Outro tema interessante de se analisar são os anúncios das escolas particulares. Embora não seja o foco desta pesquisa, pode-se observar alguns dados importantes que se cruzaram com a diretoria de Instrução Pública e/ou com a Escola Normal. Tais anúncios, por exemplo, indicavam que a maioria dessas escolas tinha localização próxima, ao que hoje, conhecemos como centro histórico de Porto Alegre153, ou seja, eram bem centralizadas e com alguma proximidade das escolas públicas mais conhecidas. Além disso, na maioria das vezes, seus diretores eram membros do professorado público e, muitos deles, da Escola Normal.
Além da localização e do nome dos professores, estes anúncios também forneciam informações, tais como datas e resultados de exames, períodos de inscrições para matrículas, abertura das aulas, entregas de diplomas e festividades civícas. Muitas vezes havia uma nota sobre determinada escola e, em seguida, nas últimas páginas, encontrava-se o anúncio da respectiva escola.
Texto 64:Estabelecimento de Instrução Texto 65: Esternato Normal Filial (A Reforma, 22/05/1886) (A Reforma, 09 de junho de 1886)
Tanto pela nota quanto pelo anúncio podia-se perceber que ter estudado na Escola Normal era sinônimo de qualificação para ser professora. Além disso, eram destacadas as virtudes necessárias para uma “distinta professora”, “inteligente, estudiosa com decidida vocação para nobre profissão que abraçou”. O anúncio indicava o endereço e o nome da professora. Porém, mais relevante que o endereço das escolas, era a identificação nestes anúncios os nomes dos professores/diretores. A seguir faz-se um breve resumo dos anúncios encontrados nos três periódicos, durante o período monárquico.
Colégio Vert- Em 1880, abertura das aulas em 8 de janeiro. Os professores eram: Demétrio Nunes Ribeiro, Alfredo Clemente Pinto, Francisco de Abreu e Lima, Conego Vicente Sebastian Wolffembuttel, Frederico Fritzgerald e a direção de Germano Vert (O Conservador, 1880).
Texto 66: Colégio Vert Texto 67: Colégio Vert (O Conservador, 05/01/1880) (O Conservador, 11/03/1882).
A partir de 1882, o anúncio dava destaque aos cursos no Colégio Vert, privilegiando a nova organização, com aulas no turno da noite, curso comercial, cursos de português: teórico e prático; francês: teórico; inglês: prático; alemão: prático; aritmética: prática e escrituração mercantil. O currículo do diretor merecia destaque pelo título de bacharel. De acordo com Coelho, isto se devia as diferenças entre os advogados no período monárquico.
Havia em primeiro lugar, o bacharel em direito formado em Coimbra e, a partir de 1827, nas escolas de São Paulo e Olinda (depois, Recife). O diploma era suficiente para o exercício da advocacia, dispensando exames e licenças e podendo o bacharel procurar em qualquer dos tribunais. Vinham em seguida os advogados provisionados, aqueles que, não tendo graus acadêmicos das escolas de direito, submetiam-se a exames teóricos e práticos de jurisprudência pelos presidentes dos tribunais da Relação. Podiam procurar apenas nos tribunais de 1ª instância e nos lugares onde não houvesse advogado formado ou os houvesse em número insuficiente para o bom andamento da justiça. Finalmente, havia solicitadores, sem diploma como os provisionados que submetiam-se pelos juízes de direito a exames apenas sobre a prática do processo. Tanto estes quanto os advogados provisionados necessitavam requerer renovação de suas licenças ou provisões no prazo de dois a quatro anos (COELHO, 1999, p.167).
Desta forma, o título de bacharel conferia status social ao indivíduo, por isso, era destaque em anúncios, principalmente, em escolas particulares para conquistar mais alunos.
Além das escolas particulares instituídas, muitos professores se ofereciam para dar aulas particulares, em suas residências ou nas dos alunos.
Texto 68: Professor Texto 69: Professor Souza Lobo (A Federação, 05/04/1884). (A Federação, 16/07/1884).
