Utilizou-se o valor da mediana entre os 27 pontos de monitoramento para o cálculo da razão N:P na superfície e fundo do reservatório. Durante os períodos de estiagem e chuvas, os valores da razão N:P foram sempre <10 indicando que a produtividade primária no ambiente
possivelmente seja limitada por nitrogênio e não por fósforo. As razões N:P obtidas para a superfície e fundo no período de estiagem foram de 6,57 e 4,34 respectivamente. Enquanto que no período de chuvas, a razão N:P na superfície foi de 4,56 e no fundo de 4,47. Os resultados são condizentes com os mapas da krigagem dos valores de Cl-a, N e P, onde visualmente detecta-se maior correlação entre a clorofila-a e o nitrogênio, e com os cálculos dos coeficientes de correlação linear de Pearson entre os mapas da krigagem que, também indicaram maior correlação entre a clorofila-a e o nitrogênio, exceto no fundo na estação de estiagem.
Em corpos d’água que recebem descargas de esgotos, existem fortes evidências de que, ao contrário do que é usualmente aceito, o nitrogênio, e não o fósforo tem assumido o papel de nutriente limitante na eutrofização de ambientes aquáticos tropicais. Isto se deve ao fato de que a relação média N/P nos esgotos domésticos, que constituem a principal fonte de eutrofização, é de 8, ou seja, bastante inferior à relação encontrada na biomassa das algas. Além disso, a ocorrência de processos de desnitrificação e de fertilização interna (liberação de fósforo do sedimento) também contribuem para que o nitrogênio esteja presente em concentrações inferiores à demanda algal convertendo-se, portanto, no nutriente limitante (SPERLING, 2000).
Pesquisando a frequência na limitação do fitoplâncton por nitrogênio em lagos tropicais, Lewis (2002) sugere que este fenômeno parece ser bastante comum. Segundo o autor, as tendências latitudinais nas taxas metabólicas hipolimnéticas, a baixa capacidade do hipolímnio em reter oxigênio e o tempo de estratificação causam um gradiente no processo de desnitrificação provocando depleção do nitrogênio em alguns lagos tropicais.
Durante os períodos de estiagem e chuvas, os valores da razão N:P foram sempre menores no fundo do reservatório. Isto pode ser resultado da baixa amplitude de variação das concentrações nitrogênio entre a superfície e o fundo comparando com o fósforo, que apresentou valores bem mais expressivos no fundo do reservatório no decorrer do monitoramento sazonal, resultando numa baixa razão N:P neste estrato. As concentrações mais elevadas de P no fundo podem ser resultado da liberação deste íon do sedimento para a coluna d’água. Segundo Esteves (1998) o ciclo do fósforo no sedimento é diretamente influenciado pela concentração de oxigênio da água de contato (água sobre o sedimento).
O perfil de oxigênio no reservatório apresentou expressiva depleção no fundo (Figura 19) durante o monitoramento sazonal e nictemeral, atingindo valores mínimos de 1,2 e 1,9% respectivamente. Nesse sentido, em fundo aeróbio o fosfato é precipitado, enquanto que em fundo anaeróbio este é liberado para a coluna d’água. Resultados de pesquisa de Boers et al.
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Capítulo 5 – Resultados e discussão Cigagna, C.
(1998), demonstram que a contribuição interna, isto é, a liberação de fósforo do sedimento para a coluna d’água pode ser de igual intensidade, ou mesmo exceder, a contribuição externa de fósforo para a permanência do nível de eutrofização. A ressuspensão do sedimento por organismos bentônicos (bioturbação) ou a hidrodinâmica das águas de fundo também podem contribuir para a liberação do fosfato do sedimento.
O fenômeno de adsorção de fosfato às argilas possui grande importância em águas continentais tropicais visto que, a maioria destes corpos aquáticos recebe consideráveis aportes de argilas de suas bacias de drenagem Esteves, (1998); Ferreira et al., (2005). As argilas presentes no sistema aquático, dependendo das condições físico-químicas do meio e de sua concentração em ferro e alumínio, podem precipitar grandes quantidades de fósforo. Muitas argilas apresentam grande capacidade de adsorção de fosfato, principalmente aquelas que têm na sua constituição, ferro e alumínio, como a hematita e a gipsita Esteves, (1998).
O reservatório da FEENA é densamente ocupado por macrófitas aquáticas durante todo o período sazonal. A degradação de todo deste material que, após a morte, se deposita no fundo da bacia lacustre, pode ocasionar à liberação de fosfato para a coluna d’água. Segundo Esteves (1998) a maior parte do fosfato contido na biomassa do fitoplâncton, macrófitas aquáticas, zooplâncton, nécton e bentos é liberada após a morte desses organismos para a coluna d’água aumentando significativamente a concentração deste macronutriente. Desta forma o nitrogênio pode se tornar o fator limitante por estar em menor quantidade.
Tabela 13 - Razões N:P na superfície e fundo para os períodos de estiagem e chuvas.
N:P = 6,57 Superfície
N:P = 4,34 Fundo
N:P = 4,56 Superfície
N:P = 4,47 Fundo
Fonte: elaborado pelo autor.
5.8 ÍNDICE DO ESTADO TRÓFICO (IET)
O cálculo do IET foi realizado utilizando-se a o valor da mediana dos teores de fósforo e clorofila-a nos vinte e sete pontos amostrados na superfície correspondentes ao período de estiagem e chuvas. No período de estiagem, o reservatório foi classificado como mesotrófico
Período de estiagem Período de chuvas
(Tabela 14). O IET (P) calculado classificou o ambiente na mesma classe trófica (mesotrófico), enquanto que o IET (CL) classificou o ambiente em uma classe superior, ou seja, eutrófico. Desta forma, o grau de limitação é considerado “baixo”, isso indica que, possivelmente, existam condições favoráveis para a produtividade primária, considerando os nutrientes disponíveis (LAMPARELLI, 2004).
Tabela 14 – Índice do estado trófico calculado no período de estiagem.
IET (P) 46,70
IET (CL) 45,55
Fonte: elaborado pelo autor.
No período de chuvas, provavelmente em decorrência da lixiviação de nutrientes na bacia de drenagem, as concentrações de N e P foram mais elevadas tanto na superfície quanto no fundo. Com o aumento do aporte de nutrientes, o reservatório foi classificado como eutrófico (Tabela 15). Neste caso, o IET (P) e o IET (CL) indicaram a mesma classificação trófica, ou seja, eutrófico. Sendo assim, segundo Lamparelli (2004) o grau de limitação é considerado “normal”.
Tabela 15 – Índice do estado trófico calculado no período de chuvas.
IET (P) 62,29
IET (CL) 58,64
Fonte: elaborado pelo autor.
IET= 46,12 (mesotrófico)
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