• No results found

Chapter Five: Understanding Female Headship

5.2. Marriage as a Base for Gender Relation

Zona de Cisalhamento

do Cinzento

Zona de Cisalhamento

de Carajás

º

10 5 0 10 20 30km

Limite aproximado de domo estrutural Falha transcorrente sinistral

Limite aproximado da zona de cisalhamento do Cinzento

Fotolineamento

33 3.4.1 Zonas de Cisalhamento Regionais

As zonas de cisalhamento (ou falhas) de Carajás e Cinzento apresentam movimentação transcorrente e cinemática predominante sinistral, de caráter rúptil-dúctil, comumente acompanhadas de silicificação das rochas por elas cortadas. Apresentam forma sigmoidal e orientação variando entre E-W e ESE-NNW, sub-paralelas ao plano axial de dobras de escala regional (Rosière et al. 2005). Uma xistosidade penetrativa ocorre associada e restrita as zonas de cisalhamento, principalmente na do Cinzento, com orientação subparalela as falhas e identificada principalmente nas rochas metavulcânicas e metapelíticas.

A zona de cisalhamento de Carajás acompanha o flanco rompido que divide o par antiformal-sinformal da Dobra Carajás (Figura 11) definida por Rosière et al. (2005). Segundo os mesmos autores, trata-se do produto de amplificação da dobra durante os estágios tardios de um encurtamento com direção aproximadamente N-S. De maneira semelhante a Zona de Cisalhamento ou falha do Cinzento, aparenta ter se desenvolvido ao longo de outro par antiformal-sinformal entre a Serra Norte e a Serra do Salobo, com o flanco comum rompido e deslocado paralelamente ao plano axial.

Segundo Holdsworth & Pinheiro (2000) a deformação associada à falha Carajás ocorre em níveis crustais relativamente rasos (< 5 km), e sua orientação seria controlada pela trama dúctil das rochas do embasamento. O domínio setentrional da falha contém corpos de minério de ferro dobrados, falhados e rotacionados na Serra Norte. Várias ramificações lístricas do tipo splay de orientação aproximada N-S controlam o posicionamento desses corpos. O domínio meridional na região da Serra Sul inclui corpos de minério com mergulho para norte.

As seqüências vulcanossedimentares na PMC apresentam continuidade regional e estruturação NE-SW, com desenvolvimento de dobras com sistema de eixo apresentando caimento moderado para WNW. As dobras são intersectadas por diversas falhas de orientação geral E-W, subparalelas ao plano axial (Rosière et al. 2005).

34 3.4.2 Domos Estruturais

Segundo Lobato et al. (2005) a análise das estruturas regionais registradas nas seqüências metavulcanossedimentares em torno do Complexo Pium, indica que as unidades supracrustais envolvem o complexo magmático-metamórfico, de idade mais velha, como um bloco resistente. A Serra Sul apresenta orientação distinta do trend regional E-W próxima à borda nordeste do complexo, registrado inflexão para NW onde as unidades do Grupo Grão Pará encontram-se mais deformadas, exibindo dobramento apertado (isoclinal) e estruturas planares subparalelas à Zona de Cisalhamento de Carajás.

Esta variação na estruturação das seqüências metavulcanossedimentares na região da Serra Sul é interpretada por Lobato et al. (2005) como resultado da interferência tectônica do dobramento das seqüências contra a borda norte-nordeste de um bloco ou domo estrutural, constituído pelas rochas do complexo Pium e corpos graníticos da suíte Plaquê, definido pelos mesmos autores como Domo de Xikrim. O Domo provavelmente serviu de anteparo durante a deformação por achatamento com encurtamento N-S, resultando em rotação no sentido dextral da seqüência e originando a estruturação atual. Dobras com perfis mais abertos são encontradas a oeste do Domo Xikrim no Grupo Aquiri, na região considerada sombra de deformação.

Segundo Lobato et al. (2005) a origem do Domo de Xikrim ainda deve ser estudada com maior detalhe, entretanto os autores sugerem uma origem associada a um sistema tipo core complex erodido, posicionado tectonicamente contra as seqüências metavulcanossedimentar do Supergrupo Itacaiúnas. O mecanismo de posicionamento deste domo também não está esclarecido, embora se suponha que os granitos da Suíte Plaquê que também envolvem o domo na região, tenham contribuído para sua ascenção.