Nestes anúncios, a palavra normalista tinha um sentido importante, mostrando que a Escola Normal estava crescendo no conceito dos porto-alegrenses e qualificava os formados por ela. Guardadas as devidas proporções, assim como o título de bacharel era importante para o advogado, o título de normalista conferia status para o professor.
Texto 70: Lições Particulares (A Federação, 22/12/1886).
Ressalta-se que alguns dos professores anunciantes, tantos os particulares como os das escolas, eram também professores da Escola Normal e que, em alguns momentos ocuparam
cargos públicos. De certa forma, o nome em destaque representava certo status do referido professor na vida pública da cidade. Entre esses nomes destacavam-se:
Alfredo Clemente Pinto - lecionou no Colégio Vert154, no Ginásio São Pedro155, foi diretor da Escola Normal e diretor geral da Instrução Pública, em vários momentos. Dirigiu a Escola Normal de 1886 a 1889 e a Escola Complementar de 1906 a 1918.
Henrique Duplan - lecionou no Ginásio São Pedro, lente da Escola Normal e diretor da Instrução Pública algumas vezes.
João Von Franckenberg – além de ministrar aulas no Ginásio São Pedro e Escola Normal, dirigiu o Colégio União156. Também foi redator do jornal Deutsche Zeitung157, e por algumas publicações no periódico foi demitido da Escola Normal.
Demétrio Nunes Ribeiro – lecionou no Colégio Vert, no Colégio Souza Lobo158, na Escola Normal, da qual foi diretor interino algumas vezes, como também da diretoria da Instrução Pública.
Francisco Carlos Peixoto de Abreu Lima – lecionou no Colégio Vert, no Ginásio São Pedro, na Escola Normal e foi diretor do Internato Normal159 Frederico Fritzgerald – lecionou no Colégio Vert, no Intituto Porto Alegrense,
no Ginásio São Pedro; Instituto Brasileiro e na Escola Normal.
Frederico Bieri160– lecionou no Ginásio São Pedro e na Escola Normal. Francisco Laurent – lecionou no Ginásio São Pedro e na Escola Normal.
Apolinário Porto Alegre – lecionou no Insituto Brasileiro, na Escola Normal, da qual também foi diretor interino e assumiu a diretoria da Instrução Pública. Apeles Porto Alegre – lecionou no Instituto Brasileiro, no Instituto Porto
Alegrense, Colégio Riograndense, do qual foi diretor e na Escola Normal.
154 Colégio Vert 155 Ginásio São Pedro 156 Colégio União 157 Deutsche Zeitung 158 Colégio Lobo 159 Internato Normal
160 Segundo seu biográfo, Leandro Telles, Frederico Bieri nasceu na Suíça, em 1844, onde em 1871 recebeu o
diploma de mestre-escola. Casou-se e veio para o Brasil, em 1871, para exercer a profissão de educador. O professor Bieri passou a lecionar na Escola Paroquial Evangélica em São Leopoldo, na qual foi o primeiro professor não teólogo. Em 1877, Bieri abandona a escola paroquial e funda o “Colégio Esperança”, em São Leopoldo. Porém, em 1880 deixou o Colégio com Hans von Frankenberg e mudou-se para Porto Alegre, onde fundou uma nova escola. A partir de 1889, Frederico Bieri passou a lecionar na Escola Normal de Porto Alegre até 1917 quando se aposentou. Frederico Bieri lecionou na Escola Normal e particularmente: desenho, alemão, aritmética e canto orfeônico (TELLES, 1976, p. 115-120).
Luiz Kraemer Walter – lecionou e dirigiu o Instituto Porto Alegrense e lecionou na Escola Normal.
Theodoro de Souza Lobo – lecionou no Instituto Porto Alegrense, no Colégio Souza Lobo (fundador e diretor) e na Escola Normal, inclusive sendo diretor em alguns periodos de dominio liberal.
Horácio Maisonte – Curso de estudos em Rio Pardo e em Porto Alegre; professor da Escola Normal.