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Stated Preference Model Calibration and Market Share Prediction

7. Market Simulation and Prediction

No período da Alta Idade Média, os guerreiros prostravam-se diante dos corpos de seus amigos falecidos e mostravam seus sentimentos de forma exagerada diante deles. Já a partir do século XIII, as manifestações de luto são marcadas pela presença das carpideiras. Testamentos do século XVI e XVII registram que os cortejos tinham a presença de figurantes, os quais eram comparáveis à presença das carpideiras (ARIÈS, 2003).

Do período que compreendia o fim da Idade Média até o século XVIII, o luto tinha dupla finalidade. A primeira era a de levar a família do morto a manifestar a dor pela perda de alguém próximo – tal dor nem sempre estava sendo sentida. A segunda era ajudar os que sobreviveram a enfrentar o sofrimento excessivo. No

período do luto, parentes, vizinhos e amigos iam visitar os enlutados e estes poderiam liberar as suas tristezas e emoções, sem que suas expressões fossem além de limites fixados pela aceitação da sociedade (ARIÈS, 2003).

O tipo de luto praticado no século XIX na atualidade é visto como exagerado. O luto desta época se dava com um desenrolar fora do comum. Choros, desmaios, desfalecimentos e jejuns faziam parte dos rituais deste período da história. O exagerado luto do século XIX significava que as pessoas que viveram neste período tinham mais dificuldade em aceitar a morte e em conviver com a temática do que as que viveram em tempos anteriores. Neste período, a morte temida é a morte do outro, não a própria morte (ARIÈS, 2003).

O sentimento demasiado de luto do século XIX é que dá origem ao culto moderno dos túmulos e dos cemitérios. Ariès (2003) situa o culto aos túmulos e aos cemitérios como sendo um fenômeno religioso, próprio da época contemporânea. O autor acrescenta que o culto aos túmulos, praticado nos séculos XIX e XX, não está relacionado aos cultos antigos, pré-cristãos, dos mortos, e nem com a manutenção dessas práticas. Nos séculos XIX e XX, cultivam-se hábitos como ir aos cemitérios colocar flores nos túmulos – assim, são cultivadas as lembranças dos que morreram.

Ariès (2003) traça um perfil do desenvolvimento do luto, de forma resumida, no decorrer do processo histórico:

Se fosse possível traçar uma curva do luto, teríamos uma primeira fase aguda, de espontaneidade aberta e violenta, até o século XIII aproximadamente; depois uma fase longa de ritualização até o século XVIII e ainda, no século XIX, um período de exaltado “dolorismo”, de manifestação dramática e mitológica fúnebre. É possível que o paroxismo do luto no século XIX esteja relacionado com sua proibição no século XX, assim como a morte suja do pós-guerra, de Remarque a Sartre e a Genet, aprecia com o negativo da morte nobre do Romantismo (ARIÈS, 2003, p. 250).

Aponta Ariès que os hábitos de luto pouco se alteraram do século XIX até a primeira Guerra Mundial. Entre 1930 e 1950, período em que ocorre o deslocamento da morte de casa para os hospitais, vai ocorrer uma mudança nos costumes e práticas diante da finitude humana. Nesse contexto, está incluída uma mudança da postura da sociedade diante do luto.

Passa a não ser comum pessoas demonstrarem explicitamente o que estão sentindo pela morte de um familiar. A demonstração de dor perante os outros já não é mais motivo de sensibilização, mas de perturbação da ordem social. É a família quem tem que dar o amparo aos próprios membros.

Hoje, à necessidade milenar do luto, mais ou menos espontâneo ou imposto segundo as épocas, sucedeu, em meados do século XX, sua interdição. Durante o espaço de uma geração, a situação foi invertida: o que era comandado pela consciência individual ou pela vontade geral é, a partir de então, proibido; o que era proibido, é hoje recomendado. Não convém mais anunciar seu próprio sofrimento e nem mesmo demonstrar o estar sentindo (ARIÈS, 2003, p. 250-251).

