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Marked, struktur, strategi og prisdannelse

1.3 Markedsregulering, markeds- og kontraktsteori

1.3.1 Marked, struktur, strategi og prisdannelse

Neste capítulo, mencionaremos, em toda a sua extensão, o título da obra que nos propusemos analisar com a menção simples de Apologia, pela simples razão de que apenas o texto de São Jerônimo em questão é que vai ocupar nossa atenção e análise.

Como há uma pluralidade de modelos genéricos na Apologia, também observamos, em termos estilísticos, uma pluralidade de recursos que procuramos descrever e exemplificar, ainda que não levemos à exaustão a análise estilística do texto que analisamos. Nosso intuito é descrever as questões que Jerônimo apresenta no trato de sua relação com a língua latina, em sua época, nos seus interesses, e descrever, igualmente, a análise de um estilo rico e variado, desenvolvendo a análise dos elementos expressivos, das figuras estilísticas, dos variados motivos; as emoções do polemista e a questão do bestiário do texto da Apologia.

4.1. O latim cristão em São Jerônimo

São Jerônimo, como tantos outros autores de sua época ou anteriores a si, que podemos classificar como cristãos, trazem uma diferenciação em seu latim com relação ao latim arcaico ou mesmo em relação ao latim clássico.

M. Vendryes, citado por Christine Mohrmann251, afirma que, sendo o latim dos cristãos uma língua especial, entende-se que esta língua “só é utilizada por grupos de indivíduos postos em circunstâncias especiais”. Cada língua especial, língua de um grupo especial, é, pois, o resultado da presença de um fator de diferenciação. À medida que o elemento de diferenciação desempenha um papel mais importante na vida dos indivíduos usuários da língua especial, a diferenciação lingüística será mais intensa e mais profunda. No caso do latim cristão, o agente de diferenciação é o cristianismo, a religião do livro santo, a Sagrada Escritura.

O latim cristão nasce, pois, desse elemento de diferenciação que é o cristianismo, o tertium genus252 como se dizia então, ou seja, os cristãos se distinguiam dos judeus e dos pagãos. Tendo-se difundido, a princípio, no seio do proletariado urbano, o cristianismo foi, aos poucos, ganhando um espaço cada vez maior junto às classes aristocráticas, difundindo-se cada vez mais graças à solidariedade de grupo gerada do suportar juntos os sofrimentos e as perseguições. A revolução espiritual que se operou na sociedade antiga com o advento do cristianismo desembocaria em uma revolução lingüística, ou em nascimento de uma língua de grupo. Por outro lado, esta língua de grupo evolui no quadro do latim tardio;ela é uma língua que não se poderia separar da língua comum da época. É verdade que, com a propagação do cristianismo, este grupo de cristãos se amplia, e o que era a língua de um grupo restrito tornar- se-á a língua comum. Os traços característicos que marcavam o idioma do grupo dos cristãos serão um dia a propriedade comum de uma sociedade que se dirá cristã. Mas esta evolução nos conduz para bem além dos primeiros séculos. Em sua bagagem, o latim cristão traz muitos vulgarismos e torneios de frases populares que acabam ganhando foros de legitimidade na nova ordem e na nova língua, fixando-se na mente dos fiéis, que, a princípio, são os mais simples do povo, depois é que a aristocracia irá converter-se ao cristianismo.

Na época de Jerônimo, este grande exegeta e tradutor da Bíblia, há um grupo de matronas da aristocracia que se reúne em torno de Jerônimo para dele haurir a sabedoria que procede do conhecimento das fontes hebraicas, veiculadas na mais pura tradição da herança clássica latina. Jerônimo tem cabedal para operar a alquimia que requer todo trabalho de tradução, ou seja, não apenas a manutenção da fidelidade ao texto original e expressão adequada do conteúdo original em um novo código lingüístico e cultural, mas a atenção que dirige, por exemplo, aos elementos poéticos e estilísticos, como ritmo, sons, efeitos de estruturas sintáticas e elementos morfológicos e pragmáticos. Em relação às antigas versões da Bíblia, tal fato não se dava, uma vez que as versões existentes eram resultantes de um extremo literalismo, de formas rudes e ausência quase completa de cuidado literário. Essas versões da Bíblia escandalizavam os homens de letras. Na língua vulgar, por exemplo, o uso de quoniam era mais freqüente que na língua clássica, e a tendência de usar esta conjunção preferencialmente a outras se conservou no uso do latim entre os cristãos.

252 Expressão encontrada nos Stromata 6, 5, 41, de Clemente de Alexandria, em uma passagem em que é citado

A língua latina era por tradição uma língua de grande parcimônia no uso de vocábulos, restringindo sempre a necessidade de criação de neologismos, por índole própria e original de ser a língua arcaica dos pastores do Lácio uma língua concreta, pouco adaptada a expressões sofisticadas ou abstratas, se atentarmos às origens do povo latino, quando então se limitava a um grupo de vocábulos aos quais se restringia a necessidade básica de comunicação do primitivo povo latino. Assim, seja por exagero de nossa parte, seja porque a história da língua e da literatura latina nos dá as evidências, os romanos contavam com um vocabulário bastante limitado a um repertório quase que exclusivamente de uso imprescindível, muito característico de um povo sem sofisticação, pouco dado à expressão de raciocínios abstratos. O latim cristão, após vários séculos de experimentação, abrirá perspectivas, em parte e a seu modo, para a expressão de uma linguagem mais abstrata.

A língua dos cristãos, ao contrário, dava livre curso à criação de neologismos, a partir dos elementos morfológicos antigos, atribuindo-lhes novo significado. A partir do verbo

beare, do qual deriva beatus, beator e beatrix, os cristãos criarão beatificare, assim como

glorificare, clarificare, honorificare, magnificare. O latim cristão substituía termos do latim antigo por outros de origem grega, cultura na qual o cristianismo primitivo moldou muitas de suas expressões; assim temos propheta, em vez de vates ou fatidicus, cathecumenus em vez de auditor; magnalia em vez de portenta, ecclesia ou basilica em vez de templum, mysterium em vez de sacramentum. Houve ou passou a haver construções latinas cristãs, motivadas por estruturas similares na língua grega do tipo de interrogativa indireta introduzida por si, por exemplo.

O caráter internacional das primeiras comunidades cristãs determinou em larga escala a afluência de elementos lingüísticos estrangeiros. A consciência da novidade da religião foi o fator mais forte para operar as mudanças que se julgavam necessárias.

A obra de Henri Goelzer253 é um importante referencial para o estudo da língua de São Jerônimo. Nela vemos um amplo estudo da gramática latina nos escritos de Jerônimo e a prodigiosa renovação que Jerônimo imprimiu na língua latina, sobretudo pelos numerosos neologismos.

4.2. Elementos expressivos na língua de Jerônimo

Este item destina-se a levantar elementos expressivos na língua de Jerônimo, a saber: os elementos fônicos, o vocabulário, os elementos morfossintáticos e os elementos pragmáticos.