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4.2 Alignment and homology modelling of peptide segment of PAR-2

4.3.1 Protein-protein interactions

Estamos diante de uma concepção da ética que supõe uma separação radical e que é precisamente o que chama a atenção à metafísica: a separação entre Eu e Tu – está aí o peso da ética levinasiana com Martin Buber a marcar a inscrição de uma separação definitiva na história do pensamento para além das filosofias da unidade. Se há um pressuposto para tal ética levar-se a termo, esse é a distinção entre Eu e Tu que Levinas lerá como separação ou ‘experiência do santo’,                                                                                                                

59 LEVINAS, E. Totalité et infini, 1971, p. 301-302. [L’être se produit comme multiple et comme scindé en

Même et en Autre. C’est sa structure ultime. Il est société et, par là, il est temps. Nous sortons ainsi de la philosophie de l’être parménidien.]

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LEVINAS, E. De l’existence à l’existant, 1986, p. 15.

61 DE GREEF, J. “Discours et parole. Etude sur la pensée du langage chez Lévinas”. Revue Philosophique de

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ou, mais “filosoficamente” no encontro com Heidegger, como experiência do Outro frente ao Mesmo, do Mesmo endereçando-se ao Outro como infinito, “como se eu estivesse votado ao outro antes de estar votado a mim mesmo”62. Experiência ética (que a faz aproximar-se do encontro pelo santo antes que do mistério do sagrado e) que prima por aquele que excede o meu domínio (daí a ideia de infinito que Levinas toma de Descartes, em que um ser finito – Eu – penso mais do que penso quando me volto ao infinito – Tu – que me excede), aquele excede, pois, o meu domínio e pelo qual respondo antes que consinto. Relação ao rosto do outro homem na medida em que eu próprio não sou rosto algum: é o que diz a máxima desta outra ética que é “relação sem relação”, já que descumpre a ordem de uma simetria que partisse da autonomia de um sujeito moral em direção a uma outra autonomia de igual medida em nome da universalidade do ‘sujeito moral’. Relação ao Outro que é, antes e ao invés de uma liberdade, deferência a ele (a

tu, que me faz face e a eleidade, esse outro radical) cuja significância se deva exatamente a uma

dissimetria, ou uma assimetria absoluta.

Trata-se, assim, de um encontro não calculável mas preciso e de uma singular deferência ao “absolutamente não-eu” que é o Outro; e que só assim é o Outro segundo Emmanuel Levinas – absolutamente não-eu –, numa relação dissimétrica em seu favor e heterônoma desde a sua pessoa. Assimetria e heteronomia fazem o diferendo da ética em Levinas com Buber e as filosofias do diálogo, bem como com Ricoeur. Com Buber, uma anterioridade ontológica seguida de uma devoção ao Outro (a Tu “que não é mais um fenômeno do meu tu, mas é meu tu”63) consagram não apenas um Eu que só existe a partir de uma relação essencial com o outro por um caráter de eternidade do outro (sempre houve e sempre haverá outros no mundo, antes e depois de minha chegada64) mas ainda de um pensamento que divide a existência do “Eu” nas duas atitudes humanas possíveis de fala: “Tu” (não reduzível ao meu desejo e à minha experiência) e “Isso” (reduzível ao meu desejo e à minha experiência), para além do pensar, ainda que no seio do diálogo.

Tomemos como referência uma outra “origem” à ética no Ocidente, e talvez uma ética que soube, na ascendência de uma tradição dedicada à edificação do Sujeito, trazer a alteridade ainda em germe à cena do pensamento pela via da sensibilidade (“o outro sofre como eu sofro ”), trata-se daquela de Jean-Jacques Rousseau por seu relato do mito de Galateia. Nele, a palavra originária “Eu” surge quando, de um sopro de criação artística e divina, a consciência lhe advém (e é-se tentado a perguntar se se poderia sê-la originária; se não seria o “Eu” uma unidade demasiado complexa e derivada e, como tal, tardia a uma consciência nascente). É no ateliê de um escultor,                                                                                                                

62 LEVINAS, E. De Deus que vem à Ideia, 2002, p. 219. 63

BUBER, M. Do diálogo e do dialógico, 1982, p. 92 apud HADDOCK-LOBO, R. “percursos do outro: ontologia, ética e desconstrução”, 2008, p. 139.

64 Devo a reflexão sobre o pensamento buberiano nesse salto à ética de Levinas, a Rafael Haddock-Lobo no

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onde se veem blocos de mármore e estátuas esboçadas por todos os lados, que ao fundo, coberta por uma capa de tecido leve e brilhante, ornada de franjas e guirlandas65, se encontra Galateia.

Despertando de um sono de pedra, e por um milagre dos deuses, Galateia – corpo perfeito que Pigmalião esculpiu à imagem do seu desejo – torna-se sensível e consciente a si. Ela diz: “Eu.” (O mundo exterior só aparecerá para essa consciência nascente num segundo momento) “Galateia dá alguns passos e toca um mármore: “Não é mais eu.” Encontra enfim Pigmalião, pousa a mão sobre ele e suspira: “Ah! Ainda eu”. Abolida a separação que dividia o artista do seu desejo (“Eu me adoro naquilo que fiz”), a arte é consumada no milagre da unidade e da suplementação do objeto por uma consciência: as duas partes de um mesmo eu estão enfim reunidas66.

E, no entanto, de um extremo a outro, seja na simetria do diálogo seja na identificação máxima do eu com o outro num Mesmo Eu, a relação com o Outro, segundo Levinas, dissipa e desaparece no ponto em que uma síntese é realizada, qualquer que seja ela. A ética, aqui, é uma “relação” que não se funda na autonomia de sujeitos morais segundo a lei da simetria, tampouco na internalização de princípios já dados por uma autoridade que pretenda falar por todos na unidade da consciência e/ou da sensibilidade, mas na separação metafísica das “pessoas morais” que consagre uma ordem vinda de fora, desde a exterioridade absoluta de um rosto.