O grupo social não dá mais sustentação às pessoas que estão sofrendo a perda de alguém próximo. O luto passa a ser solitário. Com o esvaziamento dos valores da morte, o hábito de visitação aos cemitérios enfraqueceu, principalmente nos países onde a revolução dos hábitos diante da finitude humana foi radical. Com o enfraquecimento do simbolismo dos cemitérios, a cremação surge como uma alternativa de sepultamento. Ariès (2003) salienta que a principal motivação da cremação é que ela é a maneira mais adequada para fazer desaparecer tudo o que pode restar do corpo da pessoa que faleceu; a cremação elimina os vestígios da morte, é uma garantia da existência da racionalidade.

Ao refletir sobre o luto, Chiavenato (1998, p.64) relata que a sua prática começou a ser abandonada em meados da década de 1950. O autor assinala que nesta época as sociedades industrializadas deixaram o luto de lado e começaram a ter novos costumes diante da morte.

De lá para cá, cada vez mais, quem perde um parente, amante ou amigo deixa de emitir sinais de dor, não lança apelos de socorro nem pede conforto sentimental. Vive-se isoladamente a dor. Durante o luto, era comum as pessoas se solidarizarem e demonstrarem carinho. Hoje, o fim do luto ostensivo contribui para aumentar o sentimento de angústia e isolamento.

É claro que mesmo condicionadas pelas formas do morrer, as pessoas sentem dor sincera. Mas já não há o costume de, com o luto, avisar que estamos sofrendo – aquela antiga roupa ou tarja preta era um pedido de solidariedade: confortem-me. Isso acabou.

As civilizações antigas eram mais compreensivas que as atuais com os sentimentos das pessoas que estavam sofrendo devido à perda de alguém próximo. Como causa do esvaziamento dos ritos perante a morte, pode-se apontar a necessidade de se manter a felicidade coletiva, evitando as formas que possam causar tristeza para a sociedade. O interdito de algumas manifestações, diante da morte, deu-se após um período de vários séculos de culto à morte, a qual era um espetáculo público amplamente apreciado.

Hoje, com a economia dos gestos e dos sentimentos, como noções fundantes do “processo civilizador” da modernidade (ELIAS, 1993), a exacerbação do sofrimento no luto perde lugar social e torna-se individual. O sofrimento público transforma-se em inadequação. É a melancolia que dá lugar ao luto. Os enlutados agora sofrem sozinhos, não demonstrando para a sociedade os seus sentimentos. O luto pela perda de uma pessoa próxima foi abdicado em nome da sobriedade de comportamento. Kübler-Ross (2008) salienta que entre os parentes dos mortos um vazio é sentido após o funeral. E é neste momento que os familiares precisam de pessoas para conversar, principalmente de alguém que teve contato com o falecido para lembrar os bons momentos vividos por ele.

No período de prática do luto, a sociedade impunha às famílias dos mortos um tempo de reclusão, que tinha como objetivo fazer com que os sobreviventes resguardassem a sua dor do mundo e também impedir que esquecessem rapidamente do falecido (ARIÈS, 2003). Na atualidade, com a interiorização do sofrimento, o trabalho do luto foi atravessado por razões de conveniência social e pelo enaltecimento do individualismo. A dor de um enlutado não faz mais parte das preocupações coletivas e o sofrimento precisa ser um processo discreto.

O luto saiu de moda nas sociedades ocidentais sem que fosse levado em consideração que ele tinha funções sociais e que trazia benefícios. As sociedades individualistas não dão mais amparo aos seus membros no momento da finitude humana. Foi necessário cortar qualquer vestígio da morte do cotidiano para que os vivos não fossem atormentados com a possível idéia da finitude:

[...] o luto está saindo de moda em nossas sociedades, tanto como reação contra a hipocrisia social tradicional quanto como filosofia realista de sobrevivência. No entanto, psicanalistas e antropólogos demonstram as

funções sociais e os benefícios individuais do ritual e do sentimento de luto. Mas a privação do luto é o preço a pagar para alcançar a eternidade em nossa existência mediante a rejeição da morte (CASTELLS, 1999, p. 480).

