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Se os dados anteriores nos mostram uma concentração dos adolescentes no nível de ensino fundamental, a relação idade/série5 pode nos oferecer mais elementos para análise da situação escolar desses alunos quando do início do cumprimento da medida sócio-educativa, o que será feito por meio das tabelas 8 a 10.

51.Em um sistema de ensino seriado existe uma adequação teórica entre a série e a idade do aluno.

No caso brasileiro, considera-se a idade de sete anos como adequada para o ingresso no Ensino Fundamental e a de 14 anos para a conclusão; a faixa correta para o Ensino Médio é de 15 a 17 anos.

Tabela 8: Distribuição por série – Adolescentes 12 a 14 anos.

Fonte: Prontuários dos adolescentes.

O que se verifica, pelos dados dessa tabela, é que apenas três entre vinte e dois alunos encontravam-se na situação de relação idade/série adequada (1 aluno de 13 anos na 7ª série e 2 de 14, na 8ª série), sendo que 1 aluno de 12 anos, que completaria 13 anos em maio/2007 se encontrava na 8ª série.

Constata-se também, que apenas cinco alunos estavam com um ano de defasagem (três de 13 anos na 6ª série e dois de 14, na 7ª série), sendo que entre os outros treze alunos, cinco tinham dois anos de defasagem idade/série e outros oito mais que isso, o que caracteriza, segundo Ferraro (1999), a situação de “excluídos na escola6”.

Podemos estabelecer uma relação com o relatório do INEP (2003) que aponta que 39% dos alunos do ensino fundamental têm idade superior à adequada para a série. No conjunto dos adolescentes que estão cumprindo medidas sócio- educativas este valor é de 85,79%, ou seja, percentual muito superior ao do País que já é considerado altíssimo.

6 Por excluídos da escola entendem-se todos aqueles que, devendo freqüentar a escola, não o fazem,

independentemente de já haverem ou não freqüentado no passado. A categoria dos excluídos na

escola compreende todos aqueles que, mesmo estando na escola, por ingresso tardio ou por forças

de sucessivas reprovações e repetências, acusam forte defasagem (de dois ou mais anos) nos IDADE ESCOLARIDADE IDEAL ESCOLARIDADE ATUAL Total

3ªEF 1 12 6ªEF 8ªEF 1 5ªEF 1 5ªEF-S 1 6ªEF 3 13 7ªEF 7ªEF 1 4ªEF 1 5ªEF 5 6ªEF 4 7ªEF 2 14 8ªEF 8ªEF 2 Total geral 22

Na tabela abaixo, é possível visualizar a situação de escolarização dos adolescentes na faixa etária de 15 a 17 anos que deveriam estar cursando o Ensino Médio.

Tabela 9: Distribuição por série – Adolescentes 15 a 17 anos.

Fonte: Prontuários dos adolescentes.

O primeiro comentário a ser feito é de que apenas treze adolescentes entre 145 estavam na série adequada, portanto 132 estavam defasados em relação a este aspecto. Entre esses últimos, apenas 13 apresentavam um ano de defasagem idade/série, ou seja, 10% do total, que somados aos primeiros, perfazem

IDADE ESCOLARIDADE IDEAL ESCOLARIDADE ATUAL Total

4ªEF 1 5ªEF 6 6ªEF 2 6ªEF-S 1 7ªEF 6 8ªEF 5 15 1ºEM 1ºEM 4 4ªEF-S 2 5ªEF 5 5ªEF-S 1 6ªEF 6 6ªEF-S 1 7ªEF 2 7ªEF-S 1 8ªEF 11 8ªEF-S 1 1ºEM 2 16 2ºEM 2ºEM 2 1ªEF 1 4ªEF 2 5ªEF 6 6ªEF 11 7ªEF 6 7ªEF-S 2 8ªEF 18 8ªEF-S 3 1ºEM 22 1ºEM-S 2 2ºEM 6 17 3ºEM 3ºEM 7 Total geral 145

praticamente 18%. Portanto, mais de 90% dos adolescentes entre 15 e 17 anos encontravam-se na situação de “excluídos na escola”, com número relativamente alto de adolescentes com 3, 4, 5, 6 e 7 anos de defasagem.

