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Discussion with the management of Fish Pool

III. Firms and owner-managers

5. Shrimp Cash Market Prices

5.4 OLS Regression

5.5.3 Discussion with the management of Fish Pool

Como foi explicitado na introdução, juventude também é um conceito analítico importante para esta pesquisa. Sposito (1994) afirma que a categoria juventude e sua definição “estão sempre revestidos de um caráter histórico-social”, o que exige o estabelecimento de algumas delimitações. Segundo ela, este momento da vida é traduzido pelo intervalo, que varia no tempo de maneira histórica, entre a posse de condições de reprodução biológica e de produção social, caracterizada pela maturidade física e mental para o trabalho. A autora afirma que o reconhecimento por parte da sociedade de sua habilitação plena para o desempenho dessas atividades na vida adulta encerra o período de juventude. Por essas razões, “a caracterização do jovem deve ser traçada sob o ponto de vista relacional, ou seja, a partir de uma forma peculiar de relação que ele mantém com o mundo adulto e, consequentemente, de sua busca de distância do universo infantil” (SPOSITO, 1994, p.163).

Os trabalhos das autoras Sposito (1997) e Sales e Paraíso (2010) falam da necessidade metodológica de se fixar alguns critérios relativos à faixa etária, que constitui um procedimento inicial útil para a organização da pesquisa sobre juventude, pois compreende uma primeira delimitação como ponto de partida. Mas, mesmo neste caso, Sposito (1997) traz a reflexão de que é preciso considerar as condições sociais em que se opera o desenvolvimento dos ciclos de vida em

sociedades como a brasileira. De acordo com o Estatuto da Juventude15, promulgado em 5 de agosto de 2013, são consideradas jovens as pessoas com idade entre 15 e 29 anos de idade.

Como categoria analítica, a juventude começou a ser percebida em sua pluralidade a partir de estudos que a transformaram em objeto de pesquisa, ou seja, passou a ser compreendida em suas múltiplas expressões e vivências, sendo definida além de critérios de idade ou biológicos (GARBIN; TONINI, 2012). Dayrell (2003) aprofunda o entendimento sobre a juventude ao discutir a pluralidade dos modos de ser jovem, tendo em vista que “construir uma definição da categoria juventude não é fácil, principalmente porque os critérios que a constituem são históricos e culturais” (p.41). Ele entende a juventude como parte de um processo mais amplo de constituição de sujeitos, mas que tem especificidades que marcam a vida de cada um/a. A esse respeito o autor afirma que a juventude não se reduz a uma etapa da vida caracterizada simplesmente como uma passagem. Ela é influenciada pelo meio social no qual se desenvolve e pela qualidade das trocas que este proporciona (DAYRELL, 2003). Assim, os/as jovens constroem determinados modos de ser que apresentam especificidades, ou seja, não há um modo único de ser jovem. É nesse sentido que o autor enfatiza a noção de juventudes, no plural, para falar também da diversidade de modos de ser jovem (DAYRELL, 2003).

O autor conclui que o/a jovem é um sujeito social e sua condição juvenil é uma construção histórica e cultural (DAYRELL, 2003). A condição juvenil pode ser compreendida como o conjunto de diferentes dimensões que fazem parte da vida dos/as jovens. Segundo Dayrell (2007), a condição juvenil está associada à maneira de ser jovem perante a vida e à sociedade. Mas, de acordo com o autor, também se refere às circunstâncias necessárias para que se produza esse modo de ser jovem. Isto implica afirmar que a condição juvenil apresenta duas dimensões, associadas ao modo como uma sociedade constitui e atribui significado a esse momento da vida do indivíduo. Uma dimensão está associada ao contexto histórico-geracional do/a jovem, e a outra está relacionada ao modo como tal condição é vivida a partir das diferenças sociais produzidas por questões de classe, gênero, etnia, entre outras (DAYRELL, 2007). Para o autor, a condição juvenil se expressa simbolicamente por

15 Lei nº 12.852, de 5 de agosto de 2013. Ela institui o Estatuto da Juventude e dispõe sobre os

direitos dos jovens, os princípios e diretrizes das políticas públicas de juventude e o Sistema Nacional de Juventude - SINAJUVE. Disponível em <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2013/Lei/L12852.htm> Acesso em: 13/05/2016.

meio das culturas juvenis, caracterizadas pelas práticas, produções e vivências culturais dos/as jovens (DAYRELL, 2007).