Freire (2006) salienta que é importante o entendimento de como a morte e o luto são tratados em uma sociedade onde o individualismo vigora. A autora enfoca que, a partir da individualização da dor, os ritos de despedida tornam-se mais superficiais, com as expressões de sofrimento minimizadas. A morte interditada das sociedades atuais leva à individualização dos sentimentos diante da finitude humana. A falta de reflexões sobre o fim da vida tem relação direta com o individualismo e a exigência de aproveitamento do tempo.

Louis-Vincent Thomas, introduzindo Bayard (1996), explica que os ritos funerários são rodeados de simbolismo. Eles estão relacionados com o tratamento concedido ao defunto e com a preocupação em honrá-lo e em tratá-lo como se não tivesse morrido. Mas, os funerais realizados na atualidade são vazios de ritos, com conteúdos empobrecidos. A palavra cerimonial é mais adequada do que a ritual para os enterros de hoje. Bayard (1996) acrescenta que nas sociedades de consumo as cerimônias fúnebres são bastante discretas ou até esquecidas. O autor é incisivo ao dizer que a “nova fórmula” de acompanhamento dos moribundos é ridícula se for comparada aos costumes da antiguidade.

Seria necessário reaprendermos a nos reconciliar com a morte, reintroduzindo-a em nossa vida com nova perspectiva, como sabiam fazer nossos antepassados das civilizações arcaicas, os quais tinham mais bom senso do que nós, unindo-se aos grandes ciclos da natureza, simplesmente vivendo envolvidos no sagrado (BAYARD, 1996, p. 140).

Na sociedade moderna, onde o individualismo é preponderante, não há mais espaço para a demonstração pública dos sentimentos. O contato com os mortos é deixado em segundo plano, da mesma forma que a sociedade não se preocupa mais com os enlutados. O homem está mais voltado para si e para as suas atividades do que preocupado em dar uma sustentação para o grupo social. Dastur (2002) situa que a experimentação do luto, pela perda de um ente querido, vai remeter o ser humano à experiência de sua própria morte, vai fazer com que ele viva

a morte, com que ele se dê conta da fragilidade de sua individualidade, âmbito que dá bases para que o luto não tenha aceitação nas sociedades atuais.

No contexto atual, o sofrimento causado pela perda de um parente tornou-se um problema particular, referente apenas àquele que perdeu, às famílias do falecido. Se a sociedade der espaço para a manifestação do luto, ela vai estar abrindo margens para a fragilização da individualidade dos seus membros; para que eles fiquem suscetíveis de refletir sobre a sua própria finitude e para que eles sejam condenados a ser incomodados com a sensação da mortalidade estar cercando, estar batendo à porta. A finitude é um fenômeno real, basta o homem dar uma pequena brecha, que ela se faz presente.

Na perspectiva de que a sociedade atual não “aceita” o luto, estar enlutado é estar inadequado aos padrões sociais vigentes, é estar relembrando que o homem é finito e que passa por sofrimentos diante do processo da finitude. O luto faz com que o homem reflita sobre as suas limitações:

É então quando a morte, através do luto, apresenta-se não apenas como uma experiência social, coletiva, mas também individual, privativa – pois refere-se à consciência que o homem tem de si e de suas limitações, e ainda à sua dor pela partida do próximo. Este sentimento de aflição provocado pelo luto desdobra-se numa série de conseqüências sociais [...] (FREIRE, 2006, p. 50).

