4. Diskusjon
4.4. Ny fotballhall til 11 spillere på hvert lag
A escolha do referencial teórico metodológico para este objeto de estudo – o discurso – apresenta algumas dificuldades com relação ao seu significado. O discurso como objeto de estudo é comum a muitas áreas das ciências humanas, mostrando-se pouco definido e por conseguinte não existe uma única análise do discurso, mas muitos estilos diferentes de análise. Gill, (2000). Conforme Maingueneau (1996), o método da análise do discurso recebe definições bastante variadas13 estando em síntese marcadopela antropologia nos Estados Unidos da América e pelo marxismo e pela psicanálise na França, conforme desenvolvida na década de 60. Prosseguindo nesta sistematização, Maingueneau (1996) trata a análise do discurso como uma disciplina que em lugar de proceder a uma análise lingüistica do texto por si só, ou uma análise sociológica ou psicológica de seu contexto, visa articular sua enunciação a um certo lugar social. Portanto, o método se ocupa com os gêneros do discurso construídos em setores do espaço social ou no campo discursivo onde se definem sócio-historicamente os dispositivos de comunicação, como por exemplo, o editorial, a consulta médica, o interrogatório policial, os pequenos anúncios, a conferência
13
Maingueneau destaca algumas definições, tais como de Brown e Yule (1983), onde seria a análise do uso da língua, ou de Van Dijk (1985), onde seria o estudo do uso efetivo da linguagem, pelos efetivoslocutores em efetivas situações, ou ainda como entendido nos países anglo saxônicos como uma análise da conversação.
universitária, etc. Há sempre o risco de uma proliferação sem fim de gêneros, portanto dentro de uma perspectiva tradicional se consideram gêneros como as várias molduras que encerram conteúdos. Com a influência de escolas pragmáticas foram consideradas atividades, mais ou menos ritualizadas, que se realizam a partir de regras que as constituem. Por outro lado, uma das tarefas essenciais na análise do discurso é de classificar os discursos que são produzidos numa sociedade. Petitjean (1989), apub Maingueneau (1996), ropôs três classes de tipologias:
• Tipologia enunciativa: fundamenta-se sobre a relação entre o enunciado e a situação de enunciação, com seus três pólos: interlocutor, momento e meio de comunicação. Neste campo, a tipologia básica é aquela de Benveniste entre o discurso e a história onde o plano de engate implica um ajuste por afinidade à situação enunciada, embora num plano de não engate o enunciado se apresenta como desarticulado desta situação de enunciação. Paralelo ao ajuste por afinidade com a situação de enunciação, as tipologias enunciativas podem também dar conta de outros fenômenos, como a presença ou não de marcos de subjetividade enunciativa ou de heterogeneidade.
• Tipologia de comunicação: busca classificar o discurso em função do tipo de ação que pretende executar, da intenção comunicadora que o anima. A mais célebre das tipologias deste tipo é a de Jakobson14, que distingue o discurso pela maneira como se hierarquiza as funções da linguagem (referencial, emotiva, conativa, factual metalingüistica e poética). Uma das dificuldades com estas tipologias de função é quando um mesmo discurso está presente em muitas associações e embora esta tipologia repouse em matrizes sociológicas ou filosóficas, sua articulação é muitas vezes mal sucedida devido à complexidade dos gêneros de discursos efetivos.
• Tipologia de situação: promove a interveniência do campo da atividade social em que exerce o discurso. Encontra-se entre as tipologias que distribuem o discurso dentre as diversas zonas da sociedade (a escola, a família, o lazer, etc.) e considera os diversos gêneros de discursos atrelados a um meio; os
14 ROMAN Jakobson 1896 – 1982 seu trabalho inicial baseava-se na lingüistica estrutural e afirmava que o objetivo da lingüistica histórica é o estudo das mudanças sistemáticas na linguagem. Fundador juntamente com outros da Escola de Lingüistica de Praga, argumenta que a fonologia sincrônica, o estudo dos sons do discurso em um língua num determinado momento, deve ser considerada à luz da fonologia diacrônica.
gêneros jornalístico, político, etc. Pode também considerar o status dos participantes do discurso (superioridade/inferioridade, idade, pertencer ou não a um grupo étnico). Por fim, a escola francesa de análise do discurso privilegia o corpus baseado no posicionamento sócio-histórico e não discurso político, como por exemplo o discurso comunista, o discurso brizolista, o discurso petista, etc.
