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Paper 5........................................................................................................... 15

9. Future work

O Cráton Amazônico localiza-se na porção norte da plataforma sul-americana, cobrindo uma superfície de aproximadamente 4,3 milhões de km2. O mesmo é eograficamente dividido em dois escudos definidos como Escudo das Guianas e Escudo Brasil-Central ou Guaporé, separado pelas Bacias Paleozóicas do Solimões e Amazonas, ambas recobertas por sedimentos mesozóicos e cenozóicos, de acordo com Almeida et al. (1976) e Almeida (1978 in Avelar 2002).

Os principais aspectos da evolução do Cráton Amazônico foram sintetizados em Tassinari & Macambira (1999) e Tassinari et al. (2000) que consideram a existência de seis províncias geocronológicas principais para esse cráton: Província Amazônia Central (PAC), com padrão de idade superior a 2,3 Ga; Província Maroni-Itacaiúnas, que é a faixa paleoproterozóica mais antiga, que ocorre a norte e nordeste da PAC e apresenta idades entre 2,25-1,95 Ga; a Província Ventuari-Tapajós (PVT), com idade entre 2,0-1,8 Ga; a Província Rio Negro-Juruena (PRNJ), com idade entre 1,80-1,55 Ga; a Província Rondônia San-Ignácio (PRSI), com idade entre 1,55- 1,30 Ga e a Província Sunsás (PS), com idade entre 1,30-1,10 Ga (Figura 2). As assinaturas isotópicas do Sr, Pb e Nd das rochas ígneas e ortognáissicas do Cráton Amazônico demonstram que o crescimento crustal pré-cambriano envolveu a adição de material juvenil durante o Arqueano e o Paleoproterozóico, bem como o retrabalhamento de crosta continental (Tassinari & Macambira 1999, Tassinari et al. 2000). As idades modelo Nd T(DM), determinadas para as rochas granitóides, sugerem que cerca de 30% da crosta continental foi derivada do manto durante o Arqueano e, cerca de 70% dessa crosta, no Proterozóico.

Ainda segundo os mesmos autores, os principais episódios de diferenciação manto-crosta ocorreram nos intervalos entre 3,1-2,5 Ga; 2,2-2,0 Ga; 2,0-1,9 Ga; 1,9-1,7 Ga e 1,6-1,5 Ga. Uma parte das províncias Maroni-Itacaiúnas e Rondônia-San Ignácio, bem como toda a Província Ventuari-Tapajós e a Província Rio Negro-Juruena, teriam se formado por acresção de material juvenil. Para a formação da Província Sunsás e para as outras partes das províncias Maroni- Itacaiúnas e Rondônia-San Ignácio são atribuídos, principalmente, processos de retrabalhamento crustal.

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Outras propostas de modelo foram apresentadas por Santos et al. (2000 in Avelar 2002) e Dall’Agnol et al. (2000 in Avelar 2002). Essas propostas, embora inspiradas no modelo de acresção crustal progressiva de Cordani et al. (1979 in Avelar 2002) e Tassinari & Macambira (1999), diferem do modelo desses dois últimos autores, na divisão das províncias e, sobretudo, na localização dos limites entre as mesmas.

A integração de informações geológicas e geocronológicas existentes e a incorporação de novos dados geocronológicos, pelos métodos U-Pb e Sm-Nd, obtidos na porção ocidental do Cráton Amazônico, permitiram a Santos et al. (2000 in Avelar 2002) propor a divisão do Cráton Amazônico em oito províncias principais, denominadas: Carajás-Imataca (3,10-2,53 Ga); Transamazonas (2,25-2,0 Ga); Tapajós-Parima (2,10-1,87 Ga); Amazônia Central (1,88-1,86 Ga); Rio Negro (1,86-1.52 Ga); Rondônia-Juruena (1,75-1,47 Ga); K’Mudku ( 1,20 Ga) e Sunsás (1,33-0,99 Ga).

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As províncias Carajás-Imataca, Transamazonas, Tapajós-Parima e Rondônia-Juruena foram, segundo essa proposta, originadas a partir de processos de arcos acrescionários, enquanto as províncias Amazônia Central, Rio Negro, K’Mudku e Sunsás foram geradas por reciclagem de crosta continental (Figura 3).

Em linhas gerais, o modelo proposto por Santos et al. (2000 in Avelar 2002) difere do modelo de Tassinari & Macambira (1999) pela definição de duas novas províncias no âmbito do Cráton Amazônico, que são as províncias Carajás-Imataca e K’Mudku, e pela redefinição das demais províncias de acordo com os novos dados geocronológicos disponíveis. O modelo limita os núcleos arqueanos às regiões de Carajás e de Imataca, enquanto os blocos arqueanos Iricoumé e Roraima de Tassinari & Macambira (1999) foram incluídos na Província Amazônia Central, de idade paleoproterozóica. O núcleo arqueano de Carajás foi estendido até a região sudoeste do Amapá. A extensão da Província Ventuari-Tapajós foi reduzida, enquanto que a Província Rio Negro-Juruena foi desmembrada em províncias Rio Negro e Rondônia-Juruena. As províncias Rondônia-San Ignácio e Sunsás foram agrupadas. A Província K’Mudku representa uma faixa de cisalhamento NE-SW que afeta as unidades geológicas das províncias Transamazonas, Amazônica Central e Tapajós-Parima. Datações na região localizada a norte de Carajás revelaram idades paleoproterozóicas, indicando que a inclusão do núcleo arqueano de Carajás até a porção sudoeste do Amapá não era consistente e a configuração da Província Transamazonas volta a ser semelhante àquela proposta por Tassinari et al. (2000).

Os autores Dall’ Agnol et al. (2000 in Avelar 2002) discutem estes dois modelos para a evolução do Cráton Amazônico e apresentam uma proposta baseada naquelas de Tassinari & Macambira (1999) e de Santos et. al. (2000) integrando novos dados geológicos e geocronológicos, sobretudo da porção oriental do Cráton. De acordo com essa proposta, o domínio arqueano do Cráton se restringe ao Complexo Imataca e à Província de Carajás. As províncias Guiana Norte, Tapajós Parima, Amazônica Central e Faixa Guiana Central constituem um domínio paleoproterozóico, relacionadas à Orogênese Transamazônica, enquanto as províncias Rio Negro, Rondônia-Juruena e Sunsás são relacionados a um domínio mesoproterozóico. Neste trabalho são realçadas as similaridades entre a evolução paleoproterozóica do Cráton Amazônico e a do Cráton Oeste Africano. Segundo os autores, a evolução mesoproterozóica do Cráton Amazônico assemelha-se àquela do Escudo Laurentia- Báltica.

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As principais diferenças com o modelo de Tassinari & Macambira (1999) residem na

As principais diferenças com o modelo de Tassinari & Macambira (1999) residem na redução área dos domínios Arqueanos, na individualização da Faixa Guiana Central e na redefinição dos limites entre a Província Carajás e a Província Guiana Norte.

As províncias geocronológicas definidas de acordo com os modelos de evolução geodinâmica propostos para o Cráton Amazônico, nos trabalhos de Tassinari & Macambira (1999), Santos et al. (2000) e Dall’ Agnol et al. (2000), encontram-se na tabela 1.

Embora estas propostas tenham evoluído significativamente, as diferenças existentes entre elas indicam que muitos problemas ainda precisam ser esclarecidos. A questão dos limites entre as províncias arqueana e paleoproterozóica continua bastante polêmica, particularmente nas porções central e oriental do cráton, bem como o envolvimento de crosta continental arqueana nas províncias proterozóicas Carajás e Maroni-Itacaiúnas ou Transamazonas.