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Massivtre vs hulldekke og stål

In document Studenttorget (sider 56-60)

2.8.1 «Gode bygg for eit betre samfunn»

2.9.1 Massivtre vs hulldekke og stål

Sluzki (1997) e Speck e Attneave (1974) apontam como a interação social, seja com amigos, vizinhos ou com participantes das mesmas instituições sociais como escola, igreja ou trabalho são importantes para o processo de construção de nossa identidade, por meio do processo de pertinência, fator importante para a saúde mental.

No entanto, ao passo que a existência de relações próximas é um fator de proteção para a saúde mental, a rede social de pessoas com problema de saúde mental tende a ser menor que usualmente, e quando se trata de pacientes crônicos o número de relações íntimas também é reduzido (HALPERN, 2005; SLUZKI, 1997).

A relação entre rede social e saúde pode ser vista sob o ângulo de círculos virtuosos ou viciosos como aponta Sluzki (1997). Círculos virtuosos referem-se ao fato de que uma rede social substancial é importante para a saúde do indivíduo, ao mesmo tempo em que a saúde do indivíduo mantém a rede social. De modo análogo, círculos viciosos ocorrem na medida em que uma doença crônica afeta a rede social do indivíduo que em movimento de reciprocidade tem efeito negativo sobre esse mesmo indivíduo.

Segundo esse autor, vários fatores da rede social influenciam a saúde do indivíduo na medida em que organizam a identidade, oferecem sentidos, confirmam as competências e ações, e indicam lugares e papéis nos vínculos. O autor também pontua que a reação de alarme e a intensidade do sofrimento em situação de crise podem ser

atenuadas quando há a presença de figuras de apoio, além de uma retroalimentação contínua na rede social que favorece os cuidados com a saúde.

Ao contrário, segundo o autor, o desencadear de uma doença, principalmente crônica, diminuindo os contatos sociais, diminui a mobilidade na rede. O indivíduo assim enfraquece sua capacidade de ação, de iniciativa. O adoecimento dificulta a reciprocidade nas relações e gera efeitos aversivos para alguns. O autor também lembra, para efeito de trabalho com equipes, que aquelas pessoas que cuidam de doentes crônicos sofrem por não se sentirem gratificadas.

Segundo Halpern (2005) as pesquisas mostram muito claramente a relação entre saúde mental e rede social no nível pessoal. Há uma correlação entre participação de redes sociais e sobrevida (SLUZKI, 1997; WILKINSON, 1996), proteção contra depressão (BARRETO, 2005; HALPERN, 2005) e recuperação de situações traumáticas (SLUZKI, 1997; HALPERN, 2005). A proteção contra demência e perdas cognitivas depois dos 65 anos também é apontada por autores como Fabrigoule et a.l, Bassuk, Glass e Berkman, e Fratiglioni et al., e citados por Halpern (2005).

Há também uma correlação entre densidade da rede social e re-hospitalização de pacientes que apresentaram quadro psicótico (DOZIER, HARRIS E BERGAMAN citados por SLUZKI ,1997). Quando de baixa densidade, isto é, os componentes da rede não se conhecem entre si, a pouca conexão entre os vários membros impede a circulação de informações, sobrecarregando alguns que podem retirar-se. Da mesma forma, se a densidade é muito alta, e todos os membros da rede se relacionam entre si, a tendência é delegar e sentir-se dispensável em situações de crise.

Speck (1974) comenta que a sua longa experiência em atendimento à família em domicílio, principalmente em situação de psicoses, apesar de mostrar-se bem mais

produtiva que os atendimentos individuais, mostrava que em alguns casos problemas de eleição de bode expiatório, de duplo vínculo e reforço do papel de doente, entre outras questões, encontravam-se fora do núcleo familiar. A partir de 1966 faz reuniões com a rede social do indivíduo, em que todos os participantes eram convidados, iniciando com um paciente em estado esquizofrênico. Tinha como objetivo a ressocialização da unidade familiar, desmistificação dos segredos, quebra dos vínculos patológicos e fortalecimento dos vínculos curativos.

O trabalho de intervenção em rede de Speck e Attneave (1974) centrou-se em situações de crise, acreditando os autores que nestes momentos há maior mobilização para busca e oferta de ajuda, diminuindo o isolamento e a auto-suficiência próprios da vida urbana. Propunham um trabalho de retribalização, ou fortalecimento das redes sociais do indivíduo e da família. Acreditavam também que a maior parte dos casos, senão todos, provinham da alienação da rede social e seus recursos, além do que muitas vezes a rede social origina e perpetua patologias, sendo a família ou o indivíduo o bode expiatório da rede. A rede social passa a ser o alvo da intervenção com o objetivo de resgatar suas funções, tornando-a visível para seus membros.

Sluzki (1997) também se dedicou a redes sociais de pessoas/famílias em crise ou que buscavam ajuda. Entende a família como uma construção cultural, sendo como todo sistema mutável a partir da interação com o meio ambiente, e indica que o objetivo deste trabalho não se destina à “verdadeira família”, mas às relações significativas do indivíduo.

Diferencia também o foco na “rede social pessoal” do trabalho com a ampliação de rede social e a formação de grupos informais de auto-ajuda próprios dos programas de reabilitação psicossocial em áreas diversas como adolescentes, pacientes crônicos, entre outros. Reconhecendo a importância do trabalho com a família por um lado, e o

fortalecimento e ampliação das redes sociais por outro, no entanto, oferece uma abordagem com um terceiro foco, a interface indivíduo-família-inclusão social, que chama rede social significativa, rede social pessoal ou rede micro-pessoal. Não propõe uma substituição, mas um olhar mais complexo nas dimensões vinculares.

