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1435

Nome: Afonso Gonçalves Baldaia.

Data de nascimento: Finais do século XIV ou inícios do século

XV.

Local de nascimento: Provavelmente, no Porto, em Portugal. Data de morte: Posterior a 1450.

Local de morte: Provavelmente, nas Lajes, na ilha Terceira, nos

Açores.

Família: Sobrinho de Afonso Eanes. Tio de Fernão de Álvares

Baldaia. Irmão de Inês Gonçalves Baldaia. Cunhado de Afonso Nicolas e Álvaro Fernandes.

Maior feito: Alcançou o rio do Ouro e a Pedra da Galé, situados

no atual Sara Ocidental. Foi um dos primeiros colonos das Lajes, na ilha Terceira, nos Açores.

Vida e feitos

Afonso Gonçalves Baldaia terá nascido no Porto, cidade onde a sua família residia, em data incerta, mas que poderá ser situada algures entre os finais do século XIV e o início do século XV. Po- deria mesmo ser sensívelmente da idade do infante D. Henrique (1394-1460), a quem serviu mais tarde enquanto copeiro, função que lhe terá permitido tornar-se muito próximo do infante.

É provável que Afonso Gonçalves Baldaia tenha casado, em- bora seja impossível saber ao certo o nome da dama com quem contraiu matrimónio. Assim sendo, é também impossível deter- minar com certeza se teve descendência e, se sim, quem foram os seus filhos. As únicas certezas que existem relativamente à

sua vida familiar dizem respeito à família da sua irmã, Inês Gon- çalves Baldaia, filha de Afonso Eanes. Inês Gonçalves Baldaia casou pela primeira vez, em 1418, com Afonso Nicolas, indiví- duo de quem nada se sabe. Já em segundas núpcias, viria a casar com Álvaro Fernandes, escudeiro de Martim Afonso de Miran- da e importante mercador portuense. Do primeiro matrimónio nasceria João Baldaia que viria a servir o infante D. Henrique enquanto escudeiro e criado. Do segundo matrimónio nasceria Fernão Álvares Baldaia, escudeiro e, mais tarde, cavaleiro da casa real, que, ao que tudo indica, teria herdado os negócios do pai no Porto, tornando-se ele próprio num próspero mercador, vindo a falecer em 1490.

Voltando a Afonso Gonçalves Baldaia, a sua vida e, em particu- lar, a sua curta carreira enquanto navegador, surge ligada, como já vimos, ao infante D. Henrique. De facto, como muitos outros indivíduos do período, Afonso Gonçalves Baldaia beneficiou da proximidade a um grande senhor, neste caso, um filho do rei D. João I (r. 1385-1433) que em simultâneo foi duque de Viseu e o principal responsável pelo início dos Descobrimentos. Foi precisamente por ser um homem da confiança do infante que Afonso Gonçalves Baldaia, que não tinha experiência enquanto mareante, acabou por ser nomeado capitão de um barinel.

Ao que se sabe, Afonso Gonçalves Baldaia apenas realizou duas viagens à costa ocidental africana. Em 1434, Gil Eanes ti- nha sido bem-sucedido na sua tentativa de dobragem do cabo Bojador. Conhecedor do sucesso de Gil Eanes, o infante D. Hen- rique deu ordens para que o navegador voltasse a ultrapassar o mesmo cabo, mas desta vez acompanhado por Afonso Gonçalves Baldaia.

Foi assim que, em 1435, Afonso Gonçalves Baldaia partiu pela primeira vez numa viagem de descobrimento. Seguia ao coman- do de um barinel, enquanto Gil Eanes comandava uma barca. A missão, que tinha por objetivo o estabelecimento de contactos com populações que habitassem além do Bojador, acabou por

A vida e os feitos dos Navegadores e Descobridores

fracassar, pois nem Gil Eanes nem Afonso Gonçalves Baldaia en- contraram vivalma ao longo da costa. Esta primeira viagem terá chegado até ao local designado como angra dos Ruivos, situada no atual Sara Ocidental. A costa da região é particularmente de- sértica, pelo que hoje surge como natural o facto de não terem encontrado nenhum povoado junto ao mar. Havia, então, uma grande necessidade de encontrar nativos, por forma a obter in- formações sobre as regiões que se iam encontrando, uma vez que eram completamente novas para os portugueses, bem como para permitir o estabelecimento de relações comerciais.

De volta a Portugal, Afonso Gonçalves Baldaia recebeu das mãos do infante D. Henrique uma nova, e ao que tudo indica derradeira, missão. Uma vez mais, devia seguir a costa além do cabo Bojador e procurar estabelecer contactos com as popula- ções nativas que, esperava o infante, viesse a encontrar. Devia, acima de tudo, procurar encontrar um intérprete que lhe permi- tisse comunicar com as populações e estabelecer relações comer- ciais com elas. Seguindo as ordens do infante, Afonso Gonçalves Baldaia partiu em 1436 rumo à costa ocidental africana, encon- trando a foz do rio do Ouro, situada a cerca de 120 léguas a sul do Bojador.

Para levar a cabo as ordens do infante, Afonso Gonçalves Bal- daia decidiu desembarcar e explorar o interior. Para tal, recor- reu à ajuda de Heitor Homem e Diogo Lopes de Almeida, dois moços fidalgos de 17 anos que o tinham acompanhado, a quem entregou dois cavalos transportados no barinel, por forma a fa- cilitar a tarefa de exploração. Na sua exploração, os dois moços encontraram 19 homens, tendo-os combatido para tentarem cap- turar um que pudesse servir de intérprete. Contudo, não tiveram sucesso, pelo que regressaram para junto de Afonso Gonçalves Baldaia. Face a novo insucesso, Afonso Gonçalves Baldaia deci- diu partir rumo a sul. A expedição percorreu aproximadamente 50 léguas, até atingir um local que mais tarde se veio a cha- mar Pedra da Galé. Aí, voltaram a desembarcar e a explorar um

pouco o interior, mas novamente sem sucesso, pelo que foi deci- dido regressar a Portugal.

Em 1437, o rei D. Duarte concedeu-lhe o cargo de almoxarife dos direitos reais e sisas do Porto. Esta concessão, que dava pode- res a Afonso Gonçalves Baldaia para lidar com a arrecadação das sisas, um imposto pago à Coroa, pode ter sido feita a pedido do infante D. Henrique, como forma de recompensar o seu servidor pelas missões desempenhadas. O infante sempre soube manter- -se próximo do irmão mais velho, o rei D. Duarte (1433-1438), de quem obteve importantes doações, pelo que esta é uma hipótese plausível.

Entre 1437 e 1450, Afonso Gonçalves Baldaia terá permane- cido na cidade do Porto, desempenhando as funções que lhe foram atribuídas pelo rei D. Duarte. A sua irmã ainda habitava naquela cidade e era viva em 1469, embora já fosse bastante ido- sa e doente, mas sem perder a lucidez mental. Em 1450, Afonso Gonçalves Baldaia terá estado entre os primeiros povoadores das Lajes, na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores, embora não seja possível conhecer as razões que o levaram a mudar-se. É provável que tenha morrido nas Lajes, ainda em meados do século XV.