Unidades supracrustais também envolvem o Complexo Estrela na área de estudo, assim como outros corpos magmáticos ainda não caracterizados e comumente agregados de forma indiscriminada como Complexo Xingu (Lobato et al. 2005). A arquitetura juntamente com as feições estruturais de ambas as regiões é muito semelhante à geometria do tipo Domo e Quilha (Dome and Keel).

35 3.5 MODELO EVOLUTIVO

Com relação à evolução tectonoestratigráfica da PMC foram publicados modelos de cunho regional, como por exemplo, Araújo & Maia (1991), Oliveira et al. (1994), Costa et al. (1995), Pinheiro& Holdsworth (1997) e Holdsworth & Pinheiro (2000). Embora existam diversas divergências entre estes autores as propostas são bastante semelhantes, com uma evolução marcada por sistemas de falhas transcorrentes onde predominaram movimentações oblíquas, ora transtensivas ora transpressivas, com desenvolvimento de bacias tipo pull-apart onde foram depositadas seqüências sedimentares.

Pinheiro & Holdsworth (1997) propõe uma evolução marcada pela reativação rúptil a rúptil- dúctil, no acervo estrutural planar dúctil das rochas do embasamento (granitos e gnaisses com ca. 2.8 Ga), com pelo menos cinco episódios tectônicos consecutivos de movimentação transcorrente.

Holdsworth & Pinheiro (2000) sugeriram para os sistemas transcorrentes Carajás e Cinzento ,durante o intervalo entre 2,8 e 1,9 Ga, os seguintes eventos: transpressivo sinistral (2,8 Ga); extensional (intracratônico 2,7 Ga); transtracional dextral (2,6 Ga); transpressivo sinistral/transtensivo (1,9 Ga), a partir deste último reconheceram reativações extensionais até a atualidade. Tais eventos foram correlacionados com os fenômenos de metamorfismo, deformação, sedimentação, vulcanismo e granitogênese na região.

Recentemente Rosière et al. (2005) apresentaram uma nova proposta de evolução geológica para a região de Carajás. Segundo os autores as características geométricas e cinemáticas das estruturas tectônicas na Província de Carajás indicam uma evolução associada a um encurtamento regional, de direção aproximadamente NE-SW.

O primeiro evento principal que afetou a região é associado a uma tectônica compressiva oblíqua. Esse evento foi responsável por dobramento com sistema de eixo com caimento moderado para WNW das diferentes seqüências vulcanossedimentares na província, que originalmente teriam uma estruturação (strike) NE-SW (Figura 13). A idade da deformação é associada ao Granito Estrela (Barros 1997), plúton que intrudiu as seqüências vulcanossedimentares e também mostra condições de deformação por achatamento.

Um segundo evento deformacional é caracterizado por uma tectônica transcorrente, registrado em diversas fraturas, falhas, lineamentos regionais de orientação E-W e em uma clivagem discordante ao bandamento composicional nas rochas metassedimentares, e do bandamento ígneo nos plútons. Este evento é conseqüência da acomodação da deformação por cisalhamento puro do primeiro evento por escape lateral. Esse tectonismo seria responsável pelos fortes contrastes no grau metamórfico em escala local a subregional, e poderia corresponder à tectônica transcorrente definida por Pinheiro& Holdsworth (1997).

36 Durante os dois eventos, possivelmente resultados de uma deformação progressiva, as seqüências vulcanossedimentares experimentaram deformação regional em condições dúcteis- rúpteis a rúpteis, com exceção das proximidades dos granitos sintectônicos ou dos domos estruturais, onde a temperatura relativamente mais elevada permitiu o desenvolvimento de estruturas dúcteis.

Figura 13 - Bloco diagrama esquemático da Província Mineral de Carajás e arredores. A escala horizontal é aproximada e a vertical exagerada, a charneira da dobra de Carajás apresenta caimento entre 20 e 35º W (fonte: Rosière et al 2004 e 2005).

37

CAPÍTULO 4