A quantidade de água da chuva que pode ser recolhida depende da área de recolha, da precipitação atmosférica da localidade e do coeficiente de runoff da superfície de recolha (May, 2004). Normalmente, a superfície de recolha é a cobertura do edifício (telhado ou laje), dependendo a qualidade da água recolhida dos materiais que foram utilizados para a construção, dos materiais nela depositados e da manutenção (May, 2004 e Bertolo, 2006).
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As coberturas devem ser limpas, uma ou duas vezes por ano, principalmente no final de cada estação seca. Deve verificar-se a presença de detritos acumulados, incluindo folhas e outro material vegeta, o material acumulado deve ser removido. Se existirem árvores com ramos pendentes sobre a cobertura, estes devem ser podados, evitando maior deposição de detritos e um meio de acesso a pequenos animais (EnHealth Council, 2004 e Bertolo, 2006).
Existem diversos tipos de materiais que podem ser utilizados para a cobertura, contudo, estas devem ser efetuadas com materiais quimicamente inertes, tais como plástico, alumínio ou fibra de vidro. No entanto, são também considerados outros materiais como telhas de cimento ou argila, fibrocimento ou asfalto, entre outros. Recomenda-se que a tinta utilizada para a pintura da cobertura seja não- tóxica, não contendo chumbo na sua composição (Quadros, 2010). Em coberturas novas, é aconselhável o desvio das águas da primeira chuva significativa, de modo a retirar detritos e poeiras resultantes da sua construção (Bertolo e Simões, 2010).
Nem toda a água da chuva que cai sobre uma superfície é recolhida e transportada para o reservatório. Isto deve-se às perdas que podem ocorrer devido ao tipo de material da cobertura e ao seu declive, à evaporação e até ao armazenamento. Uma cobertura feita de um material liso e impermeável terá maior quantidade de água recolhida. Em coberturas metálicas as perdas podem considerar-se desprezáveis, em coberturas de cimento as perdas consideram-se inferiores a 10% do total e em coberturas à base de betume ou cascalho o máximo de perdas pode atingir os 15% (Bertolo e Simões, 2010). Assim, deve ser considerado um coeficiente de escoamento, que será mais elevado para os materiais mais impermeáveis (coeficiente de run off).
De acordo com o Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais (Decreto-Lei 23/95, 1995), o coeficiente de escoamento é a razão entre a precipitação útil – a precipitação que dá origem ao escoamento – e a precipitação efetiva – a que escoa para o reservatório (QUADRO 3.1).
QUADRO 3.1 - Coeficiente de escoamento de acordo com o tipo de superfície de recolha Superfície de Recolha Coeficiente de Escoamento
Telhados
Telhas Cerâmicas 0,80 – 0,90
Telhas Esmaltadas 0,90 – 0,95
Telhas Corrugadas de Metal 0,80 – 0,90
Cimento, Amianto 0,80 – 0,90
Plástico, PVC 0,90 – 0,95
Relvados
Solo Arenoso, plano (2%) 0,05 – 0,10
Solo Arenoso, declive médio (2% - 7%) 0,10 – 0,15
Solo Arenoso, declive elevado (7%) 0,15 – 0,20
Ruas
Asfaltadas 0,70 – 0,95
Betonadas 0,80 – 0,95
Vias para automóveis e peões 0,75 – 0,85
Fonte: Tomaz, 2003
As superfícies de recolha com inclinação são preferíveis para o aproveitamento de águas pluviais, pois a água escoa mais facilmente pela força da gravidade. Como a matéria orgânica pode acumular- se entre eventos de precipitação, uma cobertura íngreme permite que a água flua mais eficiente e rapidamente pela superfície, o que ajuda à limpeza da superfície (VRHM, 2009).
3.2.1 Coberturas Metálicas
As coberturas metálicas, à exceção das coberturas de cobre e com componentes de chumbo, são recomendadas para o aproveitamento de águas pluviais (VRHM, 2009). Geralmente, as coberturas metálicas apresentam uma textura suave e um elevado coeficiente de escoamento, onde, como já foi descrito, as perdas são desprezáveis. Há que ter em conta algumas precauções em relação a alguns materiais metálicos (TWDB, 2005). Os rufos com chumbo podem levar a contaminação da água pluvial, podendo ocorrer a lixiviação do chumbo no escoamento de coberturas mal conservadas, este processo pode ser potenciado por chuvas ácidas com substâncias orgânicas, como folhas velhas (EnHealth Council, 2004).