Sales (2010) afirma que as culturas juvenis estão associadas ao modo de relacionar com os/as outros/as e com os espaços, e estão presentes nas práticas cotidianas dos/as jovens, como a música que escutam, o estilo que se vestem e o modo como se comunicam. As práticas culturais juvenis são vivenciadas em diversificados territórios, como na escola e no ciberespaço. E o uso do YouTube para estudar os conteúdos curriculares pode ser entendido como uma prática cultural juvenil. Tais considerações nos levam a refletir sobre as constantes mutações nas culturas juvenis, tornando tais culturas sempre atuais e alinhadas com as vivências e experiências da juventude. Desse modo, Garbin e Tonini (2012) afirmam que se problematizarmos o conceito de juventude com as “lentes da cultura”, poderíamos ver tais juventudes como, no mínimo, comunidades de estilos, atravessadas por identidades de pertencimento, desde o look de suas vestimentas e adereços, incluindo aqui estilos musicais, comportamentos, gírias, atitudes corporais, ou seja, em sua multiplicidade de formas de existência.

Outro conceito, que auxilia na compreensão das múltiplas dimensões dos/as jovens e que também está relacionado às culturas juvenis, é o de identidade juvenil. É importante considerar que a identidade, no campo de pesquisa dos Estudos Culturais, é fluida, móvel e sempre em construção (HALL, 1997). Segundo Hall (1997, p.14) “a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia”. De acordo com Moreira e Candau (2014), a identidade juvenil também é produzida pelas culturas juvenis. Para ampliar o entendimento sobre as culturas juvenis e posteriormente abordar o conceito de identidade juvenil, Dayrell (2003) complementa este conceito ao afirmar que ser jovem não significa viver experiências de maneira uniforme. O autor argumenta que o cotidiano da juventude está marcado por condições sociais, econômicas e culturais, tornando as vivências dos/as jovens bastante heterogêneas, permeadas por diferentes culturas. Neste contexto, a diversidade das culturas juvenis tem demonstrado, de forma bem marcante, o quanto é equivocada a visão homogeneizadora da juventude, uma vez que esta categoria, desde o século XX, passou a ser percebida em sua pluralidade (DAYRELL, 2003).

Silva e Silva (2012) também afirmam que os diferentes espaços sociais e culturais por onde os/as jovens circulam, elaboram, desenvolvem e aprendem

valores, hábitos, visões de mundo e saberes tornam-se elementos que constituem suas identidades. Neste sentido, utilizar o YouTube também faz parte da identidade juvenil por estar integrado às culturas juvenis. Moreira e Candau (2014) afirmam que, por ser uma construção social e histórica, a identidade juvenil está em constante mutação, influenciada pelo ecossistema das relações entre o/a jovem e o ambiente ao seu redor. É importante ressaltar que a visão da identidade como algo coerente, que recebemos ao nascer e progressivamente se desenvolve ao longo de nossa vida, já foi, dentro do campo dos Estudos Culturais, modificada pela concepção da identidade como fragmentada, contraditória e em permanente processo de construção (HALL, 2003). Em outras palavras, trata-se de acentuar que as identidades são culturalmente elaboradas (MOREIRA; CANDAU, 2014).

O currículo escolar tem um importante papel na aproximação destas identidades e culturas juvenis com a cultura escolar. Segundo Santomé (2012), o currículo escolar geralmente não está atento para as vivências e práticas diversas que caracterizam o/a jovem, associando-o a um caráter universal. Neste sentido, o autor destaca que em muitas situações o currículo é adultocêntrico. Segundo ele “o adultocentrismo de nossa cultura nos leva a uma ignorância realmente grande acerca do mundo (...) da juventude” (SANTOMÉ, 2012, p. 159). Daí a necessidade de refletir sobre uma juventude que não é mais concebida como uma parcela da sociedade sem características próprias. Estudos e pesquisas têm demonstrado que a categoria juventude é marcada em sua diversidade sócio-histórico-cultural e em outros aspectos, imprimindo-lhe uma dinâmica própria de acordo com suas experiências e necessidades (DAYRELL, 2008). Analisando sob esta ótica o uso do YouTube, bem como de outras ferramentas da web, como uma prática da cultura juvenil contemporânea, é possível inferir que esta prática pode atuar na produção das identidades juvenis e na constituição da juventude ciborgue, assunto este que será discutido no próximo tópico deste referencial teórico.