Koury (2003) explica que o distanciamento em relação aos ritos de morte e aos mortos tem sido a tendência da nova sensibilidade que tem se formado no Brasil urbano atual. O autor trabalha com a hipótese de que a morte e sua relação com o mundo dos vivos, na sociedade brasileira atual, transparecem a noção de terem sido capturadas por códigos individualistas, ao invés de demonstrarem traços de sociabilidade relacional. Tornam-se estranhas, neste contexto, as manifestações públicas de dor e a demonstração de sofrimentos. No passado, era vigente o hábito de se fazerem rituais como missas de corpo presente, cultos e missas de sétimo, trigésimo e um ano de falecimento. Tais hábitos, hoje, parecem ter perdido espaço na sociedade individualista. Mesmo que se mantenha a realização dos ritos, são abandonados os gestos de expressão de sofrimento perante o público.

Refletindo o caso brasileiro, Koury (2003) também aponta o individualismo como um fator para o esvaziamento dos valores do luto na sociedade atual. O autor ressalta que houve um impedimento tácito às manifestações de expressões de sentimentos no momento da finitude humana. Nas relações vividas nas sociedades brasileiras da atualidade, a reprovação às práticas do luto se manifesta como tendência explícita. Não há lugar para o acolhimento dos enlutados e nem para manifestações de sofrimento perante o público. A sociedade não serve mais como suporte.

Há um mascaramento da dor da perda para que o bem-estar social não seja perturbado, para que o cotidiano da sociedade não seja atrapalhado com a idéia da finitude humana. A expressão pública de dor e de tristeza é escamoteada para os bastidores da vida social e, assim, a individualidade humana não fica ferida com a agonia do sofrimento dos outros e com a lembrança da própria morte.

No conjunto das relações pessoais, a tendência atual é a de reprovação tácita ao luto expresso publicamente, como se a dor causada pelo sofrimento pessoal de uma perda contaminasse os outros com a presença da morte. O sofrimento e o processo de introjeção do morto em si, que compõem o trabalho do luto, situam-se cada vez mais, como subjetividade e como uma espécie de império da memória pessoal do enlutado (KOURY, 2003, p. 196).

No contexto atual, no Brasil urbano, as atitudes predominantes perante a morte se caracterizam pela negação das práticas relacionais e pela emergência do individualismo. As atitudes do homem perante a finitude humana não enfatizam mais os processos integrativos, a solidariedade, o acolhimento aos enlutados. Fica evidente que o final da vida, no Brasil urbano atual, é marcado por atos de discrição. As emoções sociais ficam restritas ao âmbito privado. Não há mais lugar para elas no espaço público.

Koury (2003) reitera que a tônica moderna do luto, no Brasil urbano, é o reflexo de um caminho completamente marcado pela individualização. São traços da experiência do luto praticado na atualidade no Brasil urbano a indiferença, o fingimento de que a morte e o sofrimento não existem, além da banalidade em relação ao trato da morte. Os processos de sofrimento da perda são jogados para a

intimidade do sujeito enlutado, que sofre a tristeza sozinho ou acompanhado apenas de seus familiares e das pessoas mais próximas de sua família.

É traço automático nas relações sociais no Brasil atual o interdito às manifestações públicas de sofrimento pela perda de alguém querido e, também, às demonstrações de solidariedade. A lógica da solidão perante a morte está disseminada, e as sociedades não dão mais amparo emocional para os sujeitos enlutados. Assim, as práticas relacionais, no Brasil urbano atual, estão se sustentando com bases individualistas (KOURY, 2003).

O individualismo no Brasil parece vir se constituindo através do controle social dos processos de individuação. As emoções tidas como fundamento do indivíduo enquanto instância privada são apropriadas socialmente como expressões de desejo e tratadas como relações mercantis próprias ao consumo, ou como questões específicas do individual. A pulverização da pessoa vem se fazendo através da fragmentação de papéis sociais e da tendência para uma radicalização do individualismo nas relações sociais (KOURY, 2003, p. 200).

Koury (2003) salienta que é a ambigüidade nas relações e nos sentimentos expressos a marca das relações de sociabilidade do Brasil do século XXI. A discrição perante a morte começou a vigorar no país desde o final do século XIX, quando a morte e o morrer começaram a ser retirados gradualmente da cena pública. O autor aponta que algumas tradições perante a morte, como a realização de velórios longos e dialogar com os mortos, mesmo que em fase de declínio, foram praticadas até meados dos anos 60 do século XX entre os habitantes dos espaços urbanos brasileiros.