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Como o chumbo, também já foram encontrados vestígios de alumínio e de zinco em escoamentos de coberturas nestes materiais. Apesar de a presença destes materiais afetar a parte estética da água pluvial – com efeitos de coloração no caso do alumínio e efeitos no odor e no sabor no caso do zinco – não foram identificados riscos para a saúde pública. Contudo, a ingestão de cobre pode causar problemas gastrointestinais e pode causar danos a nível renal e hepático em casos de exposição prolongada (VRHM, 2009).
3.2.2 Coberturas em Madeira
Devido ao baixo coeficiente de escoamento e aos variados produtos utilizados para revestir e tratar a madeira utilizada em coberturas, este tipo de material não é aconselhado para efetuar a recolha de água pluvial (VRHM, 2009). Assim, a madeira tratada pode ser uma fonte de contaminação química se existir contacto direto com a água pluvial e os conservantes utilizados (EnHealth Council, 2004).
3.2.3 Coberturas em Fibrocimento e Amianto
Atualmente, este tipo de materiais já não são regularmente utilizados, podendo existir algumas coberturas em habitações mais antigas (pré-anos 70). As fibras de amianto, quando inaladas em determinadas quantidades, podem ser prejudiciais para a saúde pública. Contudo, não se admite que a presença de amianto na água para consumo apresente um risco (Australian Drinking Water Guidelines, 1996).
Deve ser evitada a limpeza deste tipo de coberturas com métodos de limpeza com alta pressão. As coberturas em amianto devem ser mantidas intactas, pois as fibras podem ser libertadas no ambiente por ações de corte, raspagem ou por furos efetuados na cobertura. Nas zonas deterioradas, deve ser feita a substituição por materiais livres de amianto ou fibrocimento (EnHealth Council, 2004).
3.2.4 Coberturas à Base de Telhas de Cimento ou Argila
As coberturas semi-porosas absorvem alguma água pluvial, reduzindo a eficiência da recolha do sistema. A superfície com coloração destas coberturas poderá oxidar com o tempo pelo desgaste natural. Esta camada oxidada poderá quebrar e ser conduzida para os reservatórios, fornecendo cor à água. A camada não é tóxica e, se não for perturbada, irá assentar na base do reservatório. A cor poderá reaparecer após um evento de precipitação forte, se o material que está assentado for perturbado pelo escoamento da água no reservatório. A situação poderá ser ultrapassada pela lavagem das caleiras, evitando a entrada de material no reservatório, este deverá ser esvaziado e limpo (EnHealth Council, 2004 e Bertolo e Simões, 2010).
3.2.5 Coberturas com Telhas de Asfalto
As coberturas com telhas de asfalto são normalmente identificadas com impróprias para a recolha de água pluvial para fins potáveis. As telhas de asfalto podem libertar tanto chumbo como mercúrio (VRHM, 2009). Contudo, a composição de uma cobertura específica em asfalto altera-se consoante a localização, assim estas superfícies podem ser utilizadas para irrigação de jardins (Quadros, 2010).
3.2.6 Pinturas e Proteções para as Coberturas
Antes da aquisição de materiais ou tintas para coberturas onde irá ser recolhida água pluvial, devem ler-se as recomendações do fabricante nos rótulos e brochuras, sendo que em caso de dúvida, deve contactar-se o fabricante. Existem três tipos de tintas e proteções para coberturas (EnHealth Council, 2004 e Bertolo e Simões, 2010):
Pinturas com base em chumbo (incluindo primários) – as concentrações de chumbo têm sido diminuídas nos últimos anos, contudo podem ser tóxicas para os utilizadores;
Pintura acrílica – nos primeiros eventos de precipitação após a aplicação de tinta acrílica, irá ocorrer lixiviação de substâncias químicas. Assim, deverá existir desvio das primeiras águas; Pintura de base betuminosa (alcatrão) – não é recomendada, pois pode ocorrer lixiviação de
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