Relacionando estes dados com as taxas fornecidas no relatório do INEP (2003) sobre o ensino médio verificamos que o índice daqueles alunos que têm idade superior à adequada para a série que cursam é de 53%, sendo que entre os adolescentes que estão cumprindo medidas sócio-educativas os valores são de 91,39%, bem superior às médias nacionais.

A tabela seguinte apresenta a relação idade/série dos jovens acima de 18 anos, que deveriam, portanto, ter concluído o ensino médio.

Tabela 10: Distribuição por série - Jovens acima de 18 anos.

IDADE ESCOLARIDADE Total

2ªEF 1 4ªEF 1 5ªEF 1 6ªEF 2 7ªEF 3 8ªEF 4 1ºEM 7 1ºEM-S 2 2ºEM 10 18 3ºEM 5 7ªEF 1 8ªEF 3 1ºEM 1 19 3ºEM 1 20 1ºEM 1 Total geral 43

Fonte: Prontuários dos adolescentes.

A situação desses jovens com idade acima de 18 anos, que ultrapassaram a idade da escolarização básica é semelhante aos de 15 a 17 anos, porém mais dramática, já que ultrapassaram a idade adequada para retornarem ao ensino básico, podendo-se considerar que todos eles (mesmo os que chegaram à série final do Ensino Médio – 6 - que não chegaram a concluí-lo) estavam em situação nesse caso, de “excluídos da escola” Ferraro (1999:24). Esses jovens deveriam estar cursando o nível superior, podemos observar que parte deles apresentavam a

escolaridade correspondente às séries do Ensino fundamental. É importante mencionar que não houve nenhum caso estudado que apresentasse matrícula em instituição de Ensino Superior e que apenas 6 adolescentes haviam concluído a Educação Básica e não prosseguiram os estudos.

Quanto aos índices de distorção idade série é importante fazer referência às informações presentes no relatório do INEP (2003)

Na quinta série do ensino fundamental e na primeira série do ensino médio, localizam-se os maiores índices de atraso escolar. Nestas séries, as taxas de distorção idade série são de 50% e 56%, respectivamente. Como nas séries iniciais a reprovação e o abandono são elevados, um significativo contingente dos estudantes que alcançam as séries conclusivas chega com idade acima da ideal.

A distorção idade-série também é um elemento marcante da desigualdade regional na educação. No Norte e Nordeste, respectivamente, 52,9% e 57,1% dos estudantes do ensino fundamental estão com idade acima da apropriada para a série em curso. No Sudeste, o índice é de 24%, no Sul, de 21,6% e no Centro-Oeste, de 38%.

Mesmo comparando com as taxas de atraso escolar das regiões Norte e Nordeste que apresentam os índices mais altos, em média 55%, podemos verificar que dentro do grupo formado por adolescentes que cumprem as medidas sócio- educativas esses valores são bem superiores, conforme apresentado nas tabelas anteriores, com uma média de 88 % de atraso escolar.

2. 2 Ações da instituição no acompanhamento do adolescente

Conforme apresentado anteriormente, quando da origem dos documentos que foram analisados nessa pesquisa, no primeiro encontro do adolescente com o educador social para Coleta de Dados, é realizado o agendamento do grupo em que o adolescente estará inserido no decorrer do período de cumprimento da medida sócio-educativa.

Os grupos são separados de acordo com o tipo de medida a ser cumprida e de acordo com a disponibilidade de horário apresentada pelo adolescente; nesse momento inclusive, verifica-se a necessidade de inserção do adolescente no grupo aos finais de semana ou até mesmo no acompanhamento individualizado, além de

ser verificada a necessidade de auxílio-transporte em forma de passes para os alunos mais carentes.

São programados quatro encontros por mês, sendo que, no caso do cumprimento de uma medida-sócio educativa de 6 meses, um adolescente deveria participar de um total de 24 encontros, em que seriam tratados temas que procuram oferecer elementos para sua trajetória futura, tais como, Identidade, Integração, Comunicação, Grupo, Sexualidade, Cidadania e Projeto de Vida.

No levantamento de dados nos prontuários dos adolescentes encontrei registros de algumas das atividades desenvolvidas nesses encontros, como questionários, desenhos, colagens, recortes e redações escritas sobre os vídeos e dinâmicas apresentadas que faziam parte dos encontros.