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ESTRATÉGIAS DE PROGRESSÃO TEXTUAL FORMALIZAÇÃO LINGÜÍSTICO TEXTUAL OCORRÊNCIAS O criminoso
Introdução de referente por anáfora indireta
Descrição nominal sem determinante (43) Nome: Jaime Bonifácio Morelli.
Anáfora correferencial recategorizador
Descrição nominal sem determinante Profissão: bancário
Anáfora correferencial recategorizadora
Descrição nominal com determinante (...) desarmaram o criminoso.
A vítima
Introdução de referente por anáfora indireta
Descrição nominal sem determinante (44) Estacionou (...) o carro (...) Dr. Paulo Júlio Fontana.
Anáfora correferencial recategorizadora
Descrição nominal sem determinante Dr. Paulo Júlio Fontana, advogado,
de 40 anos. Anáfora correferencial
recategorizadora
Descrição nominal com determinante (...) procuraram prestar os primeiros socorros à vítima. ESTRATÉGIAS DE PROGRESSÃO TEXTUAL FORMALIZAÇÃO LINGÜÍSTICO TEXTUAL OCORRÊNCIAS A arma do crime
Anáfora indireta ancorada no contexto.
Descrição nominal definida (45) (...) Morelli (...) sacou o revólver.
Anáfora indireta meronímica Descrição nominal com modificador (...) desfechou cinco tiros.
Anáfora indireta meronímica Descrição nominal definida pluralizada
Atraídos pelos estampidos,
ocorreram os populares que se achavam no bar.
Os motivos do crime
Anáfora correferencial recategorizadora
Descrição nominal acompanhado de dêitico adjetivo.
(46) (...) foi conduzido à Delegacia de Homicídios, onde prestou as
seguintes declarações.
respondeu que não sabia.
Anáfora indireta Descrição nominal com adjetivo (...) não conseguiram as autoridades arrancar-lhe qualquer informação
que elucidasse o móbil de tão misterioso crime.
Caracterização do crime
Por anáfora encapsuladora Descrição nominal adjetiva sem determinante
(47) (...) Entretanto, por mais que se esforçassem, não conseguiram as autoridades arrancar-lhe qualquer informação que elucidasse o móbil de tão misterioso e inexplicável crime.
Por anáfora encapsuladora Descrição nominal indefinida Viu-se a polícia, portanto, às voltas com um verdadeiro enigma.
Análise do segundo plano do conto Idos de Março
Na segunda fase do conto, há o desvelamento do mistério, frame ativado no desfecho da primeira fase da narrativa. Serão revelados os motivos do crime e a razão pela qual o criminoso dizia não saber a identidade da vítima, situações que até então estão envoltas em mistério.
a- O conto e o Frame: um modo de olhar
Ao frame delito, acionado no primeiro plano, um outro frame é construído no encerramento do primeiro plano: mistério. Este é ativado quando não há explicação dos motivos que levaram o criminoso a cometer o crime e a relação entre o criminoso e a vítima. Deste ponto em diante, o leitor é levado a focar a atenção nas pistas que o narrador introduzirá durante o percurso narrativo que o levem a desvendar o enigma.
b- O conto e a referenciação: um outro modo de olhar
Para explicar os motivos do crime, o produtor necessita introduzir duas novas personagens à narrativa: a primeira é o narrador-personagem, aquele que conhece os motivos e os revela ao leitor, por descrição nominal indefinida uma pessoa; e a segunda personagem, por descrição nominal sem determinante Sonia. Esta última, embora seja uma nominalização nova, consideramos, nesta dissertação, que trata- se de uma categorização do termo razão. A razão do crime, que até então era desconhecida do leitor é personificada pela personagem Sonia.
c- O conto e a progressão referencial
Em (48), o narrador apresenta lentamente, em ritmo de suspense, a primeira nova personagem ao leitor por descrição nominal indefinida como sendo apenas uma pessoa. Depois a retoma por descrição definida com valor dêitico como essa pessoa e depois a identifica por descrição predicativa, com sendo ele mesmo: era eu.
(48) Havia uma pessoa que sabia mais do que a polícia.
Essa pessoa ... era eu.
A introdução de dois outros referentes, um homem (49) e meu marido (50), do ponto de vista do leitor, não está condicionada aos referentes dados vítima, Paulo Julio Fontana, e criminoso, Jaime Bonifácio Morelli, com a finalidade de manter o mistério desencadeado. Desse ponto de vista, os referentes seriam interpretados pelo leitor como referentes novos. Somente no decorrer da narrativa, é possível relacioná-los aos referentes explícitos no primeiro plano como sendo a vítima (ou Paulo) e o criminoso (ou Jaime). Sendo assim, classificamos as introduções novas como anáforas correferenciais recategorizadoras.
Em (49), um homem é retomado ora por anáfora correferencial recategorizadora, ora por pronominalização.
(49) Um homem saiu de casa.
(...) Peça àquele cara que a leve daqui. (...) Ele não me conhece.
O leitor, somente neste momento, é levado a inferir que um homem é a vítima do crime descrita no primeiro plano da narrativa. O mesmo processo acontece em (50) para o personagem meu marido, como sendo o mesmo personagem que cometeu o crime no primeiro plano. Este é retomado no discurso pela descrição nominal com adjetivo seus olhos por relação meronímica.
(50) Meu marido!
(...) Seus olhos, cravaram-se no “Oldsmobile”.
Quanto aos motivos, em (51a), estes continuam sob suspense.
(51a) Como não há regra sem exceção, entretanto, posso agora revelar que nesse caso da rua dos Jasmineiros, no bairro de Vila Regina, havia uma pessoa que sabia muito mais do que a polícia. Na verdade, sabia tudo, ou quase tudo, sobre o
crime. Sabia a razão pela qual Morelli se calara. (...).
Inferimos que a expressão tudo sumariza a ausência de explicações para o crime. Antes não se sabia de nada, agora há a possibilidade de se saber tudo. A narrativa que se apresentava com lacunas de informações se propõe a preenchê- las.
As informações que faltavam, no primeiro plano, relacionavam-se com a ausência de um motivo para o crime e o narrador se propõe a apresentar as razões pelas quais Morelli se calara. Neste caso, há uma hibridização. Razões sintetiza as informações precedentes e, prospectivamente, categoriza Sonia (a razão do crime).
Em (52b), a expressão Sonia é retomada ora por anáfora co-significativa, ora por pronominalização:
(52b) Digamos, Sonia. (...) Conheci-a. (...) Amei-a. (...) Nunca mais vi Sonia.
Na página a seguir, apresentamos a síntese das análises feitas da progressão referencial ocorrida no segundo plano do conto Idos de Março. Para melhor visualização, repetimos a divisão feita no Quadro III a partir das variáveis do frame delito: a identidade do criminoso, a identidade da vítima, o motivo do crime; eliminamos a variável arma do crime e acrescentamos a variável ativada em paralelo para o frame mistério a testemunha.
QUADRO IV: ESTRATÉGIAS PRAGMÁTICAS DE PROGRESSÃO REFERENCIAL16.