas que raramente ganharam raízes, raramente foram avaliados os seus efeitos e raramente os professores foram efectivamente ouvidos nesse processo. O professor, enquanto sujeito executor de reformas, desempenha um papel central na revitalização da escola pública, pois é um profissional que pensa e age, que reflecte sobre o que faz, que orienta o seu processo de trabalho e não foge, nem às exigências impostas pelo sistema, nem às suas responsabilidades.
Actualmente, são atribuídas novas e mais funções aos professores, aumentando as suas responsabilidades, sendo culpados e responsabilizados por questões que, na verdade, são problemas de carácter social e institucional. Os professores sentem-se sobrecarregados e insaciados, quer pelo excesso de responsabilização, quer pela falta de tempo para investirem mais neles e no trabalho, quer pela perda da especificidade do papel de ensinar. Muitas responsabilidades familiares e sociais são projectadas para a escola. A escola, por sua vez, dificilmente consegue conciliar o desenvolvimento de respostas adequadas aos problemas que emergem com o seu objectivo mais nobre – ensinar.
Os professores sentem-se num emaranhado de teias, sentem-se vigiados, controlados, envolvidos em tarefas burocráticas e sem fim à vista. Perdeu-se o sentido do que é ser professor e, por isso, ser professor é o que está para além do que é ensinar. Concluímos, pois, que o papel do professor não foi sempre o mesmo ao longo dos tempos. Contudo, de um aspecto temos a certeza: entendemos que sempre foi e será uma das mais nobres profissões, uma arte comprometida com o conhecimento e, sobretudo, com as pessoas.
Não há dúvida que deve ser dado grande valor ao professor, como agente de mudança social de comportamentos, e as suas atitudes constituem um factor chave de inovação e
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mudança na escola e, consequentemente, na sociedade. Face ao explanado, parece-nos pertinente destacar que a presente investigação apresenta alguns contributos que passamos a descrever.
Em primeiro lugar, preenche um vazio na literatura sobre a atitude dos docentes face à AAE, dado que são os principais agentes dessa avaliação, com elevado potencial estratégico.
Apesar de ter sido realizada uma pesquisa com alguma profundidade, recorrendo a fontes bibliográficas portuguesas, não foi possível encontrar referências a estudos na área da atitude dos professores face à AAE. Assim, poderemos designar esta investigação como sendo algo inovadora, em Portugal, na área da investigação educacional, e pensamos que este trabalho é o primeiro estudo empírico que utiliza a atitude dos docentes como o cerne da AAE, contribuindo para potenciar o diagnóstico da organização de onde saiu a nossa amostra.
Apesar de os resultados obtidos evidenciarem que os professores têm atitudes favoráveis à AAE, acreditamos que há um longo caminho a percorrer, no sentido de interiorizarem este processo de forma natural, para que o mesmo constitua uma mais- valia na implementação de boas práticas.
Todas as escolas (e os seus actores) devem estar aptas a receber novas responsabilidades. Mas não são fáceis as mudanças que envolvem práticas, valores e atitudes, pois das mudanças de política às mudanças de práticas escolares existem processos complexos difíceis de operacionalizar. Vivemos profundas transformações que dificultam o caminho a seguir, pelo que as escolas e os seus profissionais são chamados a repensar os valores, as atitudes e o papel do profissional da educação.
Tendo por base a revisão de literatura efectuada, a análise e interpretação dos dados estatísticos e as conclusões que o presente estudo proporciona, pensamos que são positivas as contribuições, ainda que modestas, da presente investigação.
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5.2. Implicações nas organizações escolares
As escolas poderão encontrar neste estudo a possibilidade de se debruçarem sobre um conjunto de orientações, que permitam implantar na organização (escola) um programa flexível, aberto e participado de motivação, de modo a assegurar uma eficaz AAE, conducentes à melhoria contínua dos processos e dos resultados.
Este estudo permitirá investir e trabalhar as atitudes dos professores, de modo a alterar as práticas actuais, que poderão impedir ou dificultar a mudança e a melhoria do desempenho da escola. A investigação revelou-se importante para aumentar a motivação dos professores, que demonstraram frequentemente interesse em conhecer as conclusões do trabalho realizado.
Face ao exposto anteriormente, e tendo presente a autonomia de que dispõem, os Directores das Escolas podem apostar em Equipas de auto-avaliação estáveis e com conhecimento na área, dinamizar sessões de informação, divulgar e sensibilizar para o processo de avaliação interna das escolas, procurar mecanismos de envolvimento, junto da comunidade escolar, a fim de concretizar o processo a desenvolver.
Cada escola necessita de criar a sua imagem de marca e de ser competitiva e, para isso, deve proceder a um exercício contínuo de reflexão que envolva o conhecimento de si própria, o diagnóstico interno (levantamento de pontos fortes e fracos), a observação do meio ambiente (diagnóstico externo), a fim de identificar as oportunidades e ameaças, e percepcionar a evolução da tendência do ambiente externo para poder, oportunamente, tirar os benefícios que daí possam advir.