3. Teoretisk perspektiv
3.6 Teoretisk konstruksjon av Familien
3.6.5 Materielle overføringer og sosial reproduksjon
De acordo com Almeida (2007), estudos acerca das vulnerabilidades sociais são importantes para fazer avaliações e comparar os diferentes espaços. Cutter (2003) considera que os fatores que são mais aceitos e mais influenciam a vulnerabilidade social são: idade, sexo, raça, status socioeconômico. Esta pesquisa irá analisar a vulnerabiliade social como “um conceito que traduz a propensão da população para os impactos negativos dos perigos e dos desastres” (CUTTER et al., 2003; LASKA e MORROW, 2006 apud CUTTER, 2003, p.62).
O mapa a seguir (Figura 52) demonstra o acesso à água encanada como uma das variáveis utilizadas, sendo o bairro Algodoal o mais crítico com apenas 42% da população com acesso à água potável. Os demais bairros analisados, São João (70%), São José (88%) e Centro (56%), apresentaram-se em melhor situação em relação ao abastecimento.
Figura 52: Abastecimento de água por bairro (%)
A partir da análise dos bairros, aplicou-se a metodologia de Szlafzstein (2015) para ser realizada a análise da vulnerabilidade com base nos dados do abastecimento de água, tendo o bairro Algodoal recebido a classificação de alta e os demais bairros baixa vulnerabilidade, conforme o mapa a seguir (Figura 53).
Figura 53: Vulnerabilidade a partir do abastecimento de água potável.
Fonte: Imagem Multiespectral do Satélite QuickBird de 23.06.2005
BAIXA ALTA
Outra variável analisada foi baseada na renda da população, a partir das famílias contempladas pelo Programa Bolsa Família, as quais se enquadram no perfil do Cadastro Único de Programs Sociais do Governo Federal (CADUNICO).
Figura 54: Pessoas beneficiadas pelo PBF (%)
A classificação da vulnerabilidade baseada na variável renda a partir das pessoas contempladas pelo Programa Bolsa Família foi especializada, resultando no mapa a seguir (Figura 55).
Figura 55: Classificação da vulnerabilidade social: pessoas beneficiadas pelo PBF.
Um fator que contribuiu para o aumento do número de pessoas de baixa renda no bairro Algodoal foi o surgimento da ocupação da Chicolândia, onde residem aproximadamente seiscentas famílias.
De acordo com estudos realizados por Alencar e Ribeiro (2015), a ocupação também resultou em impactos ambientais no bairro. Portanto, pode-se considerar que esses problemas observados, somados à alta vulnerabilidade social da população, devem ser considerados para fins de planejamento e gestão.
Alves (2006, p.137) observa que frequentemente existe consciência entre os espaços susceptíveis a processos naturais e perigosos, “como é o caso das inundações – processo natural atrelado à dinâmica dos rios e suas bacias hidrográficas – e os espaços da cidade que apresentam os piores indicadores sociais, econômicos e de acesso a serviços e infraestrutura urbana”.
Outra variável analisada em relação à vulnerabilidade social foi a escolaridade da população, sendo considerado como indicador o número de pessoas analfabetas, conforme pode-se visualizar no mapa a seguir (Figura 56).
Figura 56: População Analfabeta (%)
Dos bairros analisados, o Algodoal e o São João se destacam, apresentando respectivamente 15% e 13%. Enquanto que os bairros São José 10% e Centro 8%. Esses dados demonstram que os números referentes ao bairro do Algodoal estão quantitativamente próximos do bairro da Santa Clara que apresentou a maior taxa de analfabetismo da cidade (20%).
É interessante analisar que esses dois bairros assemelham-se num aspecto referente ao crescimento recente, pois o Algodoal teve um crescimento acelerado nos últimos dez anos em virtude da ocupação Chicolândia e o Santa Clara é um bairro que surgiu em sua totalidade a partir de um crescimento espontâneo. Isso tudo ajuda na compreensão da relação existente entre baixa escolaridade, pouca oportunidade de emprego, menor renda e, consequentemente, maior vulnerabilidade social.
Tendo como base para análise Algodoal e São João, pode-se observar que ambos têm uma população grande de analfabetos, o que contribui para o aumento da vulnerabilidade. Portanto, pode-se perceber que esta correspondência entre escolaridade e renda pode ser observada ao se comparar o mapa referente ao PBF e o de analfabetismo.
O bairro Algodoal apresenta o maior número de famílias contempladas pelo PBF e também apresenta a maior população de analfabetos em relação aos demais. Deste modo, pode-se verificar como estas duas variáveis estão relacionadas, o que demonstra a sua importância para analisar a vulnerabilidade, pois a população de baixa renda é mais condicionada a ter menos escolaridade. O mapa a seguir (Figura 57) demonstra esta classificação tendo como base a taxa de analfabetismo.
Figura 57: Classificação da Vulnerabilidade Social: População Analfabeta (%)
Fonte: Imagem Multiespectral do Satélite QuickBird de 23.06.2005
BAIXA
Em relação aos dados referentes à população infantil, pode-se observar que o bairro Algodoal, em relação aos demais bairros analisados, apresenta a maior população infantil assemelhando-se aos bairros que apresentam uma população de baixo poder aquisitivo da cidade.
