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ERRATUM PAPER I

MATERIALS AND METHODS

Universidade Federal de Santa Maria – FW

Neste capítulo7 apresentamos um panorama da presença das emissoras de rádio de Porto Alegre na internet8. Para isso, adotamos a metodologia da Análise de Conteúdo, a partir de Bardin (1979) e Herscovitz (2007), para desenhar

Convergência e Jornalismo (ConJor).

5. Graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal de Santa Maria – campus Frederico Westphalen. É assistente editorial da Revista Rádio-Leituras. Integra o Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo (ConJor).

6. Graduando em Comunicação Social – Jornalismo pela Universida- de Federal de Santa Maria – campus Frederico Westphalen. É bol- sista de iniciação científica Fipe Júnior. Integra o Grupo de Pesquisa Convergência e Jornalismo (ConJor).

7. Este capítulo apresenta os resultados da pesquisa “Estratégias do jor- nalismo radiofônico multimídia no Rio Grande do Sul: novos gê- neros, habilidades e formatos do rádio all news em ambiente de convergência”, financiado pelo Edital MCT/CNPq/MEC/CA- PES nº 02/2010 - Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas. Trata-se de uma revisão, ampliação e atualização dos artigos “Rádio e tecnologias: panorama da utilização da multimidialidade, hiper- textualidade e interatividade nos sites de emissoras da Grande Porto Alegre” e “Rádio e Tecnologia: Um Estudo Sobre os Usos da Inte- ratividade e da Memória nas Emissoras de Porto Alegre e Região Metropolitana”, apresentados no XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.

8. Além dos autores deste capítulo, participaram do estudo os pesqui- sadores: Bárbara Avrella, Daniela Silveira, Gabriella Bellé, Ricardo Júnior Carlesso, Gustavo Menegusso, Josiane Canterle, Morgana Fischer e Roscéli Kochhann.

um mapa das estratégias adotadas pelas rádios em seus sites e aplicativos para dispositivos móveis. A proposta é discutir, a partir deste panorama, as mudanças pelas quais passam o rádio e o radiojornalismo contemporâneos, os potenciais narrativos propiciados pela entrada em novas plataformas e pelas alterações nas práticas e conteúdos do meio.

Para isso, o estudo se desenvolveu em três etapas: aná- lise de conteúdo dos sites9 e aplicativos para dispositivos móveis10 (realizado em dois momentos, sendo um de ob- servação da presença das emissoras nestes espaços e outro que observava seus usos e consequências para o conteúdo); entrevistas semi-estruturadas realizadas com profissionais das emissoras11 e cruzamento dos dados coletados de modo a traçar o panorama do rádio em contexto de convergência em Porto Alegre.

Para compor a base teórica do texto, optamos por dis- cutir três perspectivas que direcionam o olhar dos pesqui- sadores: o contexto da convergência jornalística, o novo cenário do rádio ao inserir-se no processo de tecnologi- zação e digitalização das informações e um debate sobre as tendências do meio no que concerne ao seu conteúdo, com discussões sobre os novos formatos, gêneros e usos do veículo neste cenário.

9. A observação dos sites das emissoras foi realizada em 2010, com complementações posteriores, derivadas de atualizações promovi- das pelas rádios.

10. A observação dos aplicativos para dispositivos móveis das emissoras foi realizada em 2010, com complementações posteriores, derivadas de atualizações promovidas pelas rádios.

11. As entrevistas foram realizadas em 2012 por Ébida Santos, Karen Kraemer Abreu, Marcos Corbari e Maurício Cattani, que integram a equipe de pesquisadores deste projeto. O cruzamento de dados das etapas anteriores do estudo também ocorreu em 2012.

Convergência

O processo de digitalização das redações começou len- tamente – e há relativo pouco tempo. “No início dos anos 90, por exemplo, a incorporação massiva dos computadores transformou as estruturas das redações e propiciou o bara- teamento dos custos de produção e maior flexibilidade na elaboração dos jornais e notícias televisivas”12 (GARCÍA AVILÉS, 2006b, p. 34). Hoje as tecnologias estão presentes no cotidiano dos jornalistas e leitores, em novos espaços de sociabilidade e de transmissão da informação, etc. Aparatos portáteis de apuração e de consumo de mídia desenham um cenário novo, em que câmaras escondidas e dispositivos multiplataforma servem à facilitação das atividades do jor- nalista multitarefa e em que gadgets específicos para consu- mo de mídia, ou especialmente desenhados para permitir a integração a redes sociais e a múltiplos serviços incentivam uma maior participação do público. A convergência tec- nológica apresenta-se no cotidiano do jornalista e de sua audiência.