O autor define assim a rede social pessoal como o conjunto formado por todas as relações que são significativas para um indivíduo e que são distintas da massa anônima da sociedade. Esta rede pessoal propicia sensação de continuidade e historicidade, além de contribuir para a construção da identidade e auto-imagem é um importante fator para o bem-estar, competência e agenciamento e adaptação a situações de crise.

Para Sluzki (1997) o modelo da rede social representa uma útil ferramenta para organizar as experiências pessoais e coletivas, diante do sofrimento humano e de sua elaboração e reparação. No entanto, ao ser definido como um sistema a utilização seletiva de variáveis pelo observador naturalmente empobrece os sistemas supra-ordenados, referentes aos processos sociais mais amplos, e os subordinados referentes à dimensão individual. Esta realidade requer que não se perca a visão de que há uma influência recíproca entre a rede social pessoal e esses outros sistemas e variáveis.

Esse autor propõe a elaboração do mapa da rede, conforme ilustração a seguir: um círculo com quatro quadrantes relativos à família, amizades, relações de trabalho ou escolares e às relações comunitárias onde se incluem serviços e credos. O círculo maior divide-se também em outros círculos menores estabelecendo-se três níveis para cada quadrante: relações mais íntimas, nível intermediário de relações pessoais com menor grau de compromisso e finalmente um nível com relações ocasionais ou só de conhecidos.

Figura 10 – Mapa de rede

Fonte: Sluzki (1997, p. 43)

Explica que as características da rede pessoal são determinadas por sua estrutura, pelas funções e pelos atributos dos vínculos. A estrutura da rede forma-se a partir do tamanho, da densidade, composição ou distribuição, dispersão, homogeneidade ou heterogeneidade demográfica e sociocultural. Redes de tamanho médio são mais efetivas: quando pequenas geram dependência e quando muito grandes as pessoas podem sentir-se dispensáveis em situações de emergência por acreditar que há muita disponibilidade de ajuda por parte de outros. O mesmo fenômeno ocorre com a densidade, que se refere ao grau de conexão que os membros de uma rede têm entre si, independentemente do informante; uma rede muito densa também exerce maior pressão em relação às normas do

grupo, oferecendo menos liberdade aos seus componentes. A composição ou distribuição indica se uma pessoa tem vínculos em diversas áreas ou limita-se, por exemplo, a vínculos de trabalho ou de família. A dispersão indica a distância geográfica entre os vínculos de forma que vínculos mais íntimos, mas distantes espacialmente, prejudicam o acesso e velocidade de respostas. E por último, a homogeneidade ou heterogeneidade demográfica e sociocultural identifica possíveis conflitos entre subgrupos da rede ou mesmo a diferença de subgrupos ligados a cada membro de um casal.

O autor também dispõe sobre as diferentes funções dos vínculos na rede. Podem servir de companhia social, de apoio emocional, de guia cognitivo e conselhos, de regulação social; ajuda com bens materiais ou de serviços ou com forma de acesso a novos contatos. Um mesmo vínculo pode ter mais de uma função; uma pessoa pode ter vínculos diferentes com diferentes funções, enquanto outra pode se concentrar em vínculos com uma mesma função. Uma pessoa que tem mais vínculos de apoio emocional pressupõe uma pessoa mais dependente e insegura, e difere muito daquela que forma a maioria de seus vínculos com objetivo de acesso a novos contatos, o que pode aparentar uma rede maior, mas certamente com baixo nível de intimidade. De modo geral, a combinação de funções oferece mais estabilidade e confiabilidade aos vínculos.

Os atributos dos vínculos, também de importante análise para o autor, referem-se a diversos fatores como: predominância de suas funções; versatilidade, isto é, um vínculo com função de companhia social pode em determinado momento tornar-se apoio emocional; reciprocidade; intensidade ou compromisso da relação ou grau de intimidade; freqüência do contato ou intensidade e por último à história da relação, que pode indicar diferentes significados.

As dimensões da rede pessoal têm uma relevância clínica para Sluzki (1997), diante do atual contexto social, em que um número crescente de pessoas moram sozinhas, de casais sem filhos ou com filhos que passam a morar distante; do aumento na emigração, onde se perde os laços com a família mais ampla; da perda de atividades tribais com as famílias extensas; e finalmente diante da menor pressão para atividades sociais formais e informais.

O autor enfatiza o efeito terapêutico da elaboração do mapa social trazendo dois importantes pontos para discussão. O primeiro ponto refere-se ao fato de o indivíduo começar a questionar a sua própria rede social enquanto visualiza e nomeia os vínculos no mapa. Terapeuta, paciente e/ou família podem detectar as necessidades de melhorar as habilidades sociais e identificar as partes da rede ou os vínculos que em situação de crise podem servir de apoio, podem ser modificados ou desativados. Nessa investigação compartilhada da rede social cabe ao terapeuta levantar questões para que surjam alternativas por parte do paciente, lidando Szluki com a noção de competência utilizada por outros terapeutas sistêmicos. O paciente pode melhor buscar soluções viáveis para si e para o seu contexto social.

No segundo ponto referente ao problema mantido ou constituído pelo sistema, o autor refere-se principalmente a “famílias multiproblemáticas”, as quais alude ser na maioria das vezes famílias de maior carência socioeconômica e dependentes de agências sociais e de saúde. Indica nesses casos uma avaliação macro-sistêmica para identificação de agências com maior interação na situação do paciente ou família, e que podem ser incluídas nas reuniões grupais. Nestas reuniões podem ser compartilhadas as diferentes formas de compreensão do problema e busca de soluções, e, conseqüentemente alcançadas diferentes formas de falar sobre o problema.

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