Neste sentido, torna-se importante fazer esta relação entre esses dois indicadores apresentados, a partir do que se pode observar empiricamente, pois os bairros periféricos e mais carentes costumam apresentar muitas crianças, que é resultado do não planejamento familiar e do baixo grau de instrução da população, ao contrário de famílias que apresentam um melhor poder aquisitivo e maior escolaridade.
O problema do alto número de crianças em bairros carentes é que faz aumentar a vulnerabilidade no local. O mapa a seguir (Mapa 59) especializa a porcentagem da população infantil bairro.
Mapa 59: População infantil (%)
Em relação à classificação da vulnerabilidade social a partir da população infantil, teve-se como base a média da área urbana, que foi de 10%. Portanto, a partir desta referência, os bairros analisados na pesquisa apresentaram baixa vulnerabilidade social, conforme pode- se observar no mapa a seguir (Figura 58).
Figura 58: Classificação da Vulnerabilidade Social: População Infantil
Fonte: Imagem Multiespectral do Satélite QuickBird de 23.06.2005
No que diz respeito à população idosa do bairro, o resultado diferencia-se dos demais indicadores, pois o bairro Centro (17%) se destaca como a maior população idosa da cidade, por ser a área mais antiga da cidade, seguida do bairro Algodoal (14%). Observa-se que mais uma vez o Algodoal destaca-se em termos de vulnerabilidade em relação aos bairros analisados, conforme se pode observar no mapa a seguir (Figura 59).
Figura 59: da População idosa (%)
A classificação da vulnerabilidade em alta, moderada e baixa levando em consideração a população idosa dos bairros analisados, pode ser visualizada no mapa a seguir (Figura 60).
Figura 60: Clasificação da vulnerabilidade social: População idosa (%)
As variáveis analisadas referentes à vulnerabilidade social foram especializadas de maneira geral, levando em consideração toda a cidade de Abaetetuba, com intuito de tentar comparar os bairros analisados a partir do contexto da cidade. A partir dos resultados após a utilização da metodologia, classificou-se a área de estudo em três níveis de vulnerabilidade, conforme o mapa a seguir (Figura 61):
Figura 61: Índice de Vulnerabilidade Social.
Tendo como base as características socioambientais dos bairros analisados e análise da paisagem, era de se esperar que o bairro Algodoal recebesse a classificação de alta vulnerabilidade social, devido à contribuição de dois bolsões de pobreza existentes em seu território. A Chicolândia e a ocupação do São Guido são exemplos críticos da realidade vivenciada pela população desse bairro.
Os bairros São João e Centro apresentaram moderada vulnerabilidade, mas suas paisagens apresentam-se díspares, pois o Centro apresenta uma infraestrutura física melhor que o bairro São João. No entanto, na porção leste do bairro existe uma área precária em saneamento assemelhando-se aos demais bairros analisados. Além disso, outro fator que contribuiu para o aumento da vulnerabilidade é a quantidade população idosa, que é a maior de toda cidade.
Um fator que precisa ser analisado de maneira crítica, diz respeito ao abastecimento de água pela rede geral, que no Centro é menor que nos bairros São José e São João, porém ressalta-se que nesses bairros a disponibilidade do recurso não apresenta quantidade suficiente e a falta de água ainda é um problema.
De acordo com as estatísticas, os bairro que teoricamente são mais “abastecidos” pela rede geral de água, São João e São José, na prática sofrem com problemas relacionados à insuficiência do recurso, sendo uma situação crítica que não pode ser analisada apenas através de dados quantitativos, pois, apesar de no bairro Centro a população atendida pela rede ser menor, a maior parte da população possui uma melhor renda, possibilitando a aquisição de poços artesianos em sua propriedade para suprir a deficiência do abastecimento. Por isso, é interessante se analisar a variável renda a partir de uma fonte de dados atualizada e que as informações fornecidas possam ser comprovadas, como acontece no CADÚNICO.
Os dados do PBF demonstraram que o Centro é o menos beneficiado, ou seja, a população apresenta melhor condição financeira, o que compensa o menor abastecimento de água em relação aos bairros São José e São João. No entanto, nesses bairros a insuficiência da água nas torneiras representa uma situação de vulnerabilidade para essas famílias, pois com base nos dados do PBF, nesses locais, a população tem menor poder aquisitivo em relação ao Centro, aumentando assim a sua vulnerabilidade.
Esta observação é importante para analisar o bairro Centro e São João, os quais obtiveram Moderada Vulnerabilidade, pois diante da situação apresentada considera-se que o bairro São João necessita de maior atenção pela gestão, mesmo tendo apresentado a mesma vulnerabilidade do Centro. Isso demonstra a importância de se qualificar os dados quantitativos a partir de outras fontes, como questionários e entrevistas. A moderada
vulnerabilidade do Centro também precisa ser combatida, visto que existem no bairro áreas precárias de infraestrutura onde habitam populações de baixa renda.
A questão da água no bairro São João sempre foi um problema, e, mesmo apresentando uma alta taxa de abastecimento, hoje a população reclama da qualidade do serviço prestado pela companhia de abastecimento e pela pouca quantidade disponibilizada. Porém, os dados oficiais não demonstram esta realidade.