• No results found

IV. List of papers

3 Materials and Methods

Analisámos ainda alguns indicadores relativos ao comércio internacional37 com o objectivo de aprofundar a análise anterior e caracterizar o tipo de concorrência que os países do alargamento movem à estrutura produtiva portuguesa. Para tal, utilizámos a informação disponível on line no endereço electrónico do International Trade Center da World Trade International38, recolhendo dados relativos às vantagens comparativas reveladas por Portugal e pelos países do alargamento. De seguida, ordenámos os dados recolhidos pelo critério da melhor posição de Portugal no comércio mundial (ranking de especialização). Por fim, assinalámos a bold os sectores nos quais os países do alargamento registavam, relativamente a Portugal, uma melhor posição no referido

ranking, e com um rectângulo os sectores de especialização portuguesa e de cada país

do alargamento.

36 Esta arrumação coincide com a proposta apresentada pelo Professor Doutor Augusto Mateus, durante a

entrevista realizada no âmbito do Painel de Peritos por nós constituído, embora este autor tenha apurado a sua proposta metodológica com base em objectivos e parâmetros diferentes.

37 Após uma análise das exportações portuguesas e das exportações dos países do alargamento, com

destino no contexto europeu e na economia internacional, e devido ao facto de as diferenças serem pouco significativas entre ambas, concluímos que, para o presente trabalho, não se revelava importante a distinção entre aqueles dois destinos de comércio externo.

Em resultado da observação dos dados apresentados na Matriz 2, na página anterior, retirámos algumas conclusões importantes no que respeita à concorrência que aqueles países movem à economia portuguesa: 1) quando considerados em conjunto, os países do alargamento apresentam vantagens comparativas reveladas nos mesmos sectores que Portugal; 2) é nos sectores de especialização portuguesa que maior número de países apresenta também vantagens comparativas reveladas com valores superiores a 1. Isto acontece nos Têxteis (8 países), nos Artigos de Couro (7 países), no Equipamento de Transporte (6 países), na Madeira e suas Obras (9 países), no Vestuário (11 países), nas Indústrias de Base (10 países) e nos Produtos Alimentares (7 países); 3) por outro lado, e em regra, é nos sectores onde Portugal não apresenta vantagens comparativas reveladas superiores a 1 que menor número de países do alargamento as revela também. É o caso dos Componentes Electrónicos (3 países), das Tecnologias de Informação e Consumíveis Electrónicos (2 países), da Maquinaria Não Electrónica (4 países), das Químicas (3 países) e dos Minerais (2 países); 4) a excepção vai para as Indústrias Diversas e para os Alimentos Frescos, onde Portugal não apresenta especialização produtiva mas que são sectores de especialização em 7 e 5 países do alargamento, respectivamente; 5) em todos os sectores considerados, há sempre, pelo menos, um país do alargamento que ocupa uma melhor posição no ranking dos índices de especialização por países e, frequentemente, há mesmo mais do que um país melhor posicionado do que o nosso no comércio mundial nos sectores de especialização portuguesa. Ou seja, além de apresentarem, de um modo geral, uma especialização produtiva idêntica à portuguesa, os países do alargamento apresentam, em conjunto, vantagens comparativas reveladas superiores às registadas por Portugal.

Para analisarmos a concorrência tendencial dos países do alargamento a médio/longo prazo, isolámos as dez exportações com maior crescimento positivo e as dez exportações com maior crescimento negativo, em termos de valor. Para cada uma delas considerámos ainda a evolução da sua percentagem no comércio mundial, o

crescimento do comércio mundial total, em valor e em quantidade, a quota de mercado de cada uma das exportações no comércio mundial e os dois principais mercados de destino (vd. Anexo 5). Considerando estes dados, para o período de 1998 a 2000, podemos referir que: 1) à excepção do grupo dos países do Mar Mediterrâneo, todos os restantes parecem apresentar um crescimento mais dinâmico das exportações do que Portugal, quer devido ao facto de o número de sectores com crescimento negativo das exportações ser muito inferior, quer pelo facto de as exportações com maior crescimento positivo registarem, em média, taxas de crescimento superiores; 2) tal como em Portugal, as exportações cresceram sobretudo nos sectores de alta-média tecnologia, com particular atenção para os países do grupo da Europa Central e à excepção do grupo dos países do Mar Báltico, onde o maior crescimento das exportações se regista, ainda, nos produtos oriundos das Indústrias de Base; 3) no entanto, quer no caso de Portugal quer no dos países do alargamento, o crescimento das exportações nos sectores intensivos em tecnologia parece verificar-se sobretudo na fabricação de peças e componentes e ao nível da montagem de maquinaria e não tanto no que respeita à sua concepção; 4) de qualquer forma, e principalmente no grupo dos países do Mar Negro e no grupo dos países da Europa Central, a relação crescimento das exportações quantidade/preço parece indiciar ou um aumento da qualidade das exportações destes países, ao contrário do que se verifica em Portugal, ou uma maior dinâmica de mercado, provocada pelo possível aumento do poder de compra nestes países associado a uma muito superior dimensão de mercado; 5) a mais forte concorrência movida aos sectores exportadores portugueses parece vir do grupo dos países da Europa Central, uma vez que, para além da evolução mais favorável, em média, do seu perfil de exportações em direcção a sectores de alta-média tecnologia (em quantidade e em qualidade), os mercados de destino destas exportações são mais coincidentes com os de Portugal do que os dos restantes países, situando-se a maioria deles na União Europeia, com particular destaque para a Alemanha.

Matriz 3 - Sectores produtivos e concorrência dos países do alargamento

Procedendo, então, ao cruzamento destes indicadores de concorrência com o conteúdo da Matriz 1, na página 65, pareceu-nos mais claro, como nos indica a Matriz 3 acima apresentada, que, no curto prazo, e pelo facto de a especialização dos países do alargamento, no seu conjunto, ser muito idêntica à portuguesa, a concorrência destes países se fará sentir, sobretudo, nos sectores do grupo do modelo de crescimento económico em reconversão, nos sectores da Madeira, suas obras e derivados, nas Indústrias de Base, no Têxtil e Vestuário, no Calçado e Artigos de Couro, no Material Eléctrico, na Electrónica, nos Componentes Electrónicos e na Maquinaria e Equipamento de Transporte.

No entanto, e sobretudo devido à dinâmica das exportações do grupo dos países da Europa Central, poder-se-á igualmente vir a registar, a médio/longo prazos, alguma concorrência nos sectores do grupo do novo modelo de crescimento económico, especialmente nos mais expostos à concorrência internacional, e, sobretudo, nos pertencentes ao que designámos por grupo crítico, isto é, nos sectores Automóvel e Turismo e no megacluster da Informação/Comunicação.

Visando essencialmente o nosso trabalho uma análise das consequências sobre o emprego, entendemos como fundamental estudar igualmente as potencialidades geradoras de emprego dos sectores do grupo do novo modelo de crescimento económico, uma vez que, além de menos expostos à concorrência dos países do

alargamento e mesmo à concorrência internacional, como é o caso do megacluster da Saúde/Serviços Pessoais, gozam de condições da procura muito favoráveis à criação de emprego. Desta forma, este grupo de sectores será igualmente caracterizado na Parte IV deste trabalho.

III. 2.4. Indicadores de produtividade e de competitividade em Portugal e nos