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No ano letivo 1997/98 fui colocado por destacamento na Escola Secundária Adolfo Portela, Águeda, escola onde tinha lecionado antes da Profissionalização e que se encontra a cerca de uma dúzia de quilómetros da minha residência, a qual integrei como professor do quadro de nomeação definitiva no ano seguinte, e na qual tenho desempenhado funções até ao momento.

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Águeda é uma cidade do distrito de Aveiro, na sub-região do Baixo-Vouga (região Centro), cuja atividade económica está fortemente enraizada na metalomecânica, particularmente no fabrico de motores para velocípedes, fabrico de bicicletas e cerâmica, possuindo também apreciável área agrícola extremamente fértil na produção de milho, fruta, vinho e madeira. A concentração populacional é assimétrica no concelho de Águeda, possuindo uma densidade populacional inferior a 30 habitantes por km2 na zona serrana, por oposição com a zona ribeirinha cuja

densidade é de cerca de 300 habitantes por km2. Esta cidade conta com duas escolas secundárias que servem a população do concelho. Este concelho, como infelizmente acontece a tantos outros, conta problemas sociais, decorrentes da pobreza que resulta do desemprego, e baixos rendimentos salariais.

A Escola Secundária com 3º ciclo do Ensino Básico de Adolfo Portela (ESAP) foi fundada em 11 de Novembro de 1981. Situa-se na freguesia de Águeda, uma das 20 que o concelho possui e, de acordo com o Projeto Educativo desta escola, em 2008/09, contou com 325 alunos no ensino básico (dos quais 48,3% raparigas e 51,7% rapazes) e 680 no ensino secundário (dos quais 44% raparigas e 56% rapazes), valores que pouco têm variado ao longo dos últimos anos (em termos globais tem variado entre os 1000 e 1100 alunos), sendo esta população estudantil da ESAP é sobretudo oriunda da zona ribeirinha do concelho.

A 6 de Outubro de 1997 foi-me concedido a certificação de Formador pelo Conselho Científico- Pedagógico da Formação Contínua (CCPFC), nas áreas C15 – Tecnologias Educativas (Informática/ Aplicações da Informática) e C16 – Tecnologias Educativas (Meios Audiovisuais). No ano 1997/98, lecionei a duas turmas do 8º ano e duas turmas do 10.º ano, uma do agrupamento científico-naturais e outra do agrupamento de desporto. Rapidamente percebi que, sendo o programa da disciplina de Ciências Físico-Químicas (doravante referida por CFQ) o mesmo para ambas as turmas, os alunos duma e doutra turma estavam separados por um hiato cognitivo nesta disciplina que me levantava um enorme desafio (ao que na altura lhe chamaria sério problema) aliado a uma profunda falta de interesse pela disciplina. Quando os confrontei com a situação, alguém da turma referiu que “CFQ era uma disciplina que já tinham dado como perdida por nunca terem tido positiva antes, e não perceberem nada daquilo”. Esta opinião foi reforçada por outros alunos que referiram tratar-se de negativa tolerável pelos respetivos encarregados de educação (a par da matemática). Confesso que fiquei sem saber como lidar com a situação e resolvi começar tudo pelo mais básico e reformular a planificação para aquela turma em particular (embora com muitas reservas quanto ao grau de eficácia das medidas que estava prestes a tomar) e comecei devagarinho por conceitos muito simples para aumentar o capital de confiança e, sempre que possível, alinhando os assuntos aos temas de desporto dos quais resultava discussão. Na outra turma, a matéria seguia o curso normal do programa, a par de outras turmas lecionados por colegas. A dada altura, cada exercício era um desafio, e cada um queria demonstrar que era capaz de resolver as situações apresentadas.

Nem todos os alunos aderiram ao desafio, mas vários dos que habitualmente se poderiam designar como “casos perdidos” conseguiram definir conceitos e integrá-los, ao ponto de, no final do ano, apresentarem um desempenho comparável ao de alunos de outras turmas considerados bons, tendo obtido classificações acima dos 15 valores nas Provas Globais. Estou a referir este episódio particularmente por dois motivos: o primeiro prende-se ao mérito que os alunos tiveram em acreditar e agarrar uma chance de vencer, numa luta que no fundo era travada dentro de cada um deles. Por outro lado, por sentir que se fosse hoje, provavelmente a pressão de evitar situações que no curto prazo poderiam levantar celeuma (testes de diferente graus de dificuldade ainda que em turmas diferentes arrastam alguns pais à escola, e criam uma agitação que a escola hoje procura a todo custo evitar). Esta experiência para mim serve de referência, não por ter sido bem sucedida, pois por vezes formam-se bonitos cristais pela casual presença de um grão de pó, mas por perceber que nem sempre a normalização é o caminho.

Tal como em anos anteriores, integrei o grupo responsável pela área de comunicação da escola.

No ano seguinte (1998/99), integrei os quadros de pessoal docente da ESAP. Nesse ano lecionei Física e Química a duas turmas do 10.º ano e a duas turmas de 12.º ano de Química, também aqui, uma das turmas era do Agrupamento 1 (Científico-Natural) e a outra era da área de Desporto. As circunstâncias do ano e da turma não permitiram repetir a experiência do ano anterior, o que demonstra que não há receitas fadadas ao sucesso, e que o mesmo é, em larga medida, mérito do aluno que se deixa envolver.

Por sentir que deveria reforçar as minhas aprendizagens nos domínios educativos frequentei um Curso de Especialização em Orientação Educativa, entre 14 de Novembro de 1998 e 10 de Dezembro de 1999, num total de 260 horas, tendo obtido a classificação “Muito Bom”. Esta formação permitiu-me aprofundar os conhecimentos nas áreas da Psicologia da Educação, Filosofia e Sociologia da Educação, Métodos e Técnicas de Apoio Educacional, Necessidades Educativas e Grupos de Risco e Administração Escolar, incluindo neste Curso um Projeto de Intervenção Educacional.