Sébastien Charles, introduzindo o pensamento de Lipovetsky (2004b), diz que a pós-modernidade é o momento histórico em que os elementos institucionais que freavam as manifestações do indivíduo e a sua emancipação desapareceram. O pensador enfoca que o consumo das massas e os valores que ele veicula, como o hedonismo, são elementos responsáveis pela passagem da modernidade à pós- modernidade, que pode ser remetida à segunda metade do século XX.

A mutação de valores identificada por Charles se aproxima cronologicamente do período de negação mais intensa à presença da morte e ao cultivo de rituais perante a finitude humana. Na medida em que o homem começa a

se preocupar mais com a sua realização pessoal, a presença da morte, no seu meio, pode ser um fator incômodo, pois vai remeter ao pensamento da sua própria morte. Lipovetsky (2004a) salienta que a entrada das sociedades na era do consumo é um fator que leva ao enaltecimento dos valores individuais, à busca do prazer e da satisfação íntima. O hiperindividualismo12 persegue a maximização dos ganhos do

homem na maior parte das esferas de sua vida, como na sexualidade, na religião e na política. Então, o individualismo diante da morte do outro é uma maneira do homem se defender do pensamento de sua própria finitude e de escamotear o seu sofrimento.

Morin (2005a) diz que o desenvolvimento do individualismo, o qual é fruto do pensamento, da consciência e da reflexão, não deve levar à redução do ser humano apenas à individualidade. O ser humano está envolto em um contexto e se define como pertencente à tríade indivíduo/sociedade/espécie; o indivíduo é um termo que forma o conjunto da tríade e cada um dos termos contêm os outros. O autor associa a relação entre os elementos da tríade com a complexidade humana:

Indivíduo, sociedade e espécie são, assim, antagônicos e complementares. Imbricados, não estão realmente atrelados; há a perplexidade da morte entre o indivíduo efêmero e a espécie permanente; há o antagonismo do egocentrismo e do sociocentrismo. Cada um dos termos dessa trindade é irredutível, ainda que dependa dos outros. Isso constitui a base da complexidade humana (MORIN, 2005a, p. 52).

Apesar da relação entre os três elementos, o indivíduo pós-moderno está mais voltado para si do que para a sociedade e para a espécie. Ele almeja viver plenamente a sua vida, prezando por finalidades individuais, como o amor, a felicidade, o bem-estar, o conhecimento, o poder e a aventura. A partir da ênfase aos valores individuais, Morin (2005b) salienta a necessidade de uma religação entre os elementos da tríade indivíduo/sociedade/espécie. O grande problema ético contemporâneo se situa na ênfase do individualismo em detrimento do espírito

12 Lipovetsky (2004b) refere-se ao momento atual como a sociedade hipermoderna, onde há uma

maximização dos valores da modernidade. O autor explica que o homem da sociedade hipermoderna é hiperindividualista, sendo muito mais voltado para si, dono da sua existência e tendo menos proteção da sociedade como um todo e das instituições.

comunitário. Tal idéia pode ser evidenciada na observação da morte, no decorrer da história, onde fica visível o abandono da solidariedade com o grupo e, principalmente, com aqueles que estão sofrendo pela perda de alguém próximo. A dor do outro não é mais uma questão que pertence à sociedade como um todo e, sim, ao âmbito privado. O prazer de cada indivíduo se sobrepõe à necessidade de observação dos sentimentos alheios. É o hedonismo preponderando sobre a solidariedade.

Como forma de religação, Morin (2005b, p. 2002) aponta o amor como experiência fundamental entre os seres humanos: “Amor é também coragem. Ele nos permite viver na incerteza e na inquietude. É remédio para angústia, resposta para a morte e o consolo”.