Em meados dos anos 60 surge um grupo caracterizado como a Escola Francesa, que agrupa um conjunto de pesquisadores liderados por Pêcheux (1938- 83)15, e esta abordagem espalhou-se pelos países de língua romântica com foco no estudo do discurso político manejado pelos lingüistas e historiadores, com uma metodologia que associava a lingüistica estrutural conforme a teoria da ideologia inspirada nas releituras feita por Althuser da obra de Marx e por Lacan na psicanálise. Ocupa-se de pensar a relação entre a ideologia e a lingüistica, visando evitar tanto reduzir o discurso na análise da língua como ao contrário, dissolver o discurso na ideologia. Denuncia como ilusão de que o sujeito do discurso seja a fonte do sentido e privilegia as ações analíticas dedesconstrução do texto, onde trabalha com a hipótese de que o discurso é um aparato enganador, cuja análise fará revelar suas inconsistências, fundadas no trabalho das forças inconscientes. Entretanto, no início dos anos 80 esta corrente foi marginalizada com o desaparecimento de seus pilares teóricos.
Portanto, pode-se dizer de forma geral que não existe concretamente um modelo de análise do discurso, o que pode vir a representar tanto um complicador, pois fica-se sem um referencial seguro, mas por outro lado amplia as possibilidades de análise do objeto de estudo. Entretanto, para fins de análise dos dados coletados nas entrevistas, o interesse no discurso é parcial e objetivamente o interesse recai sobre a construção do argumento, entendido como uma série de afirmações com o objetivo de justificar ou refutar determinada opinião, e de maneira geral a análise do argumento tem por objetivo apresentar a maneira como as afirmações estão estruturadas no discurso e avaliar sua solidez, conforme apresentado por Liakopoulos (2002), Blackburn (1996) e Rosa (2003). Segundo a Lógica, ciência constituída por Aristóteles para o estudo do argumento dedutivo, este é o conjunto de premissas, mas a conclusão e a atribuição de verdade ou falsidade ao argumento é devido a uma
15 Pêcheux, sistematiza esta abordagem a partir de seu artigo mais representativo A Análise
semântica sem a qual não há possibilidade de verificação da verdade ou falsidade de uma afirmação. A partir da semântica pode-se construir uma sucessão de afirmações ou negações que levem consistentemente, do ponto de vista lógico, a uma conclusão independente da concordância ou discordância com a semântica.16 Por outro lado, pode-se também estudar o argumento construído pela lógica indutiva onde se estuda as formas como as premissas podem sustentar um argumento sem seguí-lo. Conforme Blackburn (1996), indução refere-se a um processo de argumentação que nos leva de premissas empíricas a conclusões empíricas sustentadas por essas premissas, porém não as seguem dedutivamente. Argumentos indutivos seriam, portanto, tipos de argumentos ampliativos, conforme Pierce (apub Blackburn, 1996), que vão alem das informações disponíveis de forma a satisfazer nossos interesses17. De qualquer forma, qualquer experiência nos revela apenas alguns eventos que ocorrem dentro de uma partemuito restrita de uma vasta ordem temporal e espacial, sobre a qual nós então teremos que acreditar em acontecimentos sobre os quais não dispomos de informação.
O principal interesse desta pesquisa será de reconhecer quais os tipos de argumentos utilizados no processo decisório das pessoas envolvidas na situação de risco descrita e analisá-los sob o ponto de vista lógico, identificando as premissas que são adotadas e resultam numa avaliação dos fatos. Parte-se do pressuposto de que a decisão se situa na esfera psicossocial e que o argumento racional não se introduz no processo decisório, constituindo-se como apêndice muitas vezes de negação da decisão racional18. Pretende-se seguir o método proposto por Rosa (2003) e desenvolvido em seu trabalho quando estudando a lógica do sistema jurídico ao proferir as sentenças com relação a maus tratos de pais contra os filhos e trazer o caráter de exterioridade do argumento lógico racional técnico. A relação lógica implica que se for aceita uma afirmação estarão sendo aceitas as suas premissas. A racionalidade exige, precisamente, tornar transparente essa derivação lógica pela via
16 Informação verbal extraída das transcrições das orientações desenvolvidas pela Professora Dra. Eda Tassara.
17 Como exemplo de inferências seria aquelas de propriedades passadas de um objeto se repetirem a objetos iguais no futuro, ou da constância de leis de padrões sobre eventos ou estado de coisas para seu constante futuro. A base racional destas inferências foi questionada por Hume que acreditava que a indução pressupõe a crença na uniformidade da natureza, mas que esta crença não tem defesa na razão e meramente reflete um hábito ou um costume da mente.
18 informação verbal extraída das transcrições das orientações desenvolvidas pela professora Drª Eda Tassara.
argumentativa, por outro lado, a racionalização refere-se a afirmações cujas premissas são desconhecidas impedindo o conhecimento da argumentação (que leva da afirmação às suas premissas) e impossibilitando, por conseqüência, a crítica. (Tassara & Ardans, 2004). Pretende-se mostrar que o argumento racional técnico, quando existe, se constitui em um apêndice para a racionalização.