Como afirmam Scolari et al (2008), as novidades tec- nológicas contribuem para uma reprofissionalização, já que geram tensões e agem como catalizadores de novas formas de fazer jornalismo. “No início do século XXI a rotina la- boral do jornalista atual está totalmente ligada ao computa- dor e à internet”13 (SCOLARI et al, 2008, p. 39). A incor-

12. No original: “A comienzos de los años 90, por ejemplo, la incorpo- ración masiva de los ordenadores transformó las estructuras de las redacciones y propició el abaratamiento de los costes de produc- ción y mayor flexibilidad en la elaboración de los diarios y de las noticias televisivas” [Tradução nossa].

13. No original: “A comienzos del siglo XXI la rutina laboral del periodista actual está totalmente ligada al ordenador y la web” [Tradução nossa].

poração, nas redações, das tecnologias da informação e da comunicação, gerou uma alteração nas rotinas do jornalista, com a intensificação do uso da internet como fonte de in- formações e a exigência do domínio de uma capacidade de construir histórias multimídia, que possam ser consumidas em dispositivos multiplataforma e, em alguns casos, inseri- das em um contexto de cross media. “As tendências atuais (televisão e rádio digitais, Internet, etc.) nos obrigam a pen- sar que talvez no futuro a curto prazo todos os jornalistas acabam sendo digitais’ ”14 (MESO AYERDI, 2002, online).

García Avilés defendia, já em 2002, a necessidade do jor- nalista inserido em ambiente de convergência compreen- der-se como polivalente sem, no entanto, deixar de consi- derar as vantagens e riscos deste processo. O autor destaca que precisamos compreender que os benefícios e diferen- ciais não residem nas tecnologias de distribuição, mas sim na capacidade do jornalista em investigar e analisar a in- formação, de modo a conseguir agregar valor a ela. A poli- valência tem, por característica, a demanda pela revisão da construção da narrativa. O jornalista precisa observar a in- formação bruta e compreender qual o melhor suporte para ela, como construir uma história utilizando as linguagens e ferramentas que tem à sua disposição. Trata-se de uma mu- dança impulsionada pelos novos dispositivos, fundamen- talmente pelas possibilidades da internet. “No final desta década [1990], a Internet voltou a romper o ecossistema midiático, com a irrupção de novos atores, assim como as possibilidades de documentação, atualização, narrativa mul-

14. No original: “Las tendencias actuales (televisión y radio digitales, Inter- net, etc.) nos obligan a pensar que tal vez en un futuro a corto plazo todos los periodistas acaben siendo “digitales”.” [Tradução nossa]

timídia e interatividade que propicia a rede”15 (GARCÍA AVILÉS, 2006a, p. 34). Agora, ressalta o autor, o jornalista passa a assumir funções que antes eram separadas. E, como explicam Salaverría e Negredo (2008), enquanto algumas funções são justapostas, outras surgem, como é o caso do editor de infografia multimídia ou o gestor de redes sociais. Com o passar dos anos, a abordagem da convergência amplia suas perspectivas e, como explica Larrañaga Zubi- zarreta (2008), a perspectiva da gestão passa a ser desenvol- vida de maneira mais pontual a partir de 2005, com Fisher e a compreensão de que o conteúdo multimídia antecede a convergência e reiterando a abordagem de Quinn (2005) de que não devemos ver a cooperação como convergência. “Chegando a esse ponto, a convergência oscila com base em uma dicotomia que Quinn (2005) propõe abertamente: por um lado está em jogo um modelo de negócio empre- sarial de redução de custos com a máxima produção que

as novas tecnologias permitem”16 (LARRAÑAGA ZU-

BIZARRETA, 2008, p. 95), mas por outro essa economia pode gerar uma queda na qualidade de produção quando se leva ao extremo a adoção do profissional multitarefa. Como explica Salaverría (2003), o foco principal desta dimensão é compreender o crescimento dos meios em um determi- nado grupo de comunicação. Além disso, observamos tam-

15. No original: “A finales de esa década [1990], Internet volvió a tras- tocar el ecosistema mediático, con la irrupción de nuevos actores, así como las posibilidades de documentación, actualización, narrati- va multimedia e interactividad que aporta la red” [Tradução nossa]. 16. No original: “Llegados a este punto, la convergencia oscila en base a una dicotomía que Quinn (2005) plantea abiertamente: por un lado está en juego un modelo de negocio empresarial de ahorro de cos- tes con la máxima producción que las nuevas tecnologías permiten” [Tradução nossa].